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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Hoje explicaram-me por que toda a gente pintava os lábios vermelho e eu fiquei com os olhos em bico. 
 
A primeira pergunta que me veio à cabeça foi a seguinte: não acha isso ridículo? O que tu foste dizer! Só não me chamaram estúpido, porque ainda tinham uma réstia de consideração por mim, mas pouco faltou: "pensava que fosse mais inteligente." Amabilidade sua. 
 
Felizmente sou estúpido que nem uma porta. E por mais que me tentem abrir a cabeça para me meter aquilo que eles querem que eu pense cá dentro, a minha cabeça é demasiado dura e nunca se prestou a isso. Não me levem a mal, mas eu não nasci para ser ovelha de nenhum rebanho. Já tentei fazer um esforço, mas não consigo. É  mesmo falta de vocação...
 
Até hoje nunca tinha compreendido a razão por que os debates futebolísticos entre fanáticos do Benfica, Sporting e Porto tinham tanta audiência e tanto sucesso em Portugal, quando se limitavam à troca de insultos sem qualquer substância ou racionalidade. Pelos vistos, a resposta é óbvia: porque os portugueses gostam e não conseguem debater o que quer que seja assente noutros pressupostos, designadamente o conhecimento. 
 
André Ventura, pelos vistos, também conhece os portugueses melhor do que eu e sabe que, tal como no futebol, é impossível captar a atenção dos portugueses através de um discurso inteligente e coerente. Para os portugueses, futebol e política resume-se ao jogo da pedrada. O que é preciso é atirar a primeira pedra. A partir daqui, é uma festa. Cada um barrica-se na sua trincheira e o jogo da pedrada começa, sem que isso tenha qualquer racionalidade. 
 
A seguir ao 25 de Abril, o bâton, sobretudo o bâton vermelho, era símbolo da repressão sexista sobre as mulheres. Hoje, pelos vistos, é um símbolo da luta contra o fascismo???!!!...
 
Quando a luta contra o fascismo evolui da rejeição do uso do bâton vermelho para a apologia do seu uso, é caso para nos interrogarmos sobre a sanidade mental do mundo em que vivemos. E também para nos preocuparmos. Porque, como disse William Reich, "o fascismo é a irracionalidade".