Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL


Sexta-feira, 03.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA

 

O BEIJO DE JUDAS

 

Nova Aliança – O PSD de Abrantes retirou a confiança política aos seus vereadores (Elsa Cardoso e Santana Maia). Já estava à espera desta decisão ?  

 

Santana-Maia -A partir do momento em que o PSD de Abrantes ficou nas mãos daqueles que não só sempre foram contra a minha candidatura à Câmara de Abrantes como tudo têm feito, a partir desse momento e sem olhar a meios, para fragilizar, apoucar, diminuir e denegrir os candidatos e os eleitos da candidatura "Amar Abrantes", a retirada da confiança política acaba por ser o corolário lógico de toda uma filosofia que tem dominado o PSD de Abrantes, durante os últimos vinte anos, e contra a qual a minha candidatura se ergueu.

 

Aliás, na noite do passado dia 1 de Janeiro, às 22H10, ou seja, cerca de quatro meses antes do anúncio da retirada da confiança política, recebi no meu telemóvel uma mensagem anónima que resume o teor do comunicado que agora foi lido pela comissão política, o que significa que a pessoa que me enviou este sms estava bem por dentro da teia que estava a ser urdida no PSD de Abrantes. A mensagem dizia o seguinte: «O psd e principalmente os abrantinos muito agradecem um gesto nobre da sua parte: DEMITA-SE DE VEREADOR. Estamos fartos da sua prepotência, autoritarismo e falta de vergonha. O seu egocentrismo asfixia-o. De uma coisa pode ficar certo só descansarei quando excomungar as laranjas podres da nossa secção. Os energúmenos como vossa excelência têm os dias contados.»

 

Como vê, não só estava à espera como aguardava tranquilamente pelo beijo de Judas, se bem que, neste caso, Judas seja do sexo feminino.  

 

A CULTURA DE REBANHO  

  

Nova Aliança – Que opinião tem dos fundamentos apresentados pelo PSD de Abrantes? 

 

Santana-Maia - Invocar como fundamento para a retirada da confiança política o facto de eu manter algum distanciamento crítico em relação a determinadas posições do partido não é honesto. Em primeiro lugar, porque eu não só nunca fui um «yes, man» como defendi sempre a liberdade de expressão como um dos valores principais a ser defendidos e preservados pela candidatura "Amar Abrantes" e pelo PSD. E basta ler os meus artigos no Primeira Linha, nos anos anteriores ao convite para ser candidato, para se constatar que eu sempre discuti e critiquei abertamente as posições dos líderes e dos governos do PSD quando não concordava com elas. Para mim, o PSD, assim como qualquer partido democrático, só pode ser um verdadeiro agente de mudança se preservar e valorizar os espíritos livres e independentes. Sou, por isso, visceralmente, contra os partidos tipo PS de Sócrates, em que o líder é o pastor e o partido um rebanho de ovelhas. Ora, é precisamente este modelo de partido que é agora defendido pela actual comissão política concelhia do PSD e que, por ironia do destino, é rejeitado não só por mim como também pelo actual líder do PSD Passos Coelho. Basta até ter em conta que a chamada "lei da rolha", que foi aprovada num congresso do PSD com o voto da actual presidente da comissão política, foi, de imediato, rejeitada por Passos Coelho. Aliás, todo o discurso de Passos Coelho assenta na abertura do partido à sociedade civil com vista precisamente a evitar que o partido fique refém desta cultura de rebanho que tem as suas raízes no antigo regime e nos regimes totalitários. 

 

Em segundo lugar, quando aceitei ser candidato, disse expressamente que o meu compromisso era apenas com o projecto da candidatura autárquica à Câmara de Abrantes. E todas as pessoas que eu convidei foi com base no mesmo compromisso. Não só nunca perguntei a ninguém em quem costumava votar ou qual o seu partido do coração como também, àquelas que fizeram questão de mo dizer, lhes disse logo que isso não me interessava. Aliás, para que as pessoas compreendessem a filosofia que estava subjacente à candidatura "Amar Abrantes", repeti até à exaustão o provérbio japonês no qual eu me revejo:  "Quando há duas pessoas que pensam da mesma maneira, uma delas é dispensável". O objectivo era servir o concelho e as populações e não juntar um rebanho de ovelhas, acrítico e de pensamento único, para servir o partido. 

 

A TEIA 

 

Nova Aliança – Quais foram as principais causas da ruptura?  

 

Santana-Maia - A principal causa da ruptura foi explicada pela presidente da comissão política ao invocar os "altos interesses do partido" para me retirar a confiança política. É precisamente aqui que reside a grande fractura entre o PSD dos vereadores e o PSD da actual comissão política. No discurso da minha apresentação a presidente da câmara, no dia 28/10/2008, disse que, para pertencer à candidatura "Amar Abrantes", só eram necessárias três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes. Ora, são precisamente estas três coisas que chocam abertamente com os fundamentos da actual comissão política. Estamos, assim, perante duas visões completamente diferentes de entender a política: para os vereadores do PSD, os interesses do partido têm de se sacrificar aos superiores interesses do concelho e dos munícipes; para a actual comissão política, os vereadores devem curvar-se perante "os altos interesses do partido". 

 

Nova Aliança - E desde quando começou essa ruptura? 

 

Santana-Maia - Essa ruptura começou no dia em que o plenário do PSD de Abrantes aprovou por unanimidade a minha candidatura a presidente da câmara. A unanimidade e o apoio expresso naquele momento por certas pessoas soou-me logo a falso, depois das histórias que me tinham contado. 

 

Devo dizer que, antes de aceitar o convite, quis ouvir a opinião de algumas pessoas amigas, porque desconhecia absolutamente a realidade do PSD de Abrantes. E verdade se diga todas me disseram o pior possível... No entanto, recordo aqui uma imagem que uma destas pessoas usou para me fazer perceber a razão por que se queria manter afastada do PSD de Abrantes e que, na altura, me apareceu algo exagerada mas que hoje constato retrata fielmente a realidade: «O PSD de Abrantes é uma teia urdida por três aranhas. E o senhor e eu somos apenas dois pequenos insectos. E escusa de olhar para as aranhas, porque mal se descuida está enredado numa teia formada por pessoas que se fizeram passar por seus amigos e nas quais confiou.»   

 

E não foi preciso esperar muitos dias para que isso se começasse a tornar evidente. Com efeito, na semana anterior à apresentação da minha candidatura, ou seja, na semana anterior a 28/10/2008, as três aranhas começaram a urdir a sua teia. E pondo a correr a insinuação caluniosa de que eu pertenceria a movimentos de extrema-direita, pressionaram o Gonçalo Oliveira, na altura presidente da comissão política concelhia, a forçar-me a renunciar à candidatura a favor de Belém Coelho, invocando motivos pessoais, o que só não aconteceu porque Belém Coelho, apesar de mal me conhecer, se recusou a alinhar nesta golpada e manteve o seu apoio à minha candidatura e aos compromissos já assumidos colectivamente pelo partido. A partir daquele momento, ganhei consciência do sarilho em que me tinha metido mas já era tarde para desistir, porque o compromisso estava assumido. 

 

AMAR ABRANTES  

 

Nova Aliança – A presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes afirmou que o vereador Santana Maia “já não dispõe de condições para falar em nome do PSD”. Como será agora a sua vereação?  

 

Santana-Maia - Em primeiro lugar, nem eu, nem os vereadores eleitos pelo PSD, alguma vez falámos em nome do PSD. Nós falamos apenas em nome dos vereadores da Câmara de Abrantes que foram eleitos pelas listas do PSD com um programa eleitoral próprio que se comprometeram a cumprir, caso fossem eleitos. 

 

Quando aceitei ser candidato pelo PSD, impus apenas, como única condição, que o grupo de trabalho da candidatura fosse aberto a todas as pessoas, independentemente da sua filiação ideológica ou partidária, desde que respeitassem o seguinte princípio: os interesses do concelho de Abrantes e dos munícipes estavam acima de qualquer interesse partidário ou pessoal por mais importante que fosse. 

 

Foi com este espírito que nasceu a candidatura "Amar Abrantes", daí também a razão da escolha do nome, e é com este espírito que os vereadores eleitos pela candidatura "Amar Abrantes" vão levar até ao fim o seu mandato, honrando o compromisso que assumiram perante os eleitores e falando sempre a uma só voz, enquanto vereadores. 

 

AS DUAS MARGENS 

 

Nova Aliança – Afirmando o vereador Belém Coelho que “os vereadores do PSD são uma unidade indivisível” como será (após a retirada de confiança) a articulação entre os dois vereadores do PSD? 

 

Santana-Maia - A comissão política é uma coisa, os vereadores são outra. A comissão política representa os militantes; os vereadores representam os munícipes. As comissões políticas são constituídas obrigatoriamente por listas de militantes com quotas em dia, são eleitas pelos militantes e dependem directamente dos militantes, representados pelo plenário; os vereadores, pelo contrário, fazem parte do executivo municipal que é eleito pelos munícipes, não são obrigados a ter qualquer vínculo ao partido que apoia a lista pela qual se candidataram (a esmagadora maioria dos candidatos são independentes) e dependem dos eleitores do município, representados pela Assembleia Municipal. A comissão política é eleita por 30 ou 40 militantes; os vereadores do PSD são eleitos por mais de 5 mil eleitores indiferenciados.  

 

Os vereadores vão, consequentemente, continuar a trabalhar como trabalharam até aqui, preparando as suas intervenções como sempre fizeram. Ou seja, em conjunto com o grupo de pessoas que os assessoria, desde o início, mantendo os canais abertos com os eleitos e os representantes das diferentes freguesias e dando voz a qualquer munícipe que dela careça. É óbvio que seria importante, apesar das profundas divergências, manter a ponte entre a vereação e a comissão política. Tanto assim que os estatutos do PSD estabelecem que o primeiro vereador eleito tem lugar por inerência na comissão política. No entanto, face à dinamitação desta ponte pela comissão política, não nos resta outra alternativa se não trabalhar em margens opostas. 

 

O PSD DE ABRANTES 

 

Nova Aliança – Pretende concorrer aos órgãos do partido do PSD de Abrantes? (desafio lançado pela presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes) 

 

Santana-Maia - Esse desafio, para mim, é ofensivo porque significa que a presidente me tem na mesma conta que ela. Eu aceitei ser candidato a presidente da câmara mas deixei claro, desde o início, que a política estritamente partidária não me interessa minimamente, nem tão pouco me reconheço nela, enquanto os partidos estiverem organizados com o único objectivo de ganhar eleições para servir as suas clientelas. Ainda acreditei, após as eleições autárquicas, que a comissão política do PSD de Abrantes pudesse romper com esta filosofia partidária e funcionar como um ponto de apoio aos eleitos locais no cumprimento do compromisso eleitoral que assumiram. Mas enganei-me completamente na pessoa a quem solicitei que desempenhasse essa tarefa. 

 

Além disso, estes dois últimos anos passados no PSD de Abrantes foram a experiência mais dolorosa que vivi nos meus 52 anos de vida. Não a desejo a ninguém. É uma cruz que se está a tornar demasiado pesada. Mas vou levá-la até ao fim. Agora nunca mais me falem do PSD de Abrantes. E dou um conselho: quem quiser viver bem com a sua consciência e de coluna direita, fuja do PSD de Abrantes. Caso contrário, vai ter de sofrer muito, se não quiser dobrar a espinha...   

 

Nova Aliança – Na sua opinião como vê o futuro do partido?   

 

Santana-Maia - O futuro do partido em Abrantes vai ser a continuação do seu triste passado. Muita conversa sobre ética e valores, muito discurso contra o PS, mas, na prática, tudo irá continuar a ser sacrificado no altar dos "altos interesses do partido" que, no fundo, a nível local, não são mais do que os baixos interesses de meia-dúzia dos seus militantes. 

 

Este PSD de Abrantes interessa, no entanto e objectivamente, ao PS local, razão por que pôde contar sempre com a sua estreita colaboração, apoio e incentivo, através, inclusive, dos órgãos de comunicação social que estão ao serviço dos socialistas, como é do conhecimento público. Além disso, esta situação também agrada, como é óbvio, ao PSD de Tomar, Torres Novas, Entroncamento e Santarém. Quanto pior representado estiver o PSD de Abrantes, melhor para eles. Como é evidente. 

 

ELEIÇÕES E COLIGAÇÕES 

 

Nova Aliança - Que expectativa tem das próximas legislativas? Que futuras coligações? 

 

Santana-Maia - Teria preferido que PSD e CDS se tivessem apresentado nestas eleições coligados. Teria sido melhor para Portugal a todos os níveis. Significaria, em primeiro lugar, que os dois partidos tinham sabido colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares. Em segundo lugar, teriam aparecido aos olhos dos eleitores com um programa comum e como a única solução de governo credível, o que ajudaria a clarificar a situação, matando à nascença as discussões marginais sobre as eventuais coligações pós-eleitorais, e seria um factor extraordinário de mobilização do eleitorado. Em terceiro lugar, a coligação PSD e CDS evitava que qualquer destes dois partidos se desviasse daquele que deve ser o verdadeiro imperativo nacional: derrotar Sócrates e este PS. 

 

No entanto, não coloco sequer a hipótese do PS vencer as próximas eleições porque isso revelaria um estado de demência colectivo que obrigava ao internamento psiquiátrico compulsivo do nosso país. Com efeito, não há ninguém, por muito estúpido que seja, que mantenha na direcção da sua empresa o director que a levou à falência. Só mesmo uma pessoa que sofra de graves perturbações mentais pode tomar uma decisão dessas. 

 

No entanto, devo dizer que as minhas expectativas relativamente ao futuro do país são muito baixas, mesmo com um governo PSD-CDS e por uma simples razão: vai ser impossível cumprir os objectivos que nos foram impostos pela troika. A fasquia foi colocada a uma altura que é impossível, por muito boa vontade que tenhamos, de a conseguir transpor. Os portugueses, a partir do próximo ano, vão ser sujeitos a um tratamento dolorosíssimo... As pessoas já se estão a queixar mas a maioria não imagina sequer o que aí vem. O verdadeiro sofrimento vai começar para o ano e por muito tempo. E, mesmo assim, não vamos conseguir cumprir os objectivos que a troika nos fixou pelo que a questão da reestruturação da dívida vai ter de se colocar, mais dia menos dia. Se a Europa não evoluir rapidamente para uma união política, o futuro de Portugal vai ser muito negro: muita miséria, muito sofrimento e nenhum futuro. Que ninguém se iluda.

 

Ver posts relacionados: Rexistir por amar Abrantes

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 02.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (4ª parte)

 

AMAR ABRANTES 

 

Nova Aliança – A presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes afirmou que o vereador Santana Maia “já não dispõe de condições para falar em nome do PSD”. Como será agora a sua vereação?

 

Santana-Maia - Em primeiro lugar, nem eu, nem os vereadores eleitos pelo PSD, alguma vez falámos em nome do PSD. Nós falamos apenas em nome dos vereadores da Câmara de Abrantes que foram eleitos pelas listas do PSD com um programa eleitoral próprio que se comprometeram a cumprir, caso fossem eleitos.

 

Quando aceitei ser candidato pelo PSD, impus apenas, como única condição, que o grupo de trabalho da candidatura fosse aberto a todas as pessoas, independentemente da sua filiação ideológica ou partidária, desde que respeitassem o seguinte princípio: os interesses do concelho de Abrantes e dos munícipes estavam acima de qualquer interesse partidário ou pessoal por mais importante que fosse.

 

Foi com este espírito que nasceu a candidatura "Amar Abrantes", daí também a razão da escolha do nome, e é com este espírito que os vereadores eleitos pela candidatura "Amar Abrantes" vão levar até ao fim o seu mandato, honrando o compromisso que assumiram perante os eleitores e falando sempre a uma só voz, enquanto vereadores.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 01.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (3ª parte)

 

A TEIA

 

Nova Aliança – Quais foram as principais causas da ruptura?

 

Santana-Maia - A principal causa da ruptura foi explicada pela presidente da comissão política ao invocar os "altos interesses do partido" para me retirar a confiança política. É precisamente aqui que reside a grande fractura entre o PSD dos vereadores e o PSD da actual comissão política. No discurso da minha apresentação a presidente da câmara, no dia 28/10/2008, disse que, para pertencer à candidatura "Amar Abrantes", só eram necessárias três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes. Ora, são precisamente estas três coisas que chocam abertamente com os fundamentos da actual comissão política. Estamos, assim, perante duas visões completamente diferentes de entender a política: para os vereadores do PSD, os interesses do partido têm de se sacrificar aos superiores interesses do concelho e dos munícipes; para a actual comissão política, os vereadores devem curvar-se perante "os altos interesses do partido".

 

Nova Aliança - E desde quando começou essa ruptura?

 

Santana-Maia - Essa ruptura começou no dia em que o plenário do PSD de Abrantes aprovou por unanimidade a minha candidatura a presidente da câmara. A unanimidade e o apoio expresso naquele momento por certas pessoas soou-me logo a falso, depois das histórias que me tinham contado.

 

Devo dizer que, antes de aceitar o convite, quis ouvir a opinião de algumas pessoas amigas, porque desconhecia absolutamente a realidade do PSD de Abrantes. E verdade se diga todas me disseram o pior possível... No entanto, recordo aqui uma imagem que uma destas pessoas usou para me fazer perceber a razão por que se queria manter afastada do PSD de Abrantes e que, na altura, me apareceu algo exagerada mas que hoje constato retrata fielmente a realidade: «O PSD de Abrantes é uma teia urdida por três aranhas. E o senhor e eu somos apenas dois pequenos insectos. E escusa de olhar para as aranhas, porque mal se descuida está enredado numa teia formada por pessoas que se fizeram passar por seus amigos e nas quais confiou.» 

  

E não foi preciso esperar muitos dias para que isso se começasse a tornar evidente. Com efeito, na semana anterior à apresentação da minha candidatura, ou seja, na semana anterior a 28/10/2008, as três aranhas começaram a urdir a sua teia. E pondo a correr a insinuação caluniosa de que eu pertenceria a movimentos de extrema-direita, pressionaram o Gonçalo Oliveira, na altura presidente da comissão política concelhia, a forçar-me a renunciar à candidatura a favor de Belém Coelho, invocando motivos pessoais, o que só não aconteceu porque Belém Coelho, apesar de mal me conhecer, se recusou a alinhar nesta golpada e manteve o seu apoio à minha candidatura e aos compromissos já assumidos colectivamente pelo partido. A partir daquele momento, ganhei consciência do sarilho em que me tinha metido mas já era tarde para desistir, porque o compromisso estava assumido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 01.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (2ª parte)

 

A CULTURA DE REBANHO 

 

Nova Aliança – Que opinião tem dos fundamentos apresentados pelo PSD de Abrantes?

 

Santana-Maia - Invocar como fundamento para a retirada da confiança política o facto de eu manter algum distanciamento crítico em relação a determinadas posições do partido não é honesto. Em primeiro lugar, porque eu não só nunca fui um «yes, man» como defendi sempre a liberdade de expressão como um dos valores principais a ser defendidos e preservados pela candidatura "Amar Abrantes" e pelo PSD. E basta ler os meus artigos no Primeira Linha, nos anos anteriores ao convite para ser candidato, para se constatar que eu sempre discuti e critiquei abertamente as posições dos líderes e dos governos do PSD quando não concordava com elas. Para mim, o PSD, assim como qualquer partido democrático, só pode ser um verdadeiro agente de mudança se preservar e valorizar os espíritos livres e independentes. Sou, por isso, visceralmente, contra os partidos tipo PS de Sócrates, em que o líder é o pastor e o partido um rebanho de ovelhas. Ora, é precisamente este modelo de partido que é agora defendido pela actual comissão política concelhia do PSD e que, por ironia do destino, é rejeitado não só por mim como também pelo actual líder do PSD Passos Coelho. Basta até ter em conta que a chamada "lei da rolha", que foi aprovada num congresso do PSD com o voto da actual presidente da comissão política, foi, de imediato, rejeitada por Passos Coelho. Aliás, todo o discurso de Passos Coelho assenta na abertura do partido à sociedade civil com vista precisamente a evitar que o partido fique refém desta cultura de rebanho que tem as suas raízes no antigo regime e nos regimes totalitários.

 

Em segundo lugar, quando aceitei ser candidato, disse expressamente que o meu compromisso era apenas com o projecto da candidatura autárquica à Câmara de Abrantes. E todas as pessoas que eu convidei foi com base no mesmo compromisso. Não só nunca perguntei a ninguém em quem costumava votar ou qual o seu partido do coração como também, àquelas que fizeram questão de mo dizer, lhes disse logo que isso não me interessava. Aliás, para que as pessoas compreendessem a filosofia que estava subjacente à candidatura "Amar Abrantes", repeti até à exaustão o provérbio japonês no qual eu me revejo:  "Quando há duas pessoas que pensam da mesma maneira, uma delas é dispensável". O objectivo era servir o concelho e as populações e não juntar um rebanho de ovelhas, acrítico e de pensamento único, para servir o partido.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 31.05.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (1ª parte)

 

O BEIJO DE JUDAS

 

Nova Aliança – O PSD de Abrantes retirou a confiança política aos seus vereadores (Elsa Cardoso e Santana Maia). Já estava à espera desta decisão ?  

 

Santana-Maia -A partir do momento em que o PSD de Abrantes ficou nas mãos daqueles que não só sempre foram contra a minha candidatura à Câmara de Abrantes como tudo têm feito, a partir desse momento e sem olhar a meios, para fragilizar, apoucar, diminuir e denegrir os candidatos e os eleitos da candidatura "Amar Abrantes", a retirada da confiança política acaba por ser o corolário lógico de toda uma filosofia que tem dominado o PSD de Abrantes, durante os últimos vinte anos, e contra a qual a minha candidatura se ergueu.

 

Aliás, na noite do passado dia 1 de Janeiro, às 22H10, ou seja, cerca de quatro meses antes do anúncio da retirada da confiança política, recebi no meu telemóvel uma mensagem anónima que resume o teor do comunicado que agora foi lido pela comissão política, o que significa que a pessoa que me enviou este sms estava bem por dentro da teia que estava a ser urdida no PSD de Abrantes. A mensagem dizia o seguinte: «O psd e principalmente os abrantinos muito agradecem um gesto nobre da sua parte: DEMITA-SE DE VEREADOR. Estamos fartos da sua prepotência, autoritarismo e falta de vergonha. O seu egocentrismo asfixia-o. De uma coisa pode ficar certo só descansarei quando excomungar as laranjas podres da nossa secção. Os energúmenos como vossa excelência têm os dias contados.»

 

Como vê, não só estava à espera como aguardava tranquilamente pelo beijo de Judas, se bem que, neste caso, Judas seja do sexo feminino. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Segunda-feira, 23.05.11

CARTA AO DIRECTOR DO RIBATEJO

Ex.mo Senhor

Director de “O Ribatejo”

 

Espero que tenha alguma disponibilidade para ler os comentários de um “iletrado”, a propósito de notícias que publica e edição de hoje, do jornal que V.Exª. dirige.

 

Quero esclarecer, antecipadamente, que não conheço, pessoalmente, nenhum dos protagonistas das notícias e que não sou militante de qualquer partido político. Sou, apenas, um observador atento e eleitor.

 

Para as “ESTRELAS”, V.Exª. escolheu, entre outros, Santana Maia, vereador PSD da Câmara de Abrantes e atribui-lhe duas estrelas. Classificou-o de “errático” e acrescentou que “perdeu a confiança política do partido”. É verdade que a Concelhia lhe retirou a confiança política, mas por acaso, V.Exª., antes de divulgar a notícia, teve o cuidado de o ouvir? Teve o cuidado de saber, para também divulgar, as razões dessa retirada de confiança?

 

O  Ribatejo, ou melhor, o director do jornal, atribui-lhe duas estrelas, mas acontece que os eleitores do concelho atribuem-lhe, não cinco, mas seis estrelas ! É que os actuais vereadores do PSD, em funções, desenvolvem trabalho, na oposição, como nunca aconteceu em legislaturas anteriores. V.Exª. até deve estar informado da realidade, mas… como dizia um filósofo de aldeia (analfabeto) “nesta terra vale mais ser moscardo que ser boi “!

 

É por demais evidente, o alcance da notícia e nem é difícil apontar a sua origem, o que é difícil é aceitar que o director de um jornal regional,  permita a publicação de notícias tendenciosas e sectárias. O descrédito fica para o jornal.

 

Mas não se ficou por aqui, o periódico desta semana!

 

Mais adiante, continua a “ofensiva”muito bem comandada:  “Manuela Ruivo”: “No PSD não há espaço para quintinhas”.  Saiba V.Exª. que a Presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes está a desempenhar o papel de “feitor” de uma quinta, onde os proprietários do terreno, a quem V.Exª. também obedece, estão totalmente desacreditados perante os eleitores. Pela mão deles, o partido, em Abrantes, acumula derrotas há mais de 20 anos, possivelmente, para felicidade de outro.

 

Não resisto a citar-lhe, de novo, o tal filósofo analfabeto: “Até com a candeia na mão, muitos quebram o nariz”!

 

Manuela Ruivo, que se saiba, pelo partido, tem-se limitado a ser enxovalhada em público, pelos donos da quinta e, sem escrúpulos, como qualquer marioneta, vai obedecendo aos patrões, na mira de alcançar um lugar ao sol, através da política.

 

Nada mais, a não ser desacreditar o partido e a própria concelhia, que cada vez está mais afastada dos eleitores.

 

“O Ribatejo” está a publicar notícias tendenciosas, porque não ouve a outra parte nem ausculta a opinião pública.

 

Para conhecimento de V.Exª,. anexo uma carta que eu próprio enviei à D. Manuela Ruivo e antes de lhe apresentar os meus cumprimentos, quero citar de novo o filósofo analfabeto: “A água de muitas fontes, tira a cor ao sangue”.

 

Subscrevo-me, atenciosamente,

 

Artur Lalanda

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 18.05.11

SANTANA MAIA NA ANTENA LIVRE

Entrevista do vereador Santana-Maia Leonardo à Antena Livre a propósito da retirada da confiança política pela comissão política do PSD de Abrantes. A entrevista foi para o ar hoje a seguir ao noticiário das 12H.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 17.05.11

SANTANA MAIA NA ANTENA LIVRE

 

Ouça amanhã (4ª Feira, dia 18 de Maio) a seguir ao noticiário do meio-dia na Antena Livre a entrevista do vereador Santana-Maia Leonardo a propósito da retirada da confiança política pela comissão política do PSD de Abrantes.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 12.05.11

VEREADORES DO PSD UNIDOS

In Mirante - edição de 12/5/11

 

Belém Coelho solidarizou-se com Santana-Maia

a quem foi retirada a confiança política


O vereador do PSD na Câmara de Abrantes, António Belém Coelho, solidarizou-se com o seu colega no partido e no executivo Santana-Maia Leonardo, a quem a concelhia do PSD de Abrantes retirou a confiança política. Num texto publicado no blogue “Rexistir por Abrantes”, intitulado “Vereadores do PSD: uma unidade indivisível”, Belém Coelho diz que foi “surpreendido” com essa tomada de posição da concelhia “laranja”, onde é filiado. “Não é compreensível, num partido que preza os valores democráticos e o direito de defesa, que, a coberto de um ponto da ordem de trabalhos tão trivial e genérico como é a ‘análise da situação política’, seja dada cobertura a uma decisão de tamanha gravidade e responsabilidade políticas”.

 

O vereador diz que uma decisão com essa gravidade devia estar bem explícita na ordem de trabalhos - “era o mínimo que se exigia a nível ético e também a nível político” - e não tomada por “uma larga maioria de uma pequena minoria de militantes presentes no plenário”.

 

Referindo que “a retirada da confiança política é uma figura não acolhida em termos dos estatutos e regulamentos partidários” e que “a sua relevância em termos práticos é nula”, Belém Coelho garante, num recado à concelhia do PSD liderada por Manuela Ruivo, que “os vereadores eleitos e/ou os seus substitutos, em caso de ausência ou impedimento, vão continuar a falar a uma só voz, como até aqui sempre o fizeram, sempre de acordo com o ideário social democrata e com o programa apresentado ao eleitorado concelhio”.

 

E acusa a concelhia de fomentar a divisão interna: “Estou absolutamente convencido que este tipo de atitude em nada acrescenta ao PSD de Abrantes, pelo contrário, subtrai e divide forças, para mais num momento de disputa eleitoral directa a nível nacional e indirecta a nível local”.

 

Belém Coelho confessa também que a sua “maior estranheza” resulta das declarações prestadas a O MIRANTE pela presidente da concelhia, publicadas na edição de 7 de Abril passado, onde Manuela Ruivo dizia: “Os vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido”. E o vereador ironiza: “Isto não foi dito o ano passado ou antes! Foi dito nove dias antes do plenário de 16 de Abril”.

 

À retirada da confiança política a Santana-Maia não deve ser alheia a entrevista que o vereador deu a O MIRANTE, publicada a 14 de Abril, dois dias antes da reunião da concelhia, onde se referia em tom crítico a alguns militantes de peso que terão estado na origem da moção. “Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito”, disse na altura Santana-Maia. 

 

Ver posts relacionados:

Santana Maia na Rádio Tágide

Concelhia retira confiança política 

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível

Entrevista ao Mirante (2ª parte)

Entrevista ao Mirante (1ª parte)  

E se o ridículo matasse?... 

PSD Abrantes retira confiança política 

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa  

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD  

Em defesa da honra

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 08.05.11

SANTANA MAIA NA RÁDIO TÁGIDE

Entrevista do vereador Santana-Maia Leonardo à Rádio Tágide a propósito da retirada da confiança política pela comissão política do PSD de Abrantes.

 

A entrevista poderá ser ouvida na Rádio Tágide na 2ª Feira, dia 9 de Maio, às 12H e às 19H, e no sábado, dia 14 de Maio, entre as 13H e as 14H.

 

 

Vide posts relacionados:

Concelhia retira confiança política

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível 

E se o ridículo matasse?...   

PSD Abrantes retira confiança política  

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa 

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD 

Em defesa da honra 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sábado, 07.05.11

CONCELHIA RETIRA CONFIANÇA POLÍTICA

In Mirante - edição de 5/5/2011 

 

PSD de Abrantes tira confiança política

ao vereador Santana-Maia Leonardo

e a Elsa Cardoso 

Presidente da concelhia fala em

protagonismos pessoais e

vereador diz que o caso é digno de galhofa

 

O acumular de divergências internas levou a concelhia do PSD de Abrantes a retirar a confiança política a um dos seus vereadores na câmara, Santana-Maia Leonardo. Um processo que levou este autarca e a presidente da concelhia, Manuela Ruivo, a mais uma troca de acusações. Santana-Maia Leonardo fala em ódios e que o caso é digno de galhofa. Manuela Ruivo é mais comedida mas não se inibe de dizer que este não é o momento para “protagonismos pessoais, para quintinhas políticas”.

 

A decisão de retirar a confiança política foi tomada por um grupo reduzido de militantes numa assembleia interna. O vereador publicamente já fez saber que a ideia partiu de Armando Fernandes, José Marçal e Pedro Marques movidos por uma “vingança mesquinha”. “Todos sabemos que o ódio cega” diz o autarca, acrescentando que estes “não perdoam eu ter a ousadia de lhes ter dito na cara o que toda a gente diz em surdina”. E vai mais longe ao dizer que a presidente da concelhia era até há três meses “desconsiderada e humilhada publicamente pelo Dr. Armando Fernandes”. Acrescenta ainda que “se o ridículo matasse, a larga maioria de meia dúzia de militantes que se auto-intitula PSD de Abrantes teria morrido naquele momento”.

 

A presidente da concelhia, que em Março tinha reiterado a confiança na vereação social-democrata, diz agora que a decisão de retirar essa confiança ao vereador e à terceira candidata do partido que substitui o vereador nas suas ausências, Elsa Cardoso, tem a ver com divergências que já tinham levado Santana-Maia Leonardo a pedir a transferência da sua militância para uma secção de Lisboa. Fala também em atitudes do vereador que afrontam os órgãos políticos do partido através de artigos num blogue.

 

Manuela Ruivo lembra que o vereador recusa-se a participar nas reuniões da comissão política de secção e que procurou evitar este desfecho, mas que o confronto e desconsideração para com o partido, “conduziram à perda de legitimidade do mesmo para continuar a representar o PSD”. E desafia o vereador a voltar à militância em Abrantes e a candidatar-se aos órgãos do partido, garantindo desde já que num cenário desses também será candidata à presidência da concelhia.

 

A guerra interna já vem de há algum tempo mas acentuou-se num plenário de militantes a 19 Março, em que os ânimos exaltaram-se. Santana-Maia Leonardo queixou-se de terem tentado impedir a sua intervenção. Na mesma semana, também Elsa Cardoso, a militante que habitualmente substituía os vereadores social-democratas nas reuniões do executivo, pediu a sua desvinculação do PSD, por razões semelhantes. O ponto de partida para a polémica foi o processo eleitoral que reconduziu, no dia 26 de Fevereiro, Manuela Ruivo como líder da concelhia. Elsa Cardoso diz que só soube das eleições na véspera e já estava fechado o prazo para apresentação de listas. Numa carta dirigida ao secretário-geral do partido, Miguel Relvas, disse que “isto é gozar literalmente com os militantes do PSD”.

 

A presidente da concelhia, Manuela Ruivo, negou na altura que o processo não tenha sido transparente, realçando que a convocatória foi publicada no jornal oficial do partido, o Povo Livre, e na página do PSD/Abrantes no Facebook com muita antecedência. Mas Santana-Maia, em carta aberta aos militantes e aos munícipes do concelho de Abrantes, dizia que o plenário “estava todo armadilhado”. 

 

Vide posts relacionados:

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível 

E se o ridículo matasse?...   

PSD Abrantes retira confiança política  

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa 

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD 

Em defesa da honra 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 04.05.11

VEREADORES DO PSD: UMA UNIDADE INDIVISÍVEL

António Belém Coelho*

* Militante, com muito orgulho, do PSD e vereador da Câmara Municipal de Abrantes

 

Há alguns dias atrás fui surpreendido pela notícia inserta no site da RAL (Rádio Antena Livre), anunciando a retirada da confiança política ao vereador Santana Maia, verificada no plenário de 16 de Abril, que citava, “os militantes do PSD de Abrantes, reunidos no sábado, dia 16 de Abril, aprovaram uma moção em que é retirada a confiança politica ao seu vereador Santana-Maia Leonardo”.

 

E fui surpreendido de diversas formas.

 

Antes de mais, a proposta de retirada da confiança política a um Vereador ou a qualquer outro elemento eleito pelo PSD, seja em que lista for, só tem razão de ser, como é lógico, se for fundamentada no trabalho do vereador, enquanto vereador, e não por quaisquer outras razões estranhas ao exercício do cargo de vereador ou como retaliação pessoal.

 

Por outro lado, também não é compreensível, num partido que preza os valores democráticos e o direito de defesa, que, a coberto de um ponto da ordem de trabalhos tão trivial e genérico como é a “análise da situação política”, seja dada cobertura a uma decisão de tamanha gravidade e responsabilidade políticas.

 

Caso tivesse sido apresentada uma moção deste tipo numa sessão com aquela ordem de trabalhos, a Mesa deveria, no respeito pelos militante(s) proponentes e pelo militante objecto da moção, aceitar a mesma, caso estivesse devidamente fundamentada, mas convocar novo plenário onde este assunto constasse expressamente da ordem de trabalhos.

 

Era o mínimo que se exigia a nível ético e também a nível político.

 

Não posso também deixar de estranhar que, sendo vereador e militante do PSD, ainda não tivesse sido informado por qualquer órgão do partido desta decisão, que não pode deixar de me afectar, como é óbvio, uma vez que sou vereador e preparo todas as reuniões da câmara em conjunto com o vereador Santana Maia, desconhecendo, aliás, se a confiança política foi retirada pela comissão política ou pelo plenário.

 

Quanto à “…larga maioria…” que terá votado favoravelmente a decisão noticiada, como refere o site da Antena Livre, era importante saber e esclarecer que larga maioria terá decidido?!

 

Terá sido a larga maioria das centenas de militantes do PSD no Concelho? Não creio!

 

Terá sido a larga maioria dos militantes activos do PSD no Concelho? Tão pouco o creio!

 

Parece-me que poderá sido, isso sim, uma larga maioria de uma pequena minoria de militantes presentes no plenário, o que, não lhe retirando cobertura estatutária, põe em causa todo o resto.

 

Sendo certo que a retirada da confiança política é uma figura não acolhida em termos dos estatutos e regulamentos partidários, tratando-se, antes, de um pró-forma, ou seja, de uma tomada de posição política, independentemente dos motivos invocados, sendo a sua relevância em termos práticos nula.

 

Consequentemente, os vereadores eleitos e/ou os seus substitutos, em caso de ausência ou impedimento, vão continuar a falar a uma só voz, como até aqui sempre o fizeram, preparando as reuniões e as suas intervenções, pedidos de esclarecimentos, propostas, declarações de voto, etc, em conjunto, sempre de acordo com o ideário Social Democrata e com o Programa apresentado ao eleitorado concelhio.

 

Programa esse, aliás, aprovado pela Assembleia de Secção e Comissão Política de Secção em tempo oportuno.

 

Apesar de serem pessoas com personalidades e pensamentos necessariamente diferentes, a verdade é que os vereadores eleitos pelo PSD têm sempre falado a uma só voz, representando uma unidade indivisível enquanto vereadores na oposição construtiva ao poder socialista, sendo o rosto e a voz do PSD de Abrantes.

 

Consequentemente, não faz qualquer sentido outra das citações da notícia: “Na prática, o PSD de Abrantes passa a ter um vereador representado na Câmara Municipal, sendo que, desde sábado, as posições assumidas por Santana-Maia Leonardo passam a ser pessoais e deixam de vincular os social-democratas”.

 

Isto só faria sentido se existissem quaisquer divergências entre os Vereadores ou se os mesmos prosseguissem posições contrárias ao ideário do PSD e do Programa apresentado ao eleitorado, o que manifestamente não é o caso.

 

Como é do conhecimento público, a consonância de posições tem sido total.

 

Estou absolutamente convencido que este tipo de atitude em nada acrescenta ao PSD de Abrantes, pelo contrário, subtrai e divide forças, para mais num de disputa eleitoral directa a nível nacional e indirecta a nível local.

 

Mas a cada um a sua responsabilidade, mesmo que tal só seja evidente mais lá para diante.

 

Mas a minha maior estranheza advêm precisamente da recente entrevista dada pela Presidente da Concelhia de Abrantes ao Jornal “O Mirante”, a 7 de Abril passado, que termina da seguinte forma: “Os Vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido.”

 

Isto não foi dito o ano passado ou antes! Foi dito nove dias antes do plenário de 16 de Abril ????!!!!....

 

Em todo o caso, independentemente do agora ocorrido e mesmo admitindo, para grande pena minha, que o bom senso não volte a imperar na sessão de Abrantes do PSD, posso garantir que os Vereadores do PSD, quer os eleitos, quer os substitutos, continuarão, sem vacilar, a defender o seu ideário e programa aprovado. 

 

Vide posts relacionados: 

E se o ridículo matasse?...  

PSD Abrantes retira confiança política  

Vereadores e concelhia de costas voltadas  

A minha intervenção no plenário do psd  

Nota explicativa   

Carta aberta aos abrantinos  

As razões da minha desfiliação do PSD  

Em defesa da honra 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 26.04.11

E SE O RIDÍCULO MATASSE?...

Santana-Maia Leonardo

 

O meu querido amigo Belém Coelho chamou-me ontem a atenção para uma notícia inserta no site da Antena Livre que dizia o seguinte: «os militantes do PSD de Abrantes, reunidos no sábado, dia 16 de Abril, aprovaram uma moção em que é retirada a confiança politica ao seu vereador Santana-Maia Leonardo.»

 

Ao princípio, pensei tratar-se de uma brincadeira da rádio.

 

De facto, não dei notícia que tivesse sido convocada qualquer reunião da comissão política ou qualquer plenário do PSD de Abrantes de onde constasse um ponto da ordem de trabalhos com essa gravidade: retirada da confiança política a um vereador.

 

E apesar de os actuais dirigentes concelhios (sobretudo, os três dirigentes de facto), não pugnarem nada pela lisura dos procedimentos, não me parecia possível que fossem capazes de aprovar às escondidas uma moção deste tipo.

 

Todos sabemos que o ódio cega e que Armando Fernandes, José Marçal e Pedro Marques não perdoam eu ter a ousadia de lhes ter dito na cara o que toda a gente diz em surdina, inclusive a actual presidente da concelhia (pelo menos, até há três meses, quando era desconsiderada e humilhada publicamente pelo Dr. Armando Fernandes em qualquer sítio que este a encontrasse).

 

No entanto, ninguém esperava que tivessem a ousadia de utilizar o nome do partido e três ou quatro militantes sempre dispostos a empunhar a bandeira do lado que sopra o vento para uma vingança tão mesquinha que, a ser verdade, só servia para confirmar o mau carácter dos vingadores.

 

Até porque ainda muito recentemente a própria presidente da concelhia deu público testemunho, no Mirante de 7 de Abril, da confiança política nos vereadores e no seu valoroso: «Os vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido». 

 

Ora, era preciso muita hipocrisia para tamanha cambalhota.

 

A não ser que os dirigentes concelhios do PSD já fossem mais socráticos do que o próprio José Sócrates.

 

No entanto, tendo sobretudo em conta os acontecimentos recentes, que em nada abonam sobre a verticalidade dos actuais dirigentes concelhios (os dirigentes de facto), procurei informar-me se a notícia tinha algum fundamento.

 

Em boa verdade, foi difícil a confirmação porque nem mesmo os mais assíduos aos plenários tinham ido àquele.

 

Mas, por incrível que pareça, é mesmo verdade.

 

Ou seja, «uma larga maioria» da meia-dúzia de militantes que compareceu ao plenário convocado para analisar a situação política apresentou e votou uma moção para me retirar a confiança política.

 

Por este andar, qualquer dia convoca-se um plenário para analisar as pedras da calçada e acaba-se a aprovar uma moção para retirar a confiança política a Cavaco Silva,  Barack Obama e sabe-se lá a mais quem, apresentada e aprovada, por unanimidade, pelo único militante que correspondeu a tão entusiasmante convocatória.

 

Se o ridículo matasse, a larga maioria da meia-dúzia de militantes que se auto-intitula PSD de Abrantes teria morrido naquele instante.

 

Todos nós já tínhamos ouvido histórias de pessoas internadas em hospícios que se intitulavam "Napoleão", agora, haver meia-dúzia de militantes que se auto-intitulava PSD de Abrantes é caso único e digno de registo e de galhofa...

 

Que a comissão política concelhia (órgão executivo) retirasse a confiança política aos vereadores ainda se poderia admitir em tese, desde que fundamentasse, obviamente, com a nossa actividade enquanto vereadores (porque é apenas isso que está em causa) e em reunião convocada expressamente com esse ponto na ordem de trabalhos.

 

Agora, meia-dúzia de militantes retirarem a confiança política a um vereador???!!! E para mais quando todos as intervenções apresentadas na Câmara até foram sempre subscritas pelos dois vereadores do PSD????!!!!.... É só mesmo para rir!!!...

 

Francamente, não é que me incomode não merecer a confiança política de pessoas que não são sequer dignas de confiança.

 

Mas, sendo militante do PSD, custa-me ver o nome do partido ser usado e posto a ridículo por pessoas a quem o cheiro do poder está, manifestamente, a toldar o juízo...

 

Vide posts relacionados:

PSD Abrantes retira confiança política

Vereadores e concelhia de costas voltadas

A minha intervenção no plenário do psd

Nota explicativa 

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD

Em defesa da honra

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 26.04.11

PSD ABRANTES RETIRA CONFIANÇA POLÍTICA

In site da Rádio Antena Livre

 

Os militantes do PSD de Abrantes, reunidos no sábado, dia 16 de Abril, aprovaram uma moção em que é retirada a confiança politica ao seu vereador Santana-Maia Leonardo.


A moção foi apresentada por alguns militantes do PSD e foi aprovada por larga maioria. Ao que a Antena Livre apurou em causa a decisão do vereador deixar de participar nas reuniões da concelhia.


Recorde-se que há cerca de duas semanas Santana-Maia Leonardo havia pedido a transferência de militante da concelhia de Abrantes para o Lumiar (Lisboa).


Na prática, o PSD de Abrantes passa a ter um vereador representado na Câmara Municipal, sendo que desde sábado, as posições assumidas por Santana-Maia Leonardo passam a ser pessoais e deixam de vincular os social-democratas.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Perfil

SML 1b.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks




calendário

Maio 2019

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D