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COLUNA VERTICAL


Sexta-feira, 03.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (7ª parte)

 

ELEIÇÕES E COLIGAÇÕES

 

Nova Aliança - Que expectativa tem das próximas legislativas? Que futuras coligações?

 

Santana-Maia - Teria preferido que PSD e CDS se tivessem apresentado nestas eleições coligados. Teria sido melhor para Portugal a todos os níveis. Significaria, em primeiro lugar, que os dois partidos tinham sabido colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares. Em segundo lugar, teriam aparecido aos olhos dos eleitores com um programa comum e como a única solução de governo credível, o que ajudaria a clarificar a situação, matando à nascença as discussões marginais sobre as eventuais coligações pós-eleitorais, e seria um factor extraordinário de mobilização do eleitorado. Em terceiro lugar, a coligação PSD e CDS evitava que qualquer destes dois partidos se desviasse daquele que deve ser o verdadeiro imperativo nacional: derrotar Sócrates e este PS.

 

No entanto, não coloco sequer a hipótese do PS vencer as próximas eleições porque isso revelaria um estado de demência colectivo que obrigava ao internamento psiquiátrico compulsivo do nosso país. Com efeito, não há ninguém, por muito estúpido que seja, que mantenha na direcção da sua empresa o director que a levou à falência. Só mesmo uma pessoa que sofra de graves perturbações mentais pode tomar uma decisão dessas.

 

No entanto, devo dizer que as minhas expectativas relativamente ao futuro do país são muito baixas, mesmo com um governo PSD-CDS e por uma simples razão: vai ser impossível cumprir os objectivos que nos foram impostos pela troika. A fasquia foi colocada a uma altura que é impossível, por muito boa vontade que tenhamos, de a conseguir transpor. Os portugueses, a partir do próximo ano, vão ser sujeitos a um tratamento dolorosíssimo... As pessoas já se estão a queixar mas a maioria não imagina sequer o que aí vem. O verdadeiro sofrimento vai começar para o ano e por muito tempo. E, mesmo assim, não vamos conseguir cumprir os objectivos que a troika nos fixou pelo que a questão da reestruturação da dívida vai ter de se colocar, mais dia menos dia. Se a Europa não evoluir rapidamente para uma união política, o futuro de Portugal vai ser muito negro: muita miséria, muito sofrimento e nenhum futuro. Que ninguém se iluda.

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Quinta-feira, 02.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (6ª parte)

 

O PSD DE ABRANTES

 

Nova Aliança – Pretende concorrer aos órgãos do partido do PSD de Abrantes? (desafio lançado pela presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes)

 

Santana-Maia - Esse desafio, para mim, é ofensivo porque significa que a presidente me tem na mesma conta que ela. Eu aceitei ser candidato a presidente da câmara mas deixei claro, desde o início, que a política estritamente partidária não me interessa minimamente, nem tão pouco me reconheço nela, enquanto os partidos estiverem organizados com o único objectivo de ganhar eleições para servir as suas clientelas. Ainda acreditei, após as eleições autárquicas, que a comissão política do PSD de Abrantes pudesse romper com esta filosofia partidária e funcionar como um ponto de apoio aos eleitos locais no cumprimento do compromisso eleitoral que assumiram. Mas enganei-me completamente na pessoa a quem solicitei que desempenhasse essa tarefa.

 

Além disso, estes dois últimos anos passados no PSD de Abrantes foram a experiência mais dolorosa que vivi nos meus 52 anos de vida. Não a desejo a ninguém. É uma cruz que se está a tornar demasiado pesada. Mas vou levá-la até ao fim. Agora nunca mais me falem do PSD de Abrantes. E dou um conselho: quem quiser viver bem com a sua consciência e de coluna direita, fuja do PSD de Abrantes. Caso contrário, vai ter de sofrer muito, se não quiser dobrar a espinha...  

 

Nova Aliança – Na sua opinião como vê o futuro do partido?  

 

Santana-Maia - O futuro do partido em Abrantes vai ser a continuação do seu triste passado. Muita conversa sobre ética e valores, muito discurso contra o PS, mas, na prática, tudo irá continuar a ser sacrificado no altar dos "altos interesses do partido" que, no fundo, a nível local, não são mais do que os baixos interesses de meia-dúzia dos seus militantes.

 

Este PSD de Abrantes interessa, no entanto e objectivamente, ao PS local, razão por que pôde contar sempre com a sua estreita colaboração, apoio e incentivo, através, inclusive, dos órgãos de comunicação social que estão ao serviço dos socialistas, como é do conhecimento público. Além disso, esta situação também agrada, como é óbvio, ao PSD de Tomar, Torres Novas, Entroncamento e Santarém. Quanto pior representado estiver o PSD de Abrantes, melhor para eles. Como é evidente.

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Quinta-feira, 02.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (5ª parte)

 

AS DUAS MARGENS

 

Nova Aliança – Afirmando o vereador Belém Coelho que “os vereadores do PSD são uma unidade indivisível” como será (após a retirada de confiança) a articulação entre os dois vereadores do PSD?

 

Santana-Maia - A comissão política é uma coisa, os vereadores são outra. A comissão política representa os militantes; os vereadores representam os munícipes. As comissões políticas são constituídas obrigatoriamente por listas de militantes com quotas em dia, são eleitas pelos militantes e dependem directamente dos militantes, representados pelo plenário; os vereadores, pelo contrário, fazem parte do executivo municipal que é eleito pelos munícipes, não são obrigados a ter qualquer vínculo ao partido que apoia a lista pela qual se candidataram (a esmagadora maioria dos candidatos são independentes) e dependem dos eleitores do município, representados pela Assembleia Municipal. A comissão política é eleita por 30 ou 40 militantes; os vereadores do PSD são eleitos por mais de 5 mil eleitores indiferenciados. 

 

Os vereadores vão, consequentemente, continuar a trabalhar como trabalharam até aqui, preparando as suas intervenções como sempre fizeram. Ou seja, em conjunto com o grupo de pessoas que os assessoria, desde o início, mantendo os canais abertos com os eleitos e os representantes das diferentes freguesias e dando voz a qualquer munícipe que dela careça. É óbvio que seria importante, apesar das profundas divergências, manter a ponte entre a vereação e a comissão política. Tanto assim que os estatutos do PSD estabelecem que o primeiro vereador eleito tem lugar por inerência na comissão política. No entanto, face à dinamitação desta ponte pela comissão política, não nos resta outra alternativa se não trabalhar em margens opostas.

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Quarta-feira, 01.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (3ª parte)

 

A TEIA

 

Nova Aliança – Quais foram as principais causas da ruptura?

 

Santana-Maia - A principal causa da ruptura foi explicada pela presidente da comissão política ao invocar os "altos interesses do partido" para me retirar a confiança política. É precisamente aqui que reside a grande fractura entre o PSD dos vereadores e o PSD da actual comissão política. No discurso da minha apresentação a presidente da câmara, no dia 28/10/2008, disse que, para pertencer à candidatura "Amar Abrantes", só eram necessárias três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes. Ora, são precisamente estas três coisas que chocam abertamente com os fundamentos da actual comissão política. Estamos, assim, perante duas visões completamente diferentes de entender a política: para os vereadores do PSD, os interesses do partido têm de se sacrificar aos superiores interesses do concelho e dos munícipes; para a actual comissão política, os vereadores devem curvar-se perante "os altos interesses do partido".

 

Nova Aliança - E desde quando começou essa ruptura?

 

Santana-Maia - Essa ruptura começou no dia em que o plenário do PSD de Abrantes aprovou por unanimidade a minha candidatura a presidente da câmara. A unanimidade e o apoio expresso naquele momento por certas pessoas soou-me logo a falso, depois das histórias que me tinham contado.

 

Devo dizer que, antes de aceitar o convite, quis ouvir a opinião de algumas pessoas amigas, porque desconhecia absolutamente a realidade do PSD de Abrantes. E verdade se diga todas me disseram o pior possível... No entanto, recordo aqui uma imagem que uma destas pessoas usou para me fazer perceber a razão por que se queria manter afastada do PSD de Abrantes e que, na altura, me apareceu algo exagerada mas que hoje constato retrata fielmente a realidade: «O PSD de Abrantes é uma teia urdida por três aranhas. E o senhor e eu somos apenas dois pequenos insectos. E escusa de olhar para as aranhas, porque mal se descuida está enredado numa teia formada por pessoas que se fizeram passar por seus amigos e nas quais confiou.» 

  

E não foi preciso esperar muitos dias para que isso se começasse a tornar evidente. Com efeito, na semana anterior à apresentação da minha candidatura, ou seja, na semana anterior a 28/10/2008, as três aranhas começaram a urdir a sua teia. E pondo a correr a insinuação caluniosa de que eu pertenceria a movimentos de extrema-direita, pressionaram o Gonçalo Oliveira, na altura presidente da comissão política concelhia, a forçar-me a renunciar à candidatura a favor de Belém Coelho, invocando motivos pessoais, o que só não aconteceu porque Belém Coelho, apesar de mal me conhecer, se recusou a alinhar nesta golpada e manteve o seu apoio à minha candidatura e aos compromissos já assumidos colectivamente pelo partido. A partir daquele momento, ganhei consciência do sarilho em que me tinha metido mas já era tarde para desistir, porque o compromisso estava assumido.

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Quarta-feira, 01.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (2ª parte)

 

A CULTURA DE REBANHO 

 

Nova Aliança – Que opinião tem dos fundamentos apresentados pelo PSD de Abrantes?

 

Santana-Maia - Invocar como fundamento para a retirada da confiança política o facto de eu manter algum distanciamento crítico em relação a determinadas posições do partido não é honesto. Em primeiro lugar, porque eu não só nunca fui um «yes, man» como defendi sempre a liberdade de expressão como um dos valores principais a ser defendidos e preservados pela candidatura "Amar Abrantes" e pelo PSD. E basta ler os meus artigos no Primeira Linha, nos anos anteriores ao convite para ser candidato, para se constatar que eu sempre discuti e critiquei abertamente as posições dos líderes e dos governos do PSD quando não concordava com elas. Para mim, o PSD, assim como qualquer partido democrático, só pode ser um verdadeiro agente de mudança se preservar e valorizar os espíritos livres e independentes. Sou, por isso, visceralmente, contra os partidos tipo PS de Sócrates, em que o líder é o pastor e o partido um rebanho de ovelhas. Ora, é precisamente este modelo de partido que é agora defendido pela actual comissão política concelhia do PSD e que, por ironia do destino, é rejeitado não só por mim como também pelo actual líder do PSD Passos Coelho. Basta até ter em conta que a chamada "lei da rolha", que foi aprovada num congresso do PSD com o voto da actual presidente da comissão política, foi, de imediato, rejeitada por Passos Coelho. Aliás, todo o discurso de Passos Coelho assenta na abertura do partido à sociedade civil com vista precisamente a evitar que o partido fique refém desta cultura de rebanho que tem as suas raízes no antigo regime e nos regimes totalitários.

 

Em segundo lugar, quando aceitei ser candidato, disse expressamente que o meu compromisso era apenas com o projecto da candidatura autárquica à Câmara de Abrantes. E todas as pessoas que eu convidei foi com base no mesmo compromisso. Não só nunca perguntei a ninguém em quem costumava votar ou qual o seu partido do coração como também, àquelas que fizeram questão de mo dizer, lhes disse logo que isso não me interessava. Aliás, para que as pessoas compreendessem a filosofia que estava subjacente à candidatura "Amar Abrantes", repeti até à exaustão o provérbio japonês no qual eu me revejo:  "Quando há duas pessoas que pensam da mesma maneira, uma delas é dispensável". O objectivo era servir o concelho e as populações e não juntar um rebanho de ovelhas, acrítico e de pensamento único, para servir o partido.

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Terça-feira, 31.05.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (1ª parte)

 

O BEIJO DE JUDAS

 

Nova Aliança – O PSD de Abrantes retirou a confiança política aos seus vereadores (Elsa Cardoso e Santana Maia). Já estava à espera desta decisão ?  

 

Santana-Maia -A partir do momento em que o PSD de Abrantes ficou nas mãos daqueles que não só sempre foram contra a minha candidatura à Câmara de Abrantes como tudo têm feito, a partir desse momento e sem olhar a meios, para fragilizar, apoucar, diminuir e denegrir os candidatos e os eleitos da candidatura "Amar Abrantes", a retirada da confiança política acaba por ser o corolário lógico de toda uma filosofia que tem dominado o PSD de Abrantes, durante os últimos vinte anos, e contra a qual a minha candidatura se ergueu.

 

Aliás, na noite do passado dia 1 de Janeiro, às 22H10, ou seja, cerca de quatro meses antes do anúncio da retirada da confiança política, recebi no meu telemóvel uma mensagem anónima que resume o teor do comunicado que agora foi lido pela comissão política, o que significa que a pessoa que me enviou este sms estava bem por dentro da teia que estava a ser urdida no PSD de Abrantes. A mensagem dizia o seguinte: «O psd e principalmente os abrantinos muito agradecem um gesto nobre da sua parte: DEMITA-SE DE VEREADOR. Estamos fartos da sua prepotência, autoritarismo e falta de vergonha. O seu egocentrismo asfixia-o. De uma coisa pode ficar certo só descansarei quando excomungar as laranjas podres da nossa secção. Os energúmenos como vossa excelência têm os dias contados.»

 

Como vê, não só estava à espera como aguardava tranquilamente pelo beijo de Judas, se bem que, neste caso, Judas seja do sexo feminino. 

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Quarta-feira, 18.05.11

SANTANA MAIA NA ANTENA LIVRE

Entrevista do vereador Santana-Maia Leonardo à Antena Livre a propósito da retirada da confiança política pela comissão política do PSD de Abrantes. A entrevista foi para o ar hoje a seguir ao noticiário das 12H.

 

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Domingo, 08.05.11

SANTANA MAIA NA RÁDIO TÁGIDE

Entrevista do vereador Santana-Maia Leonardo à Rádio Tágide a propósito da retirada da confiança política pela comissão política do PSD de Abrantes.

 

A entrevista poderá ser ouvida na Rádio Tágide na 2ª Feira, dia 9 de Maio, às 12H e às 19H, e no sábado, dia 14 de Maio, entre as 13H e as 14H.

 

 

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Domingo, 01.05.11

ENTREVISTA AO MIRANTE

Mirante de 14/4/11

 

Santana-Maia Leonardo, vereador do PSD na Câmara de Abrantes, fala

das polémicas recentes e diz que falta cultura democrática à nossa classe política 

  

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, é uma voz incómoda que não se rege por taticismos e que não se verga ao politicamente correcto. Os princípios e os valores estão primeiro, assegura. E nessa linha de pensamento não tem problemas em afrontar o partido de que é militante, como não tem papas na língua a criticar a maioria socialista que governa a Câmara de Abrantes e a classe política em geral. Nesta entrevista considera que falta cultura democrática à maior parte dos nossos autarcas e diz que chegou o tempo dos municípios gerirem os parcos recursos com critério e sem megalomanias. Explica porque pede uma investigação do Ministério Público ao processo RPP Solar e porque defende que se suspenda e se redimensione o projecto do Museu Ibérico de Arqueologia em Abrantes.

 

MiranteÉ oposição no executivo camarário e também à concelhia do seu partido em Abrantes. É um homem do contra?

 

Santana-Maia - Não. Não sou oposição à concelhia do PSD, sou oposição como vereador dentro do executivo camarário, mas não somos oposição ao próprio executivo. Queremos dar o nosso contributo pela positiva, só que como a maioria tem mais votos e nem sempre estamos em sintonia vai ganhando quase sempre a versão diferente da nossa. Tentamos levar ao executivo propostas e preocupações de todas as pessoas, independentemente de saber se votaram em nós ou não.

 

Mirante - Há muitas propostas vossas que não têm acolhimento.

 

Santana-Maia - Exactamente. No executivo já fizemos 237 intervenções escritas, com declarações, requerimentos, pedidos de esclarecimento e propostas fundamentados. Das 33 propostas que apresentámos penso que só uma ou duas, referentes a sinalização de trânsito, foram acolhidas.

 

Mirante - Que resultados práticos é que têm tido dessa intervenção?

 

Santana-Maia - Penso que há um lado benéfico, porque o executivo camarário tem que fazer um esforço maior. Obriga o executivo a ser mais rigoroso na sua actividade.

 

Mirante - Os esclarecimentos prestados pela maioria têm-no satisfeito?

 

Santana-Maia - Alguns satisfazem-nos. Os que não nos satisfazem geram uma proposta nossa de correcção ou então novo pedido de esclarecimento.

 

Mirante - A transferência da militância do PSD para Lisboa indica um corte de relações com o partido em Abrantes.

 

Santana-Maia - A minha mudança foi para me distanciar da concelhia de Abrantes. Quem está mal muda-se. Se a concelhia de Abrantes segue determinado tipo de regras com as quais não concordo, não posso continuar. Se suceder o mesmo em Lisboa, farei o mesmo. O PSD, se é um partido democrático, tem de se comportar como tal. Deve-se cumprir as regras, dar a conhecer as convocatórias de eleições, permitir as diferentes candidaturas e não andar com cartas na manga e com justificações de meia tigela. As coisas têm de ser transparentes. Foi a primeira vez que os militantes não foram convocados por convocatória enviada por e-mail ou por correio.

 

Mirante - Com estas divisões internas no PSD de Abrantes, o PS vai governando a seu bel prazer.

 

Santana-Maia - Não acho mal que haja conflito interno. O direito à crítica é uma liberdade que a pessoa tem, tal como tem direito a candidatar-se. Não fica mal um partido ter duas ou três correntes de opinião diferentes e as pessoas depois votarem em quem entenderem. Não se pode é pôr em causa os princípios estruturantes da democracia.

 

Mirante - Sentiu que era uma voz incómoda no seio do partido?

 

Santana-Maia - Sou uma voz incómoda quer para o partido quer para os meus amigos quer para o PS. Porque ajo de acordo com a minha consciência e com os meus valores.

 

Mirante - É um franco-atirador?

 

Santana-Maia - Não, mas também não tenho receio de estar sozinho se achar que tenho razão. Não sou “Maria vai com as outras”. Se estou num grupo com linhas de actuação definidas, sou leal.

 

Mirante - Apesar dessa polémica, a presidente da concelhia de Abrantes do PSD diz que os vereadores do partido continuam a merecer a sua confiança política. O inverso também é verdadeiro?

 

Até hoje os vereadores do PSD têm sido completamente leais com as pessoas que nos elegeram e com a concelhia do partido. Estamos a cumprir com aquilo que nos comprometemos. Trabalhamos com qualquer comissão política, mesmo que haja divergência de opiniões.

  

 “Não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes” 

 

Mirante - Já se arrependeu desta aventura política em Abrantes? 

 

Santana-Maia - Acho que houve um equívoco das duas partes, meu e de pessoas ligadas ao PSD/Abrantes. Pensei, quando me foi feito o convite, que sabiam o que eu pensava relativamente a todas estas questões, até porque escrevia regularmente em jornais da cidade. As coisas que exigíamos aos outros tínhamos também de exigir a nós. Dar a ética do exemplo. Era um princípio de que não podíamos abdicar. Só que, penso, algumas pessoas do PSD devem ter julgado que eu, perdendo as eleições, me iria embora para o meu escritório. 

 

Mirante - O que não aconteceu. 

 

Santana-Maia - Houve aí um engano terrível. Porque a partir do momento em que aceitei ser candidato foi para levar isto até às últimas consequências, com o sacrifício da minha vida pessoal e profissional. É uma questão de honra. E eles ficaram surpreendidos porque pensaram que eu me iria embora. Mas se me conhecessem saberiam que não poderia ser de outra forma. Porque eu sou mesmo assim. Pensava que eles me conheciam e eles esperavam que eu fosse uma coisa que não era quando me fizeram o convite. Em todo o caso a política ajuda-nos a conhecer as pessoas. Há algumas de que temos uma ideia conceituada e depois esvai-se tudo e outras a quem não damos valor nenhum e que depois na prática se revelam de uma grande estatura moral. 

 

Mirante - Apanhou algumas desilusões? 

 

Santana-Maia - As grandes desilusões foi das pessoas de quem mais esperava. 

 

Mirante - Como Armando Fernandes ou Pedro Marques? 

 

Santana-Maia - Não. Aquilo que sucedeu estava rigorosamente à espera. Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito. Agora pessoas que eu convidei, que estiveram comigo e de que criei uma ideia que seriam pessoas muito diferentes, essas surpreenderam-me. Tal como relativamente a pessoas que não conhecia de lado nenhum, tenho hoje uma grande amizade por elas, como o dr. Belém Coelho. 

 

Mirante - Equaciona a possibilidade de se candidatar em Abrantes novamente nas autárquicas de 2013? 

 

Santana-Maia - O único compromisso que assumo, porque o mundo dá muitas voltas, é que não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes. Se houver um milagre qualquer, eu não excluo. Agora digo: se o dr. Belém Coelho fosse candidato e me convidasse para integrar a sua lista, eu não teria coragem de lhe dizer que não. 

 

“A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária” 

 

Mirante - Que balanço faz do mandato autárquicos até à data? 

 

Santana-Maia - Sem querer comparar com o anterior, penso que a dra. Maria do Céu tem melhorado alguma coisa em termos de relação democrática e no respeito pelos direitos da oposição. Se bem que ainda não consiga compreender que o facto de haver ideias diferentes para o município não significa que todas elas sejam más. Não é a maioria dos votos que dá razão. O futuro é que diz quem tinha efectivamente razão num determinado momento. A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária, daí que a situação connosco por vezes ferva um bocadinho, porque isso é uma coisa que não consinto. Ela pensa que a unanimidade é que é a razão. Não é! 

 

Mirante - Esperava outra atitude da presidente da câmara? 

 

Santana-Maia - Não, porque já sabia que a dra. Maria do Céu era assim. Os nossos presidentes de câmara e grande parte dos nossos políticos funcionam assim, são capazes de fazer o que for preciso para ganhar eleições. Os fins justificam os meios. E depois, quando se apanham no poder, acham que são o Deus nosso senhor na terra. A razão é deles, o dinheiro da autarquia é deles e eles é que fazem e que mandam. Não tenho essa visão e tenho-a combatido quer na concelhia quer na distrital do PSD. Mas penso que a dra. Maria do Céu tem feito um grande esforço para ouvir as nossas opiniões sem se exaltar tanto. 

 

Mirante - Há ainda alguma falta de cultura democrática por parte dos nossos agentes políticos? 

 

Santana-Maia - No país inteiro. De norte a sul, os presidentes de câmara parece que são todos do mesmo partido. A forma como este país se desenvolveu, as obras que fizeram, a forma como as fizeram, como contrataram os seus para o aparelho autárquico, a forma de distribuição dos subsídios, os concursos fantoche para contratação de pessoal é tudo rigorosamente igual. 

 

“O povo português é irresponsável”  

 

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, nasceu em Lisboa mas reparte a sua vida desde há muito entre Abrantes e Ponte de Sôr, cidades onde tem escritórios de advocacia e onde é ou já foi vereador eleito pelo PSD, embora nunca tenha vivido da política nem pense vir a viver. O advogado diz que falta em cultura democrática à maior parte da nossa classe política o que sobra em irresponsabilidade, defende a verticalidade, o carácter e a “ética do exemplo” como ferramentas essenciais na prática política. “Sou visceralmente democrata”, enfatiza. 

 

O avô salazarista dizia-lhe que um dia havia de reconhecer que Salazar é que tinha razão e que os países do sul da Europa só podiam ser governados com rédea curta. “O povo português é verdeiramente irresponsável e se lhe derem dinheiro para a mão esturra-o todo. Durante 20 anos lutei acreditando que os valores democráticos eram implantados e que nós éramos capazes de, tal como sucede no norte da Europa, cumprir o nosso destino com o respeito pelas regras democráticas. Se o meu avô me estiver a ouvir há-de estar a rir-se, porque nós levámos isto para o mesmo sítio que já a primeira República tinha levado”. 

 

Ministério Público deve investigar processo da RPP Solar 

 

Mirante - Tem levantado muitas dúvidas acerca do projecto da RPP Solar para instalar uma fábrica de painéis solares no concelho, que previa a criação de mais de mil postos de trabalho. Há pouco tempo propôs que a câmara enviasse o processo para o Ministério Público para investigação. 

 

Santana-Maia - As informações que nos chegam acerca desse processo levantam-nos muitas dúvidas. Não só em relação ao próprio investimento mas também do lado da aprovação pela câmara. 

 

Mirante - Porquê? 

 

Santana-Maia - A Câmara de Abrantes já tem uma dimensão e um quadro técnico que tem obrigação de ser extremamente competente. O que significa que um projecto deste tipo e deste tamanho, depois de já ter havido aqui dois ou três processos do mesmo tipo que deram mau resultado, exigia que houvesse um cuidado especial na abordagem. 

 

Mirante - Os direitos da câmara não ficaram devidamente acautelados? 

 

Santana-Maia - Não ficaram e nota-se ali um grande desleixo. Comecemos logo pelo terreno: não foi acautelada a cláusula de reversão. No caso do hotel e de outros processos ficou. 

 

Mirante - A presidente da câmara alega que isso está implícito no protocolo, caso o terreno não seja utilizado para os fins propostos. 

 

Santana-Maia - A partir do momento que passa do real para o obrigacional significa que assim que haja penhoras outros credores ficam à frente da câmara. Se aquilo for tudo ao ar, a câmara fica com direito a reaver o dinheiro do terreno. Mas vai reavê-lo onde? Vai pedi-lo a quem? A câmara tinha era que ficar com a garantia de que se aquilo não fosse feito o terreno ficaria para ela. Isso devia ter ficado salvaguardado. 

 

Mirante - Tem tido informações acerca do andamento do projecto? 

 

Santana-Maia - Compete também a outras entidades fazer essa investigação, porque nós não somos da Polícia Judiciária nem do Ministério Público. Mas há uma série de indicadores que têm de fazer tocar as sinetas. Vende-se um terreno que custa um milhão de euros por 150 mil euros. Aqui há um benefício. Depois há 100 mil euros de venda de eucaliptos que deviam ser recebidos pela câmara e ninguém se preocupa com isso. Depois vêm as declarações do ex-presidente da câmara Nelson Carvalho, que fez a apresentação do projecto na assembleia municipal e que disse que esta era a melhor coisa do mundo, dizendo que afinal vai para director da empresa e depois acaba por não tomar posse. 

 

Mirante- Isso não quer dizer que o projecto esteja em risco. 

 

Santana-Maia - Quando ele diz que já não vai para director então as sinetas ainda têm de tocar mais. Temos de ler para além das palavras dele. Sai da câmara para ir para lá, contra tudo e contra todos, arrisca a sua própria reputação, e depois diz que já não vai. Depois sabemos que há uma penhora de 4 milhões de euros sobre o terreno. Fez-se alguma coisa? Tudo na mesma! Agora vem a resposta da câmara a dizer que não recebeu o dinheiro dos eucaliptos nem recebeu coisa nenhuma. A situação é muito grave. E das duas uma: ou há aqui incompetência ou uma grande negligência. Mas não vejo processos disciplinares levantados, tudo segue naturalmente. Quando começamos a ver estes factos, é tudo muito suspeito. E por isso tem de passar para outro nível, porque estamos a falar de dinheiros públicos. 

 

Mirante - É por isso que propõe a investigação do Ministério Público? 

 

Santana-Maia - Acho que nestes casos deve-se fazer a investigação e fazer o levantamento. Devemos estar de porta aberta para todas as situações. Pode ter sido negligência, pode ter sido incompetência, pode ter havido mais qualquer coisa. Agora uma coisa é certa: isto que aqui está não bate certo.

 

Mirante - Parte do pressuposto que existem irregularidades. 

 

Santana-Maia - O que eu digo é que o que se passa neste processo, a soma dos factos, não indicia nada de bom. Mas isso é o que vemos de fora, com os indícios que temos. Agora também sabemos que pode haver uma explicação para aquilo tudo. E isso deve ser investigado por uma entidade externa e não por uma entidade interna, porque aí toda a gente arranja as desculpas e justificações que quer. Quando se está perante a suspeita de ilícito, já não é ao campo político que cabe a investigação mas a uma entidade externa que tem essa competência. 

“Temos de fazer um museu à nossa dimensão” 

 

Mirante - Já quanto ao Museu Ibérico de Arqueologia é mais uma questão política do que técnica. 

 

Santana-Maia - Exactamente. 

 

Mirante - Os vereadores do PSD pediram que fosse suspenso o projecto dada a actual conjuntura. 

 

Santana-Maia - Desde o início, mas agora penso que é claro como a água. Há pessoas em Abrantes que são contra o projecto do museu, outras são a favor. A nossa posição é prévia a essa situação. Antes de discutir se deve ser ali ou noutro lado, se deve ser ou não daquele tamanho, temos dois pontos. Primeiro: se é para uma colecção, temos de aferir se aquela colecção justifica ou não o investimento. O que foi decidido continuar agora a fazer. E depois há a sustentabilidade do museu. Podemos ter uma extraordinária colecção de seis mil peças mas o município não ter capacidade financeira e económica para sustentar um museu dessa grandeza. Não podemos querer fazer aqui o museu de Londres ou o museu do Prado. 

 

Mirante - Qual a solução que advoga? 

 

Santana-Maia - Temos de fazer um museu à nossa dimensão e dos nossos parcos recursos e não avançar para um projecto deste tipo, que custará cerca de 20 milhões de euros. Depois é o equipamento do próprio museu e os encargos de manutenção de uma obra daquelas. 

 

Mirante - E quanto à questão estética? 

 

Santana-Maia - Isso é à posteriori. Depois de vermos qual é o museu e a sua dimensão temos também de colocar a questão estética. Defendo um museu de menor dimensão e tentando poupar o máximo. 

 

Mirante - Isso implicaria deitar por água abaixo o que já foi investido no projecto. 

 

Santana-Maia - Exactamente. Na campanha eleitoral eu disse claramente que havia quatro obras do regime que não iam ser feitas, independentemente de eu estar de acordo ou em desacordo com elas, porque não ia haver financiamento. 

 

Mirante - Estamos a falar de que obras? 

 

Santana-Maia - Estamos a falar da travessia para o Tramagal, do Museu Ibérico, da nova câmara e do projecto para o edifício do mercado diário. A questão agora não é querer ou não querer. Não há dinheiro. Os bancos não têm dinheiro para emprestar e o Estado está falido. 

 

Mirante - A solução é o executivo adaptar-se a esse cenário? 

 

Santana-Maia - Pois. Andamos há dois ou três anos a gastar dinheiro numa coisa que não vai ser feita. E as pessoas deviam perceber que não vai ser feita. 

 

Mirante - Chamam-lhe profeta da desgraça quando fala assim? 

 

Santana-Maia - Não é ser profeta da desgraça. É uma coisa evidente. 

 

Mirante - Esta seria uma boa altura para os políticos mudarem de discurso e dizerem claramente aos cidadãos que já não há dinheiro para a festa? 

 

Santana-Maia - Neste momento acho que já não vale a pena. Neste momento acabou. E por isso é que as próximas eleições são as mais estúpidas, porque independentemente de quem ganhe todos eles vão cumprir o mesmo. O que qualquer Governo vai fazer é o que os credores decidirem. Vamos escolher apenas o carrasco que vai aplicar a decisão. As pessoas ainda não têm ideia do sofrimento que vão viver. 

 

Mirante - As câmaras também vão ter de se adaptar e apertar o cinto. 

 

Santana-Maia - Sim. Alguém se preocupou quanto é que custou o estádio de Abrantes? Não. Alguém se preocupou quanto custou o Aquapolis? Não. 

 

Mirante - O senhor não fazia essas obras? 

 

Santana-Maia - Temos de olhar para essas coisas como olhamos para a nossa vida. O autarca deve avaliar se a obra é importante ou não e se está adequada à dimensão. Porque se só precisamos de um estádio para mil pessoas não vamos fazer o estádio da Luz. Veja-se o que aconteceu com os estádios de Leiria e de Aveiro. Esta é a minha posição.

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Sábado, 30.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (6ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

“Temos de fazer um museu à nossa dimensão”

 

Mirante - Já quanto ao Museu Ibérico de Arqueologia é mais uma questão política do que técnica.

 

Santana-Maia - Exactamente.

 

Mirante - Os vereadores do PSD pediram que fosse suspenso o projecto dada a actual conjuntura.

 

Santana-Maia - Desde o início, mas agora penso que é claro como a água. Há pessoas em Abrantes que são contra o projecto do museu, outras são a favor. A nossa posição é prévia a essa situação. Antes de discutir se deve ser ali ou noutro lado, se deve ser ou não daquele tamanho, temos dois pontos. Primeiro: se é para uma colecção, temos de aferir se aquela colecção justifica ou não o investimento. O que foi decidido continuar agora a fazer. E depois há a sustentabilidade do museu. Podemos ter uma extraordinária colecção de seis mil peças mas o município não ter capacidade financeira e económica para sustentar um museu dessa grandeza. Não podemos querer fazer aqui o museu de Londres ou o museu do Prado.

 

Mirante - Qual a solução que advoga?

 

Santana-Maia - Temos de fazer um museu à nossa dimensão e dos nossos parcos recursos e não avançar para um projecto deste tipo, que custará cerca de 20 milhões de euros. Depois é o equipamento do próprio museu e os encargos de manutenção de uma obra daquelas.

 

Mirante - E quanto à questão estética?

 

Santana-Maia - Isso é à posteriori. Depois de vermos qual é o museu e a sua dimensão temos também de colocar a questão estética. Defendo um museu de menor dimensão e tentando poupar o máximo.

 

Mirante - Isso implicaria deitar por água abaixo o que já foi investido no projecto.

 

Santana-Maia - Exactamente. Na campanha eleitoral eu disse claramente que havia quatro obras do regime que não iam ser feitas, independentemente de eu estar de acordo ou em desacordo com elas, porque não ia haver financiamento.

 

Mirante - Estamos a falar de que obras?

 

Santana-Maia - Estamos a falar da travessia para o Tramagal, do Museu Ibérico, da nova câmara e do projecto para o edifício do mercado diário. A questão agora não é querer ou não querer. Não há dinheiro. Os bancos não têm dinheiro para emprestar e o Estado está falido.

 

Mirante - A solução é o executivo adaptar-se a esse cenário?

 

Santana-Maia - Pois. Andamos há dois ou três anos a gastar dinheiro numa coisa que não vai ser feita. E as pessoas deviam perceber que não vai ser feita.

 

Mirante - Chamam-lhe profeta da desgraça quando fala assim?

 

Santana-Maia - Não é ser profeta da desgraça. É uma coisa evidente.

 

Mirante - Esta seria uma boa altura para os políticos mudarem de discurso e dizerem claramente aos cidadãos que já não há dinheiro para a festa?

 

Santana-Maia - Neste momento acho que já não vale a pena. Neste momento acabou. E por isso é que as próximas eleições são as mais estúpidas, porque independentemente de quem ganhe todos eles vão cumprir o mesmo. O que qualquer Governo vai fazer é o que os credores decidirem. Vamos escolher apenas o carrasco que vai aplicar a decisão. As pessoas ainda não têm ideia do sofrimento que vão viver.

 

Mirante - As câmaras também vão ter de se adaptar e apertar o cinto.

 

Santana-Maia - Sim. Alguém se preocupou quanto é que custou o estádio de Abrantes? Não. Alguém se preocupou quanto custou o Aquapolis? Não.

 

Mirante - O senhor não fazia essas obras?

 

Santana-Maia - Temos de olhar para essas coisas como olhamos para a nossa vida. O autarca deve avaliar se a obra é importante ou não e se está adequada à dimensão. Porque se só precisamos de um estádio para mil pessoas não vamos fazer o estádio da Luz. Veja-se o que aconteceu com os estádios de Leiria e de Aveiro. Esta é a minha posição.

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Sexta-feira, 29.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (5ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

Ministério Público deve investigar processo da RPP Solar

 

Mirante - Tem levantado muitas dúvidas acerca do projecto da RPP Solar para instalar uma fábrica de painéis solares no concelho, que previa a criação de mais de mil postos de trabalho. Há pouco tempo propôs que a câmara enviasse o processo para o Ministério Público para investigação.

 

Santana-Maia - As informações que nos chegam acerca desse processo levantam-nos muitas dúvidas. Não só em relação ao próprio investimento mas também do lado da aprovação pela câmara.

 

Mirante - Porquê?

 

Santana-Maia - A Câmara de Abrantes já tem uma dimensão e um quadro técnico que tem obrigação de ser extremamente competente. O que significa que um projecto deste tipo e deste tamanho, depois de já ter havido aqui dois ou três processos do mesmo tipo que deram mau resultado, exigia que houvesse um cuidado especial na abordagem.

 

Mirante - Os direitos da câmara não ficaram devidamente acautelados?

 

Santana-Maia - Não ficaram e nota-se ali um grande desleixo. Comecemos logo pelo terreno: não foi acautelada a cláusula de reversão. No caso do hotel e de outros processos ficou.

 

Mirante - A presidente da câmara alega que isso está implícito no protocolo, caso o terreno não seja utilizado para os fins propostos.

 

Santana-Maia - A partir do momento que passa do real para o obrigacional significa que assim que haja penhoras outros credores ficam à frente da câmara. Se aquilo for tudo ao ar, a câmara fica com direito a reaver o dinheiro do terreno. Mas vai reavê-lo onde? Vai pedi-lo a quem? A câmara tinha era que ficar com a garantia de que se aquilo não fosse feito o terreno ficaria para ela. Isso devia ter ficado salvaguardado.

 

Mirante - Tem tido informações acerca do andamento do projecto?

 

Santana-Maia - Compete também a outras entidades fazer essa investigação, porque nós não somos da Polícia Judiciária nem do Ministério Público. Mas há uma série de indicadores que têm de fazer tocar as sinetas. Vende-se um terreno que custa um milhão de euros por 150 mil euros. Aqui há um benefício. Depois há 100 mil euros de venda de eucaliptos que deviam ser recebidos pela câmara e ninguém se preocupa com isso. Depois vêm as declarações do ex-presidente da câmara Nelson Carvalho, que fez a apresentação do projecto na assembleia municipal e que disse que esta era a melhor coisa do mundo, dizendo que afinal vai para director da empresa e depois acaba por não tomar posse.

 

Mirante - Isso não quer dizer que o projecto esteja em risco.

 

Santana-Maia - Quando ele diz que já não vai para director então as sinetas ainda têm de tocar mais. Temos de ler para além das palavras dele. Sai da câmara para ir para lá, contra tudo e contra todos, arrisca a sua própria reputação, e depois diz que já não vai. Depois sabemos que há uma penhora de 4 milhões de euros sobre o terreno. Fez-se alguma coisa? Tudo na mesma! Agora vem a resposta da câmara a dizer que não recebeu o dinheiro dos eucaliptos nem recebeu coisa nenhuma. A situação é muito grave. E das duas uma: ou há aqui incompetência ou uma grande negligência. Mas não vejo processos disciplinares levantados, tudo segue naturalmente. Quando começamos a ver estes factos, é tudo muito suspeito. E por isso tem de passar para outro nível, porque estamos a falar de dinheiros públicos.

 

Mirante - É por isso que propõe a investigação do Ministério Público?

 

Santana-Maia - Acho que nestes casos deve-se fazer a investigação e fazer o levantamento. Devemos estar de porta aberta para todas as situações. Pode ter sido negligência, pode ter sido incompetência, pode ter havido mais qualquer coisa. Agora uma coisa é certa: isto que aqui está não bate certo.

 

Mirante - Parte do pressuposto que existem irregularidades.

 

Santana-Maia - O que eu digo é que o que se passa neste processo, a soma dos factos, não indicia nada de bom. Mas isso é o que vemos de fora, com os indícios que temos. Agora também sabemos que pode haver uma explicação para aquilo tudo. E isso deve ser investigado por uma entidade externa e não por uma entidade interna, porque aí toda a gente arranja as desculpas e justificações que quer. Quando se está perante a suspeita de ilícito, já não é ao campo político que cabe a investigação mas a uma entidade externa que tem essa competência.

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Sexta-feira, 29.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (4ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

“O povo português é irresponsável”

 

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, nasceu em Lisboa mas reparte a sua vida desde há muito entre Abrantes e Ponte de Sôr, cidades onde tem escritórios de advocacia e onde é ou já foi vereador eleito pelo PSD, embora nunca tenha vivido da política nem pense vir a viver. O advogado diz que falta em cultura democrática à maior parte da nossa classe política o que sobra em irresponsabilidade, defende a verticalidade, o carácter e a “ética do exemplo” como ferramentas essenciais na prática política. “Sou visceralmente democrata”, enfatiza.

 

O avô salazarista dizia-lhe que um dia havia de reconhecer que Salazar é que tinha razão e que os países do sul da Europa só podiam ser governados com rédea curta. “O povo português é verdeiramente irresponsável e se lhe derem dinheiro para a mão esturra-o todo. Durante 20 anos lutei acreditando que os valores democráticos eram implantados e que nós éramos capazes de, tal como sucede no norte da Europa, cumprir o nosso destino com o respeito pelas regras democráticas. Se o meu avô me estiver a ouvir há-de estar a rir-se, porque nós levámos isto para o mesmo sítio que já a primeira República tinha levado”.

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Sexta-feira, 29.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (3ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

“A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária”

 

Mirante - Que balanço faz do mandato autárquicos até à data?

 

Santana-Maia - Sem querer comparar com o anterior, penso que a dra. Maria do Céu tem melhorado alguma coisa em termos de relação democrática e no respeito pelos direitos da oposição. Se bem que ainda não consiga compreender que o facto de haver ideias diferentes para o município não significa que todas elas sejam más. Não é a maioria dos votos que dá razão. O futuro é que diz quem tinha efectivamente razão num determinado momento. A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária, daí que a situação connosco por vezes ferva um bocadinho, porque isso é uma coisa que não consinto. Ela pensa que a unanimidade é que é a razão. Não é!

 

Mirante - Esperava outra atitude da presidente da câmara?

 

Santana-Maia - Não, porque já sabia que a dra. Maria do Céu era assim. Os nossos presidentes de câmara e grande parte dos nossos políticos funcionam assim, são capazes de fazer o que for preciso para ganhar eleições. Os fins justificam os meios. E depois, quando se apanham no poder, acham que são o Deus nosso senhor na terra. A razão é deles, o dinheiro da autarquia é deles e eles é que fazem e que mandam. Não tenho essa visão e tenho-a combatido quer na concelhia quer na distrital do PSD. Mas penso que a dra. Maria do Céu tem feito um grande esforço para ouvir as nossas opiniões sem se exaltar tanto.

 

Mirante - Há ainda alguma falta de cultura democrática por parte dos nossos agentes políticos?

 

Santana-Maia - No país inteiro. De norte a sul, os presidentes de câmara parece que são todos do mesmo partido. A forma como este país se desenvolveu, as obras que fizeram, a forma como as fizeram, como contrataram os seus para o aparelho autárquico, a forma de distribuição dos subsídios, os concursos fantoche para contratação de pessoal é tudo rigorosamente igual.

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Quinta-feira, 28.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (2ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

 “Não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes”

 

Mirante - Já se arrependeu desta aventura política em Abrantes?

 

Santana-Maia - Acho que houve um equívoco das duas partes, meu e de pessoas ligadas ao PSD/Abrantes. Pensei, quando me foi feito o convite, que sabiam o que eu pensava relativamente a todas estas questões, até porque escrevia regularmente em jornais da cidade. As coisas que exigíamos aos outros tínhamos também de exigir a nós. Dar a ética do exemplo. Era um princípio de que não podíamos abdicar. Só que, penso, algumas pessoas do PSD devem ter julgado que eu, perdendo as eleições, me iria embora para o meu escritório.

 

Mirante - O que não aconteceu.

 

Santana-Maia - Houve aí um engano terrível. Porque a partir do momento em que aceitei ser candidato foi para levar isto até às últimas consequências, com o sacrifício da minha vida pessoal e profissional. É uma questão de honra. E eles ficaram surpreendidos porque pensaram que eu me iria embora. Mas se me conhecessem saberiam que não poderia ser de outra forma. Porque eu sou mesmo assim. Pensava que eles me conheciam e eles esperavam que eu fosse uma coisa que não era quando me fizeram o convite. Em todo o caso a política ajuda-nos a conhecer as pessoas. Há algumas de que temos uma ideia conceituada e depois esvai-se tudo e outras a quem não damos valor nenhum e que depois na prática se revelam de uma grande estatura moral.

 

Mirante - Apanhou algumas desilusões?

 

Santana-Maia - As grandes desilusões foi das pessoas de quem mais esperava.

 

Mirante - Como Armando Fernandes ou Pedro Marques?

 

Santana-Maia - Não. Aquilo que sucedeu estava rigorosamente à espera. Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito. Agora pessoas que eu convidei, que estiveram comigo e de que criei uma ideia que seriam pessoas muito diferentes, essas surpreenderam-me. Tal como relativamente a pessoas que não conhecia de lado nenhum, tenho hoje uma grande amizade por elas, como o dr. Belém Coelho.

 

Mirante - Equaciona a possibilidade de se candidatar em Abrantes novamente nas autárquicas de 2013?

 

Santana-Maia - O único compromisso que assumo, porque o mundo dá muitas voltas, é que não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes. Se houver um milagre qualquer, eu não excluo. Agora digo: se o dr. Belém Coelho fosse candidato e me convidasse para integrar a sua lista, eu não teria coragem de lhe dizer que não.

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Quinta-feira, 28.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (1ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

Santana-Maia Leonardo, vereador do PSD na Câmara de Abrantes, fala

das polémicas recentes e diz que falta cultura democrática à nossa classe política 

  

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, é uma voz incómoda que não se rege por taticismos e que não se verga ao politicamente correcto. Os princípios e os valores estão primeiro, assegura. E nessa linha de pensamento não tem problemas em afrontar o partido de que é militante, como não tem papas na língua a criticar a maioria socialista que governa a Câmara de Abrantes e a classe política em geral. Nesta entrevista considera que falta cultura democrática à maior parte dos nossos autarcas e diz que chegou o tempo dos municípios gerirem os parcos recursos com critério e sem megalomanias. Explica porque pede uma investigação do Ministério Público ao processo RPP Solar e porque defende que se suspenda e se redimensione o projecto do Museu Ibérico de Arqueologia em Abrantes.

 

MiranteÉ oposição no executivo camarário e também à concelhia do seu partido em Abrantes. É um homem do contra?

 

Santana-Maia - Não. Não sou oposição à concelhia do PSD, sou oposição como vereador dentro do executivo camarário, mas não somos oposição ao próprio executivo. Queremos dar o nosso contributo pela positiva, só que como a maioria tem mais votos e nem sempre estamos em sintonia vai ganhando quase sempre a versão diferente da nossa. Tentamos levar ao executivo propostas e preocupações de todas as pessoas, independentemente de saber se votaram em nós ou não.

 

Mirante - Há muitas propostas vossas que não têm acolhimento.

 

Santana-Maia - Exactamente. No executivo já fizemos 237 intervenções escritas, com declarações, requerimentos, pedidos de esclarecimento e propostas fundamentados. Das 33 propostas que apresentámos penso que só uma ou duas, referentes a sinalização de trânsito, foram acolhidas.

 

Mirante - Que resultados práticos é que têm tido dessa intervenção?

 

Santana-Maia - Penso que há um lado benéfico, porque o executivo camarário tem que fazer um esforço maior. Obriga o executivo a ser mais rigoroso na sua actividade.

 

Mirante - Os esclarecimentos prestados pela maioria têm-no satisfeito?

 

Santana-Maia - Alguns satisfazem-nos. Os que não nos satisfazem geram uma proposta nossa de correcção ou então novo pedido de esclarecimento.

 

Mirante - A transferência da militância do PSD para Lisboa indica um corte de relações com o partido em Abrantes.

 

Santana-Maia - A minha mudança foi para me distanciar da concelhia de Abrantes. Quem está mal muda-se. Se a concelhia de Abrantes segue determinado tipo de regras com as quais não concordo, não posso continuar. Se suceder o mesmo em Lisboa, farei o mesmo. O PSD, se é um partido democrático, tem de se comportar como tal. Deve-se cumprir as regras, dar a conhecer as convocatórias de eleições, permitir as diferentes candidaturas e não andar com cartas na manga e com justificações de meia tigela. As coisas têm de ser transparentes. Foi a primeira vez que os militantes não foram convocados por convocatória enviada por e-mail ou por correio.

 

Mirante - Com estas divisões internas no PSD de Abrantes, o PS vai governando a seu bel prazer.

 

Santana-Maia - Não acho mal que haja conflito interno. O direito à crítica é uma liberdade que a pessoa tem, tal como tem direito a candidatar-se. Não fica mal um partido ter duas ou três correntes de opinião diferentes e as pessoas depois votarem em quem entenderem. Não se pode é pôr em causa os princípios estruturantes da democracia.

 

Mirante - Sentiu que era uma voz incómoda no seio do partido?

 

Santana-Maia - Sou uma voz incómoda quer para o partido quer para os meus amigos quer para o PS. Porque ajo de acordo com a minha consciência e com os meus valores.

 

Mirante - É um franco-atirador?

 

Santana-Maia - Não, mas também não tenho receio de estar sozinho se achar que tenho razão. Não sou “Maria vai com as outras”. Se estou num grupo com linhas de actuação definidas, sou leal.

 

Mirante - Apesar dessa polémica, a presidente da concelhia de Abrantes do PSD diz que os vereadores do partido continuam a merecer a sua confiança política. O inverso também é verdadeiro?

 

Até hoje os vereadores do PSD têm sido completamente leais com as pessoas que nos elegeram e com a concelhia do partido. Estamos a cumprir com aquilo que nos comprometemos. Trabalhamos com qualquer comissão política, mesmo que haja divergência de opiniões.

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