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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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O Benfica e o Sporting são de Portugal como são todos os clubes portugueses. E é precisamente isto que os alfacinhas não entendem: Lisboa é Portugal, tal como todas as cidades portuguesas, mas Portugal não é Lisboa.

O Barça e o Madrid são clubes com dimensão mundial e implantação em todo o mundo com mais de 300 milhões de adeptos mas não são o Mundo. Independemente do número de adeptos e da sua implantação nacional ou mundial, um clube desportivo está vinculado à cidade onde tem a sua sede social, o estádio e onde festeja os seus títulos.

Quando o Benfica ou o Sporting ganham um título é o presidente da câmara de Lisboa que recebe a equipa para celebrar mais uma conquista da cidade de Lisboa e não é o Presidente da República nem o presidente da câmara de Portalegre ou de Bragança.

E porquê? Porque o Benfica e o Sporting, na liga portuguesa, são não só um clube de Lisboa como representam a cidade de Lisboa. Se fossem campeões europeus, já seriam recebidos pelo presidente da Câmara de Lisboa e pelo Presidente da República.

E porquê? Porque, neste caso, apesar de continuarem a ser clubes de Lisboa (daí continuarem a ser recebidos pelo presidente da câmara de Lisboa), são também representantes de Portugal na Liga dos Campeões (daí serem recebidos pelo Presidente da República).

Qualquer pessoa de qualquer país do mundo percebe isto, excepto os portugueses, formatados desde o berço a não questionar que Portugal é Lisboa.

E a verdade é que Benfica e Sporting desempenharam um papel ímpar nesta estratégia ao longo do último século, bebida pelo Estado Novo em Benito Mussolini, o primeiro político que percebeu a importância do futebol na manipulação das massas populares, ao inculcarem na tola dos portugueses que a única, verdadeira e genuína rivalidade portuguesa é entre os dois clubes de Lisboa.

O Sporting de Lisboa, o Sporting de Gijón ou o Sporting de Braga são clubes com a mesma dignidade, independentemente do seu tamanho, dos seus orçamentos ou da sua implantação nacional ou mundial.

Acontece que a esmagadora maioria dos portugueses aceita, com naturalidade, essa supremacia de Lisboa sobre as suas próprias terras e concelhos como se Lisboa e os seus clubes mais representativos fossem o Vaticano e as autarquias e os clubes das suas terrinhas, de que eles tanto gostam, fossem capelinhas onde os devotos anseiam que os Senhores de Lisboa (Presidente da República, do Governo, do Benfica ou do Sporting) ali vão, de vez em quando, em procissão para serem adorados e bajulados pelo povo humilde e crente.

Tal como Eça de Queiroz, abomino esta forma doutrinária e religiosa de fazer política, ao serviço da qual está o futebol português, e que é difundida, permanentemente, pela comunicação social de Lisboa. E é precisamente por esta razão que eu não sou português. Deus me livre!

Nota: o único alentejano de merda que eu conheço sou eu. Os outros são todos do Benfica ou do Sporting de Lisboa.

Santana-Maia Leonardo