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COLUNA VERTICAL


Domingo, 12.06.11

ACORDE, SENHOR LUÍS ANDRADE(?)!

Santana-Maia Leonardo

*comentário ao comentário de Luís Andrade (?)

ao artigo de opinião de Belém Coelho "ACORDAR" 

 

Para se analisar quaisquer resultados eleitorais, não basta fazer contas é necessário também raciocinar. Com efeito, só uma pessoa muito pouco inteligente atribuiria o mau resultado concelhio do Bloco de Esquerda ou dos socialistas no concelho de Abrantes às suas estruturas locais e vice-versa. Até porque, em boa verdade, nas diferentes campanhas legislativas, não houve nada de relevante que tivesse sido feito pelas estruturas locais para justificar a diferença de um único voto. Sendo certo que o concelho de Abrantes passou praticamente à margem da campanha eleitoral, o que só demonstra a sua cada vez maior irrelevância. 

 

Ou seja, a diferença de resultados nas diferentes legislativas resulta exclusivamente das circunstâncias nacionais: se os eleitores estiverem satisfeitos com o Governo, não há candidato opositor, por muitas qualidades que tenha, que consiga vencer as eleições; se, pelo contrário, os eleitores estiverem pelos cabelos com o Governo, qualquer candidato serve para derrotar o partido do Governo. Isto, aliás, não é novidade nenhuma. É uma constatação de facto enunciada, há muitas dezenas de anos, por Winston Churchill: não é a oposição que ganha as eleições, é o Governo que as perde. O resto são fantasias de Natal... 

 

Com efeito, só uma pessoa pouco inteligente ou intelectualmente desonesta poderia ser levada a pensar que os resultados de umas legislativas estariam dependentes do bom trabalho de rua levado a cabo por uma qualquer concelhia. Basta constatar os excelentes resultados obtidos pelo PSD em freguesias e concelhos deste país onde não existe sequer secção a funcionar e onde não se efectuou uma única acção de campanha.  

 

Agora aquilo que o Dr Belém Coelho diz é diferente. Ou seja, o facto de o PSD não ter conseguido ganhar em Abrantes, mesmo numas eleições legislativas em que se assistiu a uma verdadeira e generalizada hecatombe eleitoral do PS, não pode deixar de ter uma leitura política e de levar todos aqueles que se identificam com o espaço político do PSD a uma reflexão. Porque se, nem nestas circunstâncias, o PSD consegue vencer em Abrantes, tal só pode significar que dificilmente aqui ganhará umas eleições. 

 

Aliás, localmente, a concelhia do PSD continua a cultivar uma cultura de rebanho, completamente ao arrepio do movimento de abertura à sociedade civil do PSD de Passos Coelho, que leva inevitavelmente à expulsão e ao afastamento das estruturas locais do partido, quer da independência, quer da competência, quer da inteligência. E por uma razão muito simples de entender (simples para quem possua, pelo menos, uma destas três qualidades): ninguém com alguma destas qualidades aceita ser passeado à trela pela comissão política ou ser a voz do dono. 

 

É precisamente por esta razão que os aparelhos partidários estão totalmente desqualificados aos olhos dos portugueses. E até os próprios líderes partidários olham para os homens do aparelho com desconfiança e pouca consideração. 

 

Passos Coelho, em Aveiro, prometeu libertar o estado dos aparelhos partidários e, pretendendo reduzir o Governo a apenas dez ministros, já avisou que vai ter de ir buscar a maior parte dos ministros fora do partido (veja-se a imagem que Passos Coelho tem do seu aparelho partidário para sentir necessidade de dar credibilidade ao seu Governo anunciando, desde logo, que vai formá-lo com pessoas escolhidas fora do aparelho!...) 

 

Por sua vez, António José Seguro, na apresentação da sua candidatura, também falou da necessidade de o PS se abrir à sociedade civil, por forma a atrair a competência e a inteligência, ou seja, precisamente o que falta no aparelho partidário socialista, tal como nos outros.

 

Mas, enquanto os medíocres se convencerem que os partidos servem apenas para lhes arranjar emprego em troca de andarem a correr de cachecol e bandeira atrás do líder do momento, dificilmente os militantes dos partidos conseguirão ser olhados com respeito e consideração pelo povo português e pelos seus próprios líderes.

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Terça-feira, 07.06.11

ACORDAR

António Belém Coelho

  

Portugal adormeceu ontem com os resultados das eleições legislativas; dormiu bem, sem dúvida, face às insónias de que padece desde há seis anos; e acordou hoje com todos os benefícios e consequências desses resultados.

 

O País deparou-se com duas campanhas completamente antagónicas: a do Partido Socialista em que o Eng. Sócrates, interpretando abusivamente a estrutura em que estava integrado, com a bênção dos principais responsáveis, encenou a fábula da cigarra e da formiga, mas sempre do ponto de vista mais fácil, o da cigarra!

 

E a do Partido Social Democrata, com grande ênfase na formiga, malgrado todas as dificuldades inerentes.

 

Só que o Povo Português preferiu a fábula original; votou maioritariamente em quem apresentou um programa com medidas difíceis e penalizadoras a curto prazo, mas coerentes e sólidas e sobretudo capazes de a médio prazo serem capazes de fazerem surgir as condições necessárias e suficientes para possibilitarem o crescimento económico.

 

Que efectivamente é o que importa. E só depois de ser realidade, nos poderemos voltar para o desenvolvimento económico e social que tanto prezamos e defendemos, mas que é perfeitamente inviável sem o primeiro! Só isso!

 

E convém dizer claramente que o grande arquitecto e coordenador deste programa de governo, sincero, coerente e que não engana ninguém, é um ilustre filho da terra: o Dr. Eduardo Catroga. Que se por acaso fosse um elemento da chamada esquerda política, como aconteceu a muitos outros com bem menos merecimentos, já teria certamente por cá uma série de prebendas que na verdade nada acrescentariam ao seu valor, que é muito, mas que aos olhos dos compagnons de route habituais o elevariam a outros patamares.

 

Mas o facto indesmentível é que o País votou laranja em termos maioritários; em quase todos os distritos do continente e nas regiões autónomas, o PSD venceu. Excepção a Setúbal, Beja e Évora em que, não vencendo, a progressão foi evidente e a vitória discutida pouco a menos que taco a taco.

 

No nosso distrito a vitória do PSD foi clara; 5 deputados contra 3 do PS, 1 do CDS e 1 da CDU.

 

No Médio Tejo, unidade territorial a que pertencemos, o mapa laranja só é quebrado por Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha.

 

Ou seja, em termos de municípios de média dimensão, Abrantes foi o único em contra-ciclo, preferindo votar de forma contrária à sua região, ao seu distrito, ao seu país! Enfim, cada um poderá concluir aquilo que muito bem entender!

 

Mas enquanto que o País preferiu a seriedade, mesmo que dolorosa, à mentira, por mais doce que seja, enquanto que o país preferiu assentar os pés no chão, encarar a realidade dura, em vez de acreditar num país imaginário cor de rosa que nos queriam impingir à viva força, Abrantes fez exactamente o contrário!

 

É certamente uma opção tão legítima e responsável como qualquer outra; mas que a mim,  Abrantino desde sempre, me causa preocupação. Mas o facto é que a teia continua a prender muito boa gente, embora desta vez os fios tenham ficado de sobremaneira frágeis.

 

Mas certamente que a estrutura concelhia do PSD já terá tirado as devidas ilações, quer em termos tácticos e estratégicos; se o não fizer, mal irão as coisas.

 

Lembremo-nos que em concelhos como Benavente, Golegã, Cartaxo, etc, o PSD ganhou; em Ourém, cuja autarquia é PS, o PSD obteve mais de 61% dos votos! Fica a interrogação: o que se passa em Abrantes? Onde efectivamente a oposição (e não sou eu que o digo, basta consultar os meios de comunicação social e muitos blogs) é das mais activas.

 

Mas viremo-nos para o futuro: esperemos que o PS, agora na oposição, tenha tomado boa nota das palavras de despedida do seu líder, ou seja, se paute por um comportamento responsável e que sobretudo saiba respeitar e honrar o que assinou, sem subterfúgios nem qualquer tipo de reserva mental.

 

Só assim poderá continuar a servir o País e constituir-se como alternativa válida para o futuro!

 

Mas o facto de nesta legislatura terem assento na sua bancada muitas figuras da sua dita ala esquerda, poderá dar-lhe a tentação de renegar o acordo e tentar renegociá-lo na rua! Nada de mais errado. Seria o hara-kiri absoluto!

 

Mas estou certo que o PS, na sua tradição democrática e sem renegar a sua matriz ideológica, saberá escolher uma liderança que conjugue essa mesma tradição com os compromissos por si assinados e com os superiores interesses do país. Os líderes passam, as instituições ficam! Quem não perceber isso, fica fora do comboio do futuro. Que não é de todo um qualquer TGV!

 

Termino reconhecendo que nos esperam tempos e medidas difíceis; sem as quais poucas esperanças de futuro poderíamos ter. Vai doer, mas é como a injecção que devemos suportar para conseguirmos de novo um estado de saúde sempre relativa, que a realidade não pára! Apenas muda e cabe-nos a nós adaptarmo-nos o melhor possível!

 

E convém não matar o mensageiro (neste caso o médico), mas sim fazer todos os possíveis para que o tratamento possa dar resultado. Não há verdadeiramente alternativa!

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Segunda-feira, 06.06.11

A PESADA HERANÇA DE PASSOS COELHO

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

O slogan do PSD das últimas legislativas é enganador porque transmite a falsa ideia de que a hora de mudar era agora, quando, na verdade, agora só vamos mudar pela força das circunstâncias e com grande dose de sofrimento, em virtude de não termos mudado quando devíamos, ou seja, há muito tempo.

 

Em boa verdade, nós, nestas eleições, não elegemos um primeiro-ministro, mas tão-só o administrador da insolvência. Ninguém espere, pois, que o pesadelo tenha passado apenas por termos afastado da gestão do país esse administrador incompetente e irresponsável que foi José Sócrates. Não, meus queridos amigos, agora vamos ter de percorrer um longo e doloroso caminho para pagar as dívidas da sua gestão absolutamente irresponsável e ruinosa.

 

Passos Coelho tem, no entanto, uma qualidade e um mérito que me transmitem alguma confiança.

 

Quanto à qualidade, o facto de não ter qualquer experiência governativa. Com efeito, tendo todos os políticos portugueses com experiência governativa nos últimos 20 anos contribuído decisivamente para a destruição da economia, da educação e da justiça, não via como alguém poderia merecer o voto dos portugueses com uma nódoa dessas no currículo.

 

Quanto ao mérito, o facto de ter tido a coragem de apresentar não só um programa eleitoral (o PSD foi o único partido a fazê-lo) como também um programa que rompe com toda a tradição de indefinição política que tem caracterizado a política portuguesa e o próprio PSD. Com efeito, o programa eleitoral do PSD assume-se declaradamente como um programa de direita moderada liberal, demarcando-se totalmente da matriz social-democrata e, consequentemente, daquela zona de águas turvas, denominada Bloco Central, onde muitos militantes do PSD gostam de navegar. E isto revela uma grande coragem, para mais num tempo em que a esquerda tem acenado sistematicamente com o papão do neoliberalismo, à semelhança do que fazia Salazar com o papão do comunismo.

 

Ou seja, o tempo em que PSD e PS se reclamavam da social-democracia, o tempo do discurso, que também chegámos a ouvir aqui em Abrantes, de que "o programa que o PS executa é o do PSD, mas nós somos mais competentes do que eles", acabou. O PSD de Passos Coelho não tem nada a ver com o PS, nem com a social-democracia, ocupando hoje um espaço ideológico completamente diferente.

 

Esta redefinição do espaço político português era uma reforma urgente e que carecia de ser feita. Ao apresentar este programa eleitoral e, com ele, conseguir vencer as eleições, Passos Coelho concretizou a primeira grande reforma estrutural da política portuguesa.

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Sexta-feira, 03.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA

 

O BEIJO DE JUDAS

 

Nova Aliança – O PSD de Abrantes retirou a confiança política aos seus vereadores (Elsa Cardoso e Santana Maia). Já estava à espera desta decisão ?  

 

Santana-Maia -A partir do momento em que o PSD de Abrantes ficou nas mãos daqueles que não só sempre foram contra a minha candidatura à Câmara de Abrantes como tudo têm feito, a partir desse momento e sem olhar a meios, para fragilizar, apoucar, diminuir e denegrir os candidatos e os eleitos da candidatura "Amar Abrantes", a retirada da confiança política acaba por ser o corolário lógico de toda uma filosofia que tem dominado o PSD de Abrantes, durante os últimos vinte anos, e contra a qual a minha candidatura se ergueu.

 

Aliás, na noite do passado dia 1 de Janeiro, às 22H10, ou seja, cerca de quatro meses antes do anúncio da retirada da confiança política, recebi no meu telemóvel uma mensagem anónima que resume o teor do comunicado que agora foi lido pela comissão política, o que significa que a pessoa que me enviou este sms estava bem por dentro da teia que estava a ser urdida no PSD de Abrantes. A mensagem dizia o seguinte: «O psd e principalmente os abrantinos muito agradecem um gesto nobre da sua parte: DEMITA-SE DE VEREADOR. Estamos fartos da sua prepotência, autoritarismo e falta de vergonha. O seu egocentrismo asfixia-o. De uma coisa pode ficar certo só descansarei quando excomungar as laranjas podres da nossa secção. Os energúmenos como vossa excelência têm os dias contados.»

 

Como vê, não só estava à espera como aguardava tranquilamente pelo beijo de Judas, se bem que, neste caso, Judas seja do sexo feminino.  

 

A CULTURA DE REBANHO  

  

Nova Aliança – Que opinião tem dos fundamentos apresentados pelo PSD de Abrantes? 

 

Santana-Maia - Invocar como fundamento para a retirada da confiança política o facto de eu manter algum distanciamento crítico em relação a determinadas posições do partido não é honesto. Em primeiro lugar, porque eu não só nunca fui um «yes, man» como defendi sempre a liberdade de expressão como um dos valores principais a ser defendidos e preservados pela candidatura "Amar Abrantes" e pelo PSD. E basta ler os meus artigos no Primeira Linha, nos anos anteriores ao convite para ser candidato, para se constatar que eu sempre discuti e critiquei abertamente as posições dos líderes e dos governos do PSD quando não concordava com elas. Para mim, o PSD, assim como qualquer partido democrático, só pode ser um verdadeiro agente de mudança se preservar e valorizar os espíritos livres e independentes. Sou, por isso, visceralmente, contra os partidos tipo PS de Sócrates, em que o líder é o pastor e o partido um rebanho de ovelhas. Ora, é precisamente este modelo de partido que é agora defendido pela actual comissão política concelhia do PSD e que, por ironia do destino, é rejeitado não só por mim como também pelo actual líder do PSD Passos Coelho. Basta até ter em conta que a chamada "lei da rolha", que foi aprovada num congresso do PSD com o voto da actual presidente da comissão política, foi, de imediato, rejeitada por Passos Coelho. Aliás, todo o discurso de Passos Coelho assenta na abertura do partido à sociedade civil com vista precisamente a evitar que o partido fique refém desta cultura de rebanho que tem as suas raízes no antigo regime e nos regimes totalitários. 

 

Em segundo lugar, quando aceitei ser candidato, disse expressamente que o meu compromisso era apenas com o projecto da candidatura autárquica à Câmara de Abrantes. E todas as pessoas que eu convidei foi com base no mesmo compromisso. Não só nunca perguntei a ninguém em quem costumava votar ou qual o seu partido do coração como também, àquelas que fizeram questão de mo dizer, lhes disse logo que isso não me interessava. Aliás, para que as pessoas compreendessem a filosofia que estava subjacente à candidatura "Amar Abrantes", repeti até à exaustão o provérbio japonês no qual eu me revejo:  "Quando há duas pessoas que pensam da mesma maneira, uma delas é dispensável". O objectivo era servir o concelho e as populações e não juntar um rebanho de ovelhas, acrítico e de pensamento único, para servir o partido. 

 

A TEIA 

 

Nova Aliança – Quais foram as principais causas da ruptura?  

 

Santana-Maia - A principal causa da ruptura foi explicada pela presidente da comissão política ao invocar os "altos interesses do partido" para me retirar a confiança política. É precisamente aqui que reside a grande fractura entre o PSD dos vereadores e o PSD da actual comissão política. No discurso da minha apresentação a presidente da câmara, no dia 28/10/2008, disse que, para pertencer à candidatura "Amar Abrantes", só eram necessárias três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes. Ora, são precisamente estas três coisas que chocam abertamente com os fundamentos da actual comissão política. Estamos, assim, perante duas visões completamente diferentes de entender a política: para os vereadores do PSD, os interesses do partido têm de se sacrificar aos superiores interesses do concelho e dos munícipes; para a actual comissão política, os vereadores devem curvar-se perante "os altos interesses do partido". 

 

Nova Aliança - E desde quando começou essa ruptura? 

 

Santana-Maia - Essa ruptura começou no dia em que o plenário do PSD de Abrantes aprovou por unanimidade a minha candidatura a presidente da câmara. A unanimidade e o apoio expresso naquele momento por certas pessoas soou-me logo a falso, depois das histórias que me tinham contado. 

 

Devo dizer que, antes de aceitar o convite, quis ouvir a opinião de algumas pessoas amigas, porque desconhecia absolutamente a realidade do PSD de Abrantes. E verdade se diga todas me disseram o pior possível... No entanto, recordo aqui uma imagem que uma destas pessoas usou para me fazer perceber a razão por que se queria manter afastada do PSD de Abrantes e que, na altura, me apareceu algo exagerada mas que hoje constato retrata fielmente a realidade: «O PSD de Abrantes é uma teia urdida por três aranhas. E o senhor e eu somos apenas dois pequenos insectos. E escusa de olhar para as aranhas, porque mal se descuida está enredado numa teia formada por pessoas que se fizeram passar por seus amigos e nas quais confiou.»   

 

E não foi preciso esperar muitos dias para que isso se começasse a tornar evidente. Com efeito, na semana anterior à apresentação da minha candidatura, ou seja, na semana anterior a 28/10/2008, as três aranhas começaram a urdir a sua teia. E pondo a correr a insinuação caluniosa de que eu pertenceria a movimentos de extrema-direita, pressionaram o Gonçalo Oliveira, na altura presidente da comissão política concelhia, a forçar-me a renunciar à candidatura a favor de Belém Coelho, invocando motivos pessoais, o que só não aconteceu porque Belém Coelho, apesar de mal me conhecer, se recusou a alinhar nesta golpada e manteve o seu apoio à minha candidatura e aos compromissos já assumidos colectivamente pelo partido. A partir daquele momento, ganhei consciência do sarilho em que me tinha metido mas já era tarde para desistir, porque o compromisso estava assumido. 

 

AMAR ABRANTES  

 

Nova Aliança – A presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes afirmou que o vereador Santana Maia “já não dispõe de condições para falar em nome do PSD”. Como será agora a sua vereação?  

 

Santana-Maia - Em primeiro lugar, nem eu, nem os vereadores eleitos pelo PSD, alguma vez falámos em nome do PSD. Nós falamos apenas em nome dos vereadores da Câmara de Abrantes que foram eleitos pelas listas do PSD com um programa eleitoral próprio que se comprometeram a cumprir, caso fossem eleitos. 

 

Quando aceitei ser candidato pelo PSD, impus apenas, como única condição, que o grupo de trabalho da candidatura fosse aberto a todas as pessoas, independentemente da sua filiação ideológica ou partidária, desde que respeitassem o seguinte princípio: os interesses do concelho de Abrantes e dos munícipes estavam acima de qualquer interesse partidário ou pessoal por mais importante que fosse. 

 

Foi com este espírito que nasceu a candidatura "Amar Abrantes", daí também a razão da escolha do nome, e é com este espírito que os vereadores eleitos pela candidatura "Amar Abrantes" vão levar até ao fim o seu mandato, honrando o compromisso que assumiram perante os eleitores e falando sempre a uma só voz, enquanto vereadores. 

 

AS DUAS MARGENS 

 

Nova Aliança – Afirmando o vereador Belém Coelho que “os vereadores do PSD são uma unidade indivisível” como será (após a retirada de confiança) a articulação entre os dois vereadores do PSD? 

 

Santana-Maia - A comissão política é uma coisa, os vereadores são outra. A comissão política representa os militantes; os vereadores representam os munícipes. As comissões políticas são constituídas obrigatoriamente por listas de militantes com quotas em dia, são eleitas pelos militantes e dependem directamente dos militantes, representados pelo plenário; os vereadores, pelo contrário, fazem parte do executivo municipal que é eleito pelos munícipes, não são obrigados a ter qualquer vínculo ao partido que apoia a lista pela qual se candidataram (a esmagadora maioria dos candidatos são independentes) e dependem dos eleitores do município, representados pela Assembleia Municipal. A comissão política é eleita por 30 ou 40 militantes; os vereadores do PSD são eleitos por mais de 5 mil eleitores indiferenciados.  

 

Os vereadores vão, consequentemente, continuar a trabalhar como trabalharam até aqui, preparando as suas intervenções como sempre fizeram. Ou seja, em conjunto com o grupo de pessoas que os assessoria, desde o início, mantendo os canais abertos com os eleitos e os representantes das diferentes freguesias e dando voz a qualquer munícipe que dela careça. É óbvio que seria importante, apesar das profundas divergências, manter a ponte entre a vereação e a comissão política. Tanto assim que os estatutos do PSD estabelecem que o primeiro vereador eleito tem lugar por inerência na comissão política. No entanto, face à dinamitação desta ponte pela comissão política, não nos resta outra alternativa se não trabalhar em margens opostas. 

 

O PSD DE ABRANTES 

 

Nova Aliança – Pretende concorrer aos órgãos do partido do PSD de Abrantes? (desafio lançado pela presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes) 

 

Santana-Maia - Esse desafio, para mim, é ofensivo porque significa que a presidente me tem na mesma conta que ela. Eu aceitei ser candidato a presidente da câmara mas deixei claro, desde o início, que a política estritamente partidária não me interessa minimamente, nem tão pouco me reconheço nela, enquanto os partidos estiverem organizados com o único objectivo de ganhar eleições para servir as suas clientelas. Ainda acreditei, após as eleições autárquicas, que a comissão política do PSD de Abrantes pudesse romper com esta filosofia partidária e funcionar como um ponto de apoio aos eleitos locais no cumprimento do compromisso eleitoral que assumiram. Mas enganei-me completamente na pessoa a quem solicitei que desempenhasse essa tarefa. 

 

Além disso, estes dois últimos anos passados no PSD de Abrantes foram a experiência mais dolorosa que vivi nos meus 52 anos de vida. Não a desejo a ninguém. É uma cruz que se está a tornar demasiado pesada. Mas vou levá-la até ao fim. Agora nunca mais me falem do PSD de Abrantes. E dou um conselho: quem quiser viver bem com a sua consciência e de coluna direita, fuja do PSD de Abrantes. Caso contrário, vai ter de sofrer muito, se não quiser dobrar a espinha...   

 

Nova Aliança – Na sua opinião como vê o futuro do partido?   

 

Santana-Maia - O futuro do partido em Abrantes vai ser a continuação do seu triste passado. Muita conversa sobre ética e valores, muito discurso contra o PS, mas, na prática, tudo irá continuar a ser sacrificado no altar dos "altos interesses do partido" que, no fundo, a nível local, não são mais do que os baixos interesses de meia-dúzia dos seus militantes. 

 

Este PSD de Abrantes interessa, no entanto e objectivamente, ao PS local, razão por que pôde contar sempre com a sua estreita colaboração, apoio e incentivo, através, inclusive, dos órgãos de comunicação social que estão ao serviço dos socialistas, como é do conhecimento público. Além disso, esta situação também agrada, como é óbvio, ao PSD de Tomar, Torres Novas, Entroncamento e Santarém. Quanto pior representado estiver o PSD de Abrantes, melhor para eles. Como é evidente. 

 

ELEIÇÕES E COLIGAÇÕES 

 

Nova Aliança - Que expectativa tem das próximas legislativas? Que futuras coligações? 

 

Santana-Maia - Teria preferido que PSD e CDS se tivessem apresentado nestas eleições coligados. Teria sido melhor para Portugal a todos os níveis. Significaria, em primeiro lugar, que os dois partidos tinham sabido colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares. Em segundo lugar, teriam aparecido aos olhos dos eleitores com um programa comum e como a única solução de governo credível, o que ajudaria a clarificar a situação, matando à nascença as discussões marginais sobre as eventuais coligações pós-eleitorais, e seria um factor extraordinário de mobilização do eleitorado. Em terceiro lugar, a coligação PSD e CDS evitava que qualquer destes dois partidos se desviasse daquele que deve ser o verdadeiro imperativo nacional: derrotar Sócrates e este PS. 

 

No entanto, não coloco sequer a hipótese do PS vencer as próximas eleições porque isso revelaria um estado de demência colectivo que obrigava ao internamento psiquiátrico compulsivo do nosso país. Com efeito, não há ninguém, por muito estúpido que seja, que mantenha na direcção da sua empresa o director que a levou à falência. Só mesmo uma pessoa que sofra de graves perturbações mentais pode tomar uma decisão dessas. 

 

No entanto, devo dizer que as minhas expectativas relativamente ao futuro do país são muito baixas, mesmo com um governo PSD-CDS e por uma simples razão: vai ser impossível cumprir os objectivos que nos foram impostos pela troika. A fasquia foi colocada a uma altura que é impossível, por muito boa vontade que tenhamos, de a conseguir transpor. Os portugueses, a partir do próximo ano, vão ser sujeitos a um tratamento dolorosíssimo... As pessoas já se estão a queixar mas a maioria não imagina sequer o que aí vem. O verdadeiro sofrimento vai começar para o ano e por muito tempo. E, mesmo assim, não vamos conseguir cumprir os objectivos que a troika nos fixou pelo que a questão da reestruturação da dívida vai ter de se colocar, mais dia menos dia. Se a Europa não evoluir rapidamente para uma união política, o futuro de Portugal vai ser muito negro: muita miséria, muito sofrimento e nenhum futuro. Que ninguém se iluda.

 

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Sexta-feira, 03.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (7ª parte)

 

ELEIÇÕES E COLIGAÇÕES

 

Nova Aliança - Que expectativa tem das próximas legislativas? Que futuras coligações?

 

Santana-Maia - Teria preferido que PSD e CDS se tivessem apresentado nestas eleições coligados. Teria sido melhor para Portugal a todos os níveis. Significaria, em primeiro lugar, que os dois partidos tinham sabido colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares. Em segundo lugar, teriam aparecido aos olhos dos eleitores com um programa comum e como a única solução de governo credível, o que ajudaria a clarificar a situação, matando à nascença as discussões marginais sobre as eventuais coligações pós-eleitorais, e seria um factor extraordinário de mobilização do eleitorado. Em terceiro lugar, a coligação PSD e CDS evitava que qualquer destes dois partidos se desviasse daquele que deve ser o verdadeiro imperativo nacional: derrotar Sócrates e este PS.

 

No entanto, não coloco sequer a hipótese do PS vencer as próximas eleições porque isso revelaria um estado de demência colectivo que obrigava ao internamento psiquiátrico compulsivo do nosso país. Com efeito, não há ninguém, por muito estúpido que seja, que mantenha na direcção da sua empresa o director que a levou à falência. Só mesmo uma pessoa que sofra de graves perturbações mentais pode tomar uma decisão dessas.

 

No entanto, devo dizer que as minhas expectativas relativamente ao futuro do país são muito baixas, mesmo com um governo PSD-CDS e por uma simples razão: vai ser impossível cumprir os objectivos que nos foram impostos pela troika. A fasquia foi colocada a uma altura que é impossível, por muito boa vontade que tenhamos, de a conseguir transpor. Os portugueses, a partir do próximo ano, vão ser sujeitos a um tratamento dolorosíssimo... As pessoas já se estão a queixar mas a maioria não imagina sequer o que aí vem. O verdadeiro sofrimento vai começar para o ano e por muito tempo. E, mesmo assim, não vamos conseguir cumprir os objectivos que a troika nos fixou pelo que a questão da reestruturação da dívida vai ter de se colocar, mais dia menos dia. Se a Europa não evoluir rapidamente para uma união política, o futuro de Portugal vai ser muito negro: muita miséria, muito sofrimento e nenhum futuro. Que ninguém se iluda.

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Domingo, 29.05.11

ALGUÉM ME PODE EXPLICAR?

 

Alguém me pode explicar por que razão a corrupção não é um problema a levar à campanha e que parece não interessar nenhum dos grandes partidos? Na verdade, vindos de anos e anos de "casos" de corrupção que envolvem políticos, a começar pelo BCP e a acabar nas sucatas do senhor Godinho, numa altura em que existe a convicção popular generalizada de que existe muita corrupção no sistema político e análises técnicas, académicas e policiais apontam no mesmo sentido, a indiferença que PS e PSD mostram perante o tema é inadmissível. Para não ir mais longe. (...)

Alguém me pode explicar por que razão a justiça e a segurança estão ainda mais ausentes nesta campanha do que nas anteriores? (...)

 

Alguém me pode explicar como é que se "emagrece" o Estado (estamos na época das metáforas orgânicas) sem despedimentos na função pública? Alguém me explica como é que se extinguem centenas de organismos, institutos, empresas públicas nacionais e municipais sem se saber para onde é que vão as dezenas de milhares de pessoas que nelas trabalham? Ou será que se pensa que só há cargos de direcção e administração nesses organismos e não há contínuos, secretárias, pessoal auxiliar, técnicos, motoristas, pessoal de manutenção, etc.? Vai-se alimentar o desemprego ou o subemprego?
 

Pacheco Pereira in Público de 28/5/2011

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Sexta-feira, 27.05.11

O FIM DAS NOVAS OPORTUNIDADES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

O panfleto que o PS intitula pomposamente de programa eleitoral só tem comparação com certas moções de estratégia que por aí são aprovadas, feitas de lugares comuns, banalidades e outras vulgaridades, que só a boa educação ou a ignorância dos ouvintes os impede de desatar a rir às gargalhadas, para mais quando são lidas em voz alta com ar formal.

 

Só mesmo no país das Novas Oportunidades, é possível José Sócrates aparecer nas sondagens com mais intenções de votos do que o CDS, o Bloco de Esquerda ou o Partido Comunista. Será possível o povo português ser tão irresponsável ao ponto de ainda ponderar em manter na direcção da sua empresa o director que a levou à falência? Isto, no fundo, só vem demonstrar que os culpados da situação em que o país se encontra, afinal, são os portugueses que, nas democracias liberais, são os verdadeiros accionistas da empresa nacional.

 

A democracia tem, pelo menos, esse mérito: ninguém é governando melhor do que o que merece. E nós só temos o que merecemos. Mas de uma coisa podem estar certos: acabaram-se as novas oportunidades.

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Domingo, 22.05.11

COMO OS ALEMÃES NOS VÊEM

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Sábado, 21.05.11

AGORA ESCOLHA

Pedro Marques Lopes - In Diário de Notícias de 15/5/11

 

O muito aguardado programa do PSD é muito mais que uma simples e habitual enunciação de um conjunto de propostas avulsas desenquadradas ideologicamente e com objectivos eleitorais imediatos. Concorde-se ou não com as suas linhas essenciais, o documento mostra de forma cabal o caminho que os sociais-democratas querem percorrer, e redefine o panorama político-partidário português. (...)

 

Passos Coelho, na sequência do projecto de revisão constitucional, separa as águas e quase funda, nos seus traços fundamentais, um novo partido. Recusa o discurso centrista, em que quase sempre o PS e o PSD navegavam, e que desaguava invariavelmente no nosso conhecido "as ideias são as mesmas, mas nós somos mais competentes". Abandona qualquer tipo de concessão ao centro-esquerda e não receia propor, pela primeira vez na história do PSD, uma solução liberal para a resolução dos problemas endémicos da sociedade portuguesa.

 

Menos Estado na economia, na educação, na saúde e nos media. Mais iniciativa privada e mais liberdade de escolha para os cidadãos. Um vasto programa de privatizações, uma reforma (tímida, infelizmente) no sistema político, flexibilização da legislação laboral, diminuição no número de funcionários públicos e afins. Pena foi que na justiça, que é urgente reformar de alto a baixo, as propostas tenham sido tão fracas e até perpetuadoras do actual estado de coisas.

 

O PSD deixa de ser um partido "apanha todos" para se transformar num movimento com uma matriz ideológica bem definida. Chamar agora ao PSD social-democrata só se justificará por razões históricas.

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Quinta-feira, 28.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (2ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

 “Não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes”

 

Mirante - Já se arrependeu desta aventura política em Abrantes?

 

Santana-Maia - Acho que houve um equívoco das duas partes, meu e de pessoas ligadas ao PSD/Abrantes. Pensei, quando me foi feito o convite, que sabiam o que eu pensava relativamente a todas estas questões, até porque escrevia regularmente em jornais da cidade. As coisas que exigíamos aos outros tínhamos também de exigir a nós. Dar a ética do exemplo. Era um princípio de que não podíamos abdicar. Só que, penso, algumas pessoas do PSD devem ter julgado que eu, perdendo as eleições, me iria embora para o meu escritório.

 

Mirante - O que não aconteceu.

 

Santana-Maia - Houve aí um engano terrível. Porque a partir do momento em que aceitei ser candidato foi para levar isto até às últimas consequências, com o sacrifício da minha vida pessoal e profissional. É uma questão de honra. E eles ficaram surpreendidos porque pensaram que eu me iria embora. Mas se me conhecessem saberiam que não poderia ser de outra forma. Porque eu sou mesmo assim. Pensava que eles me conheciam e eles esperavam que eu fosse uma coisa que não era quando me fizeram o convite. Em todo o caso a política ajuda-nos a conhecer as pessoas. Há algumas de que temos uma ideia conceituada e depois esvai-se tudo e outras a quem não damos valor nenhum e que depois na prática se revelam de uma grande estatura moral.

 

Mirante - Apanhou algumas desilusões?

 

Santana-Maia - As grandes desilusões foi das pessoas de quem mais esperava.

 

Mirante - Como Armando Fernandes ou Pedro Marques?

 

Santana-Maia - Não. Aquilo que sucedeu estava rigorosamente à espera. Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito. Agora pessoas que eu convidei, que estiveram comigo e de que criei uma ideia que seriam pessoas muito diferentes, essas surpreenderam-me. Tal como relativamente a pessoas que não conhecia de lado nenhum, tenho hoje uma grande amizade por elas, como o dr. Belém Coelho.

 

Mirante - Equaciona a possibilidade de se candidatar em Abrantes novamente nas autárquicas de 2013?

 

Santana-Maia - O único compromisso que assumo, porque o mundo dá muitas voltas, é que não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes. Se houver um milagre qualquer, eu não excluo. Agora digo: se o dr. Belém Coelho fosse candidato e me convidasse para integrar a sua lista, eu não teria coragem de lhe dizer que não.

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Domingo, 17.04.11

À sombra da azinheira

Tonho e Manel.jpg

MANEL    

Quando tudo corre mal

E se chama o FMI

A safa de Portugal

É o presidente da AMI?

 

TONHO

Ao esguio Fernando Nobre

Já chamam Senhor do Passos

Só um povo triste e pobre

Crê nas juras de palhaços

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Segunda-feira, 11.04.11

A RAZÃO DAS ELEIÇÕES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Assim à primeira vista, pode parecer estranho que, no momento, em que Portugal se afunda sem remissão, qual Titanic, os principais responsáveis pelo desastre tenham decidido lançar o país numa corrida eleitoral, absolutamente inútil uma vez que o poder de decisão deixou de nos pertencer. E para executar o que nos vai ser imposto, não são necessárias eleições, porque não há outra alternativa. As eleições pressupõem a liberdade de escolha entre diferentes propostas políticas e não apenas a escolha do carrasco que vai executar a decisão.

 

Acontece que quem nos levou ao desastre (ou seja, os bancos, em conluio com quem nos governou nos últimos vinte anos) quer reservar para si os lugares no pequeno bote salva-vidas. E, para isso, as eleições são essenciais para legitimar o tal governo de salvação nacional que vai salvar, não o país, que já não tem salvação, mas os responsáveis pelo desastre.

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Sábado, 09.04.11

VEREADORES E CONCELHIA DE COSTAS VOLTADAS

In Mirante on line de 31/3/2011

 

O último plenário de militantes do PSD de Abrantes fez mossa. Os ânimos exaltaram-se e, na sequência desse ambiente conturbado, o vereador Santana-Maia Leonardo decidiu pedir na passada semana a transferência da sua militância da secção de Abrantes para a secção do Lumiar (Lisboa), onde nasceu, em protesto pelo que se passou nessa reunião onde se queixa de terem tentado impedir a sua intervenção. Na mesma semana, também Elsa Cardoso, a militante que habitualmente substituía os vereadores social-democratas nas reuniões do executivo, pediu a sua desvinculação do PSD, por razões semelhantes.

 

Como ponto de partida para a polémica está o processo eleitoral que reconduziu, no dia 26 de Fevereiro, Manuela Ruivo como líder da concelhia abrantina do PSD. Elsa Cardoso diz que só soube das eleições na véspera, quando recebeu a convocatória e já estava fechado o prazo para apresentação de listas. “Que partido/secção é este onde ninguém informa que a comissão política se tinha demitido e que iria haver eleições?”, questiona em carta dirigida ao secretário-geral do partido, Miguel Relvas, onde acrescenta: “Isto é gozar literalmente com os militantes do PSD. Ora, eu não me filiei no PSD para ser gozada”.

A presidente da concelhia, Manuela Ruivo, nega que o processo não tenha sido transparente. Em declarações a O MIRANTE refere que a convocatória foi publicada no jornal oficial do partido, o Povo Livre, nos prazos devidos. As eleições foram também divulgadas na página do PSD/Abrantes no Facebook com muita antecedência, garante. “Todos os militantes têm direitos e obrigações e um deles é saber o que se passa na sua secção e no seu distrito”, sublinha.

 

Na assembleia de militantes realizada a 19 de Março o assunto voltou à baila e, segundo a versão de Elsa Cardoso, um grupo de militantes que designou como “donos do partido” tentou monopolizar o debate e impedir o vereador Santana-Maia de falar “com vaias e gritos”. “Por sua vez, eu fui impedida de completar a minha intervenção, interrompendo-me a meio, com gritos e ofensas verbais. Só faltou mesmo ser agredida”, conta Elsa Cardoso na carta enviada a Miguel Relvas.

 

Já Santana-Maia, em carta aberta aos militantes do PSD e aos munícipes do concelho de Abrantes, diz que o plenário “estava todo armadilhado” para impedir a sua intervenção e sugere que as eleições no partido não decorreram de forma clara. “O que nós exigimos na câmara é o que exigimos no partido ou em qualquer associação: isenção, imparcialidade e rigor, designadamente quando estão em causa concursos públicos ou actos eleitorais. Estes valores não são negociáveis”.

 

A presidente da concelhia, estrutura que tinha pedido o agendamento do plenário de 19 de Março para discussão das contas e apresentação da moção de estratégia para os próximos dois anos, para além da análise da situação política, diz que a condução dos trabalhos obedece a regras. E que foi disso que se tratou. “Os militantes não podem fazer o que lhes apetece, há regras para condução do plenário”, afirma, desdramatizando.

 

Apesar dos atritos, Manuela Ruivo diz que a concelhia vai manter a confiança política na vereação PSD na Câmara de Abrantes. “Os vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido”, conclui. 

 

Vide posts relacionados:

A minha intervenção no plenário do psd

Nota explicativa 

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD

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Terça-feira, 29.03.11

A INTERRUPÇÃO DA DEMOCRACIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Há dois anos não houve comentador, jornalista ou político, no activo e na reforma, que não se tivesse indignado com a sugestão irónica de Manuela Ferreira Leite de que, para se tomar as medidas necessárias para salvar o país, seria necessário interromper a democracia por seis meses.

 

Ora, não deixa de ser irónico assistir agora aos mesmos comentadores, jornalistas e políticos a defenderem, em uníssono, a interrupção da democracia por tempo indeterminado. Porque é precisamente disso que se trata ao defenderem um governo constituído por PS, PSD e CDS. Uma tal maioria é tão esmagadora que asfixia completamente qualquer veleidade da sociedade poder respirar.

 

E não nos venham com as teorias de "cavalo cansado" de que não se trata de uma interrupção de democracia, tendo em conta que, no governo, estão representadas todas as sensibilidades ideológicas, quando todos sabemos, por experiência própria, que, no poder, todas as ideologias se esbatem e o único que verdadeiramente conta é a contabilidade dos tachos.

 

Além disso, espanta-me a fraca memória dos nossos sábios comentadores quando defendem esta coligação com o argumento de que só ela será capaz de promover as tais reformas estruturais indispensáveis, quando ainda estamos todos a sofrer na pele a salvífica reforma estrutural da justiça, promovida pelo Presidente da República, assinada como pompa e circunstância pelo PS e PSD e aprovada por todos os partidos na Assembleia da República, que escancarou as portas das prisões aos criminosos e fomentou e promoveu todo o tipo de criminalidade.

 

E já agora uma pergunta: se o objectivo é constituir um governo tão abrangente, por que razão vai haver eleições? PS, PSD e CDS não têm já no Parlamento número de deputados suficientes?

 

Só um povo estruturalmente burocrático é capaz de se empenhar convictamente numas eleições absolutamente inúteis, a não ser para quem aspira a rapar o tacho, para tudo ficar rigorosamente na mesma, inclusive o PEC 4. A não ser que já esteja na altura do PEC 5, obviamente.

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Sexta-feira, 13.11.09

ELEIÇÕES PSD ABRANTES - CARTA AOS MILITANTES

Companheiras e companheiros,

 
Queremos desta forma apresentar a nossa candidatura à C.P.S. de Abrantes.
Esta candidatura é a continuação do trabalho árduo desenvolvido nas últimas eleições autárquicas, que independentemente dos resultados obtidos, devemos valorizar.
Esta é a nossa oportunidade de começar de novo, sem esquecer o passado, querendo com espírito de entrega, de dinâmica e de coesão, a renovação da nossa concelhia.
É determinante o empenho e a lealdade dos militantes com características de excepção: capacidade de unificação, dinamismo, vontade de trabalho, lealdade e respeito.
Este grupo de trabalho, que surgiu de forma espontânea, é o reflexo da vontade das bases do partido, logo, espelhando os ideais sociais-democratas por todos nós preconizados.
Estamos unidos para servir o partido.
Não nos movemos por ambições pessoais.
Queremos contribuir para a dignificação da social-democracia no nosso concelho.
A motivação espontânea demonstrada por este grupo de trabalho culminou na constituição desta lista que me orgulho de liderar e da qual fazem parte:
Vice-presidentes: António Belém Coelho e Joaquim Simplício.
Tesoureiro: Susana Martins.
Vogais: Carlos Horta Ferreira; Emídio Direito; Carlos Alberto Marcos; José Oliveira; André Bicho; Ana Bartolomeu; Ilídio Magalhães; Manuel Oliveira.
Vogais Suplentes: Fernanda Aparício; Pedro António; João Josefa; Fernando Teimão.
Neste espírito, desejamos motivar todos os militantes e simpatizantes do PSD para uma militância activa e colaborante, que não desmobilize e que seja congregadora de vontades.
Para atingirmos este fim, propomo-nos à criação de um Gabinete de Estudos, que terá como principal função dar apoio à Comissão Politica de Secção em todas as questões programáticas e de acção politica, a criação de um Gabinete que facilite o acompanhamento de todas as forças vivas do concelho da actividade política levada a cabo pelos órgãos do partido, bem como um Gabinete de apoio às freguesias do Concelho.
Apelamos para a vossa participação no acto eleitoral do dia 14 de Novembro de 2009 entre as 20h e as 24h, na sede do PSD em Abrantes.
Tudo faremos para tornar indelével o espírito desta equipa na concelhia de Abrantes.
Por um PSD mais coeso e dinâmico!
Em nome da candidatura à C.P.S. de Abrantes
A candidata
Manuela Ruivo

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