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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Octávio dos Santos - Público de 4-7-2015

(...) Já não restam quaisquer dúvidas… e, aliás, antes, nunca houve muitas: o AO90 não tem, não traz, quaisquer benefícios, melhorias, utilidades, vantagens; e causa dificuldades e problemas que previamente não existiam. Tudo o que se prometeu ou era uma mentira ou uma previsão (muito) optimista que não se concretizou: não só não há “unificação” como há cada vez mais confusão e separação; continuam a ser feitas diferentes edições de livros consoante o(s) país(es), e filmes portugueses  continuam a ser legendados quando exibidos do outro lado do Atlântico – como “Os Maias”, cujo realizador, João Botelho, disse que foi “para que as pessoas possam entender; somos países irmãos, mas com uma língua diferente” (não, a língua não é diferente, mas o vocabulário sim, o que torna inviável qualquer tentativa de “unificação”); a língua portuguesa não ficou mais prestigiada internacionalmente, e tanto assim é que a FIFA, após o Campeonato do Mundo de Futebol no Brasil em 2014, eliminou a versão “lusófona” do seu sítio na Internet. Em última análise, o AO90 acontece(u) apenas para alimentar o enorme ego, a vil vaidade, dos acima citados “cavaleiros” e dos seus “escudeiros”, da minoria de uma minoria, que querem poder gabar-se, como obra das suas vidas, de terem deixado a sua marca na ortografia, por mais arbitrária, ilógica e ridícula que essa marca seja. Mas é este um motivo suficiente para que toda uma nação, e o seu passado, presente e futuro, sejam prejudicados?

Portugal é neste momento o único país que de facto, pela força, pela prepotência do Estado, impôs a utilização oficial do AO90; mas ilegalmente, porque leis nacionais e internacionais foram desrespeitadas, e ilegitimamente, porque não houve um mandato para se proceder a uma mudança tão drástica num elemento essencial da identidade nacional. Pelo que o nosso país voltou a estar, não tanto “orgulhosamente só” mas mais, na verdade, vergonhosamente só. Solitário, isolado, no âmbito da Europa, da União Europeia, que se vangloria da multiplicidade linguística; em todos os outros países que a integram, vários dos quais (ab)usam (d)o “ph”, nunca se procedeu a qualquer alteração “revolucionária” deste género. O nosso país não saiu da moeda única mas, com o AO90, saiu dos costumes e das normas culturais que caracterizam as nações civilizadas do Velho Continente, do Ocidente. Essas nações partilham uma herança milenar que tem como dois valores maiores o Grego e o Latim, idiomas que o Ministério da Educação e Ciência anunciou em 2015 querer expandir no ensino nacional, e que representam, tal como o Inglês recentemente alargado ao primeiro ciclo, refutações totais das causas, características e consequências da alegada “uniformização” ortográfica; enfim, são iniciativas que demonstram o desnorte que grassa no Nº 107 da Avenida 5 de Outubro em Lisboa (e não só), onde Nuno Crato, autor do livro “O “Eduquês” em Discurso Directo – Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista”, é actualmente e “diretamente” o (incapaz) “capataz” da forma mais extrema de “”eduquês” construtivista” - o “acordês”.

Com o AO90 não há “evolução”, “modernização” e “progresso”, conceitos que os seus (poucos) convictos defensores constantemente apregoam mas cujos significados não entendem realmente; pelo contrário, há sim um retrocesso para antes de 1986… e de 1974.