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COLUNA VERTICAL


Sexta-feira, 02.05.14

As promessas de Abril

Santana-Maia Leonardo - in Semanário

Ao contrário do que muita gente pensa, Democracia e Liberdade não só não são sinónimos como nem sempre vivem de mãos dadas.
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A Venezuela e a Rússia, por exemplo, são democracias, uma vez que os governos são eleitos através de sufrágio universal. No entanto, no que toca ao respeito das mais elementares liberdades individuais, deixam muito a desejar. Para já não falar em África, onde há muitos governos que são eleitos através de sufrágio universal, ou seja, democraticamente, mas onde as liberdades individuais não são minimamente respeitadas.
 
Em Portugal, a situação, sendo substancialmente diferente dos casos apontados, não é, no entanto, totalmente diferente. Com efeito, se é verdade que Portugal é hoje uma verdadeira democracia, ainda não é, no entanto, uma verdadeira democracia liberal.
 
Basta ver o que se passa na maioria das nossas autarquias. Não há dúvida de que os presidentes da Câmara e da Junta de Freguesia são eleitos democraticamente. De quatro em quatro anos, os eleitores são chamados a votar para escolher os seus representantes. Mas se isso é suficiente para definir o nosso sistema político como democrático, não é, no entanto, bastante para se poder dizer que vivemos em liberdade.
 
Francisco Teixeira da Mota contou no Público, aqui há uns tempos, um caso que ilustra bem o que acabo de dizer. Um cidadão de Arouca escreveu no jornal local uma carta aberta ao presidente da Câmara, a propósito de uma estrada, onde depois de lhe ter chamado «mentiroso» umas vinte vezes, utiliza estas expressões: «Depois de tanta mentira e acrobacia mental», «arrasta neste chorrilho de mentiras pessoas e instituições que devia respeitar», «manipulando e mentindo com um despudor inqualificável», «o seu comportamento intolerante e persecutório», «Mentiroso comprovado e assumido», etc.
 
O presidente da Câmara de Arouca, sentindo-se ofendido, apresentou queixa contra o munícipe por difamação, tendo o mesmo sido condenado no tribunal de 1ª instância, sentença que foi, posteriormente, confirmada pelo Tribunal da Relação.
 
Acontece que o munícipe não se ficou e recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. E o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem condenou Portugal, por ter violado a liberdade de expressão do munícipe, a pagar a este a indemnização que teve de pagar ao presidente da Câmara acrescido da multa.
 
Segundo o Tribunal Europeu, embora a linguagem utilizada tivesse sido pouco elegante para com um adversário político, «a mesma tinha de se considerar admissível num sociedade democrática», tendo em conta que «os limites da crítica admissível são mais amplos em relação a um homem político do que em relação a um simples particular».
 
Em Portugal, ainda vivemos imbuídos do espírito salazarista de subserviência absoluta aos ditadorzinhos em que se transformam quase todos os presidentes da Câmara depois de serem eleitos. E estes ditadorzinhos são muito sensíveis… A mais leve crítica é quase sempre sentida como uma ofensa de lesa-majestade. E, sem qualquer respeito pelas liberdades fundamentais dos cidadãos, designadamente o direito à liberdade de expressão, recorrem sistematicamente aos tribunais para perseguir e assustar todos aqueles que lhe ousam fazer frente ou criticar as suas decisões. E como para chatear um cidadão, pelo crime de difamação ou injúria, basta pagar a um advogado para deduzir acusação particular contra o desgraçado, o certo é que este, mesmo que venha a ser absolvido, sempre tem de gastar dinheiro com um defensor, de perder uma série de dias em diligências e de sujeitar-se à humilhação de ter de se sentar no banco dos réus. E isto quando não lhe podem fazer a folha de outra maneira. Ai do desgraçado se tem uma obra dependente da aprovação da Câmara ou se trabalha directa ou indirectamente para a autarquia.
 
Resumindo: com o 25 de Abril veio a Democracia, mas, como se vê, ainda não chegou a Liberdade.

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Domingo, 30.10.11

A PESADA HERANÇA DE POPIELUSZKO

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

O Padre Jerzy Popieluszko, conhecido por "Padre do Solidariedade” (sindicato), é o símbolo polaco das vítimas do comunismo. Defensor dos direitos humanos e dos trabalhadores na Polónia, foi torturado e assassinado na noite de 19/10/84 por três oficiais da polícia secreta, vindo o seu funeral a transformar-se numa das maiores manifestações contra o regime comunista e o seu túmulo num lugar de peregrinação, o que precipitou a queda do regime. 

 

Na homilia de 19/10/84, ou seja, na homilia do dia em que foi raptado e assassinado, profere uma frase que encerra o mistério da fé de todos aqueles que acreditam que a liberdade é um valor que nos transcende e pelo qual vale a pena dar a vida: «A nossa filiação divina traz nela a herança da  Liberdade.» 

 

Os seus executores e os seus mandantes, na sua irracionalidade, não perceberam que apenas podiam matar o homem e que, ao fazê-lo, o povo que reprimiam, filho único de Popieluszko, iria receber uma pesada herança: a Liberdade.

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Segunda-feira, 08.08.11

DO LADO DA VIDA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

«Nós gostamos tanto de morrer por Alá como vocês gostam de viver», disse Bin Laden num entrevista em 1997. Esta frase delimita na perfeição os dois campos que se confrontam.

 

Não sou, nem nunca fui pró-americano, mas é evidente que pertenço ao grupo dos que gostam de viver. Dou, por isso, graças a Deus pelo facto de, hoje, a superpotência mundial ser os Estados Unidos e não ser o Irão, a Coreia do Norte ou a Venezuela. Porque, nesse caso, o mais certo seria eu ser também um terrorista.

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Quinta-feira, 07.07.11

OS CLUBES PARTIDÁRIOS

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Se hoje Portugal está como está muito o deve à forma como estão organizados os partidos políticos. Com efeito, a organização interna dos partidos políticos portugueses apenas é capaz de produzir dirigentes medíocres para sustentar as suas próprias clientelas.

 

Sem uma refundação dos partidos que altere substancialmente a sua forma de organização, ninguém espere que dali possa sair alguém que tenha por primeiro objectivo servir a comunidade e os outros. E este modelo reproduz-se depois em todos os serviços públicos e em todos os órgãos do estado. E, como se isso não bastasse, ainda temos de ouvir esta canalha invocar os superiores interesses nacionais ou locais para justificar iniciativas que apenas servem os inferiores interesses das suas clientelas.  

 

Trinta e seis anos após o 25 de Abril, se se perguntar a qualquer aluno do 12º ano ou a um qualquer militante socialista ou social democrata se é a favor das democracias liberais, o mais certo é ouvir o que eu já ouvi numa assembleia de militantes quando defendi os princípios das democracias liberais: que o PSD é um partido social-democrata e não é um partido liberal. E isto foi dito por pessoa reputada de muito culta... Imagine-se se não fosse!!!...

 

Sem qualquer tipo de formação ou preocupação ideológica, os militantes aderem aos partidos, da mesma forma que aderem aos clubes de futebol. São do PSD ou do PS pela mesma razão que são do Benfica ou do Sporting. E funciona tudo da mesma forma. O objectivo é ganhar por qualquer meio e a cassete é sempre a mesma. Muita conversa sobre a ética e os valores quando não se está no poder, muita arrogância e despotismo quando se detém o poder.

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Domingo, 03.07.11

OS FERIADOS DA INTELIGÊNCIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Quando vejo as propostas que as nossas sumidades sugerem para combater a falta de produtividade (desde mais meia-hora de trabalho diário à redução dos feriados e das férias), fico estupefacto com tamanha demonstração de falta de inteligência e de espírito analítico. Por alguma razão, o país está como está.

 

Para percebermos a estupidez das propostas, apliquemos a solução ao jogo de futebol. Como é um facto notório, o jogo de futebol inglês tem mais tempo de jogo útil do que um jogo do futebol português. Qual, então, a solução para que o tempo útil de jogo do futebol português se aproxime do futebol inglês? É fácil: basta tirar 5 mn ao intervalo (seguindo os critérios das nossas sumidades). O problema é que esta solução não tem o condão de aumentar o tempo útil de jogo mas apenas o tempo morto em que os nossos jogadores estão no chão a simular lesões gravíssimas.

 

Ora, qualquer pessoa inteligente (que é o que por cá escasseia) procuraria, antes de sugerir o aumento do tempo de jogo, apresentar medidas para rentabilizá-lo, acabando com os tempos mortos, as simulações e a preguiça. Mas isso é pedir de mais às nossas sumidades, para quem a única solução para aumentar a produtividade é aumentar o tempo de inactividade dos trabalhadores no local de trabalho. Acontece que não é por estar mais uma hora de atestado médico ou a olhar para o boneco que a produtividade aumenta. Sendo certo que esse aumento do horário de trabalho apenas penalizaria os bons trabalhadores que teriam tendência a deixar de o ser. Como é óbvio.

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Quinta-feira, 30.06.11

A REFORMA DOS APARELHOS

Santana-Maia Leonardo 

 

As concelhias do PSD, à semelhança, de resto, com o que sucede com restantes partidos, continuam a cultivar uma cultura de rebanho, completamente ao arrepio do movimento de abertura à sociedade civil do PSD de Passos Coelho, que leva inevitavelmente à expulsão e ao afastamento das estruturas locais dos partidos, quer da independência, quer da competência, quer da inteligência. E por uma razão muito simples de entender (simples para quem possua, pelo menos, uma destas três qualidades): ninguém com alguma destas qualidades aceita ser passeado à trela pela comissão política ou ser a voz do dono. 

 

É precisamente por esta razão que os aparelhos partidários estão totalmente desqualificados aos olhos dos portugueses. E até os próprios líderes partidários olham para os homens do aparelho com desconfiança e pouca consideração. 

 

Passos Coelho, em Aveiro, prometeu libertar o estado dos aparelhos partidários e, pretendendo reduzir o Governo a apenas dez ministros, avisou logo que pastas chave do Governo seriam ocupadas por independentes. Veja-se, pois, a imagem que Passos Coelho tem do seu aparelho partidário para sentir necessidade de dar credibilidade ao seu Governo anunciando, desde logo, que ia escolher para pastas chave do Governo, como foi o caso das Finanças, Economia, Saúde e Educação, pessoas fora do aparelho!... 

 

Por sua vez, António José Seguro, na apresentação da sua candidatura, também falou da necessidade de o PS se abrir à sociedade civil, por forma a atrair a competência e a inteligência, ou seja, precisamente o que falta no aparelho partidário socialista, tal como nos outros.

 

Mas, enquanto os medíocres se convencerem que os partidos servem apenas para lhes arranjar emprego em troca de andarem a correr de cachecol e bandeira atrás do líder do momento, dificilmente os militantes dos partidos conseguirão ser olhados com respeito e consideração pelo povo português e pelos seus próprios líderes.

 

Só espero que o PSD de Passos Coelho não caia na tentação de substituir os boys e as girls socialistas, cuja escolha se deveu apenas à fidelidade canina ao seu líder, pelos seus equivalentes sociais-democratas. Porque, se o fizer, o seu Governo perderá, de imediato, o capital de credibilidade de que tanto precisa para implementar o duro programa de austeridade.

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Domingo, 26.06.11

O COPIANÇO DOS JUÍZES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Sou um grande amigo e admirador da juíza desembargadora Ana Luísa Geraldes, ex-directora do CEJ, e do seu marido, o juiz desembargador António Abrantes Geraldes, um magistrado brilhante e hoje uma referência obrigatória do Processo Civil. Não é, no entanto, essa razão que me leva a escrever estas linhas, até porque a estatura moral de Ana Luísa Geraldes dispensa qualquer defesa. Mas não podia ficar indiferente perante à manifestação nacional de suprema hipocrisia, cinismo e má fé militantes, perante o chamado "copianço dos juízes", bem demonstrativa de que como está bem disseminado e enraizado o tumor que vai corroendo e minando todas as instituições da sociedade portuguesa.

 

Como ninguém pode deixar de saber, os exames de acesso ao CEJ são dos mais selectivos e exigentes que se fazem em todo o território nacional, sendo as provas orais decisivas pelo que ninguém ali entra se não tiver uma sólida formação académica. Mas deixemos a questão da formação técnica e centremo-nos na formação ética e moral dos auditores, bem como na decisão da direcção do CEJ de anular o teste e dar nota 10 a todos, que é afinal o que tanto chocou as nossas virgens pudicas.

 

Que os auditores não deviam ter copiado é óbvio. Mas isso não devia ser, só por si, motivo de escândalo, tanto mais que a vida de cada um de nós está cheia de coisas que não devíamos ter feito e fizemos. E, neste caso, pelo menos, a fraude foi detectada e teve consequências para o prevaricador, o que raramente sucede em Portugal.

 

Mas a decisão da direcção do CEJ, perante a situação, foi a mais correcta? Para responder a esta questão, temos de saber, antes de mais, qual a relevância daquele teste na classificação final. Porque, como toda a gente com dois dedos de testa devia saber, há testes cuja finalidade se reduz, praticamente, a motivar os alunos a interessarem-se minimamente por determinada matéria. Querem um exemplo? A cadeira de Medicina Legal na Faculdade de Direito de Lisboa. Todos os alunos copiam, levando, inclusive, as respostas escritas para os exames, e nunca ouvi ninguém pedir a demissão do reitor da Universidade de Lisboa por causa disso. 

 

Ora, o teste americano onde os auditores do CEJ foram apanhados a copiar era um teste cujo resultado era pouco mais do que irrelevante na nota final e onde os alunos, por norma, tinham sempre notas altas. Ao anular um teste com estas características e ao atribuir nota 10 a todos, a direcção tomou uma decisão pedagogicamente inteligente, porque, aproveitando o facto de se tratar de um teste pouco relevante, transmitiu aos alunos um ensinamento essencial para a sua vida: a fraude não aproveita ninguém e, sobretudo, penaliza os melhores. Trata-se, aliás, de um ensinamento que Edmund Burke já enunciara há muito tempo e que está cada vez mais actual: «O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que o vêem fazer e deixam acontecer.» Ou seja, a direcção do CEJ, em vez de centrar a responsabilidade da fraude no polícia (o professor que vigiava o teste), responsabilizou o bom aluno que viu copiar e se conformou com isso.

 

Além disso, esta triste experiência em que os auditores se viram envolvidos pode contribuir muito, ao contrário do que clamam as nossas virgens pudicas, para que possam ser melhores juízes e procuradores, na medida em que o vexame nacional a que foram sujeitos vai dar-lhes aquele banho de humildade que todo o homem necessita para ser um bom magistrado. Com efeito, os bons juízes e os bons procuradores não são santos, nem santidades, nem virgens pudicas. E os que são assim são péssimos juízes e péssimos procuradores. Os bons juízes e os bons procuradores, pelo contrário, são apenas homens bons e sensatos, que também tropeçam na vida e têm a consciência disso.

 

Finalmente, a lapidação pública da directora do CEJ e desta turma de auditores ainda se torna mais revoltante num país onde todos os concursos públicos são viciados (não há concurso de pessoal em que não se saiba o resultado antes do exame), onde todos os estudantes universitários copiam, onde as elites reinantes beneficiaram das passagens administrativas do pós-25 de Abril e acederam a lugares no topo das universidades e da Administração onde nunca chegariam se o critério tivesse sido o mérito, etc. etc.

(Como dói o excesso de moralismo neste país de hipócritas e cunhas!...)

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Domingo, 12.06.11

ACORDE, SENHOR LUÍS ANDRADE(?)!

Santana-Maia Leonardo

*comentário ao comentário de Luís Andrade (?)

ao artigo de opinião de Belém Coelho "ACORDAR" 

 

Para se analisar quaisquer resultados eleitorais, não basta fazer contas é necessário também raciocinar. Com efeito, só uma pessoa muito pouco inteligente atribuiria o mau resultado concelhio do Bloco de Esquerda ou dos socialistas no concelho de Abrantes às suas estruturas locais e vice-versa. Até porque, em boa verdade, nas diferentes campanhas legislativas, não houve nada de relevante que tivesse sido feito pelas estruturas locais para justificar a diferença de um único voto. Sendo certo que o concelho de Abrantes passou praticamente à margem da campanha eleitoral, o que só demonstra a sua cada vez maior irrelevância. 

 

Ou seja, a diferença de resultados nas diferentes legislativas resulta exclusivamente das circunstâncias nacionais: se os eleitores estiverem satisfeitos com o Governo, não há candidato opositor, por muitas qualidades que tenha, que consiga vencer as eleições; se, pelo contrário, os eleitores estiverem pelos cabelos com o Governo, qualquer candidato serve para derrotar o partido do Governo. Isto, aliás, não é novidade nenhuma. É uma constatação de facto enunciada, há muitas dezenas de anos, por Winston Churchill: não é a oposição que ganha as eleições, é o Governo que as perde. O resto são fantasias de Natal... 

 

Com efeito, só uma pessoa pouco inteligente ou intelectualmente desonesta poderia ser levada a pensar que os resultados de umas legislativas estariam dependentes do bom trabalho de rua levado a cabo por uma qualquer concelhia. Basta constatar os excelentes resultados obtidos pelo PSD em freguesias e concelhos deste país onde não existe sequer secção a funcionar e onde não se efectuou uma única acção de campanha.  

 

Agora aquilo que o Dr Belém Coelho diz é diferente. Ou seja, o facto de o PSD não ter conseguido ganhar em Abrantes, mesmo numas eleições legislativas em que se assistiu a uma verdadeira e generalizada hecatombe eleitoral do PS, não pode deixar de ter uma leitura política e de levar todos aqueles que se identificam com o espaço político do PSD a uma reflexão. Porque se, nem nestas circunstâncias, o PSD consegue vencer em Abrantes, tal só pode significar que dificilmente aqui ganhará umas eleições. 

 

Aliás, localmente, a concelhia do PSD continua a cultivar uma cultura de rebanho, completamente ao arrepio do movimento de abertura à sociedade civil do PSD de Passos Coelho, que leva inevitavelmente à expulsão e ao afastamento das estruturas locais do partido, quer da independência, quer da competência, quer da inteligência. E por uma razão muito simples de entender (simples para quem possua, pelo menos, uma destas três qualidades): ninguém com alguma destas qualidades aceita ser passeado à trela pela comissão política ou ser a voz do dono. 

 

É precisamente por esta razão que os aparelhos partidários estão totalmente desqualificados aos olhos dos portugueses. E até os próprios líderes partidários olham para os homens do aparelho com desconfiança e pouca consideração. 

 

Passos Coelho, em Aveiro, prometeu libertar o estado dos aparelhos partidários e, pretendendo reduzir o Governo a apenas dez ministros, já avisou que vai ter de ir buscar a maior parte dos ministros fora do partido (veja-se a imagem que Passos Coelho tem do seu aparelho partidário para sentir necessidade de dar credibilidade ao seu Governo anunciando, desde logo, que vai formá-lo com pessoas escolhidas fora do aparelho!...) 

 

Por sua vez, António José Seguro, na apresentação da sua candidatura, também falou da necessidade de o PS se abrir à sociedade civil, por forma a atrair a competência e a inteligência, ou seja, precisamente o que falta no aparelho partidário socialista, tal como nos outros.

 

Mas, enquanto os medíocres se convencerem que os partidos servem apenas para lhes arranjar emprego em troca de andarem a correr de cachecol e bandeira atrás do líder do momento, dificilmente os militantes dos partidos conseguirão ser olhados com respeito e consideração pelo povo português e pelos seus próprios líderes.

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Terça-feira, 07.06.11

ACORDAR

António Belém Coelho

  

Portugal adormeceu ontem com os resultados das eleições legislativas; dormiu bem, sem dúvida, face às insónias de que padece desde há seis anos; e acordou hoje com todos os benefícios e consequências desses resultados.

 

O País deparou-se com duas campanhas completamente antagónicas: a do Partido Socialista em que o Eng. Sócrates, interpretando abusivamente a estrutura em que estava integrado, com a bênção dos principais responsáveis, encenou a fábula da cigarra e da formiga, mas sempre do ponto de vista mais fácil, o da cigarra!

 

E a do Partido Social Democrata, com grande ênfase na formiga, malgrado todas as dificuldades inerentes.

 

Só que o Povo Português preferiu a fábula original; votou maioritariamente em quem apresentou um programa com medidas difíceis e penalizadoras a curto prazo, mas coerentes e sólidas e sobretudo capazes de a médio prazo serem capazes de fazerem surgir as condições necessárias e suficientes para possibilitarem o crescimento económico.

 

Que efectivamente é o que importa. E só depois de ser realidade, nos poderemos voltar para o desenvolvimento económico e social que tanto prezamos e defendemos, mas que é perfeitamente inviável sem o primeiro! Só isso!

 

E convém dizer claramente que o grande arquitecto e coordenador deste programa de governo, sincero, coerente e que não engana ninguém, é um ilustre filho da terra: o Dr. Eduardo Catroga. Que se por acaso fosse um elemento da chamada esquerda política, como aconteceu a muitos outros com bem menos merecimentos, já teria certamente por cá uma série de prebendas que na verdade nada acrescentariam ao seu valor, que é muito, mas que aos olhos dos compagnons de route habituais o elevariam a outros patamares.

 

Mas o facto indesmentível é que o País votou laranja em termos maioritários; em quase todos os distritos do continente e nas regiões autónomas, o PSD venceu. Excepção a Setúbal, Beja e Évora em que, não vencendo, a progressão foi evidente e a vitória discutida pouco a menos que taco a taco.

 

No nosso distrito a vitória do PSD foi clara; 5 deputados contra 3 do PS, 1 do CDS e 1 da CDU.

 

No Médio Tejo, unidade territorial a que pertencemos, o mapa laranja só é quebrado por Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha.

 

Ou seja, em termos de municípios de média dimensão, Abrantes foi o único em contra-ciclo, preferindo votar de forma contrária à sua região, ao seu distrito, ao seu país! Enfim, cada um poderá concluir aquilo que muito bem entender!

 

Mas enquanto que o País preferiu a seriedade, mesmo que dolorosa, à mentira, por mais doce que seja, enquanto que o país preferiu assentar os pés no chão, encarar a realidade dura, em vez de acreditar num país imaginário cor de rosa que nos queriam impingir à viva força, Abrantes fez exactamente o contrário!

 

É certamente uma opção tão legítima e responsável como qualquer outra; mas que a mim,  Abrantino desde sempre, me causa preocupação. Mas o facto é que a teia continua a prender muito boa gente, embora desta vez os fios tenham ficado de sobremaneira frágeis.

 

Mas certamente que a estrutura concelhia do PSD já terá tirado as devidas ilações, quer em termos tácticos e estratégicos; se o não fizer, mal irão as coisas.

 

Lembremo-nos que em concelhos como Benavente, Golegã, Cartaxo, etc, o PSD ganhou; em Ourém, cuja autarquia é PS, o PSD obteve mais de 61% dos votos! Fica a interrogação: o que se passa em Abrantes? Onde efectivamente a oposição (e não sou eu que o digo, basta consultar os meios de comunicação social e muitos blogs) é das mais activas.

 

Mas viremo-nos para o futuro: esperemos que o PS, agora na oposição, tenha tomado boa nota das palavras de despedida do seu líder, ou seja, se paute por um comportamento responsável e que sobretudo saiba respeitar e honrar o que assinou, sem subterfúgios nem qualquer tipo de reserva mental.

 

Só assim poderá continuar a servir o País e constituir-se como alternativa válida para o futuro!

 

Mas o facto de nesta legislatura terem assento na sua bancada muitas figuras da sua dita ala esquerda, poderá dar-lhe a tentação de renegar o acordo e tentar renegociá-lo na rua! Nada de mais errado. Seria o hara-kiri absoluto!

 

Mas estou certo que o PS, na sua tradição democrática e sem renegar a sua matriz ideológica, saberá escolher uma liderança que conjugue essa mesma tradição com os compromissos por si assinados e com os superiores interesses do país. Os líderes passam, as instituições ficam! Quem não perceber isso, fica fora do comboio do futuro. Que não é de todo um qualquer TGV!

 

Termino reconhecendo que nos esperam tempos e medidas difíceis; sem as quais poucas esperanças de futuro poderíamos ter. Vai doer, mas é como a injecção que devemos suportar para conseguirmos de novo um estado de saúde sempre relativa, que a realidade não pára! Apenas muda e cabe-nos a nós adaptarmo-nos o melhor possível!

 

E convém não matar o mensageiro (neste caso o médico), mas sim fazer todos os possíveis para que o tratamento possa dar resultado. Não há verdadeiramente alternativa!

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Sexta-feira, 27.05.11

O FIM DAS NOVAS OPORTUNIDADES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

O panfleto que o PS intitula pomposamente de programa eleitoral só tem comparação com certas moções de estratégia que por aí são aprovadas, feitas de lugares comuns, banalidades e outras vulgaridades, que só a boa educação ou a ignorância dos ouvintes os impede de desatar a rir às gargalhadas, para mais quando são lidas em voz alta com ar formal.

 

Só mesmo no país das Novas Oportunidades, é possível José Sócrates aparecer nas sondagens com mais intenções de votos do que o CDS, o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista. Será possível o povo português ser tão irresponsável ao ponto de ainda ponderar em manter na direcção da sua empresa o director que a levou à falência? Isto, no fundo, só vem demonstrar que os culpados da situação em que o país se encontra, afinal, são os portugueses que, nas democracias liberais, são os verdadeiros accionistas da empresa nacional.

 

A democracia tem, pelo menos, esse mérito: ninguém é governando melhor do que o que merece. E nós só temos o que merecemos. Mas de uma coisa podem estar certos: acabaram-se as novas oportunidades.

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Quinta-feira, 26.05.11

VALORIZAR É PRECISO

Anabela Crispim (Profissional de RVCC) 

 

Ouvimos todos os dias críticas às Novas Oportunidades. A maior parte das vezes proferidas por quem não conhece minimamente aquilo de que está a falar.

 

Por que temos medo, por que criticamos aquilo que não conhecemos?

 

Trabalho diariamente com homens e mulheres que tiveram muito cedo que “se fazer à vida” e começar a trabalhar. Homens e mulheres que chegam ao nosso Centro, com uma diversidade de competências de vida que são reconhecidas a um nível de escolaridade básico ou secundário.

 

Homens e mulheres que dão um novo significado àquilo que já sabem: na Matemática para a Vida, na Linguagem e Comunicação, nas Tecnologias de Informação e Comunicação, na Cidadania e Empregabilidade. Conheço todos os dias homens e mulheres, de todas as idades, que nunca mexeram num computador. Homens e mulheres que mostram orgulhosos o seu trabalho: “ Professora, fiz tudo sozinho! Agora até já falo com os meus netos no computador!”

 

Conheço todos os dias, homens e mulheres que trabalham duro nas mais variadas profissões e vêm com coragem pedir a certificação das suas competências por que sabem que têm valor. As suas competências de vida pessoais, profissionais e sociais são importantes.

 

“Contar a História de Vida e ter o 12º Ano! Que patranha!” – Todos os nossos candidatos sabem que não é apenas isso. A história de vida de um candidato é um pretexto para mostrar competências em áreas como Cidadania e Profissionalidade, em Sociedade, Tecnologia e Ciência, em Cultura, Língua e Comunicação.

 

O processo de RVCC é discutível? Deve ser melhorado? Claro que sim! Melhoramo-lo nós, todos os dias. Trabalhamos todos os dias em prol da sua credibilidade. Tentamos adaptá-lo à singularidade de cada um dos nossos candidatos, aproveitando ao máximo as competências de cada um. O processo de RVCC envolve uma equipa de profissionais das mais variadas áreas, pois só assim se pode desenvolver o potencial de cada candidato. Todos os dias, fazer este trabalho é um desafio para todos os profissionais envolvidos.

 

Obrigada Filipa, por ser a porta-voz de todas as mulheres que não se acomodam e dão exemplo de vida e conhecimento! Obrigado Mário, pela garra com que se empenha na luta diária por uma vida melhor na sua freguesia! Obrigado Adelino, pela competência de construir todos os dias obras que engrandecem o nosso país! Obrigado José Luís, por continuar a ser mediador de culturas, pela responsabilidade para com todos aqueles que consigo trabalham! Obrigado Rui, por estar na oficina sempre que preciso de lá levar o meu carro! Obrigada Maria, por ter lutado pela constituição da creche onde deixamos os nossos filhos! Obrigado Francisco, por fazer funcionar o nosso telefone e Internet! Obrigado Paulo, por contribuir para o bom funcionamento do lar onde visito o meu avô! Obrigado Alberto, por proteger e preservar locais tão bonitos da terra que amo!

 

Obrigado a todos, por contribuírem para a valorização deste país.

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Quarta-feira, 25.05.11

O EURODEPENDENTE

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

A exultação dos nossos políticos do "arco da governação", assim como da sua corte de comentadores e jornalistas, com o programa de "desintoxicação" das finanças públicas que a troika impôs ao Estado português, em troca do empréstimo indispensável à nossa sobrevivência, só é comparável à felicidade do toxicodependente que, no banco dos réus, recebe, como uma dádiva dos céus, a ordem de internamento para desintoxicação proferida pelo juiz como alternativa à pena de prisão.

 

Temo, no entanto, que o desfecho seja o mesmo.

 

Com efeito, raramente o toxicodependente consegue cumprir o programa de desintoxicação ou evitar nova recaída. Quando uma pessoa ou um Estado se torna toxicodependente, não basta um bom programa para a cura, é necessário uma força de vontade e um espírito de sacrifício que, se estas pessoas tivessem, nunca teriam caído naquela situação.

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Domingo, 22.05.11

AS CAUSAS DA NOSSA DECADÊNCIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Recentemente, na mesa ao lado da minha, assisti a uma conversa entre um grupo de amigos que, partindo do princípio aceite por todos de que o futebol inglês era o único verdadeiramente espectacular do ponto de vista do espectador e do adepto, ou seja, um futebol corrido, sem tempos mortos e sem anti-jogo, sugeriam uma série de alterações às leis do futebol e aos regulamentos, por forma a que, também, em Portugal, se pudesse usufruir de espectáculos idênticos.

 

Foi, nesta altura, que decidi interromper a conversa para fazer uma simples pergunta: «Mas as leis do futebol não são iguais em Inglaterra e em Portugal?» Pois é, então, parece que o problema não há-de estar nas leis.

 

No entanto, podem ter a certeza de que, se a FIFA entregasse aos portugueses a gestão do futebol, em vez das 17 leis do jogo, hoje teríamos vários códigos com milhares de artigos, os quais, por sua vez, haviam de remeter para regulamentos que ainda estariam por elaborar ou já estavam revogados ou semi-revogados.

 

E o mais certo era, neste momento, todos os campeonatos estarem suspensos à espera que o Tribunal Constitucional decidisse se o facto de os jogadores entrarem em campo com o pé direito ou de se benzerem poria em causa o princípio da igualdade ou ofenderia o princípio de laicidade do jogo de futebol.

 

Para já não falar nas alterações contínuas das terminologias: os "pontapés de canto" passariam a chamar-se "pontapés de esquina" e, no ano seguinte, "corners de esquina", e no seguinte "esquinas de pontapés", "pontapés de corner", "pontapés de ângulo", "pontapés de esguelha"... até se esgotar a capacidade inventiva do legislador, altura em que se regressava ao "pontapé de canto".

 

Este é que é o nosso grande problema estrutural: pensarmos que os problemas se resolvem sentados numa cadeira a fazer leis e regulamentos e a mudar os nomes às coisas. Ora, este país só terá solução quando, durante três legislaturas sucessivas (no mínimo), os nossos deputados se reunirem três semanas por mês para rasgar leis e uma semana para fazer pequenos acertos e correcções no sentido de simplificar e tornar mais claras as poucas que se salvarem do caixote do lixo.

 

Infelizmente, ainda não vai ser na próxima legislatura que se vai iniciar a única grande reforma estrutural de que o país precisa porque só já vejo por aí políticos de lápis em punho a imaginar-se no poleiro a redigir os compêndios legislativos das salvíficas reformas estruturais com aquele ar radiante de poeta que se prepara para escrever um poema épico.

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Sexta-feira, 20.05.11

PATRIMÓNIO - O PONTO DA SITUAÇÃO

António Castelbranco (arquitecto) 

 

Em Abrantes - um concelho de peso do distrito de Santarém – a situação do património e da cultura deve ser vista de forma alargada e não apenas naquilo que nos vem à cabeça que geralmente é o património arquitectónico: o Mosteiro dos Jerónimos, a Torre de Belém, o Palácio da Ajuda, etc.  Com efeito, o património é muito mais do que peças de arquitectura, ou mesmo de cultura.  Eu diria que o conceito de património se pode dividir em pelo menos seis categorias. 

 

1. O Património Natural; 2. O Património Urbano; 3. O Património Arquitectónico do passado; 4. O Património Arquitectónico do Presente; 5. O Património Cultural; 6. O Património Humano: as pessoas. 

 

Seguindo a enumeração desta lista, vou dar a minha opinião sobre o ponto da situação e classificar cada um destes itens. 

 

1. O Património Natural: as agressões a este património são várias e vão desde a poluição das ribeiras, linhas de água e florestas, aos incêndios de verão.  Todavia, o que mais me preocupa é a questão do desordenamento do território, da excessiva pegada ecológica sobre um património que é frágil e do qual dependemos.  E também porque se trata de uma agressão disfarçada com a aparência de “progresso e desenvolvimento”, mas espalha-se pelo território, não tem retrocesso e é de difícil cura.  Não são conceitos fáceis de entender mas são questões fundamentais para a sustentabilidade e para a qualidade das nossas vidas e sobretudo daquelas que hão de vir.  Mas como diria um ministro do ambiente, “em Portugal, o ambiente tem poucos amigos”.  6 VALORES (sobre 20)

 

2. O Património Urbano: no que diz respeito aos centros históricos e, no caso de Abrantes (que é semelhante ao que se passa em outras cidades do distrito) tem havido algumas intervenções que têm, ao longo dos últimos anos, procurado fazer a valorização destas áreas. Porém, o facto de na generalidade estas terem sido intervenções estéticas e superficiais - isto é sem uma visão aprofundada dos problemas que afectam a sustentabilidade destas áreas - verificamos que o retorno destes investimentos é quase nulo. 11 VALORES

 

3. Em Abrantes, e quanto ao Património Arquitectónico do passado: podemos considerar que as peças mais importantes são a Igreja de São Vicente, a de São João, a Misericórdia, o castelo/fortaleza, todos estes monumentos se encontram em relativo bom estado e têm valor histórico, artístico e arquitectónico.  Mas não são suficientemente bem aproveitados. Porquanto os assaltos às igrejas têm forçado muitas delas a manterem as portas fechadas.  13 VALORES

 

4. O Património Arquitectónico do Presente (Séc. XX), a meu ver, uma das obras de arquitectura mais interessantes - na cidade de Abrantes - é o monumento ao Condestável Dom Nuno Álvares Pereira. 

 

Para além de a sua localização ser soberba, a obra humana - que ao longo dos séculos tem vindo a ser feita neste local - vem acentuar essa posição.  Com efeito, trata-se de um excelente exemplo de:

 

     a - Arquitectura moderna

     b -Integração dessa mesma arquitectura num espaço monumental e histórico

     c - Um trabalho de colaboração entre um arquitecto e um escultor de renome nacional

 

Todavia, a cidade de Abrantes e o Núcleo da Ordem dos Arquitectos não partilham da minha opinião, pois se assim fosse este monumento não estaria no estado de degradação acentuada em que se encontra.  8 VALORES 

 

1. O Património Cultural: no panorama cultural de Abrantes destacam-se 2 instituições a Galeria Municipal de Arte que tem feito um bom trabalho na organização de exposições e na divulgação de jovens artistas e dos seus trabalhos.  A biblioteca Municipal é outra magnífica peça do nosso património cultural, a qualidade do equipamento a organização e a riqueza dos conteúdos fazem da nossa biblioteca uma das melhores a nível nacional é pena que não funcione num horário alargado e, aos fins de semana.  10 VALORES

 

2. O Património Humano: (as pessoas) este é sem dúvida a parte mais importante do nosso património, pois é aquela que assegura o futuro e a própria existência do passado e portanto a viabilidade dos outros patrimónios. 

 

Por decisão e imposição do poder autárquico socialista foram construídos uma série equipamentos que - desbaratando os fundos europeus - supostamente aumentariam a oferta de actividades e permitiriam melhorar a qualidade de vida dos munícipes, porém constatamos uma tristeza profunda dos abrantinos e uma indiferença generalizada em relação aos assuntos que lhes dizem respeito que se manifesta também na fraca utilização destes mesmos equipamentos Mas mais grave ainda é o êxodo acentuado dos nossos jovens que conforme já se mencionou vai comprometer a sustentabilidade de todos estes patrimónios.  6 VALORES

 

Em resumo:

  1. O Património Natural                                      6
  2. O Património Urbano                                     11
  3. O Património Arquitectónico do passado           13
  4. O Património Arquitectónico do Presente            8
  5. O Património Cultural                                     10
  6. O Património humano: as pessoas                      6
  7. Total/Média          54 : 6 = 9 VALORES (sobre 20)

 

Conclusão: desta breve análise, constatamos 2 coisas:

 

     1º) que a metodologia aqui apresentada para classificar a situação do património em Abrantes é válida para analisar e classificar outros concelho dentro do nosso distrito de Santarém

 

     2º) que  a classificação média dos diferentes patrimónios tem nota negativa e que o Património Natural e o Património humano encontram-se em grandes dificuldades. Para inverter esta tendência vai ser necessária muita visão, coragem e imaginação. E acima de tudo uma urgente mudança de política no executivo da Câmara Municipal de Abrantes.

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Domingo, 15.05.11

O NOSSO COMPROMISSO

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

No momento em que os vereadores do PSD são atacados, dentro do seu próprio partido, por aqueles que sempre estiveram contra a nossa candidatura à Câmara de Abrantes e sempre conviveram bem com a poder socialista, importa recordar o nosso compromisso eleitoral, apresentado no dia 29 de Outubro de 2008, na sede do PSD de Abrantes, para o leitor poder avaliar, quer a coerência da nossa conduta, quer a justiça das acusações que nos são feitas, quer o carácter daqueles que estão sempre dispostos a vender-se por trinta dinheiros:

 

«Tal como a maioria dos portugueses, também eu estou profundamente desiludido com a nossa classe política que transformou o Estado e as autarquias num monstro com tentáculos enormes que esmaga, sufoca e asfixia todas as pessoas e empresas que têm a veleidade de querer viver fora da sua dependência. E se o PS é o pai biológico do monstro, o PSD é o seu pai afectivo porque sempre que esteve no poder alimentou-o e acarinhou-o como se fosse seu filho. (...)

 

O concelho de Abrantes é um caso típico de como os milhões e milhões de euros da união europeia que, desde 1993, desaguaram nas nossas autarquias, em nada contribuíram para cimentar aqueles valores que fortalecem as democracias e são o único e verdadeiro motor do desenvolvimento. Ou seja, o espírito crítico, a livre iniciativa, a independência da sociedade civil face ao poder político e a liberdade de expressão e de opinião.   

 

Por alguma razão, estamos na cauda da Europa, excepto no que diz respeito à corrupção, ao clientelismo, ao compadrio e ao esbanjamento de dinheiros públicos em que ocupamos orgulhosamente um dos lugares cimeiros.

 

As obras públicas são importantes, obviamente. Mas mais importante do que as obras é cada um de nós sentir, em cada momento, que é um homem livre. Livre para pensar, livre para criticar e livre para fazer. E a única forma de se viver em liberdade na nossa terra é nunca permitirmos que alguém se sinta senhor do nosso voto ou dono do nosso concelho.

 

O 25 de Abril vendeu-nos a ilusão de que, com a decapitação do regime, o monstro fascista morria, libertando a sociedade civil das suas garras tentaculares. Foi um erro de análise. Ao contrário do que julgaram os militares de Abril, o monstro fascista não era um polvo, mas uma hidra. E com a decapitação do regime, as cabeças da hidra irromperam na nossa sociedade tomando conta do aparelho de Estado, das instituições, das autarquias e das associações.

 

Se queremos um Portugal mais justo, mais solidário, mais livre, onde se permeie efectivamente o mérito e o trabalho temos dematar a hidra. Eu sei que é um trabalho de Hércules. Mas só há uma maneira de o conseguir: através do exemplo. O exemplo é a única forma de ensinar. É no exemplo que se funda a verdadeira autoridade. (...)

 

Tenho a consciência de que o nosso exército é pequeno e que o combate vai ser duro e desequilibrado. Mas isso não nos deve desanimar, nem fazer desistir. O importante num combate não é estar do lado do exército maior e mais poderoso, mas estar do lado certo. (...)

 

A mudança de mentalidades e de comportamentos que protegem os amigos e os medíocres e penalizam quem cumpre e quem trabalha tem de começar por algum lado. E vai começar por aqui.

 

O meu repto vai para o povo de Abrantes, independentemente das suas convicções políticas ou religiosas. Tal como em Aljubarrota, o nosso combate vai ter de ser feito com o povo e os homens livres deste concelho, porque a "nobreza" de Abrantes, cujos cargos, tachos e penachos dependem da câmara e do Governo, está toda ao lado de Castela, ou seja, do poder socialista. (...)

 

Povo de Abrantes! Homens livres de Abrantes! A vossa participação é essencial para vencer este combate decisivo por Abrantes, por Portugal e por cada um de nós. Para se alistarem no nosso exército, só necessitam de três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes 

 

Vide posts relacionados: 

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível 

E se o ridículo matasse?...    

PSD Abrantes retira confiança política 

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa  

Carta aberta aos abrantinos  

As razões da minha desfiliação do PSD  

Em defesa da honra 

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