Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL


Sexta-feira, 29.10.10

SÓCRATES, AO SERVIÇO DA OLIGARQUIA DO REGIME

Henrique Neto - extractos da entrevista ao Público de 4/10/10

*Militante Socialista, 74 anos, desde o Governo de António Guterres, tem participado nos congressos do PS apresentando moções críticas para as políticas na área económica, por as considerar desajustadas das necessidades do país.

 

(…)

Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.

(…)

A consolidação das contas públicas é uma condição necessária mas não suficiente. Apenas o crescimento sustentado da economia abrirá novas perspectivas aos portugueses. Mas, neste domínio, José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente.
Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.

(…)

A ideia com que se fica é que o primeiro-ministro não leva em conta o interesse nacional, mas os interesses dos grupos de pressão dos sectores financeiro e das obras públicas, o que é a única explicação para a dimensão dos erros cometidos. Estamos a construir mais auto-estradas que ficam vazias e sem carros e um TGV com um traçado que não favorece a economia, ao mesmo tempo que nada foi feito para termos um porto de transhipment e transporte ferroviário de mercadorias para a Europa, investimentos cruciais em logística, para podermos ambicionar atrair mais investimento estrangeiro e desenvolver uma verdadeira capacidade exportadora. Em qualquer caso, contra toda a sanidade económica e financeira, o Governo não parou a maioria das obras programadas e utilizará o fantasma das indemnizações aos empreiteiros para as não parar.

(…)

É inegável que existe um bloco central inorgânico na política portuguesa, que defende interesses privados ilegítimos e permite a acumulação de altos e bem pagos cargos na administração do Estado e nas empresas do regime. O que é facilitado pelo chamado centralismo democrático praticado nos diversos partidos políticos e pela habitual passividade e clubismo do povo português. Nesse capítulo, atingimos o ponto zero da moralidade pública e não vejo como será possível colocar a economia portuguesa no caminho do progresso e do crescimento, com algumas das principais empresas e grupos económicos a poderem ter relações privilegiadas com o poder político e a ser-lhes permitido fugir da concorrência e dos mercados externos, por força do clima de facilidade e de privilégio que detêm no mercado interno.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 15.08.10

TODOS POBRES, TODOS IGUAIS

Manuela Ferreira Leite in Expresso de 12/6/2010

 

Perante o grave problema que enfrentamos, o Governo começou por ignorar, negar, fingir que não existia e assim o problema foi crescendo sem limitações.

 

Posteriormente, começou a tomar medidas impostas pela emergência, desgarradas e que não correspondem a reformas de fundo.

Não se avaliam as suas consequências, pelo que a probabilidade de não acertar é muito elevada.

 

As chamadas medidas de austeridade que têm sido tomadas e algumas das anunciadas atingem claramente a classe média.

 

Ora, não há crescimento económico sem uma classe média viva, impulsionadora de milhares de pequenas e médias empresas.

 

Assim, todas as soluções que atinjam desordenadamente as expectativas da classe média e minem a sua confiança têm necessariamente um efeito recessivo.

 

Só mesmo por imprudência, por exemplo, se pode ter “mexido” no IRS.

 

Só por demagogia se avançam propostas dissuasoras da poupança que acautelem a velhice.

 

Baixar o rendimento disponível diminui também as hipóteses de investimento.

 

Este atordoamento não conduz ao progresso do país.

 

Mais parece uma subjugação calculista ao politicamente correcto.

 

Não se está a tentar que a classe média puxe a economia para melhorar a situação dos pobres, mas a tomar medidas recessivas que levarão a que todos fiquem igualmente pobres.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 18.07.10

100 PRESIDENTES DA CÂMARA

A única forma de estancar de forma consolidada e duradoura a despesa do Estado é de uma ampla, criteriosa e profunda reorganização das suas funções e, consequentemente, dos seus serviços e departamentos, quer se encontrem na administração central, regional ou local, quer no sector empresarial do Estado - nele incluindo as empresas municipais e as sociedades anónimas de capitais públicos - quer nas universidades, institutos politécnicos e hospitais. (...)

 

Por outro lado, haveria de acordar o desmantelamento do actual quadro autárquico, completamente irracional, supérfluo e, portanto, dispensável. Reduzindo para, no mínimo 1/3, os actuais 308 concelhos e mais de 4 mil freguesias (eliminando pura e simplesmente todas as assembleias de freguesia e mantendo apenas as juntas), nova realidade que chegaria e sobraria para fazer o que ainda não foi feito....

 

Miguel Félix António, in Público de 21/6/2010

Autoria e outros dados (tags, etc)

Segunda-feira, 28.06.10

A receita de Ernâni Lopes

Fernando Madrinha - Expresso de 19/6/10

Ernâni Lopes esteve no programa da SIC-Notícias "Plano Inclinado" de Mário Crespo, para uma lição de economia, política e cidadania que devia ser transmitida no horário nobre de todas as televisões generalistas. (...) 

Toma por adquirido que os valores, as atitudes e os padrões de comportamento são a base essencial de toda a actividade económica. E apresenta uma cábula segura para o êxito, que aqui se repoduz: onde existe "facilitismo", deve haver "exigência"; onde está "vulgaridade", pôr "excelência"; onde está "moleza", pôr "dureza"; onde está "golpada", pôr "seriedade"; onde está "videirismo", pôr "honra"; onde está "ignorância", pôr "conhecimento"; onde está "mandriice", pôr "trabalho"; onde está "aldrabice", pôr "honestidade". 

Para vencer todas as crises, basta seguir este guia de substituição. Em casa, na escola, na empresa, no ministério, no Parlamento, até nos partidos políticos, se os valores em causa lhe parecerem compatíveis.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 27.06.10

A ECONOMIA

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 20.06.10

CADA EMPREGO CUSTA 30 MIL EUROS

Alexandre Alves, o ‘Barão Vermelho’, tem dois anos para contratar 1900 trabalhadores indiferenciados aos quais será depois dada formação.

in Correio da Manhã de 15/2/2010

 

A empresa de painéis fotovoltaicos da RPP Solar, dirigida por Alexandre Alves, vai receber 58 milhões de euros de incentivos financeiros directos para criar 1900 postos de trabalho nos próximos dois anos e meio, em Abrantes. O protocolo de cooperação assinado ontem entre a RPP Solar e o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) significa que cada emprego custará mais de 30 500 euros.

 

Instalada em Pego, num terreno com 82 hectares, comprado e disponibilizado ao ‘preço simbólico’ de 200 mil euros pela Câmara, que também isentou a empresa das taxas urbanísticas, a unidade implica um investimento de 1072 milhões de euros e a criação de 1900 empregos até 2012. No âmbito do protocolo com o IEFP, a firma de painéis solares vai receber 128 milhões de euros, 58 milhões dos quais em incentivos financeiros e os restantes 70 milhões em incentivos fiscais, ao abrigo do QREN. Trata-se de um Projecto Integrado de Energia Solar (PIES).

 

O protocolo define as regras no que concerne ao recrutamento e formação dos trabalhadores, com 'formação profissional à medida', e a utilização de medidas governamentais de apoio ao emprego. A mão-de-obra, sobretudo a indiferenciada, será recrutada aos níveis local e regional.

 

Mas, Alexandre Alves, conhecido por ‘Barão vermelho’, por ser do Benfica e comunista, alertou, pouco depois da cerimónia, para uma 'mensagem importante: Na região não vai haver pessoas suficientes. Isto é bom que se diga'. No entanto, garantiu que vai 'aproveitar a capacidade instalada, porque comprar localmente multiplica duas vezes'.

 

'NÃO ESTOU NADA SATISFEITO COM O GOVERNO'

 

Apesar dos incentivos que a RPP Solar recebeu, Alexandre Alves não se mostra satisfeito com a forma como o Governo tem apoiado o projecto, criticando a morosidade das decisões. 'Não estou nada satisfeito com o ritmo do Governo. O ritmo deles é o da política, que é lento', disse o empresário, no final da assinatura do protocolo, adiantando que a empresa já 'podia estar a produzir há três meses' e que 'há oito meses que andam papéis para cá e para lá'. 'E ainda não assinei o contrato com o Ministério da Economia. Este [protocolo] foi o primeiro papel que assinei com o Governo', frisou. Valter Lemos, secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, realçou 'a importância e dimensão' do PEIS para a região de Abrantes.

 

UM EMPRESÁRIO QUE SALTA TODOS OS FALHANÇOS

 

Desde que no PREC fez a reconversão ‘revolucionária’ de uma empresa de ar condicionado, de onde nasceu a FNAC - Fábrica Nacional do Ar Condicionado, que Alexandre Alves, de 63 anos, nunca parou de empreender e somar falhanços, a começar pela própria FNAC. Conseguiu, porém, sempre levantar-se, saltando de sector de actividade, como, por exemplo, da comunicação social para o imobiliário. O seu cognome de ‘barão vermelho’ tem a ver com ligações à esquerda comunista e com a candidatura a presidente do benfica, em 1992.

 

PORMENORES

COMEÇA EM JULHO

 

A produção deverá arrancar em Julho. Começam por ser contratados 670 trabalhadores e em 2012 o quadro da empresa deverá atingir os 1900.

 

PARA A EXPORTAÇÃO

 

A empresa quer ser das maiores da Europa, está vocacionada para a exportação e vai agregar toda a cadeia de produção de energia solar. Garante já ter assegurados 100 milhões de euros de vendas para este ano.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira, 18.06.10

A PIOR PRECARIDADE É NÃO TER EMPREGO

Não há pior precariedade do que não ter um emprego”, diz Marco António

in Jornal de Noticias, quarta-feira, 16/06/10 - 09h46m

 

O vice-presidente do PSD respondeu hoje, quarta-feira, às críticas feitas à proposta social democrata de facilitar a contratação a prazo. «Qualquer pessoa que está inscrita num centro de emprego, à procura de um emprego, não percebe o que é a acusação de precariedade, porque não há pior precariedade do que não ter um emprego», disse Marco António Costa, ouvido pela Lusa. Segundo o vice-presidente do PSD, «as críticas do Bloco de Esquerda e do PCP estão obviamente imbuídas de um preconceito ideológico e são feitas numa lógica de combate político-partidário». «Não correspondem à realidade do que está no projeto que nós apresentamos e muito menos à realidade da vida comum dos cidadãos», acrescentou.

 

Quanto às críticas feitas pela CGTP, Marco António Costa prometeu "esclarecer directamente" a central sindical logo que esta agende uma reunião com o PSD. «A visão que a CGTP tem da nossa proposta não é correta, porque aquilo que nós queremos é exactamente o contrário: queremos aumentar a empregabilidade», disse. A proposta que o PSD tem apresentado aos parceiros sociais «destina-se a pessoas que estão neste momento à procura do primeiro emprego ou no desemprego, inscritas nos centros de emprego há mais de seis meses», assinalou. «Portanto, não vejo como é que se possa criar precariedade para quem está desempregado», reforçou o dirigente social democrata.

 

Excepcionalmente, até 2013, para aumentar a empregabilidade, o PSD propõe alargar a duração e diminuir os custos da caducidade da contratação a prazo e do trabalho temporário "exclusivamente para novos contratos" de pessoas à procura do primeiro emprego ou de desempregados há seis meses. Além disso, os sociais democratas propõem que quem está desempregado e aceita um emprego não perca com isso direitos em matéria de subsídio de desemprego e que possa, se for receber um salário seja inferior ao valor do seu subsídio de desemprego, acumular parcialmente essa prestação.

 

O PSD espera, assim, «permitir que haja uma maior motivação da parte dos empregadores em criar soluções de emprego e da parte do trabalhadores em não recearem perder regalias ou direitos sociais se as coisas não correrem bem numa qualquer proposta que lhes seja feita», disse Marco António Costa. «Estamos a criar uma legislação que abrirá novas oportunidades de vida a muitos portugueses», defendeu.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 17.06.10

PREVISÃO DE DANIEL GROSS

Previsão de Daniel Gros, director do Centre for European Policy Studies, de Bruxelas

Se Espanha pedir ajuda ao fundo do euro “Portugal irá a seguir”   

 

O recurso da Espanha ao novo fundo de estabilização do euro de 750 mil milhões de euros é “quase inevitável” e se isso acontecer, “Portugal irá a seguir”: o vaticínio foi feito por Daniel Gros, director do Centre for European Policy Studies, de Bruxelas (CEPS).

 

Uma ajuda a Madrid “é bastante inevitável porque o sistema bancário espanhol está arredado do financiamento externo, e os bancos não conseguem sobreviver muito tempo” nessas condições, afirmou Gros, um dos mais respeitados analistas europeus, a um grupo de jornalistas. “E como neste momento a Espanha não tem outras fontes de financiamento do exterior terá de ser o sector público a fazê-lo, ou seja, o FMI e a Europa”, defende.

 

O problema dos bancos espanhóis resulta da sua exposição às perdas resultantes do rebentamento da bolha da construção civil espanhola, que Daniel Gros calcula em 300 mil milhões de euros. Não se sabe quais são os bancos mais expostos aos créditos incobráveis dos particulares ou dos empresários da construção que perderam com o fim da bolha, ou se são espanhóis ou de outros países do euro. “Esta falta de conhecimento paralisou o mercado interbancário”, sublinha.

 

É por esta razão, aliás, que Gros defende a realização de testes aprofundados aos bancos europeus (os chamados “stress tests”) de modo a permitir calcular o grau das suas perdas nos piores cenários, e a publicação dos resultados. Esta publicação não é consensual entre os países da União Europeia (UE) porque “os governos não querem ter de corar, porque muitos dos bancos com problemas são públicos”, ironizou. Aliás, refere, “ao contrário dos Estados Unidos, não houve reestruturação de bancos” na Europa: os problemas mais imediatos foram ultrapassados com as garantias fornecidas pelos Estados, mas não houve uma redução do seu endividamento. É por isso que o sistema financeiro “permanece tão frágil” na Europa: “estamos muito mais expostos que os Estados Unidos.

 

Neste contexto, “é muito claro que se a Espanha pedir a activação do fundo, os mercados dirão: ‘hum, quanto tempo conseguirão os portugueses sobreviver sozinhos?’, defende. “Tanto mais que uma grande parte do sistema bancário português pertence a bancos espanhóis”. O que, no seu entender, torna mais fácil Portugal accionar logo a seguir a parte especificamente comunitária do fundo de estabilização, que ascende a 60 mil milhões de euros (que complementa os 440 mil milhões de garantias dos países do euro e 250 mil milhões do FMI). Em seu entender, aliás, uma ajuda a Portugal “será relativamente barata”.

 

Ao invés, em Espanha a ajuda poderá ascender a “algumas centenas de milhar de milhões de euros”. Tudo depende do nível das perdas do sistema bancário espanhol” e de “como o processo for conduzido”. Se demorar muito devido a uma eventual recusa de Madrid em pedir a sua activação “por terem um estigma”, será mais caro como aconteceu com a Grécia, avisa.


“Dez anos de recessão ou estagnação”


O investigador considera, por outro lado, que Portugal e Espanha não conseguirão escapar a “dez anos de recessão ou estagnação” económica. “Em Espanha parece bastante inevitável por causa dos enormes excessos no sector da construção nos últimos anos. Será muito difícil, mesmo nas melhores circunstâncias, que se consiga reintegrar milhões de trabalhadores não qualificados da construção nos sectores exportadores, o que torna muito difícil ver qualquer fonte de crescimento em Espanha na próxima década”.


Portugal seguirá o mesmo padrão, apesar de já ter passado vários anos em estagnação. “Basicamente, Portugal consumiu em excesso nos últimos dez anos e sub-investiu, sobretudo em capital humano, o que faz com que os trabalhadores portugueses não sejam competitivos mesmo com níveis salariais muito baixos. É por isso que é muito difícil ver qualquer crescimento em Portugal”.


Falhanço da Comissão Europeia


Daniel Gros foi por outro lado muito crítico da actuação da Comissão Europeia e do seu presidente, Durão Barroso, na gestão da crise do euro em geral e da Grécia em particular. “A Comissão não está a desempenhar o seu papel, em parte devido a falhanços pessoais”, criticou. “Onde estava a Comissão na crise grega em Outubro, Novembro Dezembro?”, interrogou-se, considerando que Bruxelas “deveria ter dito ao Governo grego que não aceitava a versão pouco credível do seu primeiro programa de estabilidade. O que, refere, fez com que os mercados tivessem perdido toda a confiança na Comissão. É por isso que o analista defende que a gestão do futuro mecanismo de gestão de crises da eurolândia deverá ser entregue a “uma instituição independente” com “gente profissional e independente”. “A Comissão Europeia pode candidatar-se se quiser, mas teve a possibilidade de ter feito algo diferente com a Grécia e de assumir a gestão dos orçamentos”. Em vez disso, assumiu-se como um “molusco por defeito”, ironiza.


Daniel Gros recusa por completo o argumento que tem sido avançado pelo presidente da Comissão de que não serve de nada apresentar propostas que não tenham a garantia de ser aceites pelos governos, a começar pela Alemanha. 

 

“Barroso é pago para tentar resolver os problemas e ter ideias” para esse fim, mas não ficou famoso por isso nos últimos cinco anos”, critica.

 

http://economia.publico.pt/Noticia/se-espanha-pedir-ajuda-ao-fundo-do-euro-portugal-ira-a-seguir_1442223

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 18.03.10

OS MARQUESES DE POMBAL

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 
Todos reconhecemos hoje a grande visão de Marquês de Pombal ao proceder à reconstrução da cidade de Lisboa, após o terramoto de 1755. Mas o mérito do Marquês residiu precisamente em ter pensado assim em 1755 e não em 2010. E a razão é muito fácil de entender: hoje o mundo é diferente. No século XIX, as coisas eram feitas para durar toda a vida; no século XXI, as coisas são feitas para durar, quando muito, alguns anos e poucos. Cem anos, no século XVIII, eram uma pasmaceira; um ano, no século XXI, é uma eternidade.
 
Todos recordamos ainda o fecho do terceiro anel do estádio da Luz, nos anos 80. Fernando Martins, quando lançou mãos à obra, estava convencido de que aquilo era uma obra para toda a vida. Só que, apesar de já não ser novo quando iniciou a obra, Fernando Martins ainda viveu o suficiente para ver o estádio da Luz ser demolido e construído de novo. E se viver mais uns anos, ainda vai ter a oportunidade de ver o estádio ser totalmente remodelado. No século XXI, tudo é efémero e o futuro chega e passa depressa.
 
Acontece que os nossos 308 presidentes da câmara e demais governantes ainda só agora chegaram ao século XVIII e vivem fascinados com o Marquês de Pombal que querem imitar, a todo o custo. Não há presidente da câmara que não sonhe fazer uma obra para o milénio, com vista a perpetuar o seu nome.
 
Se fossemos um país rico, isso não tinha grande relevância porque não nos custaria pagar essas excentricidades. O que custa a Cristiano Ronaldo comprar um Ferrari?
 
Acontece que somos um país pobre. E os pobres não se podem dar ao luxo de comprar Ferraris, mesmo que algum banco lhes empreste o dinheiro. E todos também percebemos porquê: porque não têm dinheiro nem para pagar o empréstimo, nem tão pouco para suportar os encargos com a manutenção do bólide.
 
Olhemos para o TGV. Para além de custar uma autêntica fortuna, todos os estudos apontam para que seja um investimento altamente deficitário. Como o país não tem dinheiro, o nosso Governo, obcecado com a obra, arranjou uma maneira de a começar a pagar apenas dentro de alguns anos. Só que, quando começarmos a pagar a obra, vamos também ter de começar a suportar os prejuízos do mau investimento e de suportar os custos com os inevitáveis investimentos para substituição de carruagens, linhas e adaptação a novas tecnologias. Acresce que a falta de senso deste investimento ainda é agravado pelo facto de o TGV afinal não se destinar a transporte de mercadorias e a ligação de Madrid à Europa ter sido suspensa.
 
É evidente que isto vai-nos sair muito caro e só pode ser pago de uma forma: com redução drástica de salários (por via, designadamente, do aumento dos escalões do IRS), com cortes nas transferências para as autarquias, com despedimentos na função pública, com aumento de impostos (designadamente sobre o património), com a criação de coimas cada vez mais pesadas sobre tudo e mais alguma coisa, com cortes nas prestações sociais, com portagens nas SCUT’s e com desemprego. E tudo isto vai alimentar, inevitavelmente, a espiral de insegurança, com cada vez mais assaltos, sequestros, violência e negócios controlados pelas máfias.
 
Mas o povo português não se pode queixar do sofrimento que o espera. Porque este cenário é a consequência natural do voto expresso nas urnas, por acção ou omissão.
É, por este motivo, que eu olho sempre com muitas reservas para todas essas obras megalómanas que os nossos 308 presidentes da câmara lançam todos os anos de norte a sul do país, sem qualquer preocupação com a sustentabilidade das mesmas ou com um planeamento nacional.
 
Portugal é um país pobre, com uma mão-de-obra pouco qualificada, com baixa produtividade e com poucos recursos. Não se pode, pois, dar a estes luxos de gente rica. Se um pequeno comerciante pensar em recorrer ao crédito para aumentar a sua loja, tem de pensar, antes de mais, se o investimento compensa. Porque, se o rendimento que retirar da loja não for suficiente para pagar as prestações ao banco, mais vale não fazer o investimento, caso contrário fica sem o dinheiro e sem a loja. E se o crédito, então, for para fazer uma vivenda com piscina, o melhor mesmo é não se meter nisso, porque vai acabar por ficar com a dívida e sem a casa, a piscina e a loja.
 
Ora, Portugal está, ao nível, de um pequeno comerciante, cheio de dívidas e com poucos rendimentos. Não é, pois, altura de continuar a alimentar sonhos de grandeza lançando obras megalómanas que não temos dinheiro para pagar, a não ser à custa de muita miséria e sofrimento. E este vai ser, infelizmente, o grande legado dos nossos 308 presidentes da câmara e dos nossos governantes para as gerações futuras.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 14.02.10

O INVESTIMENTO PÚBLICO

Ernâni Lopes (coordenador) - in A Economia no Futuro de Portugal

 

«A discussão sobre a bondade do investimento público em grandes projectos para alavancar a economia e o emprego aparece-nos como uma discussão adulterada por múltiplos enviesamentos de percepção, desde logo, a ideia básica de que o investimento público gera progresso.
 
Outros factores de distorção da percepção são o interesse de agentes económicos, nomeadamente das construtoras, nesses projectos; a atracção pelo betão (o mais fácil); a instrumentalização por partidos políticos e a ‘vertigem’ pela asneira grandiosa, vulgo “”elefantes brancos”.
 
Tendo em conta a situação actual do país, tanto em termos económicos e financeiros como ao nível de dotação de infra-estruturas, dificilmente serão imediatamente justificáveis grandes investimentos públicos de infra-estrutura (…).
 
Não se trata de desistir desses investimentos que, em tempo próprio, poderão mostrar a sua utilidade e poderão trazer efectivamente mais-valias è economia portuguesa. Mas a sua concretização num momento de crise e imediato pós-crise poderá, ao invés de estimular a recuperação económica, estrangular de tal forma as contas públicas que tornarão inviáveis outros projectos determinantes e, esses sim, urgentes.
 
É o caso de investimentos públicos em pequenas obras públicas com elevado factor multiplicador, potenciador de desenvolvimento e facilitador do desempenho económico das populações; o apoio à exportação e à internacionalização das PME’s e o apoio aos processos de reestruturação e de criação de empresas.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 20.01.10

O CÓDIGO VERMELHO

António Belém Coelho - in Primeira Linha

 

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República constitui um verdadeiro alerta do máximo nível, código vermelho, relativamente ao estado da Nação. Só quem vive parasitariamente, directa ou indirectamente, à custa do erário público e o vai sugando sem dar nada ou quase nada em troca é que contesta este alerta; todos os Portugueses que trabalham dando o seu melhor, seja na função pública, seja no sector privado (por conta de outrem ou por conta própria), seja no sector cooperativo, compreendem bem as palavras do Presidente.
 
Curiosamente, nessa mensagem são apontadas algumas causas da nossa fraca competitividade, que aqui mencionei em crónica anterior; efectivamente, elas são tão visíveis que custa a acreditar que os sucessivos governos da última quinzena de anos não tenham sobre elas actuado de forma firme. Mas na verdade, se não formos nós, terão que ser outros a imporem-nos a linha de rumo; quanto mais não seja para defenderem alguns investimentos que por cá efectuaram e sobretudo os vultuosos empréstimos que nos têm facultado.
 
Mas a mensagem não se limita a diagnósticos, sugerindo caminhos e pondo sinal vermelho naqueles que se podem considerar mais fáceis. A dado momento é afirmado que «importa ter presente que Portugal tem já um nível de despesa pública e de impostos que é desproporcionado face ao seu nível de desenvolvimento.»
 
Nesta frase várias mensagens se podem entender: uma, que efectivamente o Estado absorve exageradamente a riqueza produzida, neste momento, mais de metade; outra, a de que é materialmente e socialmente impossível aumentar os impostos; e uma terceira, implícita, a de que a política de distribuição de rendimentos (entre outros factores) não nos permite ascender a outro nível de desenvolvimento.
 
Convém aqui recordar que crescimento e desenvolvimento estão longe de ser conceitos sinónimos. Um dos instrumentos possíveis da política de distribuição de rendimento é o nível dos salários. Por cá, anuncia-se em grandes parangonas o aumento do SMN para € 475,00. E ainda havia quem contestasse!
 
O certo é que, se o salário mínimo nacional instituído ainda em 1974 fosse actualizado apenas segundos os índices da inflação verificada, já iria em cerca de € 562,00! Por cá, temos (em números de Outubro do ano passado) um salário médio na ordem dos € 840,00 o que segundo esses critérios exigiria um SMN nessa altura de pelo menos € 504,00.
 
Outra preocupação referida, é o comportamento futuro das taxas de juro. E esta variável é determinante, quer para o Estado, quer para as empresas e para os particulares, dado o alto nível de endividamento de todos eles. Se as taxas estão em mínimos históricos, nada mais natural que o caminho a breve prazo seja o de subirem! Aliás, já hoje a Euribor a 6 meses, principal indicador dos empréstimos do ramo habitação, começou a subir.
 
E neste sector, tendo em atenção a crise e o nível de desemprego que atravessamos, qualquer subida poderá ser catastrófica em termos de cumprimento dos mesmos. E quanto ao Estado, dada a dimensão da sua dívida, qualquer subida da taxa de juro, por menor que seja, representa muitos milhões de euros a pagar pelo serviço da dívida; que saem dos nossos bolsos; de mais nenhum lado!
 
E isso leva-nos à questão da limitação evidente (sobretudo em tempo de crise) dos recursos disponíveis e da imperativa seriação e escala de prioridades na aplicação dos mesmos. Fica para a próxima.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 14.01.10

A FINALIDADE DA POLÍTICA

Ernâni Lopes (coordenador) - in A Economia no Futuro de Portugal, pág. 211

 

«A finalidade da política não é a conquista do poder, um objectivo que depende mais da capacidade para iludir a opinião pública, para intimidar os concorrentes e para construir redes de influência do que da qualidade da orientação da sociedade em termos dos desafios colocados pelo futuro. A finalidade da política é a continuidade das linhas estratégicas, mesmo que estas sejam realizadas por outros que as adoptam como linhas de necessidade. Uma cultura política centrada na conquista do poder privilegia o curto prazo e, por isso, prejudica as estratégias de modernização, ou nem sequer chega a equacioná-las.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quinta-feira, 26.11.09

VIR'Ó DISCO... E TOCA O MESMO

António Belém Coelho - in Primeira Linha

 

Quando na 5ª feira ouvi o Sr. Ministro das Finanças anunciar o segundo Orçamento rectificativo deste ano, vivi novamente um dejá vu, passe o pleonasmo. Na verdade, ninguém, nem certamente o próprio Ministro acreditava naquilo que era o discurso oficial: deficit de 5, 9%, e outras barbaridades que tais. Falando em bom Português, mentiram-nos com quantos dentes têm na boca. Aliás, também só deram pela crise, pelo menos três meses depois de ela cá ter chegado; e o efeito temporal das consequências da dita parece ter ainda atrasado mais naquelas cabecinhas.
 
Nessa admissão da necessidade de um segundo Orçamento rectificativo (marca histórica, só alcançada por Guterres, também ele socialista, mas que tinha a desculpa óbvia e pública de não saber fazer contas) ressalta o reconhecer de o deficit se elevar a 8% (já mais perto das previsões da Comissão Europeia, efectuadas há cerca de 3 meses). Relembremos a máxima: “podemos enganar poucos durante muito tempo, mas é impossível enganar muitos mesmo que durante pouco tempo.” Não é preciso dizer mais nada!
 
Com este Orçamento rectificativo, endividamo-nos em mais cerca de 5000 mil milhões de €uros! Nada de especial, para os socialistas; já estão habituados a viver a custas alheias. O problema é que, como sempre, a factura recai nos do costume! O Ministro aponta a quebra de receita como causa fundamental deste descalabro; mas não menciona, e a isso costuma chamar-se desonestidade intelectual, que a despesa do Estado, não baixou, pelo contrário, continuou a aumentar, apesar de toda a propaganda em sentido contrário. E é aí que reside o problema fundamental!
 
Nunca o Estado foi tão gordo em Portugal, como agora, que come mais de 50% da riqueza produzida por todos nós! Mas já estou como o outro: se neles votaram, aguentem-se! E quanto ao remédio? O Ministro bem diz que não vai aumentar impostos. Mas esta afirmação deve merecer a mesma credibilidade de todas as outras já proferidas, pelo que poderemos tomar como certo que a canga da tributação irá ficar mais pesada, para aqueles que pagam, como é evidente.
 
E o seu compagnon de route, o Governador do Banco de Portugal, já emitiu douta opinião do alto dos seus quase € 18000 de salário mensal (que supostamente lhe são pagos para controlar e fiscalizar o sistema financeiro e evitar todas as fraudes e outros desvarios que têm sido uma constante nos últimos tempos). Diz ele que o remédio (ou parte dele) é limitar os aumentos dos salários da Função Pública a menos de 1% (como se nos últimos 10 anos, praticamente todos eles de governação socialista, não tivessem já pago com língua de palmo todos estes desvarios) e aumentar os impostos para diminuir o deficit (por ele e por outros criado e aumentado minuto a minuto). E não contente, ainda indica quais os impostos a aumentar: IVA e IRS, que a ele não lhe fará grande mossa, mas que a milhões de Portugueses poderá significar o caírem definitivamente na pobreza.
 
Mas é assim! A Democracia, para além de outras, tem uma suprema virtude: qualquer Povo, País ou Nação tem exactamente o Governo que merece, na medida em que para ele votou. É o preço a pagar pelas opções que a maioria relativa faz. Lembremo-nos todos deste simples facto!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 10.11.09

ERNÂNI LOPES

 

«Esta década é uma década sem garra, sem ideias, sem verdade, sem força, sem lucidez, sem substância. É uma década de incapacidade na visão estratégica e de fantasia na leitura da realidade económica-financeira. É uma década de um permanente esforço exibicionista sem conteúdo e uma expressão sem nobreza. Nunca vi nada assim.»

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sábado, 25.07.09

JÁ BATEU NO FUNDO?

por António Belém Coelho

 

Uma das perguntas mais difíceis de responder no período actual, é se de facto a crise já bateu no fundo ou não. Por outras palavras, se o pior já passou ou está ainda a ocorrer, ou pelo contrário, se o futuro próximo nos reserva algo ainda pior.
 
Todos queremos acreditar que efectivamente já chegámos ao fundo e que daqui para a frente rumaremos em direcção à superfície. Mas mesmo que seja assim, e parece existirem alguns dados nesse sentido, o caminho não será isento de escolhos e a progressão lenta e por vezes desanimadora. Diga-se ainda que este percurso de saída da crise não será igual nem para todos os Países nem para todas as regiões.
 
O Banco de Portugal, que tem andado nas bocas do mundo por outras razões que não esta, divulgou na sua habitual previsão, números que corroboram o atrás explicitado. Relativamente a 2009, o actual ano, mantém-se a previsão de quebra do PIB em 3,5% e actualiza-se a quebra do emprego para cerca de 3%. Ainda em 2009 o investimento conhece um ano horribillis com uma quebra de mais de 14%, exportações e importações com quebras na ordem dos 17%.
 
Mas a notícia verdadeiramente preocupante é que em 2010, quando a maioria dos nossos parceiros Europeus e outras regiões do mundo já estarão em terreno positivo, continuaremos, segundo as previsões do Banco de Portugal, com números negativos. O PIB descerá ainda 0,6%, o investimento perto de 4% e mais dramático, o desemprego continuará a subir, podendo atingir no último trimestre de 2010 os 11,7%. E mesmo assim no comunicado frisa-se que há 50% de probabilidades dos números agora estimados poderem vir a piorar.
 
Trata-se, pois, de um quadro preocupante, que nos coloca, de novo e como sempre, nalgum contraciclo em relação ao nosso espaço económico, o que promete tornar a nossa recuperação mais lenta e mais difícil do que se esperaria. E naturalmente, a continuar a divergir em termos reais das restantes economias europeias, atirando-nos cada vez mais para o fundo da respectiva tabela. Mesmo com inflação negativa em 2009 e moderada em 2010, as famílias vão diminuir o respectivo consumo, o que indicia clara falta de confiança e perspectivas de futuro imediato.
 
Mesmo assim, e nisso devemos meditar, continuaremos a viver acima das nossas possibilidades, uma vez que o défice externo atingirá, respectivamente, 8,3% e 9,6% do nosso PIB.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Perfil

SML 1b.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks




calendário

Maio 2018

D S T Q Q S S
12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2010
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2009
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2008
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D