Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

1.jpeg

O que este caso vem pôr em causa não é o juiz mas a justiça portuguesa, enquanto instituição.

Aliás, o simples facto de Benfica e Porto se degladiarem na praça pública, através das suas empresas de comunicação, comentadores e apaniguados nas redes sociais, transformando processos judiciais em autênticos jogos de Benfica - Porto, com as habituais suspeições de viciação do sorteio dos árbitros e da sua idoneidade, é sintomático do estado gravemente doentio da sociedade portuguesa e de todas as suas instituições, designadamente da justiça portuguesa. E seja qual for a decisão, ela nunca será respeitada porque está ferida de morte.

Analisemos alguns aspectos deste caso que são bem reveladores da gravidade doença, doença essa que já não tem cura. Quando se deixam as metástases de um tumor maligno se espalharem, a seu bel prazer, por todos os órgãos da República Portuguesa, é impossível salvar o doente. Se é que ainda está vivo... Pelo cheiro nauseabundo, o mais certo é o doente já ter morrido...

PONTO UM - Quem escolhe ser juiz tem de ter recato e discrição. Nada o impede de ter as suas simpatias. Mas tem de ter distanciamento da política, dos clubes, etc etc. Quem quer ter vida pública e expor-se no Facebook como um adepto fanático de um clube de futebol, de um partido ou de uma religião, não pode ser juiz.

PONTO DOIS - O CSM tem de perceber que a respeitabilidade da instituição depende das garantias de imparcialidade e isenção do julgador pelo que devia ter aceitado o pedido de escusa com base na argumentação do juiz que ficou exposto de forma absolutamente gratuita. Não é o facto de um juiz ter uma simpatia clubística que vai pôr em causa a sua honestidade profissional, da mesma forma que muitos professores são capazes de avaliar com rigor os seus próprios filhos. Mas, quer na justiça, quer nas avaliações, é importante que o decisor não esteja condicionado na sua liberdade de decisão, até para evitar que, para demonstrar a sua honestidade, seja demasiado exigente com a parte com que tem ligações afectivas, acabando por prejudicar quem ama.

PONTO TRÊS - Finalmente, o presidente do Benfica (que, PASME-SE, ainda não se demitiu, nem os sócios sequer exigiram a sua demissão) está envolvido, através do seu braço direito, num processo de corrupção de funcionários judiciais e é arguido num processo de corrupção a um juiz também ligado ao Benfica, a troco de um lugar no Benfica, juiz este que já foi expulso da magistratura, na sequência do processo disciplinar que lhe foi levantado com base nestes factos. Neste processo, veio a público que existia uma rede que manipulava a distribuição de processos no Tribunal da Relação de Lisboa e que envolve mais juízes e funcionários. Ora, o facto de o juiz Paulo Registo, adepto confesso e apaixonado pelo Benfica, ter sido sorteado para dois casos directamente relacionados com o Benfica (quando se fala no Rui Pinto em Portugal são os próprios benfiquistas que o relacionam com os emails do clube), não significa que tenha havido viciação do sorteio. Mas a verdade é que isto chegou a um ponto tal que já ninguém acredita em coincidências, uma vez que a justiça portuguesa está, neste momento, sob suspeita e precisamente por causa de funcionários judiciais, magistrados e dirigentes do Benfica, mais precisamente o seu Presidente.

Resumindo: não basta a mulher de César ser séria, é preciso parecê-lo. Quanto ao PARECER, não parece; e, quanto ao SER, já toda a gente tem legítimas e fundadas dúvidas. E o pior de tudo é quando uma instituição perde a sua credibilidade... porque, depois de perdida, NUNCA MAIS A RECUPERA.

Santana-Maia Leonardo