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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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A introdução da disciplina de «Educação Sexual» nas nossas escolas é a melhor prova da total irracionalidade do nosso sistema de ensino e do completo desnorte em que navega a actual equipa que lidera o ministério da Educação[1].

Em primeiro lugar, como se o excesso de disciplinas e a sobrecarga horária não fossem já um dos principais cancros do nosso sistema educativo. E nada melhor do que inventar mais uma disciplina. Em segundo lugar, fica-se sem saber como irão os professores ocupar as horas do curso. Com trabalhos práticos? Com trabalhos em grupo? Ou com trabalhos manuais? E o que se ensinará nestas aulas e qual o modelo de ensino a seguir?

O modelo científico, ensinando a forma como se formam os espermatozóides e qual o trajecto que têm de percorrer para fecundar o óvulo? Para ensinar isto já existe a Biologia.

Ou o modelo preconceituoso, que ensina a mesma coisa mas recorrendo à metáfora das corolas e dos estames para evitar falar directamente em espermatozóides e óvulos? Bem, mas para ensinar isto já existem as disciplinas de Botânica e de Religião e Moral.

Ou o modelo “conselheiro sexual”, em que os alunos colocam as suas dúvidas e o professor esclarece? Para isso, já existe a revista «Maria», para além de ninguém estar a ver um aluno a levantar o dedo durante a aula para expor as dúvidas que o atormentam.

Ou o modelo “prá-frentex”, em que se explica, sem quaisquer preconceitos e, se possível, recorrendo aos meios audiovisuais, como se pratica o sexo oral, anal, em grupo, sadomasoquista, assim como as diferentes utilizações dos diversos acessórios sexuais?

Mas o problema não é só do método: é também do professor que vai leccionar esta disciplina. Porque, como todos devíamos saber, a sexualidade tem uma forte matriz ideológica. E nesta questão não há professores neutros. 

Ora, qualquer pessoa que pense um bocadinho não poderá deixar de chegar, forçosamente, à conclusão de que a disciplina de «Educação Sexual» ou é absolutamente inútil, no caso de ensinar o que já todos sabem, ou potencialmente perigosa, no caso de pretender impingir a ideologia de quem manda.

 Março de 2007

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[1] Maria de Lurdes Rodrigues era, na altura, a ministra da Educação do Governo do PS.