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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Álvaro Magalhães.jpg

Com a morte do meu pai, quando tinha 9 anos de idade, fui viver para casa dos meus avós maternos em Ponte de Sor que passou a ser, a partir daí, a minha terra e onde ainda hoje resido. Quando tinha 15 anos, em 1975, a minha mãe foi colocada no Tribunal de Nisa, como delegada do Procurador da República, e eu vivi, durante esse ano, em Nisa.

Nesse ano, o campeonato distrital de futebol de juvenis decidiu-se entre o Sport Nisa e Benfica, onde eu joguei nessa época, e o Eléctrico Futebol Clube, clube da minha terra, de que eu era sócio e onde jogavam todos os meus amigos.  E o último jogo foi precisamente entre o Nisa e Benfica e o Eléctrico FC e quem ganhasse esse jogo sagrava-se campeão distrital. O Nisa e Benfica ganhou 4-1 e eu marquei o segundo golo que desfez o empate de 1-1 que havia na altura. E festejei não só o meu golo como todos os golos marcados pela minha equipa porque a minha equipa naquele momento era o Nisa e Benfica. Mais nenhuma. 

Joguei por muitas equipas. Quer a sério, quer a brincar. E não houve uma única vez em que eu gostasse menos de vencer. Acho, por isso, surpreendente que haja jornalistas que perguntem a jogadores profissionais o que sentem quando jogam com o seu clube do coração ou que haja jogadores profissionais que não festejem os golos quando jogam contra o seu clube do coração. Um jogador a sério, amador ou profissional, só tem um clube no coração quando entra em campo: o clube da camisola que enverga. Mais nenhum. E é precisamente esta a fronteira entre a gente honrada e os canalhas.