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COLUNA VERTICAL


Quinta-feira, 30.06.11

INDEPENDENTES (para uma reflexão em Abrantes)

 

(...) Parece que ter cartão do partido deixou de ser curriculum para passar a ser cadastro.

 

Quando estamos a falar de independentes, percebe-se logo que estamos a falar de partidos. Independentes de interesses económicos, corporativos ou das mais variadas organizações não interessa. Falamos em independentes e só nos ocorre independência em relação aos partidos. (...)

 

Não, os partidos é que são a fonte de todo o mal. Nestes, todos os interesses são suspeitos, todas as relações estão inquinadas.

 

Entra-se num partido e deixa-se de ter opiniões e convicções.

 

Curiosamente, as pessoas com mais pensamento político próprio, menos influenciáveis que conheci, são militantes partidários, e as mais sectárias, mais seguidistas das posições oficiais, as que se juntaram a um partido como independentes.

 

Podíamos ser levados a pensar que são os críticos do efectivo mau estado dos partidos a promover os chamados independentes, mas não é verdade. São normalmente os mais ferozes aparelhistas, as pessoas que nada mais fizeram do que estar no partido e a alcançarem cargos através deles os grandes patrocinadores da glorificação dos independentes. Desta forma, pretendem afastar a fama e, normalmente, o proveito, de controlarem completamente os partidos.

 

Por outro lado, quanto menos pessoas com opinião própria e força na sociedade civil ficarem de fora dos partidos melhor aqueles controlarão as máquinas partidárias. O exaltador dos independentes gosta destes longe do partido. E quanto mais qualidades pessoais e intelectuais estes tiverem mais longe os quer.

 

Mais, um recrutador de independentes é quase sempre alguém que lida mal com os chamados críticos internos, com as pessoas que não receiam exibir posições discordantes da linha oficial. (...)

 

Pedro Marques Lopes - in Diário de Notícias de 26/6/11

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Sábado, 21.05.11

AGORA ESCOLHA

Pedro Marques Lopes - In Diário de Notícias de 15/5/11

 

O muito aguardado programa do PSD é muito mais que uma simples e habitual enunciação de um conjunto de propostas avulsas desenquadradas ideologicamente e com objectivos eleitorais imediatos. Concorde-se ou não com as suas linhas essenciais, o documento mostra de forma cabal o caminho que os sociais-democratas querem percorrer, e redefine o panorama político-partidário português. (...)

 

Passos Coelho, na sequência do projecto de revisão constitucional, separa as águas e quase funda, nos seus traços fundamentais, um novo partido. Recusa o discurso centrista, em que quase sempre o PS e o PSD navegavam, e que desaguava invariavelmente no nosso conhecido "as ideias são as mesmas, mas nós somos mais competentes". Abandona qualquer tipo de concessão ao centro-esquerda e não receia propor, pela primeira vez na história do PSD, uma solução liberal para a resolução dos problemas endémicos da sociedade portuguesa.

 

Menos Estado na economia, na educação, na saúde e nos media. Mais iniciativa privada e mais liberdade de escolha para os cidadãos. Um vasto programa de privatizações, uma reforma (tímida, infelizmente) no sistema político, flexibilização da legislação laboral, diminuição no número de funcionários públicos e afins. Pena foi que na justiça, que é urgente reformar de alto a baixo, as propostas tenham sido tão fracas e até perpetuadoras do actual estado de coisas.

 

O PSD deixa de ser um partido "apanha todos" para se transformar num movimento com uma matriz ideológica bem definida. Chamar agora ao PSD social-democrata só se justificará por razões históricas.

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Segunda-feira, 11.04.11

VELHOS HÁBITOS

Na sexta-feira da semana passada, uma menina de 12 anos regressou a casa para encontrar os cadáveres degolados dos pais e dos três irmãos mais novos, um deles com três meses de vida. A casa situa-se no colonato de Itamar, na Cisjordânia. As vítimas eram colonos judeus. O crime foi obra de psicopatas, embora não do psicopata isolado e tradicional, mas de toda uma cultura devotada ao homicídio.

 

As Brigadas dos Mártires de Al-Aqsa, cuja designação é esclarecedora, reivindicaram a autoria da chacina. (...)

 

Os cadáveres de Itamar não passaram de rodapés informativos. (...) Nenhuma organização convocará vigílias e lançará petições. Literalmente, não há novidade, até porque judeus assassinados perante o regozijo de uns e a indiferença cúmplice de outros são história muito velha e muito vista. 

Alberto Gonçalves - in Diário de Notícias de 20/3/2011

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Sexta-feira, 31.12.10

CONSTRUTORAS CONTROLAM POLÍTICA

Extracto da entrevista de João César das Neves ao DN de 19/12/10

 

Em Abril ou Maio, houve um Conselho Europeu e o eng. Sócrates voltou com um puxão de orelhas da Merkel, dizendo: os alemães disseram “Portugal tem de fazer coisas!” Nos dias seguintes foram anunciadas duas medidas. Primeira, cortes no subsídio de emprego e no rendimento social de inserção. Depois, manutenção do TGV para o futuro. E eu percebi… Um Governo socialista vai cortar o subsídio de desemprego e o rendimento social de inserção mas não consegue enfrentar quem o suporta, quem lhe paga, que são as construtoras… Esse facto despertou-me a atenção para o nível a que estes grupos instalados estão, de facto, a controlar a política. (…)

 

Sou muito amigo do professor Cavaco Silva. (…) Apoiei-o nas duas candidaturas dele, na que ganhou e na que perdeu e fiz parte da comissão mas desta vez não aceitei. E não é por nenhuma contestação pessoal com ele, é, de facto, porque a assinatura dele está numa enorme quantidade das piores leis contra a família da História de Portugal.(…)

 

Na política encontrei o melhor e o pior: pessoas absolutamente espantosas e pessoas absolutamente asquerosas, e estão lá todos na política. E percebi que não tenho estômago para aquilo.

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Sábado, 06.11.10

A CASA PORTUGUESA

Vasco Pulido Valente - in DN, 1984

 

Um indivíduo anda aborrecido com o emprego que tem, ou precisa de emprego ou ambiciona, por razões óbvias, ganhar mais. As coisas correm-lhe cada vez pior e as empresas privadas não o querem. Esclarecidamente, o indivíduo pensa no Estado, a que supõe o dever de lhe dar uma ocupação e proventos compatíveis. Não encontra nada ou o que encontra não o satisfaz.

 

Deste fracasso o indivíduo retira a conclusão de que o Estado não cumpre cabalmente as suas funções. Os seus enormes talentos merecem com certeza ser usados e seriam com certeza usados por um Estado que se prezasse. O indivíduo concebe então o plano simples de conseguir que o Estado reconheça a sua utilidade. Procura dentro de si sinais de distinção. Depressa descobre uma especialidade, um amor, uma causa. Digamos, por exemplo, a casa portuguesa.

 

A casa portuguesa típica, que lhe despertou sempre surtos de paixão, desaparece lentamente da paisagem. As câmaras não a protegem; a Fundação Gulbenkian ignora-a; o público despreza-a. A preservação da casa portuguesa constitui um interesse social, digno da atenção do Estado. Aliás, todos os interesses sociais são dignos da atenção do Estado. O indivíduo decide, portanto, persuadir o Estado a encarregá-lo de preservar a casa portuguesa, tão ameaçada pela incúria, por autarcas néscios e por emigrantes.

 

Convoca três amigos: dois arquitectos e um autoproclamado sociólogo, como ele convencidos da sua importância e carentes de uns dinheiros. Os quatro põem-se em campo. Trata-se de obter acesso a um ministro ou a um secretário de Estado, através de relações pessoais ou de influências partidárias. O ideal é escolhê-lo num departamento com objectivos tão etéreos e brumosos como a própria preservação da casa portuguesa: a Cultura, a Qualidade de Vida, a Família, o Ordenamento Territorial, a Paz nas Consciências. Em rigor, qualquer serve, mas estes apreciam em particular os projectos fantásticos.

 

Imaginemos que o indivíduo e os três amigos se apoderam do ministro da Cultura. Tal ministro, principalmente se, como com frequência sucede, é analfabeto ou quase, jamais se atreverá a manifestar indiferença seja pelo que for que se apresente como Cultura (com C grande). No «Botequim», Natália Correia vela. A esperteza reside em que tudo lhe pode ser apresentado como Cultura, até Natália Correia e a preservação da casa portuguesa. Intimidado, aflito, prevendo críticas devastadoras à sua relutância em preservar a casa portuguesa, o ministro rende-se. Discretamente, e supondo assim desembaraçar-se do sarilho, nomeia por despacho uma Comissão para a Preservação da Casa Portuguesa, com o indivíduo e os três amigos, que passam a receber a remuneração mensal de cento e cinquenta contos, para o chefe, e de cem cada, para os comparsas.

 

Ganhou-se a primeira batalha. O indivíduo adquiriu uma posição oficial. O próximo passo consiste em montar cerco ao gabinete do ministro para lhe subtrair «espaço», isto é instalações. Como preservar a casa portuguesa nos corredores ou nos cafés? Sem telefones? Sem um sítio para guardar papéis e atender pessoas? Os argumentos parecem racionais, a reivindicação justa. Comprometido no princípio, o ministro volta a render-se. A Comissão para a Preservação da Casa Portuguesa instala-se em duas assoalhadas, num canto obscuro do ministério.

 

Daí reclama telefones, um contínuo (para recados), uma escriturária-dactilógrafa e um técnico de terceira, destacados de outros serviços ou contratados de fresco entre familiares e indigentes. Como recusar pedidos tão lógicos e triviais? Existe a Comissão, existem duas assoalhadas; o resto segue-se. O trabalho vai, enfim, começar a sério.

 

A Comissão produz, após esforços esplêndidos, um documento de dezassete páginas com o título: «A Preservação da Casa Portuguesa: Vectores de uma Problemática, a Nível Urbano e Rural». Forte de semelhante obra, entra na matéria. Pouco a pouco, estende os seus tentáculos. Ocorre-lhe desde logo que os seus objectivos são interdepartamentais. A casa portuguesa também é da responsabilidade dos ministérios das Obras Públicas e Habitação, da Qualidade de Vida e dos Assuntos Sociais. A Comissão exige, por consequência, que se forme uma subcomissão com «representantes qualificados dessas áreas», e que se lhe atribuam os respectivos subsídios. Requisita, evidentemente, um carro para as tarefas de coordenação (e para ir a Sintra aos domingos). Mas não se esquece nem das autarquias, nem dos emigrantes. Cheios de zelo, os seus membros partem para a província, enquanto o chefe, com mais majestade, «se desloca» às colónias portuguesas no estrangeiro, com o objectivo de «manter o perfil» das nossas queridas aldeias. 

 

Entretanto, o chefe já informou o ministro da impossibilidade física de prosseguir estas enérgicas actividades em duas meras assoalhadas. Em dura luta com várias direcções-gerais, institutos e gabinetes, a Comissão acaba por conquistar mais cinco e aumenta o seu pessoal de sete para vinte e sete. Chegou a altura de se ocupar da decisiva questão dos «contactos internacionais». A inutilidade notória do exercício, assegura que a Comissão brilhará. No Conselho da Europa, na UNESCO, em viagens diplomáticas à Assíria ou ao Daomé, o chefe e os sócios discutirão moções, aprovarão recomendações, estudarão acordos de intercâmbio, comerão jantares e tirarão retratos. O mundo ficará sabendo que Portugal, país civilizado, se preocupa com a preservação da casa portuguesa. O orçamento da Comissão subiu de três mil contos por ano para cinquenta mil, o que a torna uma coisa digna de respeito e, pelo menos, de uma condecoração da Embaixada Francesa.

 

A Comissão, porém, é precária. Não tem lei orgânica e não tem quadro. Acima de tudo, não tem quadro. Os seus membros e empregados vivem no risco de despedimento, o que compreensivelmente os perturba, impedindo-os de trabalhar como gostariam. Para eles, os seus inestimáveis serviços justificam, mais, clamam, que lhes seja concedida segurança e aposentadoria. O ministro da Cultura entende esta angústia, porque aprecia que os seus subordinados o estimem. O ministro das Finanças, que não entra no ministério da Cultura, não se comove tanto. Mas é-lhe explicado o alcance da preservação da casa portuguesa, a sua indispensabilidade, o prestígio que a Comissão adquiriu em Bogotá e em Munique, e ele contrariadamente cede.

 

 A Comissão transforma-se, deste modo, em Instituto para a Preservação da Casa Portuguesa, com um quadro de oitenta lugares, sendo cinquenta instantaneamente preenchidos. Muda de instalações, recruta telefonistas, motoristas, contínuos, técnicos, conselheiros, assessores. Gasta agora duzentos mil contos. O chefe inscreve-se no PSD e fala-se discretamente dele para secretário de Estado, em parte por causa de um livro de excessivo mérito chamado «A Preservação da Casa Portuguesa: Vectores de Uma Problemática, a Nível Urbano e Rural». 

 

A moral da história é a seguinte: se amanhã desaparecessem duzentos mil funcionários públicos, ninguém, excepto os próprios, daria por nada. Ou daria – daria porque pagava metade dos impostos.

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Quinta-feira, 07.10.10

REUNIÃO DA CÂMARA DE 4/10/10 (extracto IV)

CONSELHEIRO MAIA GONÇALVES 

Requerimento dos vereadores do PSD 

 

No sentido de melhor documentar a nossa proposta de atribuição do galardão máximo do município ao recentemente falecido Ex.mo Senhor Juiz Conselheiro Manuel Lopes Maia Gonçalves, vimos requerer a junção do artigo «Servir a Justiça», publicado no passado dia 24 de Setembro no Diário de Notícias e da autoria do Ex.mo Senhor Professor Doutor Paulo Albuquerque, professor de Direito na Universidade Católica e no Illinois College of Law, nos EUA (DOC.1 – Em Anexo).

 

Não podemos deixar de destacar, no entanto, do referido artigo as seguintes afirmações:

 

«Maia Gonçalves não foi apenas o magistrado justo e dedicado. Ele foi também o mais profícuo comentador do direito português do século XX, com obra publicada desde 1968 a 2009. (…) Numa palavra, nenhum outro autor jurídico português ensinou tanto a tanta gente. (…)

 

Maia Gonçalves foi ainda o reformador penal, participando em quatro comissões de reforma do Código Penal e do Código de Processo Penal. (…)

 

É de homens desta fibra que a Magistratura portuguesa se deve orgulhar. Magistrados que diante do injusto afirmam sem tergiversações o justo. Magistrados que acima dos interesses passageiros da política afirmam bem alto os valores indeléveis da liberdade e dos direitos humanos.»

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Domingo, 03.10.10

MAIA GONÇALVES - SERVIR A JUSTIÇA

Paulo Pinto de Albuquerque* - in Diário Notícias de 24/9/2010

*professor de Direito na Universidade Católica e do Illinois College of Law, nos EUA

 

O Supremo Tribunal de Justiça realizou ontem uma cerimónia solene de homenagem ao saudoso conselheiro Maia Gonçalves. E em boa hora o fez, pois esta homenagem é devida a um magistrado que dedicou toda a sua vida a servir a justiça e o fez com brilhantismo.

 

Depois de um fulgurante início de carreira, Maia Gonçalves foi nomeado ajudante do procurador-geral da República, com apenas 39 anos. Foi juiz relator do Supremo Tribunal Militar e juiz-conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça, exercendo estas funções de 1987 a 1991.

 

Maia Gonçalves não foi apenas o magistrado justo e dedicado. Ele foi também o mais profícuo comentador do direito português do século XX, com obra publicada desde 1968 a 2009. No total as edições do Código Penal de 1982 anotado venderam cerca de 47 000 exemplares e as edições do Código de Processo Penal de 1987 anotado cerca de 40000 exemplares. Numa palavra, nenhum outro autor jurídico português ensinou tanto a tanta gente. Foram gerações sucessivas de juízes, magistrados do Ministério Público e advogados que durante mais de 40 anos ficaram devedoras da sua preciosa actividade analítica e crítica da lei positiva.

 

E não só os juristas portugueses lhe são devedores. Depois da independência das novas nações africanas de língua portuguesa, foram os seus códigos anotados que alimentaram gerações sucessivas de juristas africanos confrontadas com leis da antiga metrópole. E ainda hoje é assim. A repercussão da obra de Maia Gonçalves não se confinou, pois, ao nosso país.

 

Maia Gonçalves foi ainda o reformador penal, participando em quatro comissões de reforma do Código Penal e do Código de Processo Penal. Aliás, o momento mais alto da obra dogmática de Maia Gonçalves é, sem dúvida, o projecto de Código de Processo Penal que elabora em 1973 com o conselheiro Adriano Vera Jardim.

 

Neste projecto, a nova ordenação do código era mais lógica, evitando repetições, expurgando do código matérias alheias ao processo penal e integrando no código leis e decretos extravagantes, como o decreto 35007. O recurso subsidiário ao Código de Processo Civil era restringido, notando-se bem as diferenças epistemológicas entre processo civil e penal. A simplificação do processo era visível, com a supressão da forma de processo de polícia correccional. A intervenção do tribunal colectivo no processo correccional e a fundamentação obrigatória da prova davam resposta cabal ao problema do controlo da fixação da prova no julgamento de primeira instância. A separação entre o juiz de instrução e o juiz de julgamento, com a criação de um juiz de instrução em cada tribunal de círculo, vinha finalmente realizar o princípio do acusatório, pelo menos nos processos mais graves.

 

Num tempo de ditadura, ergueram-se as vozes de Adriano Vera Jardim e Maia Gonçalves para propor neste projecto a extinção da competência por "conveniência da justiça" dos tribunais criminais de Lisboa e do Porto, pois ela condicionava a imparcialidade do tribunal. Mais: Maia Gonçalves e Adriano Vera Jardim puseram expressamente em causa a existência do próprio tribunal plenário, propondo a sua abolição. É de homens desta fibra que a Magistratura portuguesa se deve orgulhar. Magistrados que diante do injusto afirmam sem tergiversações o justo. Magistrados que acima dos interesses passageiros da política afirmam bem alto os valores indeléveis da liberdade e dos direitos humanos.

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Domingo, 29.08.10

A OBESIDADE MENTAL de Andrew Oitke

João César das Neves - in Diário De Notícias de 26/2/10 

 

O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.

 

Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.

 

«Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada. Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»

 

Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada. Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema. Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»

 

O problema central está na família e na escola.

 

«Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate. Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas. Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»

 

Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:

 

«O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.  A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.»

 

O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.

 

«Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»

 

Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.

 

«O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy. Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve. Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê. Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto.»

 

As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.

 

«Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência. A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia.Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam. É só uma questão de obesidade. O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos. Precisa sobretudo de dieta mental.»

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Domingo, 11.10.09

SANTANA MAIA NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

 

Candidatura de Santana Maia à Câmara de Abrantes resume-se em duas palavras: 
 
Amar Abrantes    
 
Durante mais de uma década, Santana-Maia Leonardo deu voz à indignação de um povo. Falou contra os poderes instituídos, os compadrios e a corrupção. Hoje, é o rosto do PSD por Abrantes e fala, em discurso directo, à Revista da Qualidade, explicando o porquê deste desafio e abrindo o livro da sua candidatura.
 
Qual a razão da sua candidatura à Câmara Municipal de Abrantes?
Do ponto de vista do PSD, penso que foi a vontade de mudar a sério. Durante mais de uma década, fui colunista de diversos jornais e escrevi contra a forma pouco séria de fazer política em Portugal. E o PSD de Abrantes reviu-se nas minhas ideias. Do meu ponto de vista, as razões foram diferentes. Por um lado, senti a obrigação de me entregar de alma e coração a um concelho onde tenho as minhas raízes familiares, seguindo o bom exemplo dos meus tios. Por outro lado, senti a obrigação moral de dar a cara pelas minhas convicções e ideias. A mudança que eu represento e defendo, saliente-se, tem a ver com a forma como se exerce o poder e não apenas com a mudança de partido no poder.
 
Num dos seus recentes discursos referiu que o trabalho a fazer em Abrantes e em Portugal era digno de Hércules. Sente que consegue levar a cabo essa tarefa?
Sim, é preciso realmente um trabalho de Hércules. Referi-me a Hércules porque este lutou contra a Hidra, animal mitológico que ganhava força a cada golpe. E Portugal tem também a sua Hidra: a corrupção. A corrupção é o imposto mais caro que os portugueses pagam. Hoje as autarquias locais são as principais fontes de corrupção, sendo o urbanismo uma área de enriquecimento ilícito incontrolável. Acredito, no entanto, que consigo ter essa força porque candidato-me à Câmara sem telhados de vidro e despido de quaisquer interesses. Com 50 anos, tenho a minha vida resolvida: não tenho família para empregar, nem dívidas para pagar… Exercerei o cargo de autarca de Abrantes de forma livre e sem interesses, apenas em prol da população. Penso que só assim, de forma desprendida, se pode ser um bom autarca.
 
Aborda muitas vezes o tema das verbas comunitárias. Um dos seus intuitos é aproveitar as verbas deste novo Quadro Comunitário para desenvolver Abrantes?
Obviamente. No entanto, o que tem acontecido, em Abrantes e em Portugal, é que todos querem fazer obras faraónicas com vista a perpetuar os seus nomes e a enriquecer os mesmos, sem que haja a preocupação com o verdadeiro retorno para as populações que dizem servir. Abrantes não fugiu à regra. O problema é que, depois, damos uma volta pelo concelho e vemos estradas intransitáveis, centros de dia sem condições, idosos ao abandono, escolas fechadas, populações sem saneamento básico e sem qualquer infra-estrutura de lazer ou desportiva… Ora, isto é inadmissível. A primeira obrigação das autarquias é fazer as pessoas felizes e nenhuma pessoa é feliz com um mega-estádio de basebol, mas sem esgotos. Os concelhos só têm futuro se crescerem de forma equilibrada. Em Abrantes gastou-se muito, mal e em poucos sítios, sem grande retorno sequer para os sítios onde os investimentos foram feitos, e o resto do território ficou completamente ao abandono. Tornar o concelho mais harmonioso, corrigindo as gritantes assimetrias, será um dos nossos grandes objectivos.
 
Qual a razão de querer criar a marca «Abrantes»?
Abrantes tem potencialidades que todos os concelhos gostariam de ter. Abrantes tem um castelo e um património histórico valioso, tem uma barragem e um rio, tem uma gastronomia excelente, uma cultura muito rica e uma localização privilegiada. Estamos no centro do país. E aquilo que se tem verificado é que, ao longo destes anos, Abrantes não tem conseguido atrair visitantes e tem perdido população. Quantas pessoas no país sabem que Abrantes tem um castelo? Quantas pessoas associam a barragem de Castelo de Bode a Abrantes? Os abrantinos consomem-se, muitas vezes, em pequenas rivalidades, fruto, na maioria das vezes, de pequenas invejas. Ora, Abrantes só será grande se não se deixar consumir nestas ninharias. Abrantes precisa de alguém que faça apelo à sua verdadeira alma, que promova Abrantes e a coloque no mapa de Portugal.
 
E se não há visitas, não há atracção de população. Sem população, o concelho fica desertificado…
Exactamente. A minha luta prende-se precisamente com a desertificação e com a forma centralizada de fazer política em Portugal. Invocamos na Europa o facto de sermos um país periférico para recebermos fundos comunitários, mas, quando esses fundos chegam, os governantes de Lisboa esquecem-se da periferia do país. E nas autarquias acontece o mesmo. Reclamam-se investimentos e dinheiros do Estado e da Europa, em nome da interioridade, e, quando as verbas chegam, o dinheiro é todo gasto na sede do concelho. Somos todos filhos de Deus. Este é o princípio que defendo. É preciso que o dinheiro e o desenvolvimento cheguem a todo o lado, para que as pessoas não fujam do interior para o litoral e das pequenas aldeias e vilas para as cidades.
 
Sente-se com força para enfrentar o descrédito da população na classe política?
Só gente sem vergonha não pensa duas vezes antes de entrar na vida política porque, efectivamente, corremos o risco de sermos enxovalhados e de acharem que somos iguais aos anteriores. Mas a verdade é que os políticos portugueses reflectem apenas aquilo que a maioria dos portugueses é. Dou o exemplo do futebol. As regras do futebol são iguais aqui e na Inglaterra mas a seriedade e a competitividade do jogo não são as mesmas. Aqui o jogador simula, descaradamente, faltas, lesões e penaltis, sempre com o apoio dos seus adeptos e a complacência dos árbitros. Ora, isto reproduz a nossa cultura, uma cultura que desculpabiliza a fraude quando a mesma nos favorece ou beneficia. É natural que, sendo nós assim, os nossos governantes também o sejam. É, pois, importante remar contra esta cultura de falta de honestidade. Mas quem manda tem de dar o exemplo. Só assim é possível mudar Portugal.
 
Costuma referir-se às pessoas não como destinatários mas sim como participantes…
Eu defendo as pessoas como os verdadeiros agentes da mudança e não apenas como destinatárias de políticas. O nosso problema é o tractorista, não é o tractor. E o grande falhanço das nossas reformas reside precisamente em andar sempre a mudar de tractor, sem mudar o tractorista. Acredito que a educação, no verdadeiro sentido da palavra, pode mudar as pessoas e que, através das associações desportivas e culturais e das escolas, será possível implementar uma sociedade de valores e um Homem novo. Temos de conseguir que os jovens interiorizem os valores de cidadania, da liberdade de opinião e de expressão, da honra, da solidariedade e do respeito pelos outros. Este é o caminho.
 
Qual a adesão das pessoas à sua forma de pensar, ao seu programa eleitoral?
Existe, em Abrantes, neste momento, um grande desencanto. Tenho procurado incutir a esperança nessas pessoas e mostrar-lhes que a mudança é segura. E, apesar de reconhecer que o desencanto está a corroer a alma dos abrantinos, acredito que ainda vão encontrar, dentro de si, uma réstia de forças e de alma para lutar pela mudança.
 
Gostaria de deixar alguma mensagem aos abrantinos?
A única mensagem que posso deixar é de esperança. Vou apresentar nestas eleições uma lista completamente renovada, onde as qualidades humanas foram o primeiro critério de escolha. Parafraseando o meu primo e ilustre penalista Conselheiro Maia Gonçalves, também eu considero que os políticos devem ser, antes de mais, pessoas boas e sensatas. Ponto final. E, se possível, letradas. Por sua vez, a renovação da classe política é sempre importante porque o poder cria vícios.
 
Acha que Abrantes pode ser um exemplo no país?
O exemplo é a melhor forma de ensinar e Abrantes vai ser esse exemplo. E seremos seguramente uma voz contra a forma como se faz política neste país, contra o centralismo de Lisboa e a escandalosa concentração de meios na capital.

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Domingo, 04.10.09

ENTREVISTA NO DIÁRIO DE NOTÍCIAS

Leia na «Revista da Qualidade», revista que acompanha a edição da passada 6ªFeira do "Diário de Notícias", a entrevista de Santana Maia, candidato do PSD à Câmara de Abrantes.

 

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Sábado, 21.02.09

O FEIRANTE

 

«Quando Manuela Ferreira Leite assumiu a presidência do PSD afirmou alto e bom som que não havia dinheiro para nada e que a situação era de crise e de emergência social. Poucos meses mais tarde, os factos vieram dar-lhe carradas de razão e pôr à mostra o enorme falhanço escandaloso das políticas do Governo, quer a batota sistemática por ele praticada. (...)
 
Fica bem à vista até que ponto Sócrates sabe pouco, é muito incompetente, não tem uma visão clara dos problemas, baralha tudo e cede a uma propensão fatal para vendedor de feira.» 
Vasco Graça Moura, in Diário de Notícias de 18/2/2009

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