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COLUNA VERTICAL


Segunda-feira, 08.06.09

LEITURAS

por António Belém Coelho

 
As eleições europeias do passado fim-de-semana permitem-nos retirar algumas conclusões tanto para o nosso país como para o espaço europeu. Não há dúvidas de que, a nível global, os partidos socialistas recuaram, por contraponto ao avanço de liberais e conservadores. Este facto, ocorrido em plena crise global, é, por isso mesmo, ainda mais significativo. O eleitorado europeu deixou de ver nos partidos socialistas e do espectro do centro esquerda, capacidade para resolverem os problemas agora agudizados pela crise.
 
Mas uma situação que nos deve servir de meditação e preocupação é o crescimento verificado nas franjas mais radicais, quer à esquerda, quer à direita. Isto pode indiciar um descontentamento de alguma fatia do eleitorado, que deve fazer com que os responsáveis do projecto europeu pensem e repensem alguns dos seus aspectos, respectiva divulgação e discussão.
 
Mas se, no global, a correlação de forças pendeu ainda mais um pouco a favor do centro-direita, por cá o mesmo se verificou, mesmo dada a aproximação verificada entre PSD e PS, com vantagem para os primeiros com base nas projecções à boca das urnas e como de costume contrariada pelas sondagens habituais. O que, entre outras leituras, faz prometer disputa imprevisível para outros actos eleitorais que se avizinham e reforçam a esperança numa mudança segura.
 
Entre nós, para além do partido do Governo, os maiores derrotados foram também as forças (algumas dentro do próprio partido socialista, e com visibilidade mediática e eleitoral) que preconizavam um novo paradigma europeu e o afastamento, em termos de próximo mandato, do Dr. Durão Barroso. Se antes tal era difícil, agora passa para a categoria do utópico.
 
Por fim, uma palavra para o mais doloroso: o nível de abstenção verificado. Por cá, poderemos encontrar explicação sobretudo no descontentamento de grande parte do eleitorado face à (des)governação do Partido Socialista. O que deita por terra as teorias daqueles (entre os quais o cabeça de lista do partido socialista) que não queriam discutir os problemas nacionais nestas eleições, ignorando que, hoje, a realidade e vida nacional está umbilicalmente ligada à Europa, quer por via de muitas leis e regulamentos com origem no Parlamento e Comissão Europeia, quer por via dos fluxos financeiros, de mercadorias e de pessoas que com ela mantemos e dos quais efectivamente dependemos.
 
Daí ser legítimo continuar a esperar que as manifestações de descontentamento, quer a nível nacional, quer a nível local, se traduzam em termos de votos expressos dada a proximidade temporal dos próximos escrutínios.

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Quinta-feira, 04.06.09

EU VOTO NO DEVER DE VOTAR

 por Dora Caldeira

 

«A participação exprime-se, essencialmente, numa série de actividades mediante as quais o cidadão, como indivíduo ou associado com outros, directamente ou por meio de representantes, contribui para a vida cultural, económica, política e social da comunidade civil a que pertence: a participação é um dever a ser conscientemente exercido por todos, de modo responsável e em vista ao bem comum.»
 
Nos dias de hoje, assiste-se a um grande individualismo, com uma atenção muito centrada nos problemas próprios, ignorando-se as situações dramáticas dos que estão em redor. É certo que existem exemplos de solidariedade e empenhamento social.
 
Por outro lado, observa-se uma apatia e um imobilismo na sociedade, onde a intervenção activa e construtiva de alguns anda a par com a crítica azeda e desencorajadora de muitos. É neste contexto social, muito resumidamente caracterizado, que surge, a partir de agora e até quase ao final do ano, o período eleitoral no nosso País.
 
Como cidadão e como membro interventor na sociedade, coloca-se-lhe, de imediato, perante o panorama político que tem ante si, o exercício de dois direitos mas, também, de dois deveres: o de votar e o de escolher conscientemente em quem vota.
 
A democracia trouxe-nos a possibilidade de sermos co-autores na construção dos desígnios do nosso País e, de certo modo, da Europa em que nos inserimos, através do voto. Não exercendo esse direito, estamos a alhear-nos dessa construção.
 
Ora a política, quando bem exercida, implica que aqueles que a praticam se ponham ao serviço de todos, tentando encontrar as soluções para os dramas que afligem os homens e as mulheres de hoje, procurando saídas de justiça e de paz para os problemas que se vão apresentando. Por isso, colocar-nos à margem desse direito é faltarmos a um dever: o de participar na organização duma sociedade melhor.
 
Surge, agora, uma outra questão: quem escolher? A quem, de entre o leque de opções que se nos colocam, delegar a nossa quota-parte de participação na construção da tal sociedade melhor?
 
Tem que procurar-se encontrar de entre as organizações, partidárias ou não, que estão disponíveis ao eleitorado, aquela que melhor compatibilize os valores que orientam e sustentam a sua vida com as soluções que são propostas.
 
Tem que saber-se olhar de frente para o mundo. E isso implica, quando necessário, o assumir de responsabilidades nas instituições sociais ou exercendo, voluntariamente, trabalhos de natureza cultural ou social.
 
Mas esse olhar de frente para o mundo também pode implicar o exercício de funções nas instituições políticas, se para isso se sentir vocacionado. Ora, o exercício dessas funções exige estar sempre ao serviço dos outros na procura do bem comum.
 
É certo que cada um, no seu quotidiano, seja ele na política activa ou no empenhamento cívico longe da ribalta, tem sempre a possibilidade de contribuir para uma humanidade melhor. Mas, sem dúvida, que o voto consciente poderá reforçar essa sua contribuição.

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Sábado, 21.03.09

VERGONHA NA CARA

 por António Belém Coelho

 
Estão à porta as eleições Europeias. Os diversos partidos movimentam-se externa e internamente para definir os respectivos cabeças de lista e preencher os lugares elegíveis. Escusado será dizer que tal implica inúmeros jogos de bastidores, que já não são de hoje, mas sim de ontem ou de anteontem. Implica também reformas douradas para aqueles que, por um motivo ou por outro, serão mais incómodos cá, do que lá.
 
Mas a verdadeira notícia sobre este assunto é a duplicação do vencimento desses eleitos. Assim, os vencimentos base, de cerca de 3.815 Euros (três mil oitocentos e quinze euros) vão ser aumentados aproximadamente para o dobro. Em época de crise global, da qual a Europa é das mais atingidas, não está mal, não senhor! E no nosso caso particular, que é aquele que mais me interessa, então nem é melhor falar.
 
Sugiro daqui a todos os partidos concorrentes, sem excepção, que tenham vergonha na cara, e, quando muito, aumentem os vencimentos aos Eurodeputados segundo a inflação prevista (é o que o Governo faz a todos nós)! O excedente do pagamento verificado por parte das instâncias Europeias, que seja contabilizado num fundo que ajude a suportar por exemplo as prestações de desemprego, que têm subido em flecha. E já nem falo dos abonos e subsídios colaterais ao cargo que, por exemplo, em termos de subsídio de deslocação, podem atingir 287 Euros por dia! Leram bem: duzentos e oitenta e sete euros diários!
 
Entretanto e no nosso território indígena, ficámos a saber que pelas bandas do bairro “Portugal Novo” (até parece que o nome é propositado!), ninguém ou quase ninguém paga rendas pelas casas em que habita e mais do que isso, inquilino que se ausente corre o risco de perder o lugar. E viva o Estado de Direito! O Presidente da Junta, coitado, bem se queixa e corre Seca e Meca. Mas quer a Administração Central, quer a Autarquia de Lisboa, que são responsáveis por toda a questão, fazem ouvidos de mercador. Por coincidência, ambas as instâncias são geridas pelo Partido Socialista; mas certamente que tal será apenas uma mera coincidência! Ou não?
 
Por cá, volto à questão da Cidade Imaginária. O seu custo permitiria ajudar quantas famílias atingidas pelo desemprego e durante quanto tempo? Façam vocês o cálculo, visto que os valores envolvidos são públicos. E de seguida tirem as necessárias conclusões sobre a noção das prioridades de quem nos governa. Por enquanto!

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