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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Manuel Oliveira - Público de 3-5-2015

Passos Coelho foi esta semana inaugurar uma queijaria em Aguiar da Beira e dedicou-se a teorizar sobre o português que no futuro há-de fazer um país novo, desenvolvido e, evidentemente, avesso a novas visitas da troika. E quem escolheu para o simbolizar? Dias Loureiro, nem mais. (...)

Que os portugueses estejam a pagar as custas das gestões ruinosas e criminalmente suspeitas do BPN e, ver-se-á, do BES, não há nada a fazer - são obrigações que, como nos acidentes, surgem por surpresa. Mas vir agora o primeiro-ministro de Portugal dar como exemplo a carreira de pessoas que estiveram intimamente associadas a essas vergonhas públicas é algo que não se tolera. O que o primeiro-ministro devia ter dito na queijaria onde o primeiro-ministro avistou Dias Loureiro é que o país acredita no esforço dos pequenos empresários que ousam investir no interior e que jamais voltará a tolerar arrivistas que usam a carreira política como alavanca para acumular fortunas sumptuosas ou estilos de vida opulentos. (...)

O que está afinal em causa com esta declaração infeliz não é por isso uma declaração de circunstância: é um programa político que contempla uma mensagem perigosa. Em vez da apologia do mérito, do esforço e da seriedade, o que essa mensagem passa é exactamente o contrário. Se por acaso viesse a ser levada a cabo, deixaria de haver lugar para gente que investe em queijarias em Aguiar da Beira ou trabalha na construção em Fornos de Algodres. O caminho para o sucesso, diz implicitamente o primeiro-ministro, é almejar uma carreira política “metódica” como Dias Loureiro, “conhecer o mundo” para arranjar uma rede “exigente” de influências e “vencer na vida” à custa de favores ou de negociatas pouco transparentes que resultam em buracos de milhões de euros. (...)