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COLUNA VERTICAL


Sexta-feira, 30.01.09

Nova carta ao presidente da câmara

Eurico Heitor Consciência

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Caro Presidente,

Cá me tem outra vez. Disse-lhe na carta anterior que os seus serviços de propaganda deverão ser exterminados. Vou dizer porquê: são caros, caríssimos e ineficazes ou contraproducentes e de todo dispensáveis, porque, com proveito para todos, podem ser substituídos por meios que não custarão um tostão à Câmara, que o mesmo é dizer que me não custarão nada a mim nem aos outros contribuintes.

Actualmente, os contribuintes estarão a pagar mais de 125.000,00 € (mais de 25 mil contos) por ano para os seus serviços de propaganda. Fundo-me nas informações oficiais que me transmitiu, a requerimento meu, em Agosto de 2005. Vinte mil contos já não chegarão hoje para os ordenados dos funcionários do serviço de propaganda – devendo somar-se-lhe os gastos materiais, que não serão de pequena monta (instalações, móveis, instrumentos, suportes, luz, aquecimento e “arrefecimento” e outros consumos, deslocações, comunicações, etc.). Não indico o total desses gastos/ano porque Você, caro Presidente, como recordará, não mos forneceu, porque, disse, não seria possível determinar o seu valor, dado que o SDI prestava serviço às diversas Divisões da Câmara, do que resulta que os custos materiais do SDI “se diluem no orçamento por cada Divisão”.

Antes de prosseguimos, convirá esclarecer os leitores de que a Câmara de Abrantes tem uma organização vasta e complexa. Aposto que das maiores do mundo, em termos relativos, considerando que os residentes no município já serão menos  de  40.000: 2  Gabinetes de  apoio, Serviço de Polícia e Fiscalização e Serviço de Protecção Civil e 4  grandes Departamentos, repartidos por 14 Divisões, que, no total, integram mais de meia centena de Serviços! Caramba! Que grande câmara!

Com tantos Gabinetes, Departamentos, Divisões, e Serviços não pode estranhar-se que Você, caro Presidente, ignore tantas vezes onde terão ido parar (parar mesmo) os requerimentos, as reclamações, as exposições, os protestos e os pedidos dos seus contribuintes. Nem deveremos des/esperar por termos que esperar semanas, meses ou anos por uma decisão da Câmara – como comigo já sucedeu : foram anos. Mesmo que os Chefes de Serviços se apressem, não demorando mais de dois ou três meses a darem o seu parecer, basta que um requerimento tenha que percorrer 10% dos serviços camarários para que o contribuinte tenha que aguardar longos meses, por vezes anos, pela resposta da Câmara. Depois, todos culpam o Presidente da Câmara. Sem razão, como se vê.

(Caro Presidente, nada tem que agradecer: a verdade acima de tudo, doa a quem doer. Para mim, a verdade tem que sobrepor-se a tudo. Até aos partidos, veja lá…).

Vamos então ver por que é que, no meu modesto mas interessado entender, deverão extinguir-se os seus serviços de propaganda ou Informação e Comunicação - SIC. Acrescento que poderá conceder-se que não se lhes ponha termo, desde que sejam reduzidas as suas funções (com radical redução dos seus custos). Os serviços de propaganda foram designados até 2008 por SDI – Serviço de Divulgação e Informação, mas em Janeiro de 2008 mudaram de nome: passaram a chamar-se  Serviço  de Informação e Comunicação  (integrado na Divisão de Comunicação do Departamento de Planeamento, Desenvolvimento e Comunicação, que se reparte por 3 Divisões, que aglutinam 13 Serviços).

Vou passar a designar os serviços de propaganda pela sigla SIC – Serviço de Informação e Comunicação. Por razões de brevidade, certo de que nem o Dr. Balsemão nem o Chefe do Serviço de Inovação e Competitividade da Divisão de Desenvolvimento Económico do Departamento de Planeamento, Desenvolvimento e Comunicação da Câmara Municipal de Abrantes me processarão por usar a sigla SIC sem autorização deles.

Vamos lá então esfolar… Só que não poderá ser agora. A reza acompridou-se, como diria o Couto que Mia, pelo que só p’rá semana poderei dispor de tempo e de espaço p’ró SIC. Terá que aguardar mais uma semana ou duas, caro Presidente. Mas vai ver que vale a pena . Não perderá pela demora. Até lá, pense nisto: quando vi o novo organigrama da sua Câmara, com dezenas sobre dezenas de pomposos serviços, ocorreu-me que a nossa democracia está cada vez mais parecida com uma vaca com inúmeras tetas, rodeada de mamões que não se cansam de mamar. Assim, não há vaca que resista. As tetas acabam por mirrar e a vaca morre. Pense nisso….

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Domingo, 25.01.09

Outra carta ao presidente da câmara

Eurico Heitor Consciência

Eurico-Consciencia 1.jpg

Meu caro Presidente,

Prometi por duas ou três vezes falar dos seus serviços de propaganda mas ainda não cumpri. Estou como os políticos: generosos e prontos nas promessas, mas lentos e avaros ou esquecidos no cumprimento das mesmas. Mas tarde é o que nunca chega e hoje vou finalmente falar dos seus serviços de propaganda. Mas, antes de apontar ao âmago da questão, há que fazer duas ou três advertências, e apresso-me a fazê-las, porque sei que alguns leitores são desconfiados e estão sempre a tresler-me e a rosnar em surdina: Vês “agreiros” nos olhos dos outros mas não reparas nas traves dos teus.

Quando refiro os seus serviços de propaganda não quero dizer que Você (começa a agradar-me o Você), que Você montou serviços de propaganda pessoal com os dinheiros dos seus contribuintes. Não. Os serviços de propaganda foram certamente criados para propaganda de Abrantes (e alguma terão feito) mas sobretudo para propaganda das actividades da sua Câmara Municipal. Sua, de Abrantes, entenda-se. Mas, como não sou de arcas encouradas, declaro já que penso que da Câmara Municipal de Abrantes se poderá também dizer que é sua, caro Presidente, no sentido de que a Câmara se confunde consigo, expressando unicamente o seu pensamento e a sua filosofia de vida. Porque Você  (o  raio do  Você  começa  a  sair-me  naturalmente. E  sempre  embirrei  com o Você. Você  é de estrebaria. De quem come sete molhos de palha por dia – dizia-se na minha meninice aos que tratavam por Você quem, por sua idade ou prestígio social, deveria ser tratado por Senhor ou Vossa Senhoria, quando não Vossa Excelência, de mais raro uso, praticamente reservado aos Magistrados, aos generais e aos Ministros).

Porque Você, começara a dizer, foi sempre o clou, o sol, o pivot, o princípio e o fim (passando pelo meio) de todas as decisões camarárias com algum relevo - com ressalva das do tempo em que o Engº Couceiro da Costa foi vice-presidente da Câmara, porque, ao que parece, nesse tempo, o verdadeiro pivot era ele. Mas não gostava de sobressair, de dar nas vistas. Não gostava de propagandas. E ficava na sua sombra.

E as coisas também terão sido diferentes no breve tempo em que o Arquitecto Albano Santos foi vice-presidente da Câmara. Ao que consta, tinha uma personalidade vincada e até pensava. Terá sido por isso que Você e ele se esmurraram (em sentido figurado – entenda-se. Naturalmente).

A outra advertência refere-se ao pessoal dos seus serviços de propaganda. Dos que conheço ou de que tenho referências deverá dizer-se que são pessoas capazes – que poderiam servir a comunidade em tarefas úteis, necessárias e interessantes de forma competente. Com o que quero dizer que não me passa nem nunca me passou pela cabeça pôr em questão o trabalho competente das pessoas que foram postas no seu serviço de propaganda. Por isso, consequentemente, não poderia ter-me ocorrido nunca o seu despedimento (que nem seria possível legalmente – ao que suponho). O que vou propor, caro Presidente, o que vou propor, como  contribuinte  que  sustenta os seus serviços  de propaganda, o que  proponho é que os funcionários dos seus serviços de propaganda sejam transferidos para outros serviços, com funções úteis, porque os serviços de propaganda devem ser abolidos, apagados, desfeitos, arrasados, destruídos , definitivamente banidos da Câmara.

Concluídas que foram as advertências, vamos ao âmago, ao cerne, ao centro, ao fundo da questão. Vamos, vamos, mas noutro dia, porque hoje já gastei o tempo e o espaço de que dispunha. Veremos o dito cerne na próxima semana.

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Quinta-feira, 15.01.09

Carta ao senhor presidente da câmara

Eurico Heitor Consciência

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Acredite ou não, vou parar de fazer crónicas de maldizer. Aproxima-se o tempo de mostrar o cadastro ao S. Pedro e convirá começar a enganá-lo, apagando os meus defeitos e exaltando alguma virtude que não garanto que tenha ou tenha tido mas tentarei descobrir.

Por isso, recomendo-lhe prudência no julgamento que faça do facto de estar a tratá-lo por caro, sabendo-se que caro nasceu do latim carus, querendo dizer estimado ou querido, mas que, com o decorrer dos anos, ganhou o significado de coisa de preço elevado, de coisa que exige grande despesa.

Há-de Você (permita-me a informalidade do Você democrático, tão democrático!), há-de Você, caro Presidente, ponderar se, quando o trato por caro, estou a lembrar-me de que um Presidente da Câmara é coisa realmente cara, “coisa que exige grande despesa” ou se estou a tratá-lo amistosamente. Pondere pois.

A função desta carta já se vai ver que é a de lhe meter a modos que uma cunha, que é coisa de que Você deve ter um treino enorme. Mas como sou contra as cunhas (veja lá Você, sou um dos últimos cidadãos que entendem que os lugares devem ser dos mais competentes e não dos por serem do Partido ou dos que têm melhores cunhas), como sou contra as cunhas, faço questão de tornar públicas as razões que me levaram a quebrar tão severos quão desusados princípios – para, finalmente, lhe meter também uma cunha.

O objectivo já Você (não se zangue com a insistência, mas estou a treinar-me para adoptar as principais regras dos Socialistas: acabe-se com Vossas Excelências, omitam-se Vossas Senhorias, ponham-se de lado os Senhores (e não se desenterre o Vossa Mercê, que, de resto, deu o democrático Você: Vossa Mercê > Vocemecê > Você), bana-se de vez quanto esteve antes do Você e sejamos todos Vocês antes de sermos todos tus); como estava dizendo, o objectivo da minha cunha já Você sabe que só pode ser sobre os buracos das ruas por onde transito.

E faço um parêntese para dizer que Você, caro Presidente, tem tapado muitos buracos e tem pavimentado e repavimentado muitas ruas. Sobretudo nos anos das eleições. Recentemente, quando o Correio da Manhã descreveu a sua casa como se fosse uma daquelas mansões em que vivem estrelas de Hollywood ou grandes gangsters, fui espreitar a sua casa (que, por fora, diga-se, é francamente bonita) e reparei que na sua rua não há buracos.

E não pude deixar de recordar a surpreendente pavimentação daquela rua do Fojo onde mora o que foi seu braço direito nas obras durante longos anos: o simpático Engº Júlio Bento, que, sempre a sorrir, construiu uma reputação, sendo hoje Director d’uma empresa integrada num dos maiores grupos económicos deste País. E digo “ surpreendente pavimentação” não porque a rua do Vereador das Obras não precisasse de ser arranjada mas porque foi a única que nesse tempo se pavimentou – coisa que, obviamente, gerou as críticas do costume: são todos iguais, mudam-se as moscas, mas a merda é a mesma, cada um puxa a brasa à sua sardinha, quem está à roda do lume é que se aquece, etc., etc., etc.

Foi preciso coragem. Parabéns aos dois: ao Júlio e a si. Pois, conhecendo as ruas desta cidade, digo-lhe que as piores de todas, as que não são arranjadas há muitos anos, são as ruas por onde tenho que passar todos os dias: a Avenida António A. da Silva Martins, no Rossio, e a Rua do mesmo nome na Arrifana – que são, por sinal, a única entrada de Abrantes do lado Sul, sendo atravessadas por milhares de automóveis por dia. São buracos, tampas de esgoto desalinhadas e desniveladas, covas, lombas, remendos, etc., etc., etc. E dão cabo dos carros que lá passam.

Você, caro Presidente, navegando há tantos anos em carros da Câmara, pagos pelos seus contribuintes, já se esqueceu de quanto custa pagar um carrinho à maior parte das pessoas. E há muitos, muitos anos, que não paga a manutenção dos BMW da Câmara com que se compraz. Digo-lhe eu que dói: os carros são caros e os juros usurários, os pneus são caros e as suspensões também. Tudo caro, muito caro, caro Presidente.

Começo a ficar desesperado. Tão desesperado que, só para se repavimentarem os caminhos por onde tenho que passar, estou disposto a sacrificar-me, a imolar-me até: disponibilizo-me para ser seu Vereador das Obras, prontificando-me a livrar o VPC desses trabalhos, com uma benesse evidente para todos os abrantinos: ficamos livres desse inenarrável VPC. A comunidade, caro Presidente, ficará agradecida e há-de louvá-lo pela sua “abertura ao exterior do PS”. E eu ganharei ruas decentes. Você vai ver, caro Presidente.

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