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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Rui Ramos - Observador de 17-11-2014

(...) Tanto como a investigação judiciária, este caso merece um inquérito de outro tipo, sociológico ou psicológico. Convém apurar eventuais responsabilidades criminais, mas também perceber o que se passa com a casta superior do regime. Há quem, por oposição à sociedade civil ou aos mercados, só tenha fé no Estado como centro de racionalidade e foco de padrões morais. Que pensar, quando o próprio Estado se torna a base dos comportamentos mafiosos? É a humanidade que é fraca, esteja num banco ou numa repartição pública? Ou é o Estado, envolvido em quase tudo, que gera demasiadas tentações e oportunidades? E sendo assim, poderá um Estado destes sobreviver moralmente a não ser enquanto Estado policial, vigiando-se constantemente a si próprio, como uma espécie de pequena RDA? Ontem, por coincidência, constou que o governo federal nos EUA está a usar cada vez mais agentes à paisana, isto é, espiões, para detectar fraudes e corrupção nos serviços públicos. Mas quem vigia os agentes?

Podemos ter toda a polícia e toda a espionagem que quisermos. Podemos fazer todo o escarcéu sobre a corrupção. Podemos ameaçar com as mais severas punições para os culpados. O que não podemos, de facto, é esperar que alguma máquina de vigilância e exautoração substitua o sentido individual do dever e da honra. Onde este não existe, não há concurso, escrutínio, vigilância ou dissuasão que “funcionem”.

Ao regime democrático, não lhe basta ter eleições genuínas, vários partidos e uma imprensa livre. Precisa também de políticos e funcionários de confiança. Por isso, a conversa que este caso suscitou até agora é paroquialmente burlesca: caiu o ministro, a coligação aguenta?, haverá remodelação governamental? A politiquice tem o efeito de pôr demasiada gente para além do bem e do mal. O que, por vezes, significa muito aquém da inteligência.