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COLUNA VERTICAL


Domingo, 20.03.11

UM PAÍS DE TIRANETES

Elsa Cardoso 

 

Vasco Pulido Valente escreveu um artigo no Público de 18/3/11 sobre José Sócrates mas que, em boa verdade e infelizmente, se aplica à esmagadora maioria dos dirigentes partidários que proliferam por esse país fora e que também se julgam donos das concelhias, transformando-as numa terra de ninguém, onde apenas cabem e têm direitos aqueles que lhes prestam vassalagem ou se submetem aos seus inconfessáveis desígnios: 

 

«Quando umas tantas pessoa protestaram, o eng. Sócrates respondeu, indignadamente, que o que lhe importava não era a "forma", era o "conteúdo" do que fizera. Só em Portugal esta explicação poderia ter passado sem um escândalo maior ou mesmo sem a demissão do primeiro-ministro. Convém explicar porquê à ignorância indígena. (...) A democracia, em que teoricamente vivemos, exige que se respeite a "forma", que em última análise legitima qualquer decisão política.

 

Não custa compreender essa diferença. A democracia assenta na "forma". O próprio princípio representativo não é mais do que uma "forma". (...) E se, por acaso, se puser em dúvida a "forma" do regime, não há maneira de fundar o menor acto do Governo, excepto no "conteúdo" que um ditador, inevitavelmente sustentado pela força, à altura lhe resolver dar. (...)

 

Sócrates não percebe isto porque não é nem nunca foi um democrata. Resta saber se uma democracia aguenta indefinidamente e de boa saúde a autoridade de um tiranete da Beira.»

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Sexta-feira, 11.03.11

DITADORES E DEMOCRACIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

As democracias ocidentais são muito rápidas a condenar e a julgar os crimes que os  ditadores cometeram, após estes abandonarem o poder, mas muito coniventes com os ditadores quando eles os estão a cometer.

 

E é precisamente por esta razão que são cada vez menos os ditadores que aceitam sair do poder pelo seu pé. Só a tiro, porque sabem que, no dia em que abandonarem o poder, passam de amigos do peito dos governantes europeus, que tudo lhes desculpam e perdoam, para inimigos da Humanidade.

 

Ora, o mundo teria muito a ganhar se todos os ditadores que abandonassem o poder pelo seu pé, garantindo a viabilidade de regimes democráticos nos seus países, fossem protegidos por forma a poderem servir de bons exemplos aos restantes.

 

Ao agirmos precisamente ao contrário, o único que conseguimos é prolongar a vida dos regimes ditatoriais e o sofrimento dos seus povos.

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Quarta-feira, 29.04.09

A DITADURA DA MAIORIA EM MOURISCAS

 por Manuel Catarino

 
Como tem acontecido com vários governos suportados por maiorias parlamentares, que, na fase final dos mandatos, tomam decisões polémicas e que podem comprometer executivos resultantes de novos actos eleitorais, também Mouriscas viveu uma noite que a história desta terra vai recordar com tristeza. Normalmente é a esquerda que tem condenado este tipo de atitudes mas, nesta freguesia em que a CDU é poder, os factos demonstram que o poder sem travões, seja ele de esquerda ou de direita, esquece as pessoas e os seus direitos.
 
Num Edital da Junta de Freguesia, podia ler-se, como sendo um ponto da ordem de trabalhos, «permuta de caminhos no Casalão». Embora o edital não especificasse a tal permuta, o certo é que se soube de que permuta se tratava e, em vez das habituais duas ou três pessoas a assistir à Assembleia de Freguesia, estavam cerca de uma quinzena.
 
No período antes da ordem do dia, as intervenções de fregueses dirigiram-se, entre outros assuntos, contra a alteração dos caminhos a que se referia o edital, justificando-o, nomeadamente, com um traçado propício a uma maior sinistralidade e inviabilizante da circulação de veículos pesados. Findo este período, os trabalhos incidiram sobre outros assuntos da agenda, vindo depois a lume novamente a aludida permuta dos caminhos. Pela palavra do Presidente da Junta, foi reportado o grande relevo da empresa JJR para a freguesia de Mouriscas, como entidade empregadora (a maior da aldeia) e o grande relevo desta empresa para a terra, que iria ali construir uma zona industrial… Argumentos corroborados pelo Presidente da Assembleia
 
Os dois deputados da oposição, aquando do uso da palavra e assumindo que nada os opunha, quer à JJR, quer ao Presidente da Junta de Freguesia, argumentaram que ali não havia empregados de Mouriscas. E como era possível que, em poucos anos, um pequeno depósito de inertes dentro de uma povoação se pudesse transformar numa britadeira com tal dimensão e tão poluente? A apresentação desta proposta pela Junta de Freguesia tornava por demais evidente que só a empresa JJR e a Junta tinham interesses nesta permuta.
 
Atendendo ao descontentamento evidenciado pelos presentes e o desconhecimento do desagrado público, deveriam ter sido interrompidos os trabalhos e ser marcada uma assembleia extraordinária com a audição dos possíveis lesados, até porque, se a proposta fosse aprovada, já existiam pessoas dispostas a recorrer ao tribunal.
 
Da assistência ouviam-se frases como: “as minhas oliveiras estão todas queimadas com o pó”, “duas pessoas que ali moravam tiveram que sair”, “os terrenos naquela zona foram todos desvalorizados”, “o novo caminho vai ser um inferno de acidentes”…
 
A proposta foi votada e aprovada pela maioria CDU.
 
Cá fora, entre acusações menos bonitas, alguém diz: Catarino isto que aqui se passou tem que ser divulgado. É que o Presidente da Junta trocou o povo de Mouriscas por uns restos de alcatrão, que o JJR teria que pôr numa lixeira, e que ele aproveita para tapar uns buracos nos caminhos da terra.
 
Agora não podemos deixar de nos interrogar:
 
O que levará uma Junta de Freguesia a representar uma firma, contra a vontade das pessoas que a elegeram e que publicamente testemunham estar a ser lesadas no seu património, na sua saúde e na sua segurança?
 
Será que é razoável acreditar que por uns camiões de materiais e uma possível indução ao voto se desprezem as pessoas?
 
Será que votar nos obriga a pagar sempre um preço?

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Quinta-feira, 12.02.09

O ovo da serpente

Santana-Maia Leonardo - Semanário 23/1/2009

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Com a queda do muro de Berlim, o mundo ocidental respirou fundo e adormeceu tranquilo, convencido da impossibilidade de alguém poder pôr em causa, no século mais próximo, a sua segurança e o seu bem-estar físico e psicológico. Sendo certo que o muro de Berlim ruiu sem que a Europa ocidental tivesse contribuído, por aí além, para esse evento. Com efeito, o muro desmoronou-se quando Ronald Reagan, contra todas as vozes apocalípticas que se ergueram e manifestaram na Europa, anunciando o fim do mundo, decidiu encostar o ombro ao muro para ver se aquilo era assim tão resistente como se apregoava. Não era.

E foram precisamente os mesmos que, antes, diabolizaram Reagan e a América que, derrubado o muro, saíram dos seus covis para exultar com o fim da guerra-fria, anunciando um século de paz e prosperidade para toda a gente. A Europa é hoje formada maioritariamente por esta gente sem coragem e sem carácter que se esconde atrás de um falso pacifismo para esconder a sua cobardia, porque pensa que é apaparicando os seus inimigos que consegue ir mantendo as suas mordomias.

Como já devem ter reparado, hoje quase toda a gente é de esquerda. Da tal esquerda não praticante, bem entendido, que gosta de falar dos pobrezinhos e dos excluídos para aliviar a consciência e ajudar a digestão. E hoje em dia, não há melhor digestivo para um requintado banquete do que as preocupações sociais. Mas como eu escrevi há sete anos e volto a repetir agora, «quem quiser continuar a ser antifascista não pode ser de esquerda. Porque esta esquerda mole, lassa, barriguda e viscosa que se reproduz nos órgãos de comunicação social e engorda nas repartições públicas, é a mãe de todos os fascismos. E, quer se queira, quer não, pais e filhos são tudo gente da mesma família».

Escrevi isto a propósito do fenómeno do crescimento dos partidos fascistas e neonazis na Europa, originado pela permissão da criação de autênticos enclaves em território europeu formados por comunidades de imigrantes (sobretudo islâmicos) que se regem por leis próprias, muitas das quais ofendem abertamente a sociedade livre, democrática e laica onde estão inseridas.

Os líderes europeus, convertidos à religião do politicamente correcto, consentiram que as comunidades imigrantes trouxessem o cavalo de Tróia para dentro das nossas muralhas e agora pensam que é com falinhas mansas que conseguem travar o saque e a pilhagem.

Não é, pois, de estranhar que os europeus, ao verem os seus líderes a tremer de medo e incapazes de enfrentar os invasores, comecem a dar ouvidos aos líderes populistas de direita e extrema-direita que prometem defender-lhes a integridade física e o património.

Acresce que esta situação é potenciada pelo crescimento de desigualdades sociais absolutamente ilegítimas. Sobretudo em países do sul da Europa, como Portugal, em que o enriquecimento fulminante radica, quase sempre, na promiscuidade e troca de favores, absolutamente escandalosos, entre os poderes político e económico.

Hoje, em Portugal, são cada vez mais os bairros onde já existe menos liberdade de circulação e de expressão do que no tempo do fascismo. E são também cada vez mais as pessoas que vivem à mercê de gangs, máfias e bandos de criminosos, todos eles detentores de um poder muito mais cruel, violento e aterrador do que os antigos agentes da PIDE. Há já muitos portugueses que começam a recordar com saudade a segurança das ruas de antigamente… Cuidado!

Ora, se brancos, pretos, políticos, amarelos, banqueiros e ciganos são gente feita de farinha do mesmo saco, então os direitos e os deveres têm de ser iguais para todos, independentemente da cor da pele e da carteira. Direitos e deveres. Só que, como toda a gente sabe, não é isso que sucede.

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Segunda-feira, 22.12.08

A DITADURA DO MERCADO

por Santana Maia

 
Quando daqui a muitos anos se fizer a retrospectiva do final do século XX e do início deste século, chegar-se-á muito provavelmente à conclusão de que terminámos o milénio e iniciámos este sob o jugo da mais cínica ditadura de que há memória: a ditadura do mercado, a que nós eufemisticamente chamamos democracia populista.
 
O dinheiro (quase) tudo compra e tudo corrompe. E para se destruir um homem, manipulá-lo ou condicionar-lhe a vontade, já não há necessidade sequer de recorrer a campos de concentração ou salas de tortura. Basta tão-só uma mão cheia de dinheiro, seja sob que forma for. E quem lhe resiste fica de tal modo isolado e excluído que não pode deixar de sentir a permanente angústia e solidão da mais soturna masmorra.
 
Dizia Einstein, com inteira propriedade, que a mediocridade é invencível porque os medíocres são a maioria. E as democracias populistas assentam precisamente nesse princípio. Tem, por isso, inteira justificação a preocupação manifestada por George Steiner, um dos grandes pensadores do nosso século, na sua entrevista ao jornal espanhol ABC: «o império dos meios de comunicação e do mercado, o oportunismo distributivo do consumo de massas (...) podem ser muito mais perniciosos para a arte do que a censura nos regimes do passado».

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