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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Eu só tive verdadeiramente a consciência de que isto era assim (clicar sobre a foto para ler a notícia) quando li o estudo da Uefa de 2015 sobre a relação adeptos/clube por país. Até esta data, se alguém ler os meus post nos meus blogs "Rexistir", o primeiro (2004 a 2008), e "Coluna Vertical", a partir de Agosto de 2008, assim como o meu livro "A Terra de Ninguém", vai constatar que eu só muito raramente publiquei textos sobre futebol. Alguns sobre o Apito Dourado, mas todos eles criticando a organização do futebol português. E porquê? Porque, até ler aquele estudo de 2015, nunca me passou pela cabeça que, sobretudo o Benfica (com metade da população portuguesa) tivesse uma implantação tão grande em todo o território nacional, o que aliado ao novo discurso totalitário e hegemónico dos seus dirigentes, recuperando e empunhando, de novo, velhas bandeiras e estratégias do tempo do Estado Novo, era muito preocupante.

Até ler aquele estudo, porque vivia em Ponte de Sor, uma pequena cidade alentejana próxima de Lisboa e que faz vida com Lisboa, eu pensava que Benfica, Sporting e Porto estariam para o futebol português como o Real Madrid e Barcelona estavam para Espanha. Ou melhor, pelo peso mundial dos dois colossos espanhóis, até pensava que o peso destes dois clubes em Espanha era superior ao dos três grandes clubes portugueses.

Consequentemente, não havendo nos arredores de Ponte de Sor qualquer clube na I Liga, era natural que os meus amigos pontessorenses fossem do Benfica ou do Sporting. Até eu tenho casa em Lisboa, junto à 2 Circular, onde passava grande parte dos meus fins de semana e, porque sou um apaixonado pelo futebol (enquanto jogo e não como religião, a que dou alérgico), fui, durante muito tempo sócio do Benfica e do Sporting.

Só quando li aquela publicação de 2015, constatei que a situação portuguesa não era equiparável sequer a qualquer país europeu, o que somado aos jogos da BTV, à não centralização dos direitos televisivos, ao aparecimento dos comentadores-adeptos, à comunicação social ao serviço do "clube que vende", à política de empréstimos, à falta de transparência das SAD, etc., fez soar, em mim, todos os alarmes. Até porque o caminho que estava a ser seguido pelo duo Filipe Vieira/Gomes da Silva era o mesmo que tinha sido seguido por Sócrates e com o mesmo aliado (Ricardo Salgado), só que com um exército de fiéis muito maior do que o do PS de Sócrates.

Só para se perceber a diferença entre a realidade portuguesa e espanhola, o Benfica tem mais adeptos do que os 8 maiores clubes espanhóis todos somados. Além disso, Real Madrid e Barcelona, com 33% dos adeptos espanhóis, têm o grosso dos seus adeptos concentrados nas suas regiões Castela-Leão e Catalunha. Em todas as cidades onde existem clubes a disputar as ligas profissionais, os clubes residentes têm a esmagadora maioria dos adeptos, hostis a Madrid e Barcelona, o que faz com que os jogos contra estes clubes sejam de vida ou de morte com estádios a abarrotar de adeptos da casa. Num jogo Bétis-Barça, por exemplo, num estádio de 65 mil lugares, apenas cerca de 500 são destinados a adeptos do Barça ou do Madrid.

Concluindo: se um Apito Dourado liderado pelo FC Porto, tinha a dimensão do escândalo do BPN (era grave mas era um tumor bem localizado que ainda era possível extirpar), um Apito Dourado liderado pelo Benfica tinha a dimensão do escândalo BES/CGD. Ou seja, é um tumor generalizado e com metástases por todo o lado.

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