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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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26 Ago, 2016

Salgueiro Maia

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Se não fosse Salgueiro Maia ser alentejano de Castelo de Vide, a Revolução do 25 de Abril tinha acabado mal. Mas vamos lá refrescar a memória.

Como bem se recordam, na fase mais aguda do cerco ao Quartel do Carmo, tardando a rendição de Marcelo Caetano, Salgueiro Maia recebeu ordens expressas de Otelo Saraiva de Carvalho para abrir fogo contra o Quartel. E o que é que respondeu o Capitão de Abril? Respondeu à alentejana: "Ó Otelo, sossega! É a falar que a gente se entende."

De seguida, foi buscar o farnel (um tinto de Borba, um paio, um pata negra e um pãozinho alentejano), sacou da navalha e pediu para falar com o Presidente do Conselho.

Quando lá chegou, Marcelo Caetano estava na fossa. Salgueiro Maia poisou o vinho sobre a mesa e cortou umas fatias de paio, de presunto e de pão. Conversa puxa conversa, vai mais um tinto, vai mais uma talisca de presunto... Até que Salgueiro Maia se sai com esta: "Ó senhor Presidente, por que é que não vai passar umas férias ao Brasil?"

O homem até ganhou uma corzinha. "Era mesmo isso que eu precisava. Mas como é que eu saio daqui?" "Não se preocupe com isso que eu levo-o já ao aeroporto." E foi, desta forma tranquilamente alentejana, sem precisar de dar um tiro, que o alentejano Salgueiro Maia pôs fim a uma ditadura de meio século. Alentejano duma cana!

Ponte de Sor, 13 de Dezembro de 2014