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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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07 Jun, 2020

O jogo da batota

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Bastava uma pessoa não ser estúpida para perceber que tinha de haver um número significativo de clubes, se é que se podem chamar clubes, cujas administrações das SAD comiam noutra manjedoura para que fosse permitido em Portugal e na liga portuguesa aquilo que é proibido em todas as ligas europeias, designadamente serem os clubes a negociar os direitos televisivos, os jogos poderem dar em exclusivo em televisões de clubes, os jogos poderem ser comentados por comentadores-adeptos de apenas de um dos clubes, etc etc etc.

E não vale a pena vir atirar areia para os olhos e querer fazer dos outros parvos com o argumento de que nos outros países europeus também há clubes grandes e pequenos, porque a questão não tem a ver nem com a dimensão, nem com o palmarés dos clubes, mas com a independência e a autonomia dos clubes que é precisamente aquilo que define um verdadeiro clube (clicar sobre a foto para ler a notícia no Jornal de Notícias).

Ora, basta saber contar pelos dedos para perceber que 3 votos valem menos do que 15, o que significa que só é possível que sejam aprovados regulamentos que colidam com os interesses da esmagadora maioria dos clubes, se a maioria dos representantes desses putativos clubes votarem contra os interesses dos clubes que representam.

E, para o fazerem, não o fazem obviamente de graça. Se o dinheiro não chega através da redistribuição das receitas proveniente da centralização dos direitos televisivos, que é a principal fonte de receita de todos os clubes europeus, é porque chega por outra via e por baixo da mesa.

Todos os portugueses sabem isto, mesmo quando querem fingir que são tão estúpidos que não sabem somar 2 + 2, tanto assim que, se se apertar um bocadinho com eles, exaltam-se e sacam logo dos argumentos típicos dos batoteiros: "eu quero é que o meu clube ganhe sempre nem que seja com um golo com a mão" (o argumento do batoteiro assumido) ou "os outros fazem o mesmo" (o argumento do batoteiro com um pingo de vergonha).

Santana-Maia Leonardo