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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 12.11.19

Os negócios do futebol: em Portugal e na Europa

Santana-Maia Leonardo - in Diário As Beiras de 13-11-2019

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Hoje, quando se fala de futebol na Europa, fala-se necessariamente de negócio. No entanto, o negócio de que falam os presidentes dos clubes das grandes ligas europeias, não é o mesmo negócio de que falam os presidentes dos clubes portugueses. E isso faz toda a diferença.  

Enquanto, na Europa, o negócio dos clubes é a venda do espectáculo e, por isso, investem na competitividade e qualidade do mesmo, em Portugal o negócio dos clubes é a venda de jogadores, por isso, lutam entre si pela conquista de território e a eliminação dos concorrentes.

Em Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha, França, Holanda e Bélgica, designadamente, os presidentes dos grandes clubes sabem que, quanto maior for a competitividade das suas ligas, maiores são as receitas que os seus clubes conseguem obter porque estão directamente relacionadas com a atractividade global das competições em que participam.

Pelo contrário, em Portugal, os presidentes dos grandes clubes sabem que o grosso das suas receitas depende da venda de jogadores, o que significa que, para sobreviverem, têm de garantir o acesso à montra europeia, o que implica recorrer a todos os meios para salvaguardar a sua posição dominante e vedar o acesso à montra dos outros clubes.

Daí que o futebol português seja dominado por organizações verdadeiramente mafiosas que lutam pelo controlo do negócio da venda de jogadores, não tendo qualquer interesse em investir na competitividade do campeonato que colocaria necessariamente em risco a sua posição dominante no mercado da compra e venda de jogadores. E, como todas as organizações mafiosas, os grandes clubes portugueses também têm os seus tentáculos no mundo da política, no mundo do banca, no mundo dos fundos e dos empresários do futebol e no sub-mundo do crime, ligado às máfias da noite e ao tráfico de droga.

Bruno de Carvalho foi o único dirigente do Sporting que percebeu como isto funcionava e quis entrar no jogo recorrendo aos mesmos métodos e disputando o território à lei da bala, sem olhar a meios. Bruno de Carvalho não foi derrotado nem pelos sportinguistas, nem pelos actos de demência que levou a cabo, mas por um erro de casting, o ataque a Alcochete, a que o Benfica, que, na altura, se encontrava nas cordas, se agarrou desesperadamente, supervalorizando a gravidade do ataque, através dos meios políticos e da comunicação social que controla, ao ponto de transformá-lo num ataque terrorista e, desta forma, assinar a sentença de morte de Bruno de Carvalho.

É precisamente por esta razão que Benfica e Porto não querem ouvir sequer falar em centralização dos direitos televisivos: os grandes clubes portugueses vivem da venda de jogadores, não vivem da venda do espectáculo, como acontece com todos os grandes clubes europeus. E quando ouvimos falar em 2028 para a implementação da centralização dos direitos televisivos em Portugal, só podemos desatar a rir às gargalhadas. Vivemos no século XXI. Daqui a dez anos já não haverá sequer televisões e, provavelmente, nem  liga portuguesa, quanto mais direitos televisivos.

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