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COLUNA VERTICAL


Sábado, 30.04.11

HÁ 200 ANOS A FABRICAR MAIS DO MESMO

 

Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o estadista. É  assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, politica de  expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades  e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e  influência de camarilha, será possível conservar a sua  independência?  

Eça de Queirozin Jornal “O Distrito de Évora” (1867)

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Domingo, 27.02.11

OS MARQUESES DE POMBAL

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Todos reconhecemos hoje a grande visão de marquês de Pombal ao proceder à reconstrução da cidade de Lisboa, após o terramoto de 1755. Mas o mérito do marquês residiu precisamente em ter pensado assim em 1755 e não em 2010. E a razão é muito fácil de entender: hoje o mundo é diferente. No século XIX, as coisas eram feitas para durar toda a vida; no século XXI, as coisas são feitas para durar, quando muito, alguns anos e poucos. Cem anos, no século XVIII, eram uma pasmaceira; um ano, no século XXI, é uma eternidade.

 

Todos recordamos ainda o fecho do terceiro anel do estádio da Luz, nos anos 80. Fernando Martins, quando lançou mãos à obra, estava convencido de que aquilo era uma obra para toda a vida. Só que, apesar de já não ser novo quando iniciou a obra, ainda viveu o suficiente para ver o estádio da Luz ser demolido e construído de novo. E se viver mais uns anos, ainda vai ter a oportunidade de ver o estádio ser totalmente remodelado. No século XXI, tudo é efémero e o futuro chega e passa depressa.

 

Acontece que os nossos 308 presidentes da câmara e demais governantes ainda só agora chegaram ao século XVIII e vivem fascinados com o marquês de Pombal que querem imitar, a todo o custo. Não há presidente da câmara ou governante que não sonhe fazer uma obra para o milénio, com vista a perpetuar o seu nome.

 

Se fossemos um país rico, isso não tinha grande relevância porque não nos custaria pagar essas excentricidades. O que custa a Cristiano Ronaldo comprar um Ferrari?

 

Acontece que somos um país pobre. E os pobres não se podem dar ao luxo de comprar Ferraris, mesmo que algum banco lhes empreste o dinheiro. E todos também percebemos porquê: porque não têm dinheiro nem para pagar o empréstimo, nem tão pouco para suportar os encargos com a manutenção do bólide.

 

Acontece que os nossos governantes e presidentes da câmara, ávidos de fazer obra, resolveram entrar no esquema tão português do "faça a obra agora e pague depois".

 

É evidente que isto vai-nos sair muito caro e só pode ser pago de uma forma: com redução drástica de salários, com cortes nas transferências para as autarquias, com despedimentos na função pública, com aumento de impostos (designadamente sobre o património), com a criação de coimas cada vez mais pesadas sobre tudo e mais alguma coisa, com cortes nas prestações sociais, com portagens nas SCUT’s e com desemprego. E tudo isto vai alimentar, inevitavelmente, a espiral de insegurança, com cada vez mais assaltos, sequestros, violência e negócios controlados pelas máfias.

 

Mas o povo português não se pode queixar do sofrimento que o espera. Porque este cenário é a consequência natural do voto expresso nas urnas, por acção ou omissão.

 

É, por este motivo, que eu olho sempre com muitas reservas para todas essas obras megalómanas que os nossos 308 presidentes da câmara lançam todos os anos de norte a sul do país, sem qualquer preocupação com a sustentabilidade das mesmas ou com um planeamento nacional.

 

Portugal é um país pobre, com uma mão-de-obra pouco qualificada, com baixa produtividade e com poucos recursos. Não se pode, pois, dar a estes luxos de gente rica. Se um pequeno comerciante pensar em recorrer ao crédito para aumentar a sua loja, tem de pensar, antes de mais, se o investimento compensa. Porque, se o rendimento que retirar da loja não for suficiente para pagar as prestações ao banco, mais vale não fazer o investimento, caso contrário fica sem o dinheiro e sem a loja. E se o crédito, então, for para fazer uma vivenda com piscina, o melhor mesmo é não se meter nisso, porque vai acabar por ficar com a dívida e sem a casa, a piscina e a loja.

 

Ora, Portugal está, ao nível, de um pequeno comerciante, cheio de dívidas e com poucos rendimentos. Não é, pois, altura de continuar a alimentar sonhos de grandeza lançando obras megalómanas que não temos dinheiro para pagar, a não ser à custa de muita miséria e sofrimento. E este vai ser, infelizmente, o grande legado dos nossos 308 presidentes da câmara e dos nossos governantes para as gerações futuras.

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Domingo, 02.01.11

E AS VÍTIMAS, SENHOR?

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

  

«Se vivesses num país onde aquele que se levanta às seis da manhã para trabalhar ganha dez vezes menos do que aquele que se levanta ao meio-dia para vender haxixe, o que é que fazias?»

 

Foi desta forma categórica que Flávio, com 14 anos e membro de um gang, respondeu à pergunta idiota da jornalista da SIC que queria saber por que razão ele se dedicava ao tráfico de droga.

 

Mas Flávio não disse tudo. Com efeito, o trabalhador que se levanta às seis horas da manhã para ganhar dez vezes menos do que o traficante, ainda tem de pagar com os seus impostos o rendimento de reinserção social e a habitação social do traficante e do consumidor. E, como se isso não bastasse, ainda é assaltado, sucessivamente e perante a inoperância das autoridades, pelo consumidor a quem o traficante vende a droga.

 

Na resposta de Flávio, está, no entanto, subjacente a consciência da injustiça do sistema corrupto-socialista em que vivemos. Consciência essa que os nossos governantes já não têm sequer, tal o estado de podridão moral em que vivemos.

 

Nós hoje somos governados por uma verdadeira organização terrorista que se assenhoreou do Estado, o saqueou e resolveu dinamitar todos os valores que constituíam o eixo da roda da nossa nação.

 

Se um pequeno empresário fugir ao fisco com umas centenas de euros, é um criminoso, mas, se os nossos governantes distribuírem pela "organização terrorista que controla o estado" centenas de milhões de euros dos nossos impostos, são uns benfeitores. Isto não pode deixar de revoltar um pessoa.

 

O Governo terrorista de José Sócrates, para além de fazer implodir a economia, a família, a educação, o estado social, não teve pejo sequer de transformar os tribunais em tesourarias da fazenda pública e os juízes em cobradores de impostos. Isto para o povo em geral, bem entendido, porque, para membros da "organização terrorista", obrigam os tribunais, através de leis alteradas em cima da hora e feitas à medida, a funcionar como autênticas lavandarias e os juízes como engomadeiras de colarinhos brancos.

 

Uma das piores coisas que me pode suceder como advogado é ter de representar uma vítima, porque a única coisa que eu posso fazer é chorar com elas.

 

E uma das piores coisas que pode suceder à vítima é o criminoso ser apanhado e por uma razão simples: só muito raramente verá serem-lhe devolvidos os bens que lhe roubaram e paga a indemnização em que o criminoso for condenado. Além disso, se o criminoso for perigoso vai viver num autêntico inferno até à audiência de julgamento, acabando, na maior parte das vezes, por ter de desistir de queixa ou de alterar o depoimento para salvar a sua vida e dos seus familiares. Por sua vez, se o criminoso for pequeno, a vítima vai ainda ter de pagar (honorários ao advogado e custas de decaimento ao tribunal - e, algumas vezes, taxas -) para assistir exclusivamente à arrecadação de receita por parte do tribunal à conta do crime. Ou seja, a vítima, além de não ser ressarcida, ainda tem de pagar para ver o Estado arrecadar receita à sua custa. Isto é uma autêntica vergonha!

 

Argumentar-se que o fim das penas é a ressocialização do criminoso dá vontade de rir. Com efeito, se esse é o fim das penas, por que razão é que os criminosos, salvo raras excepções, não se ressocializam? Aliás, com estas penas, não só os criminosos não se ressocializam como também as vítimas se dessocializam.

 

Não, meus amigos, hoje o fim das penas é exclusivamente a arrecadação de receitas para a tal "organização terrorista" que controla e vive à conta do Estado.

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Sexta-feira, 10.12.10

A IMPUNIDADE DAS DECISÕES POLÍTICAS

Entre nós, as decisões políticas situam-se num contexto de impunidade sem retorno. A tal ponto que o político que asneou sente-se habilitado, até encorajado, para repetir a estultícia gastadora ainda com maior convicção. 

Carlos Abreu Amorim - in Diário de Notícias de 10/11/10

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Domingo, 05.12.10

OS DONOS DO ESTADO E DAS CÂMARAS

 

«Chegámos a um ponto em que, na verdade, já nada se devia estranhar de certos governantes. Em resposta às suspeitas de falta de transparência, de amiguismo ou de eventual conflito de interesses, fazem-se de vítimas - é "jogo político" - e acenam com os resultados dos seus nomeados como se este fosse o único factor a ter em conta na gestão da coisa pública. No fundo, desprezam as críticas, ou nem sequer as compreendem porque se consideram donos do Estado» (Fernando Madrinha, in Expresso de 13/11/10).

 

«Há uma forma de evitar estas confusões - e ela é muito simples: um governante não deve escolher antigos sócios para a administração de empresas públicas. Nem amigos. Nem primos, nem sobrinhos, nem enteados. Quem faz nomeações como estas está a olhar apenas para a casa onde reúne as visitas, ou tem uma sala muito grande ou critérios de escolhas muito pequenos.» (Editorial de 13/11/10 da revista Sábado)

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Sábado, 06.11.10

AS PARCERIAS PUBLICO-PRIVADAS

A audição deste programa parece-nos fundamental para perceber a nossa situação financeira e as consequências trágicas para o nosso futuro próximo dos encargos com as parcerias publico-privadas, que irão obrigar, dentro de dois anos (2014), inevitavelmente, a uma redução ainda mais drástica do nosso nível de vida.

 

CLIQUE SOBRE A IMAGEM (o vídeo demora 20s a iniciar):

 

 

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Terça-feira, 02.11.10

RIR PARA NÃO CHORAR

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Sexta-feira, 29.10.10

SÓCRATES, AO SERVIÇO DA OLIGARQUIA DO REGIME

Henrique Neto - extractos da entrevista ao Público de 4/10/10

*Militante Socialista, 74 anos, desde o Governo de António Guterres, tem participado nos congressos do PS apresentando moções críticas para as políticas na área económica, por as considerar desajustadas das necessidades do país.

 

(…)

Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.

(…)

A consolidação das contas públicas é uma condição necessária mas não suficiente. Apenas o crescimento sustentado da economia abrirá novas perspectivas aos portugueses. Mas, neste domínio, José Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente.
Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras.

(…)

A ideia com que se fica é que o primeiro-ministro não leva em conta o interesse nacional, mas os interesses dos grupos de pressão dos sectores financeiro e das obras públicas, o que é a única explicação para a dimensão dos erros cometidos. Estamos a construir mais auto-estradas que ficam vazias e sem carros e um TGV com um traçado que não favorece a economia, ao mesmo tempo que nada foi feito para termos um porto de transhipment e transporte ferroviário de mercadorias para a Europa, investimentos cruciais em logística, para podermos ambicionar atrair mais investimento estrangeiro e desenvolver uma verdadeira capacidade exportadora. Em qualquer caso, contra toda a sanidade económica e financeira, o Governo não parou a maioria das obras programadas e utilizará o fantasma das indemnizações aos empreiteiros para as não parar.

(…)

É inegável que existe um bloco central inorgânico na política portuguesa, que defende interesses privados ilegítimos e permite a acumulação de altos e bem pagos cargos na administração do Estado e nas empresas do regime. O que é facilitado pelo chamado centralismo democrático praticado nos diversos partidos políticos e pela habitual passividade e clubismo do povo português. Nesse capítulo, atingimos o ponto zero da moralidade pública e não vejo como será possível colocar a economia portuguesa no caminho do progresso e do crescimento, com algumas das principais empresas e grupos económicos a poderem ter relações privilegiadas com o poder político e a ser-lhes permitido fugir da concorrência e dos mercados externos, por força do clima de facilidade e de privilégio que detêm no mercado interno.

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Domingo, 26.09.10

ISTO NÃO É UM GOVERNO

«Isto não é um governo. É uma federação de incompetentes e irresponsáveis.  Não sabem o que fazem. Não sabem que o dizem.»

Marques Mendes, in Correio da Manhã de 20/9/2001

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Sábado, 07.08.10

OS GRANDES DESÍGNIOS NACIONAIS DE SÓCRATES

 

TVI - 7/5/2010


O Governo prevê que linha do TGV para Madrid atinja mais de nove milhões de passageiros por ano. Um número de viagens superior ao que hoje existe entre Paris e Londres e também entre as principais cidades espanholas. Esta previsão é um dos pontos mais polémicos do projecto do TGV, Lisboa - Madrid.

A linha de alta velocidade Lisboa-Madrid passa a norte da cidade de Évora. Do lado português terá 203 quilómetros. A maioria do percurso, 437 quilómetros, fica em Espanha.Com estações garantidas em Mérida, Cáceres e Telavera de La Reina.

A nova ligação ferroviária servirá uma população de 2,8 milhões de pessoas na grande Lisboa, 50 mil na região de Évora, um milhão na Extremadura espanhola e tem como principal mercado Madrid, região mais povoada da Península com mais de 6 milhões de pessoas.

A linha servirá uma população de referência de cerca de 10 milhões de pessoas. Mas a RAVE, empresa pública para a alta velocidade, prevê que venham a ocorrer 9 milhões e 300 mil viagens por ano.

A maioria das viagens, a confirmar-se a previsão da empresa portuguesa, será feita em território espanhol. 5,7 milhões, o que corresponde a 61 por cento dos passageiros. Viagens internacionais não chegarão a 30 por cento: 2,7 milhões.

Em território nacional, entre Lisboa, Évora e Elvas a previsão fica-se pelas 820 mil viagens por ano, 9 por cento.

A RAVE acredita que a linha Madrid-Lisboa, que atravessa uma região com 10 milhões de pessoas atrairá 9 milhões e 300 mil passageiros por ano. A verdade é que a linha Madrid-Barcelona, que serve 15 milhões de pessoas com maior poder de compra, só gera, hoje, 5,7 milhões de viagens. E a linha Madrid-Málaga, para uma população de 9 milhões, não atinge os 2 milhões de viagens.

Os especialistas consultados pela TVI lembram: nem o comboio entre Paris e Londres, que só demora duas horas, atinge 9 milhões e meio de passageiros. [...]

 

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Mas o TGV não é o primeiro grande projecto estruturante de Sócrates

 

Em 1995, José Sócrates tornou-se membro do Primeiro Governo de António Guterres, ocupando o cargo de secretário de Estado-adjunto do Ministro do Ambiente. Dois anos depois, tornou-se ministro-adjunto do primeiro-ministro, com a tutela do Desporto. Foi, nessa qualidade, que se tornou no principal impulsionador da realização, em Portugal, do EURO 2004. Por ter sido um dos governantes com a tutela do Euro 2004 - quando foi ministro-adjunto do primeiro-ministro, durante o I Governo de António Guterres -, Sócrates foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

Tomada a grande decisão da realização do Euro-2004, avançou-se para a construção dos dez estádios de futebol que se traduziram em mais de mil milhões de euros de investimento público total, em nome de um amplo desígnio nacional. O Euro 2004, diziam, iria trazer muitos milhões de turistas a Portugal que constituiriam o pontapé de saída para o arranque decisivo da economia portuguesa.

Entrevista de Sócrates ao Acção Socialista - 19/5/2004

 

AS - "Atendendo a que foi o ministro responsável pela realização em Portugal do Euro 2004, qual o seu comentário ao posicionamento ambivalente do Governo [PSD] face ao evento?" 


Sócrates - "O Governo [PSD] aprendeu. Começou por ter as maiores dúvidas e reservas quanto ao Euro 2004, a fazer-lhe críticas muito pueris, próprias de quem não percebeu nada do que estava em causa. O Euro 2004 não é um torneio de futebol, é muito mais do que isso. É um grande acontecimento que projecta internacionalmente o nosso país. [...]  


AS - "No entanto, passa a ideia que eles [o governo PSD] colhem os louros do Euro 2004 e passam para os governos do PS o odioso, nomeadamente a construção dos dez estádios." 


Sócrates - "Pois, mas a construção dos dez estádios não é um odioso, é um bem necessário ao país. Portugal tinha que fazer este trabalho. É também uma das críticas mais infantis que tenho visto, a ideia de que se Portugal não tivesse o Euro não tinha gasto dinheiro nos estádios. Isso é uma argumentação própria de quem é ignorante. [...] Ouvi recentemente responsáveis pelo Euro dizerem que é já claro, em relação ao que o Estado gastou e ao que recebeu, que estamos perante um grande sucesso económico."

 

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Os proveitos dos 10 Estádios de Futebol do Euro 2004

 

Jornal Público - 7/2/2010

 

Antigamente, na Índia e na Tailândia, o elefante branco era um animal sagrado que não podia ser usado em trabalho. Quando o rei oferecia um destes animais a um cortesão, este tinha de o alimentar, mas não retirava daí nenhum proveito, ou seja, possuía algo muito valioso, mas que só lhe dava despesas, conduzindo-o, muitas vezes, à ruína. É esta a origem da expressão "elefante branco", tantas vezes aplicada aos estádios construídos para o Europeu de futebol de 2004.

O Cidades visitou no último mês os cinco estádios públicos construídos para o Europeu e os autarcas, mesmo sem falarem em "elefantes brancos" olham para essas obras como uma fonte de problemas financeiros. Os números, aliás, não deixam dúvidas. Braga paga seis milhões de euros por ano à banca, Leiria paga cinco milhões anuais só em amortizações e juros, Aveiro despende quatro milhões no pagamento de empréstimos e na manutenção, enquanto Faro e Loulé gastam, em conjunto, 3,1 milhões por ano em empréstimos e manutenção. Coimbra é que menos paga e mesmo assim, este ano, vai transferir para a banca 1,8 milhões de euros. Somando estes valores (e em alguns casos a manutenção não está contabilizada), as seis câmaras que construíram os recintos para o Euro 2004 gastam anualmente 19,9 milhões de euros, ou 54.520 euros por dia, montante que terá tendência para aumentar com a subida das taxas de juro.

E se somarmos o que as câmaras de Porto e Guimarães pagam aos bancos pelos apoios que deram aos clubes locais nas obras dos estádios e acessos, a factura anual das autarquias com os empréstimos e manutenção de estádios do Europeu eleva-se para 26,1 milhões de euros. A autarquia portuense pagou 3,6 milhões de euros em 2009, tendo ainda pela frente 44,5 milhões até 2024. Em Guimarães, a câmara gastou 2,5 milhões de euros no ano passado. Já a Câmara de Lisboa afirma que não contraiu empréstimos por causa do Euro.

Na ronda pelos cinco estádios municipais, algo ficou à vista. Não há, ou pelo menos não houve até agora, soluções para rentabilizar os recintos, de forma a cobrir as despesas que a sua construção gerou. Todas as autarquias têm um pesado fardo anual e nenhuma encontrou "a galinha dos ovos de ouro". Umas invejam o Algarve, porque recebe o Rali de Portugal. Outras Coimbra, porque tem lojas na estrutura do estádio. Outras Braga, porque vendeu o nome do estádio a uma seguradora. E se umas (como Leiria) lamentam que o recinto tenha sido construído no centro da cidade, sem espaço para edificar mais equipamentos desportivos à volta, outras (como Braga e Aveiro) deparam-se com críticas da população, porque os estádios estão fora da cidade. E outras ainda (Algarve) lamentam não ter uma equipa da I Liga a utilizar o recinto.

[...] Carlos Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Coimbra, é o único autarca assumidamente contra a construção do estádio. "Nenhum país decente constrói dez estádios para um Europeu", critica aquele autarca do PSD. [...]

"Muitas cidades que queriam o Euro agora dão graças por não ter um estádio", desabafa Raul Castro, presidente da Câmara Municipal de Leiria. "Estes estádios foram pensados para uma realidade que não é a portuguesa. O Estádio de Aveiro leva metade dos [60.000] eleitores da cidade. Está sobredimensionado", acrescenta Pedro Ferreira, presidente da empresa que gere o recinto aveirense, ao que Alberto Souto, antigo presidente da Câmara de Aveiro, contrapõe que 30.000 lugares era a lotação mínima para receber jogos de Europeu.

Com o Europeu de futebol de 2004, o Estado português gastou, pelo menos, 1035 milhões de euros, o equivalente ao custo da Ponte Vasco da Gama. Apurado por uma auditoria do Tribunal de Contas, realizada em 2005, este valor inclui, por exemplo, os encargos com os estádios (384 milhões), acessibilidades (228 milhões), bem como os apoios indirectos das câmaras do Porto (152 milhões) e de Lisboa (59 milhões).

Nas últimas semanas, os gastos anuais com os pagamentos de empréstimos e os custos de manutenção dos estádios têm gerado discussão um pouco por todo o país. O economista Augusto Mateus, que foi ministro da Economia entre Março de 1996 e Novembro de 1997, sugeriu uma solução radical: DEMOLIR.

 

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Miguel Sousa Tavares (Jornal Expresso 07.01.2006)

"Todos vimos nas faustosas cerimónias de apresentação dos projectos da Ota e do TGV, [...] os empresários de obras públicas e os banqueiros que irão cobrar um terço dos custos em juros dos empréstimos. Vai chegar para todos e vai custar caro, muito caro, aos restantes portugueses. O grande dinheiro agradece e aproveita«Lá dentro, no «inner circle» do poder - político, económico, financeiro, há grandes jogadas feitas na sombra, como nas salas reservadas dos casinos. Se olharmos com atenção, veremos que são mais ou menos os mesmos de sempre."

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Quinta-feira, 17.06.10

PREVISÃO DE DANIEL GROSS

Previsão de Daniel Gros, director do Centre for European Policy Studies, de Bruxelas

Se Espanha pedir ajuda ao fundo do euro “Portugal irá a seguir”   

 

O recurso da Espanha ao novo fundo de estabilização do euro de 750 mil milhões de euros é “quase inevitável” e se isso acontecer, “Portugal irá a seguir”: o vaticínio foi feito por Daniel Gros, director do Centre for European Policy Studies, de Bruxelas (CEPS).

 

Uma ajuda a Madrid “é bastante inevitável porque o sistema bancário espanhol está arredado do financiamento externo, e os bancos não conseguem sobreviver muito tempo” nessas condições, afirmou Gros, um dos mais respeitados analistas europeus, a um grupo de jornalistas. “E como neste momento a Espanha não tem outras fontes de financiamento do exterior terá de ser o sector público a fazê-lo, ou seja, o FMI e a Europa”, defende.

 

O problema dos bancos espanhóis resulta da sua exposição às perdas resultantes do rebentamento da bolha da construção civil espanhola, que Daniel Gros calcula em 300 mil milhões de euros. Não se sabe quais são os bancos mais expostos aos créditos incobráveis dos particulares ou dos empresários da construção que perderam com o fim da bolha, ou se são espanhóis ou de outros países do euro. “Esta falta de conhecimento paralisou o mercado interbancário”, sublinha.

 

É por esta razão, aliás, que Gros defende a realização de testes aprofundados aos bancos europeus (os chamados “stress tests”) de modo a permitir calcular o grau das suas perdas nos piores cenários, e a publicação dos resultados. Esta publicação não é consensual entre os países da União Europeia (UE) porque “os governos não querem ter de corar, porque muitos dos bancos com problemas são públicos”, ironizou. Aliás, refere, “ao contrário dos Estados Unidos, não houve reestruturação de bancos” na Europa: os problemas mais imediatos foram ultrapassados com as garantias fornecidas pelos Estados, mas não houve uma redução do seu endividamento. É por isso que o sistema financeiro “permanece tão frágil” na Europa: “estamos muito mais expostos que os Estados Unidos.

 

Neste contexto, “é muito claro que se a Espanha pedir a activação do fundo, os mercados dirão: ‘hum, quanto tempo conseguirão os portugueses sobreviver sozinhos?’, defende. “Tanto mais que uma grande parte do sistema bancário português pertence a bancos espanhóis”. O que, no seu entender, torna mais fácil Portugal accionar logo a seguir a parte especificamente comunitária do fundo de estabilização, que ascende a 60 mil milhões de euros (que complementa os 440 mil milhões de garantias dos países do euro e 250 mil milhões do FMI). Em seu entender, aliás, uma ajuda a Portugal “será relativamente barata”.

 

Ao invés, em Espanha a ajuda poderá ascender a “algumas centenas de milhar de milhões de euros”. Tudo depende do nível das perdas do sistema bancário espanhol” e de “como o processo for conduzido”. Se demorar muito devido a uma eventual recusa de Madrid em pedir a sua activação “por terem um estigma”, será mais caro como aconteceu com a Grécia, avisa.


“Dez anos de recessão ou estagnação”


O investigador considera, por outro lado, que Portugal e Espanha não conseguirão escapar a “dez anos de recessão ou estagnação” económica. “Em Espanha parece bastante inevitável por causa dos enormes excessos no sector da construção nos últimos anos. Será muito difícil, mesmo nas melhores circunstâncias, que se consiga reintegrar milhões de trabalhadores não qualificados da construção nos sectores exportadores, o que torna muito difícil ver qualquer fonte de crescimento em Espanha na próxima década”.


Portugal seguirá o mesmo padrão, apesar de já ter passado vários anos em estagnação. “Basicamente, Portugal consumiu em excesso nos últimos dez anos e sub-investiu, sobretudo em capital humano, o que faz com que os trabalhadores portugueses não sejam competitivos mesmo com níveis salariais muito baixos. É por isso que é muito difícil ver qualquer crescimento em Portugal”.


Falhanço da Comissão Europeia


Daniel Gros foi por outro lado muito crítico da actuação da Comissão Europeia e do seu presidente, Durão Barroso, na gestão da crise do euro em geral e da Grécia em particular. “A Comissão não está a desempenhar o seu papel, em parte devido a falhanços pessoais”, criticou. “Onde estava a Comissão na crise grega em Outubro, Novembro Dezembro?”, interrogou-se, considerando que Bruxelas “deveria ter dito ao Governo grego que não aceitava a versão pouco credível do seu primeiro programa de estabilidade. O que, refere, fez com que os mercados tivessem perdido toda a confiança na Comissão. É por isso que o analista defende que a gestão do futuro mecanismo de gestão de crises da eurolândia deverá ser entregue a “uma instituição independente” com “gente profissional e independente”. “A Comissão Europeia pode candidatar-se se quiser, mas teve a possibilidade de ter feito algo diferente com a Grécia e de assumir a gestão dos orçamentos”. Em vez disso, assumiu-se como um “molusco por defeito”, ironiza.


Daniel Gros recusa por completo o argumento que tem sido avançado pelo presidente da Comissão de que não serve de nada apresentar propostas que não tenham a garantia de ser aceites pelos governos, a começar pela Alemanha. 

 

“Barroso é pago para tentar resolver os problemas e ter ideias” para esse fim, mas não ficou famoso por isso nos últimos cinco anos”, critica.

 

http://economia.publico.pt/Noticia/se-espanha-pedir-ajuda-ao-fundo-do-euro-portugal-ira-a-seguir_1442223

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Quarta-feira, 16.06.10

A POLÍTICA EDUCATIVA SOCIALISTA

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Sábado, 05.06.10

O CADÁVER E A COMÉDIA

António Belém Coelho - in Primeira Linha 

 

O cadáver, todos sabemos quem é, menos o próprio; trata-se do nosso governo, que ainda não descobriu que o é, mas que curiosamente vem actuando como tal, se é que um cadáver pode ter actuação. Certamente que algum ramo da ciência psíquica ou outra o poderá explicar.

 

A comédia, essa, para além de muitos actos nos últimos tempos, teve première na passada sexta-feira, na Assembleia da República; nada a que não estejamos habituados, mas esta ultrapassa todos os limites.

 

O Partido Comunista Português, dentro do seu direito e legitimidade, entendeu, em antecipação à sua concorrência de esquerda, apresentar uma moção de censura ao governo. Como aliás já aconteceu em situações anteriores. Há é que saber se essa moção tem bases nacionais ou meramente partidárias; mais uma vez a última hipótese parece ser a mais credível, dados os fundamentos da mesma: a mesma retórica de sempre! O PCP continua a querer transformar Portugal na Cuba ou Coreia do Norte europeias; desiderato condenado obviamente ao fracasso.

 

O papel do Bloco de Esquerda nestas circunstâncias é perfeitamente ingrato; ultrapassado em termos de timing pela iniciativa do PCP, tentou minorar os danos, colando-se a ela e votando-a favoravelmente. Contudo, para justificar essa opção descuidada de quem não soube comandar os timings, resolveu atacar quem não seguia a moção, em vez de a defender, esclarecendo os seus argumentos; trata-se claramente de um caso de má consciência.

 

O Partido Popular escudou-se na matriz demasiado leninista do texto da moção para justificar a sua abstenção, embora na verdade concordasse com muitos dos seus fundamentos; esta acrobacia circense poder-lhe-á em boa verdade custar alguma coisa nas próximas eleições.

 

Quanto ao Partido Socialista, como de costume não percebeu nada do assunto, tendo tido um conjunto de intervenções em que não se percebia bem se se solidarizava com o Partido Social Democrata, que se abstinha responsavelmente atendendo às circunstâncias nomeadamente a nível internacional, evitando assim uma precoce bancarrota nacional, ou se atacava quem efectivamente deu a mão ao País e não a eles, Partido Socialista! Aliás, as últimas intervenções do Partido Socialista, a cargo do seu líder parlamentar Francisco Assis e do Ministro Santos Silva, mais pareciam ser um pedido encarecido ao PSD para esquecerem o seu sentido e responsabilidade de Estado e livrarem o governo e o Primeiro-Ministro do fardo e da agonia de governarem e de desdizerem hoje o que acordaram ontem ou há pouco.

 

Tudo fizeram e continuam a fazer, desvirtuando objectivos e prazos do acordo, reafirmando que todas as grandes obras públicas são para daqui a bocado, para que o PSD o denuncie e assim estejam criadas as condições para colocar o Partido Socialista fora do Governo, o que, pensam os seus dirigentes, com a ajuda da curta memória dos eleitores, será a única via de alijarem responsabilidades em toda esta situação. Mas estão bem livres disso; o compromisso do PSD, até final de 2011, é um compromisso de viabilidade do País, apesar dos esforços exacerbados do Partido Socialista para que tal seja rompido!

 

A grande maioria dos Portugueses não se apercebeu, mas uma das últimas sextas feiras, esteve quase, quase, a ser uma espécie de sexta feira negra para Portugal; salva in extremis pelo Banco Central Europeu. E depois de andarem anos a criar e a alimentar este despaupério querem ir-se embora, assobiando, como se nada fosse com eles? Comeram a carne, não foi? Então agora que roam os ossos!

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Sexta-feira, 04.06.10

A ENERGIA DE SÓCRATES

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Domingo, 30.05.10

CONCESSÃO DO RIBATEJO

Manuela Ruivo - in Primeira Linha

 

Na Assembleia Municipal de 26 de Fevereiro de 2010, o Grupo Municipal do PSD, criticou a forma como o PS e o actual executivo utilizaram esta concessão como uma das principais bandeiras políticas durante a última campanha eleitoral (O PS prometeu, com pompa e circunstância, o Primeiro-ministro deslocou-se ao Tramagal, deitaram-se foguetes…), para agora ser abandonada sem qualquer explicação à população.

 

Com efeito, foi com grande apreensão que recebemos a notícia da suspensão deste itinerário no que respeita ao troço Abrantes – Ponte de Sôr e que inclui a travessia do Tejo na zona de Tramagal, que tem vindo a ser reivindicada por populações e instituições há largos anos. Esta via, a concretizar-se, seria uma mais-valia para o território regional, para além de valorizar os investimentos já existentes ou em curso. Acresce que seria, também e sobretudo, mais um factor positivo para a decisão de implementar novos investimentos no concelho e na região.

 

Nesta Assembleia Municipal, todas as forças políticas mostraram a sua insatisfação em relação à suspensão desta obra pública essencial para o desenvolvimento da região. Em face desta contestação o presidente da Assembleia Municipal de Abrantes e ministro dos Assuntos Parlamentares Jorge Lacão, comprometeu-se a fazer chegar a voz desta Assembleia ao ministro das obras públicas, bem como o agendamento de uma reunião.

 

Fomos recebidos no passado dia 17 de Maio, pelo ministro das Obras Públicas, Transportes e Telecomunicações António Mendonça. No final não resultou qualquer compromisso, a não ser a promessa de visitar Abrantes para tomar consciência das características essenciais desta obra pública. Todos estamos conscientes que o país tem de ajustar a suas contas públicas, através de medidas de contenção e corte na despesa do Estado, inclusive no investimento. Mas que se comece a cortar no que é supérfluo e faraónico, e não em obras que se revestem de sobeja importância estratégica, e que são essenciais no posicionamento competitivo destas regiões. Este é o caso flagrante do IC9.

 

Lamentamos ainda que, no processo de “suspensão” da concessão do Ribatejo (vital para o desenvolvimento económico, social e ambiental da nossa região), o executivo municipal do PS tenha tentado passar sobre o assunto, como diz o ditado popular, como cão por vinha vindimada. Entendemos a posição do PS em Abrantes, trata-se de uma das suas promessas eleitorais mais emblemáticas que ainda não passou do papel, por exclusiva responsabilidade de um Governo também do PS. Entendemos o melindre da situação, mas nada justificava tal posição. Valeu a intervenção do PSD na Assembleia Municipal, tendo sido acompanhado pelos outros grupos municipais, sublinhando as consequências nefastas da decisão do Governo.

 

No fim fica a falta de palavra dos governantes nacionais e locais, e a incompetência no elencar de prioridades.

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