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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Antes de mais e para que fique claro, sou um defensor incondicional das democracias liberais, um europeísta convicto e um federalista. Ou seja, não sou nem salazarista nem tão-pouco nacionalista.

No entanto, li Salazar, caso contrário seria estupidez da minha parte ser contra o que  desconhecia, se bem que essa seja uma característica típica dos portugueses. 

E, quando lemos os discursos e os artigos de opinião de Salazar, não podemos deixar de ficar surpreendidos quer pelo seu conhecimento profundo do povo português, quer pela semelhança das suas opiniões com as do bom povo português que escreve nas redes sociais e que se auto-intitula de esquerda, mas que, afinal, é um salazarista convicto.

Por isso, era bom que certas pessoas, que se dizem anti-salazaristas, em vez de falarem mal de Salazar, o lessem, para, pelo menos, não cairem no ridículo de argumentarem como se fossem salazaristas, ao mesmo tempo que se afirmam anti-salazaristas.

Para vos poupar ao desgaste da leitura, deixo-vos aqui algumas das suas citações.

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«Os homens mudam pouco e os portugueses quase nada.»

«Enquanto houver um português sem trabalho e sem pão, a Revolução continua.»

«Advoguei sempre uma política de administração, tão clara e tão simples como a pode fazer qualquer boa dona de casa - política comezinha e modesta, que consiste em gastar bem o que se possui e não se despender mais do que os seus próprios recursos.» (Discursos, 1928)

«A economia liberal que nos deu o supercapitalismo, a concorrência desenfreada, a amoralidade económica, o trabalho mercadoria, o desemprego de milhões de homens, morreu já. Receio apenas que, em violenta reação contra os seus excessos, vamos cair noutros que não seriam socialmente melhores.» (Discursos, 1934)

«As condições sociais ou, melhor, as circunstâncias que condicionam as medidas a tomar, modificam-se hoje tão rapidamente que os programas partidários se convertem em generalidades inúteis ou em sistemas de soluções inaplicáveis.» (Tese, 1922)

«Mas nós somos o país das reformas e estamos cada vez pior! É certo, e não admiramos isso, se considerarmos que a reforma de hoje é essencialmente pior do que a que vigorava ontem. Tudo se tem reformado, menos aquilo que na realidade o devia ser primeiro - os homens.» (Imprensa, 1909)

«Para o bom português, meus senhores, a carreira verdadeiramente ideal é aquela que não exija preparação e em que se não faça nada sob a aparência de que se faz alguma coisa.» (Imprensa, 1909)

«Uma das maiores crises do País, meus senhores, é na verdade a crise do funcionalismo, a fome do emprego público. (...) O português vê o máximo de felicidade na segurança dos cargos remunerados pelo Estado. (...) O Estado é o pai carinhoso em cujo braço potente se apoia: ele nunca soube andar sozinho. A pressão exercida neste sentido é tal que parece que já se não procuram homens para bem se desempenharem os empregos; mas criam-se empregos para bem se servirem os homens.» (Discursos, 1912)

«No círculo do seu viver quotidiano cada português tem conceitos próprios, que diferem dos do seu vizinho num pormenor que poderá ser secundário, mas é quase sempre bastante para impedir que se deem as mãos no mesmo esforço.» (Imprensa, 1963)