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COLUNA VERTICAL


Quinta-feira, 30.06.11

A REFORMA DOS APARELHOS

Santana-Maia Leonardo 

 

As concelhias do PSD, à semelhança, de resto, com o que sucede com restantes partidos, continuam a cultivar uma cultura de rebanho, completamente ao arrepio do movimento de abertura à sociedade civil do PSD de Passos Coelho, que leva inevitavelmente à expulsão e ao afastamento das estruturas locais dos partidos, quer da independência, quer da competência, quer da inteligência. E por uma razão muito simples de entender (simples para quem possua, pelo menos, uma destas três qualidades): ninguém com alguma destas qualidades aceita ser passeado à trela pela comissão política ou ser a voz do dono. 

 

É precisamente por esta razão que os aparelhos partidários estão totalmente desqualificados aos olhos dos portugueses. E até os próprios líderes partidários olham para os homens do aparelho com desconfiança e pouca consideração. 

 

Passos Coelho, em Aveiro, prometeu libertar o estado dos aparelhos partidários e, pretendendo reduzir o Governo a apenas dez ministros, avisou logo que pastas chave do Governo seriam ocupadas por independentes. Veja-se, pois, a imagem que Passos Coelho tem do seu aparelho partidário para sentir necessidade de dar credibilidade ao seu Governo anunciando, desde logo, que ia escolher para pastas chave do Governo, como foi o caso das Finanças, Economia, Saúde e Educação, pessoas fora do aparelho!... 

 

Por sua vez, António José Seguro, na apresentação da sua candidatura, também falou da necessidade de o PS se abrir à sociedade civil, por forma a atrair a competência e a inteligência, ou seja, precisamente o que falta no aparelho partidário socialista, tal como nos outros.

 

Mas, enquanto os medíocres se convencerem que os partidos servem apenas para lhes arranjar emprego em troca de andarem a correr de cachecol e bandeira atrás do líder do momento, dificilmente os militantes dos partidos conseguirão ser olhados com respeito e consideração pelo povo português e pelos seus próprios líderes.

 

Só espero que o PSD de Passos Coelho não caia na tentação de substituir os boys e as girls socialistas, cuja escolha se deveu apenas à fidelidade canina ao seu líder, pelos seus equivalentes sociais-democratas. Porque, se o fizer, o seu Governo perderá, de imediato, o capital de credibilidade de que tanto precisa para implementar o duro programa de austeridade.

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Domingo, 12.06.11

ACORDE, SENHOR LUÍS ANDRADE(?)!

Santana-Maia Leonardo

*comentário ao comentário de Luís Andrade (?)

ao artigo de opinião de Belém Coelho "ACORDAR" 

 

Para se analisar quaisquer resultados eleitorais, não basta fazer contas é necessário também raciocinar. Com efeito, só uma pessoa muito pouco inteligente atribuiria o mau resultado concelhio do Bloco de Esquerda ou dos socialistas no concelho de Abrantes às suas estruturas locais e vice-versa. Até porque, em boa verdade, nas diferentes campanhas legislativas, não houve nada de relevante que tivesse sido feito pelas estruturas locais para justificar a diferença de um único voto. Sendo certo que o concelho de Abrantes passou praticamente à margem da campanha eleitoral, o que só demonstra a sua cada vez maior irrelevância. 

 

Ou seja, a diferença de resultados nas diferentes legislativas resulta exclusivamente das circunstâncias nacionais: se os eleitores estiverem satisfeitos com o Governo, não há candidato opositor, por muitas qualidades que tenha, que consiga vencer as eleições; se, pelo contrário, os eleitores estiverem pelos cabelos com o Governo, qualquer candidato serve para derrotar o partido do Governo. Isto, aliás, não é novidade nenhuma. É uma constatação de facto enunciada, há muitas dezenas de anos, por Winston Churchill: não é a oposição que ganha as eleições, é o Governo que as perde. O resto são fantasias de Natal... 

 

Com efeito, só uma pessoa pouco inteligente ou intelectualmente desonesta poderia ser levada a pensar que os resultados de umas legislativas estariam dependentes do bom trabalho de rua levado a cabo por uma qualquer concelhia. Basta constatar os excelentes resultados obtidos pelo PSD em freguesias e concelhos deste país onde não existe sequer secção a funcionar e onde não se efectuou uma única acção de campanha.  

 

Agora aquilo que o Dr Belém Coelho diz é diferente. Ou seja, o facto de o PSD não ter conseguido ganhar em Abrantes, mesmo numas eleições legislativas em que se assistiu a uma verdadeira e generalizada hecatombe eleitoral do PS, não pode deixar de ter uma leitura política e de levar todos aqueles que se identificam com o espaço político do PSD a uma reflexão. Porque se, nem nestas circunstâncias, o PSD consegue vencer em Abrantes, tal só pode significar que dificilmente aqui ganhará umas eleições. 

 

Aliás, localmente, a concelhia do PSD continua a cultivar uma cultura de rebanho, completamente ao arrepio do movimento de abertura à sociedade civil do PSD de Passos Coelho, que leva inevitavelmente à expulsão e ao afastamento das estruturas locais do partido, quer da independência, quer da competência, quer da inteligência. E por uma razão muito simples de entender (simples para quem possua, pelo menos, uma destas três qualidades): ninguém com alguma destas qualidades aceita ser passeado à trela pela comissão política ou ser a voz do dono. 

 

É precisamente por esta razão que os aparelhos partidários estão totalmente desqualificados aos olhos dos portugueses. E até os próprios líderes partidários olham para os homens do aparelho com desconfiança e pouca consideração. 

 

Passos Coelho, em Aveiro, prometeu libertar o estado dos aparelhos partidários e, pretendendo reduzir o Governo a apenas dez ministros, já avisou que vai ter de ir buscar a maior parte dos ministros fora do partido (veja-se a imagem que Passos Coelho tem do seu aparelho partidário para sentir necessidade de dar credibilidade ao seu Governo anunciando, desde logo, que vai formá-lo com pessoas escolhidas fora do aparelho!...) 

 

Por sua vez, António José Seguro, na apresentação da sua candidatura, também falou da necessidade de o PS se abrir à sociedade civil, por forma a atrair a competência e a inteligência, ou seja, precisamente o que falta no aparelho partidário socialista, tal como nos outros.

 

Mas, enquanto os medíocres se convencerem que os partidos servem apenas para lhes arranjar emprego em troca de andarem a correr de cachecol e bandeira atrás do líder do momento, dificilmente os militantes dos partidos conseguirão ser olhados com respeito e consideração pelo povo português e pelos seus próprios líderes.

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Terça-feira, 10.05.11

O LUGAR NO ANZOL

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Fico absolutamente estarrecido quando vejo comentadores e jornalistas, com algum coeficiente de inteligência, interpretarem a inclusão de independentes nas listas de deputados como um sinal de abertura dos partidos à sociedade civil. Nada mais falso.

 

Como qualquer pessoa constata a olho nu, os aparelhos partidários são, em regra, constituídos por gente pouco recomendável, que descobriu na política a forma mais rentável e menos custosa de governar a sua vidinha e a dos seus. E, por isso, é praticamente impossível retirar-lhes o poder interno, mantido e conquistado com todo o tipo de safadezas: eleições viciadas e fantasma, clima de intimidação e de ajavardamento, militantes filiados aos molhos ou quotas pagas pelo próprio aparelho,  etc. etc. etc.

 

No entanto, os aparelhos partidários estão absolutamente conscientes da sua degradada imagem pública. Necessitam, por isso, nas eleições nacionais, de se esconder atrás dos independentes e de figuras de prestígio, para conseguirem alcançar os seus intentos. Ou seja, os independentes não são mais do que o isco que os aparelhos partidários utilizam para conquistarem o verdadeiro poder que lhes interessa: o de distribuir os tachos pelos seus fiéis.

 

O PSD ou o PS podem convidar um independente para deputado ou presidente da Assembleia da República, mas não o convidam de certeza para presidente da distrital de Lisboa ou do Porto. Aos independentes oferece-se apenas o lugar no anzol, não o poder para distribuir benesses.

 

Ora, só se poderá falar verdadeiramente da abertura dos partidos à sociedade civil, quando qualquer cidadão se puder candidatar aos órgãos directivos dos partidos, sem cartão de militante e em eleições livres e abertas a todos os cidadãos que queiram participar. E os independentes só deviam chegar a candidatos a deputados por esta via, a única via que garante poder efectivo dentro do partido pelo qual concorrem. Caso contrário, não passam de meros jogadores de futebol disponíveis para vestir a camisola do partido que melhores condições lhe oferecer.

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