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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Manuel Carvalho - Público de 11-4-2015

A corrida de Sampaio da Nóvoa à Presidência da República acabou por antecipar o inevitável confronto do Partido Socialista consigo mesmo. O que se viu por estes dias não foi nem manso, nem edificante, mesmo que tenha o mérito de nos ajudar a perceber os adiamentos, as meias-palavras ou as tergiversações de António Costa. O PS “bloquizou-se”, tornou-se uma soma de tendências, de facções, de figuras e figurões que tanto se apressa a divergir sobre o perfil de um putativo candidato presidencial como sobre a mínima luz que o seu líder decida trazer acerca da sua orientação programática ou política. O que está por estes dias em causa, como a mais que provável candidatura de Sampaio da Nóvoa mostrou exuberantemente, já não são simples divergências sobre os contornos de uma alternativa; o que emergiu por estes dias foi um saco de gatos onde vale tudo menos a ponderação e a preocupação em manter a fachada de uma liderança em crescentes dificuldades.

Percebeu-se desde muito cedo que António Costa teria pela frente a árdua tarefa de manter sobre a mesma esfera de influência gente tão diferente como a que se situa nos campos do socratismo, do soarismo, do segurismo ou do guterrismo. (...)

Os mais optimistas acreditaram que bastava um golpe institucional que mudasse a liderança para que o partido voltasse a recuperar a sua aura e o seu programa. Hoje é mais do que evidente que essa visão idílica do mundo não passava de uma superficialidade. O problema do PS é muito mais do que um rosto ou de uma equipa. O problema do PS é uma grave crise de identidade que dificulta a criação de um projecto político coerente e a consolidação de uma liderança capaz de o aplicar com sucesso eleitoral. (...)

A sua preocupação em enunciar um programa vago e em adiar para vésperas do Verão a apresentação de um programa de Governo justifica-se com uma tentativa de ganhar tempo. Porque António Costa sabe que, mal ponha na rua uma medida concreta que tenha impacte no orçamento (ou, se preferirem, na noção de austeridade), vai ter de responder não apenas aos seus adversários no parlamento como aos seus inimigos no interior do partido (...).