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COLUNA VERTICAL


Quinta-feira, 03.09.09

FEIRA DAS VELHARIAS EM MOURISCAS

 

 

No passado dia 30 de Agosto, Santana Maia, acompanhado por Belém Coelho, Elsa Cardoso e Rui André (candidatos do PSD à Câmara Municipal), Manuela Ruivo (candidata a Presidente da Assembleia Municipal), deslocaram-se à Freguesia de Mouriscas onde, em companhia de Manuel Catarino, candidato a Presidente da Junta de Freguesia de Mouriscas, e ainda vários elementos da sua lista, tiveram oportunidade de visitar a Feira daquela localidade e a Feira de Velharias, organizada por mouriscas.movimento@sapo.pt.
 
Aproveitaram para contactar com a população presente e com as pessoas envolvidas na Feira de Velharias, exprimindo o seu apoio a iniciativas que possam dar vida à freguesia e fazer participar os seus fregueses na vida comunitária.

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Quarta-feira, 26.08.09

ASSEMBLEIA DE FREGUESIA DE MOURISCAS

 

Manuel Catarino tem 58 anos e foi, até se reformar em 2002, inspector da Polícia Judiciária, onde desenvolveu a sua actividade como investigador em áreas diversas, tendo passado, os últimos anos, na investigação do tráfico de estupefacientes. Esteve também presente, desde o início, na criação da Associação Sindical da Polícia Judiciária.
 
Em 1996, comprou em Mouriscas uma casa antiga que tem vindo a recuperar e onde fixou a sua residência. Fez parte da Direcção da ACATIM, conseguindo ganhar uma candidatura para o financiamento de um lar de 30 camas, com a oposição dos votos da vereadora e do núcleo executivo da CLAS.
 
 
 
EFECTIVOS:
Manuel Celestino Ferreira Catarino, Aposentado, 58 anos
Maria Manuela Maia Alves, Professora, 53 anos
Amadeu Bento Lopes, Eng. Civil, 37 anos
Anabela Marques Crispim, Professora, 35 anos
Isidro Fernandes Pires, Empresário, 48 anos
Maria Helena de Jesus Matos Pita, Vigilante de Acção Social, 55 anos
Carlos José Rosa Grilo, Tecnico Cortador de Carnes, 44 anos
Susana Isabel Lourenço Filipe, Socióloga, 25 anos
Luís Miguel Baptista de Assunção da Silva, Reis Professor, 46 anos
 
SUPLENTES:
Preciosa Maria Matos Baptista Branco, Doméstica, 48 anos
José Joaquim Chambel Gonçalves, Assistente Técnico, 57 anos
Sofia Isabel Matos Pita, Estudante, 27 anos
Luís Miguel Tavares Duarte, Motorista, 39 anos
Augusta Manuela Matos Batista Lopes, Taxista, 56 anos
Joaquim Antunes Marques Pita, Vendedor Ambulante, 44 anos
Patrícia Isabel da Conceição Grilo, Professora do 1º CEB, 23 anos
Paulo José Antunes Leitão, Técnico de Telecomunicações, 36 anos
Salustiniano Baptista Sério, Reformado, 70 anos
Abel Acácio Pinto Correia, pré-reformado, 64 anos
Elisa Maria Rodrigues Mendes de Matos, Auxiliar de Acção Educativa, 45 anos
Orlando Manuel Tomás Serras Alpalhão, Peixeiro, 33 anos

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Sábado, 22.08.09

FESTAS DE MOURISCAS

 

Nos dias 6, 7 e 8 e também a 13,14,15 e 16, ocorreram em Mouriscas as tradicionais festas populares com divulgação de artesanato, gastronomia e muita animação.
 
O ponto alto das festas ocorreu no dia 15, dia onde tiveram lugar as cerimónias religiosas da Nossa Senhora dos Matos e, à noite, no recinto das festas, o festival de folclore organizado pelo Grupo Etnográfico “Os Esparteiros”. Esta colectividade, responsável pelo levantamento de tradições, usos e costumes desta nossa terra, promoveu mais um festival soberbo, pela diversidade dos grupos que convidou e actuaram.
 
Santana Maia, candidato a presidente da Câmara, e Manuel Catarino, Manuela Alves, Amadeu Lopes, Sofia Pita e Anabela Crispim (entre outros), candidatos à Junta de Freguesia de Mouriscas, estiveram presentes nestas festas.

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Domingo, 05.07.09

MOURISCAS - PROGRAMA ELEITORAL

  

Mouriscas e o turismo sénior 

 

Trata-se de uma das soluções apresentadas no estudo da Universidade de Évora e visa a criação de um pólo de Turismo Ambiental e Rural. Esta solução tem por base a criação de micro empresas, dirigidas por mulheres desempregadas, com formação, e assenta em parcerias com um conjunto de entidades que apoiam os projectos, ajudam na procura de financiamentos, acompanham a sua execução, o acreditam e divulgam.
 
Indústrias tradicionais
Apoiar e divulgar as indústrias existentes, nomeadamente a tapeçaria em cairo. Temos para nós que a SIFAMECA é já o último bastião de fabrico desta indústria artesanal em Portugal, sendo pois um imperativo cultural a sua preservação.
Utilizando a mesma metodologia de parcerias, criar uma marca, recuperar o artesanato de Mouriscas, promover novos produtos e a criação de Espaço – fabrico.
 
Uma aposta de investimento no sector agrícola
Em Mouriscas as pessoas amam a terra, embora ela não pague o esforço e o trabalho. Mas, ao contrário de muitas cidades, vilas e aldeias nós temos uma Escola Profissional, a EPDRA e temos cooperativas e associações viradas para o desenvolvimento.
Com uma parceria entre estas entidades, definem-se os produtos mais apetecíveis ao mercado, se este azeite, ou aquela azeitona, os tipos de figo e os possíveis derivados destes ou outros frutos. Cria-se e delimita-se uma zona ou região de produção e certificação do produto final. Com a EPDRA encontram-se seguramente respostas para todas estas questões e bem assim a formação, porque ela estará seguramente ao lado de Mouriscas numa aposta de desenvolvimento sustentável.
 

Benfeitorias 

No levantamento que efectuámos dos melhoramentos mais necessários, constatámos que existirão obras de custos vultuosos mas, outras haverá, de baixo custo e com conciliação de interesses, que se resolvem com diálogo.
É sabido que a Junta de Freguesia não tem dotação orçamental para realizar grandes obras no seu espaço confinante, mas asseguro-vos que, como seu presidente me imponho pugnar por:
         1.      Promover um saneamento abrangente para Mouriscas por se tratar de um direito de todos. Temos consciência que devido a vários factores, não é viável fazer a ligação do saneamento de todas as casas ao colector da Estação de Tratamento, mas também acreditamos que determinados grupos de casas poderão estar ligados a uma fossa colectiva asséptica. Todos o pagam e evita-se a degradação dos solos e águas. O que Mouriscas não pode suportar é a continuação do actual estado de coisas, em que o colector do centro da aldeia vai desaguar numa ribeira que corre para o Tejo.
         2.      Promover a recuperação da Escola Primária, criando uma centralidade política, de serviços e social. Aqui funcionariam a Junta de Freguesia, a Biblioteca, associações, o museu, centros de formação, dinamização e apoio ao cidadão. Esta escola é, para várias gerações um hino e a sua recuperação um sonho. Esta recuperação será o símbolo de uma Mouriscas nova e esse sonho, seguramente difícil de concretizar, ao tornar-se realidade, ajudará também os mourisquenses a transformarem os seus sonhos em realidades.
        3.      Promover a criação de uma centralidade de lazer tendo por base um jardim com um pequeno circuito de manutenção, espaços de lazer e de tempos livres para juniores e seniores.
        4.      Promover a construção de um espaço coberto para actividades desportivas, suportado por uma parceria entre o Ministério da Educação, Câmara Municipal, Junta de Freguesia e associações, dirigido durante o dia a actividades escolares e no restante tempo adstrito a actividades das associações. Mouriscas tem durante o ano lectivo cerca de duzentos e cinquenta estudantes sendo que, mais de cento e setenta, são alunos da Escola Profissional. É da responsabilidade política do governo uma formação educativa com uma componente desportiva, não se podendo também alhear do acompanhamento extra horário lectivo.
Estamos a falar de alunos deslocados do seu habitat natural, alguns deles de países estrangeiros que, se estiverem a praticar desporto, não usarão o tempo em actividades menos sãs ou mesmo perniciosas.
        5.      Promover a recuperação do Largo do Espírito Santo, em Ferrarias.
        6.      O arranjo e a manutenção de ruas e caminhos estarão dependentes do saneamento, não fazendo qualquer sentido arranjar hoje uma estrada para partir no dia seguinte. Aliás, entendemos que a implantação da rede de saneamento é a oportunidade para rever a rede de distribuição de água.
        7.      Melhorar as acessibilidades para o Rio Tejo, o caminho ao longo do rio e colocação de caixotes de lixo.
        8.      Acordar com o Município o aproveitamento da água residual, aquela que agora vemos desperdiçada, da Fonte dos Amores, que daria entrada na rede, com a contrapartida da ligação a determinados fontanários, sem pôr em causa o abastecimento por parte da população. Seguramente, o caudal de água potável que entraria na rede, é muito superior ao consumido nos fontanários. Acreditamos que este acordo, também ele benéfico para todos, onde incluímos primeiramente o aproveitamento de água potável, só não foi ainda celebrado por manifesta má vontade de ambas as partes.
 
A Junta de Freguesia, o Presidente da Junta e a Comunidade
Aqui chegados, vou abordar o que entendemos ser a postura e desempenho da Junta de Freguesia e do seu Presidente para com a Comunidade.
A Lei não é redutora na definição das suas competências, limitando-se a enumerar aquilo que obrigatoriamente lhes cabe. Não poderemos vir a dizer que a Junta de Freguesia não disponibilizará um determinado serviço de apoio aos cidadãos, porque não cabe nas suas atribuições. A Junta de Freguesia tem que se moldar às necessidades dos fregueses e obriga-se a disponibilizar um conjunto de serviços, que dêem resposta às necessidades das pessoas e que agora são tratados noutros locais. Isto é um imperativo porque temos uma população envelhecida e dispersa numa terra onde quase não existem transportes públicos.  
Relativamente à relação com a Comunidade, assumimos uma postura de equidistância, onde todos os cidadãos serão vistos da mesma forma, quer no que toca aos direitos quer no que respeita aos deveres.
Como ainda não abordámos alguns dos objectivos desta candidatura, irei reproduzi-los sucintamente, uma vez que esta exposição vai demasiado longa:
         -        Constituir uma “Comissão para o Levantamento do Património Imobiliário a Recuperar”. Não faz sentido estar a debater o PDM sem este levantamento.
-        Proagir permanentemente junto do Poder Local (Município) e do Poder Central (Governo e Institutos públicos) na busca permanente das melhores soluções para o desenvolvimento de Mouriscas, a preservação da sua memória e identidade e a melhoria da qualidade de vida dos seus habitantes
         -        Criação de um espaço/centro de apoio ao cidadão (encaminhamento/facilitamento de assuntos relativos a segurança social, serviços centrais, pagamento de serviços, etc;
         -        Promover um protocolo com a ACATIM e o Centro de saúde visando a facilitação de pequenas necessidades de saúde dos idosos;
         -        Colaborar com a Câmara no sentido de se resolver a questão da mobilidade e transportes públicos dentro da freguesia e acessos ao Município, tanto no horário escolar como fora dele;
         -        Procurar articular os vários esforços associativos, eventualmente dispersos, no sentido da sua integração e complementaridade para a viabilização de projectos de interesse comum e sua rentabilização.
         -        Criar uma página na Internet. Numa sociedade de informação, em que a nossa terra pode chegar a casa de cada mourisquense, residam em que parte do mundo residirem, numa terra com tamanha capacidade cultural, nada foi feito pelos últimos executivos, para que os oriundos de Mouriscas pudessem partilhar os acontecimentos que aqui se registam. Por outro lado, este será, com outras formas de divulgação o meio preferencial de dar a conhecer o que de bom Mouriscas tem para oferecer.
         -        Colaborar com a Câmara na feitura de um folheto de divulgação da Freguesia de Mouriscas.

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Sábado, 04.07.09

APRESENTAÇÃO DOS CANDIDATOS A MOURISCAS

  

No passado dia 20 de Junho, teve lugar o jantar de apresentação da lista concorrente à Junta de Freguesia de Mouriscas, no Restaurante “O Castiço”, em Mouriscas.
 
Com a presença de mais de 100 militantes e simpatizantes que encheram por completo a sala em clima de confraternização e grande animação, decorreu a apresentação dos elementos da lista concorrente à Junta de Freguesia de Mouriscas, pela candidatura AmarAbrantes.
 
De salientar as intervenções da mandatária da Juventude para a Freguesia de Mouriscas, Sofia Pita, do cabeça de lista Manuel Catarino, do Dr. Santana Maia, onde para além das linhas de força das respectivas candidaturas, foi efectuado um diagnóstico e apontadas linhas de actuação relativos aos problemas existentes na Freguesia, e de uma mensagem de apoio a esta candidatura do Dr. Carlos Alberto Santana Maia, que por motivos de saúde não pôde estar presente e do candidato à Câmara Municipal de Abrantes,
 
A mandatária da Juventude, Sofia Pita, na sua intervenção, apelou a uma maior participação dos jovens na definição, implementação e concretização de projectos na Freguesia, lamentando a falta de condições verificada até agora nos mais diversos domínios que levam a juventude de Mouriscas a procurar outras paragens e salientando que a candidatura AmarAbrantes, protagonizada localmente por Manuel Catarino, tem a virtude de chamar os jovens à participação, construindo assim o futuro.
 
O cabeça de lista Manuel Catarino a partir do seu diagnóstico sobre a situação da Freguesia, lamentando o abandono a que Mouriscas tem sido votada pela governação local socialista, apresentou uma série de propostas que se propõe implementar e que não poderão certamente deixar indiferentes todos os Mourisquenses que ama a sua terra.
 
Salientamos entre outras:
-   a criação de um pólo de turismo, Ambiental e Rural;
- a protecção e recuperação de indústrias tradicionais e artesanais da Freguesia;
- a criação de condições a nível local para o investimento no sector agrícola que tantas e tão profundas raízes tem em Mouriscas;
- a implementação de um saneamento abrangente para Mouriscas;
- a construção de um espaço coberto para actividades desportivas;
 
Da leitura da mensagem do Dr. Carlos Alberto Santana Maia, ex-bastonário da Ordem dos Médicos, ex-Governador Civil de Coimbra e ex-deputado do Partido Socialista, destacamos, pela importância que reveste, o seguinte excerto:
 
«Como militante do Partido Socialista, tenho pena de não poder contar com o António no meu partido, mas aceito perfeitamente a sua opção, aliás igual à de meu Pai, que tem a sua fotografia na Sede do PSD, em Abrantes, descerrada em cerimónia pública, à qual assisti (…).
Seria, certamente, uma grande alegria para o meu Pai participar nesse jantar. Estou certo que o António saberá tudo fazer para o desenvolvimento do Concelho de Abrantes, que tem enormes potencialidades e que nunca esquecerá Mouriscas, onde tem raízes familiares de que se orgulha. (…)
Por isso, não posso ficar indiferente à sua candidatura à Presidência da Câmara Municipal de Abrantes, não tendo qualquer dúvida em nele votar, se estivesse recenseado em Mouriscas, onde nasci, pois, para além dos Partidos, estão as Pessoas e, ainda mais, quando nos são queridas.»
 
Por fim, o candidato à Presidência da Câmara de Abrantes, na sua intervenção, para além do recordar e reafirmar as raízes profundas que o ligam à Freguesia, em particular e ao Concelho em geral, traçou as linhas de força da sua candidatura, que assentam fundamentalmente num espírito de serviço e de missão relativamente a todos os Munícipes do Concelho.
 
A lista concorrente à Junta é composta pelos seguintes elementos:
 
Lista Junta de Freguesia de Mouriscas- 2009
Manuel Catarino
Inspector P.J. aposentado
Manuela Alves
Engenheira
Amadeu Lopes
Engenheiro
Anabela Crispim
Professora
Isidro Pires
Empresário
Maria Helena Pita
Animadora Socio Cultural
Abel Correia
Reformado
Susana Filipe
Socióloga
Manuel Duarte
Motorista
Preciosa Branco
Doméstica
José Chambel
Funcionário Público
Patrícia Grilo
Professora
Luís Reis
Professor
Sofia Pita
Finalista de Direito
Carlos Grilo
Técnico cortador de carnes
Augusta Agudo
Empresária
Salustiniano Sério
Reformado
Elisa Matos
Auxiliar de Acção Educativa
Francisco Filipe
Electricista rebobinador
Joaquim Pita
Agricultor
Paulo Leitão
Electricista
Orlando Alpalhão
Empresário
Sofia Serrano
Arqueóloga

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Terça-feira, 19.05.09

MOURISCAS E O RIO TEJO

por Manuel Catarino

 
Quando Carlos Bento e João Maia Alves escrevem sobre Mouriscas e o seu Tejo, as palavras traduzem investigação e rigor. Fazem-no também por amor a esta terra que os viu nascer e que lhes fez crescer este sentimento tão português, a saudade.
 
Através dessas e de outras leituras e também de vivências, aprendi a conhecer as pessoas e a perceber a sua ligação ao rio Tejo. Ele foi até aos anos 50 a grande estrada que ligava Mouriscas à zona da lezíria a jusante ou Vila Velha de Ródão, a nascente. Era por aqui que eram escoados os tijolos e telhas provenientes dos fornos que aqui os fabricavam, a cortiça cortada nos montados da Beira Baixa e Alto Alentejo, o azeite e outros produtos agrícolas que se destinavam a alimentar as cidades que o rio banhava.
 
Mas o Tejo era muito mais que um lençol de água navegável. Era uma fonte de proteína, para intervalar com a carne de um porco, obrigatoriamente dividida por todo um ano. Era pois ali que, ao fim de um dia de trabalho, se ia pescar o tal peixe como complemento alimentar, ou mesmo se fazia vida profissional da actividade piscatória. Era ainda para ali que, ao domingo, iam famílias e grupos de jovens, porque era a praia que tinham à mão.
 
Hoje, no mercado que ainda se faz ao domingo podemos ver pescadores com lampreia, um ou outro sável, uns quantos barbos e muges. E são muitas as pessoas que o levam para casa e dizem que sim, que aquilo é que é peixe, muito melhor que o do mar.
 
No dia 10 de Junho, Mouriscas vive o dia de Portugal de uma forma diferente e que evidencia esta relação com o seu Rio. As pessoas de beira-rio e os pescadores oferecem o peixe, num almoço junto à margem, aberto a quem quiser participar. Este dia tão simbolicamente importante foi escolhido porque a relação dos mourisquenses com o seu Rio tem igual relevância.
 
Os tempos mudaram e o Tejo já não é o que era. Os pescadores profissionais lançam as redes depois do açude de Abrantes e em outras águas, os pescadores desportivos também tiveram de procurar momentos de lazer noutros aquíferos e até os corvos marinhos tiveram que debandar à procura de alimento. O executivo de Abrantes não só desprezara este Tejo, nem de um caixote de lixo este troço de rio era digno, como, com a construção do tal dique, lhe roubara os tradicionais peixes. E, no 10 de Junho, como no ano passado, a tal caldeirada confecciona-se com peixe congelado apanhado eventualmente noutro Tejo.
 
Facilmente percebemos que esta relação é económica e é cultural. É a vida das pessoas e a vida do seu Rio. Mas, se os senhores que mandam não acreditam nas pessoas de Mouriscas, porque não içaram bandeiras junto aos Paços do Concelho, talvez Pessoa, nas palavras de Alberto Caeiro os toque:
 
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia
.………………….
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
 

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Quarta-feira, 29.04.09

A DITADURA DA MAIORIA EM MOURISCAS

 por Manuel Catarino

 
Como tem acontecido com vários governos suportados por maiorias parlamentares, que, na fase final dos mandatos, tomam decisões polémicas e que podem comprometer executivos resultantes de novos actos eleitorais, também Mouriscas viveu uma noite que a história desta terra vai recordar com tristeza. Normalmente é a esquerda que tem condenado este tipo de atitudes mas, nesta freguesia em que a CDU é poder, os factos demonstram que o poder sem travões, seja ele de esquerda ou de direita, esquece as pessoas e os seus direitos.
 
Num Edital da Junta de Freguesia, podia ler-se, como sendo um ponto da ordem de trabalhos, «permuta de caminhos no Casalão». Embora o edital não especificasse a tal permuta, o certo é que se soube de que permuta se tratava e, em vez das habituais duas ou três pessoas a assistir à Assembleia de Freguesia, estavam cerca de uma quinzena.
 
No período antes da ordem do dia, as intervenções de fregueses dirigiram-se, entre outros assuntos, contra a alteração dos caminhos a que se referia o edital, justificando-o, nomeadamente, com um traçado propício a uma maior sinistralidade e inviabilizante da circulação de veículos pesados. Findo este período, os trabalhos incidiram sobre outros assuntos da agenda, vindo depois a lume novamente a aludida permuta dos caminhos. Pela palavra do Presidente da Junta, foi reportado o grande relevo da empresa JJR para a freguesia de Mouriscas, como entidade empregadora (a maior da aldeia) e o grande relevo desta empresa para a terra, que iria ali construir uma zona industrial… Argumentos corroborados pelo Presidente da Assembleia
 
Os dois deputados da oposição, aquando do uso da palavra e assumindo que nada os opunha, quer à JJR, quer ao Presidente da Junta de Freguesia, argumentaram que ali não havia empregados de Mouriscas. E como era possível que, em poucos anos, um pequeno depósito de inertes dentro de uma povoação se pudesse transformar numa britadeira com tal dimensão e tão poluente? A apresentação desta proposta pela Junta de Freguesia tornava por demais evidente que só a empresa JJR e a Junta tinham interesses nesta permuta.
 
Atendendo ao descontentamento evidenciado pelos presentes e o desconhecimento do desagrado público, deveriam ter sido interrompidos os trabalhos e ser marcada uma assembleia extraordinária com a audição dos possíveis lesados, até porque, se a proposta fosse aprovada, já existiam pessoas dispostas a recorrer ao tribunal.
 
Da assistência ouviam-se frases como: “as minhas oliveiras estão todas queimadas com o pó”, “duas pessoas que ali moravam tiveram que sair”, “os terrenos naquela zona foram todos desvalorizados”, “o novo caminho vai ser um inferno de acidentes”…
 
A proposta foi votada e aprovada pela maioria CDU.
 
Cá fora, entre acusações menos bonitas, alguém diz: Catarino isto que aqui se passou tem que ser divulgado. É que o Presidente da Junta trocou o povo de Mouriscas por uns restos de alcatrão, que o JJR teria que pôr numa lixeira, e que ele aproveita para tapar uns buracos nos caminhos da terra.
 
Agora não podemos deixar de nos interrogar:
 
O que levará uma Junta de Freguesia a representar uma firma, contra a vontade das pessoas que a elegeram e que publicamente testemunham estar a ser lesadas no seu património, na sua saúde e na sua segurança?
 
Será que é razoável acreditar que por uns camiões de materiais e uma possível indução ao voto se desprezem as pessoas?
 
Será que votar nos obriga a pagar sempre um preço?

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Sexta-feira, 13.03.09

OS RADICAIS

por Manuel Catarino 

 
“Grande maluco”, “janado”, “má companhia”, são os epítetos menos desagradáveis com que se apelidam jovens com padrões de vida diferentes. Claro que os locais por eles frequentados ou de reunião são pontos de partida para a perdição, a meta corolário destas vivências. Parece que nos esquecemos da geração de sessenta e os confrontos com os costumes, cultura e poderes instituídos. Parece que nos esquecemos que Abril aconteceu porque um estar diferente foi minando as estruturas sociais de então e o poder político não aceitou a diferença.
 
Alguns viventes dessa geração tornaram-se fazedores de ideias e outros governantes. Encontram-se acomodados na vida, olham com satisfação o próprio sucesso e querem impor o modelo que criaram. Venderam a alma, a criatividade, a solidariedade por mais uma casa de férias e uma conta bancária num paraíso fiscal, já que a irreverência se foi esfumando com a idade. Alguns dos filhos copiaram este modelo mas outros recriam o espírito dos papás enquanto jovens.
 
A geração posterior, os jovens de hoje, são os mesmos que levantaram as barricadas nos anos sessenta e destronaram presidentes. Não se revêem nas políticas porque na educação grassa a instabilidade, no trabalho os maus ordenados, a precariedade e insegurança, na justiça a injustiça, no poder a corrupção, em suma, quando olham em redor não gostam do que vêem e sentem que este não é o seu mundo. Outro tanto se passa com a classe média e os mais pobres, que não vislumbram qualquer esperança para os seus anseios e necessidades.
 
Uns, interiorizando a incapacidade de alterar o sistema caem nas drogas ou depressões; outros, os guerreiros, igualmente conscientes que o sistema político criou uma carapaça de auto protecção que não conseguem destruir, juntam-se em tribos ou associações, com perspectivas musicais ou culturais, interesses ou ideologias comuns. Entre estes grupos destacam-se os criados para a prática de desportos radicais, proporcionando um conjunto de actividades galvanizadoras dos jovens.
 
Em Mouriscas, onde existem mais de duas centenas de jovens (só na EPDRA encontram-se cerca de cento e cinquenta estudantes), a Associação Recreativa os Mouriscos centraliza esta sã rebeldia da juventude e canaliza-a para a prática de actividades radicais. E porque estes jovens sabem do que falo, cito de Sibelius: «Não devemos dar demasiada atenção ao que os críticos dizem. Nunca foi erguida uma estátua em honra de um crítico». Parabéns. 

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Segunda-feira, 09.03.09

AS NOVAS VÍTIMAS

por Manuel Catarino

 

Como não me reconhecia qualidades para a elaboração de escritos profundos, escrevi umas quantas palavras, em dois ou três textos, sobre algumas injustiças que se me foram deparando na minha vivência em Mouriscas. Mas, como tenho visto uma abordagem quase quotidiana do “coitaditismo” nacional, que tudo justifica a bem das convergências ou pela incapacidade de encontrar alternativas, resolvi também dactilografar umas palavras à espera que alguém tenha a coragem de as publicar.
 
Grosso modo, ainda pequenote, aprendi que vítima era alguém que tinha sido surrado, espoliado dos seus animais ou outro qualquer bem, ou até mesmo a quem tinham apelidado com nomes mais difíceis de entrar no ouvido. Mais tarde, vítima passou a ser também aquele outro que tinha sido preso por delito de opinião e, já depois da Revolução dos Cravos, entraram no discurso as vítimas do fascismo e do comunismo.
 
Entretanto começam a surgir outros tipos de vítimas, criados por alguns veículos de opinião saídos de uma classe média auto-punitiva, assumindo todos os males do mundo, normalmente ligados às ciências do comportamento ou ao direito. Foram as vítimas de uma sociedade mal estruturada que promoveu a sua exclusão e que levou à existência de grupos de marginalizados e de minorias e também a um sem fim de categorias, que auto assumiram a diferença, o que lhes dava um jeitão e desculpava todas as tropelias. Esses coitadinhos construíam três barracas em três câmaras distintas para trespassar duas e ficar com uma. Efectuavam assaltos e vendiam droga como única possibilidade de sobreviverem e, quando era detectado um novo-riquismo ostensivo, era justificado com as carências da juventude ou uma compensação por séculos de colonização. O trabalho era uma forma moderna de escravatura ou de dependência de uma classe dominante.
 
Recentemente surgiu um extenso rol de novas categorias de vítimas (perdoem-me aqueles de que não falo, mas não é por esquecimento ou desprestígio por essas pessoas, mas tão só por gestão de espaço de escrita). É um primeiro-ministro que é vítima de uma série de coincidências que, também por coincidência, algumas são casos de polícia. É um ministro vítima das estatísticas de crime violento, que quis esconder para evitar o alarmismo e manter a paz pública, enquanto, qual ilusionista, procurava soluções na manga. São os abusadores do processo Casa Pia que são vítimas da investigação e de validarem os testemunhos de uns putos das barracas, testemunhos que um tribunal superior resolveu desacreditar para inocentar outras, também vítimas e com nome sonante. É uma alteração ao Código de Processo Penal que permitiu anular prova obtida legalmente em escutas telefónicas contra dirigentes desportivos e assim inocentados, vítimas de perseguição policial. São os bandidos, vítimas deste mesmo código, que os obriga a gastar rios de dinheiro em advogados, em recursos sucessivos até atingir o limite dos prazos. São os legisladores vítimas de um jornalismo, pago por forças maquiavélicas, que denunciam estas alterações à lei e as suas consequências, que esses políticos, coitadinhos, eram incapazes de prever. É o mesmo legislador vítima de lapso de escrita, que o leva legislar e aprovar um novo Código de Trabalho, onde todos os prevaricadores do regime legal anterior a esta lei são isentados e isto não parece, livre-nos Deus, mais uma benesse a uns amigos. São verdadeiramente vítimas, aqueles senhores que deixaram a banca de rastos, com os seus jogos na bolsa que inflacionava os valores do mercado, e que o governo resolveu apoiar nacionalizando os seus prejuízos, já que os ganhos estavam a bom recato num qualquer paraíso fiscal. São um sem número de políticos, vítimas de desemprego ou de escribas ressabiados, que, para sobreviverem, arranjam uns passatempos a ganhar uns milhares de euros por mês na banca do Estado, em empresas públicas ou privadas que, por coincidência, haviam ganho um concurso público. São essas mesmas empresas, argumentando ser vítimas de derrapagens de preços, que renegociam os valores das empreitadas conseguindo atingir o triplo do contrato inicial. São os magistrados vítimas da marcha lenta dos processos, que demoram anos a ir da estante do funcionário até à sala de audiências, quando não são vítimas de um qualquer autarca ou funcionário que não lhe acautelou parqueamento permanente e gratuito. São os empresários, vítimas da crise, que são obrigados a encerrar mais um negócio e despedir uns quantos pobretanas porque é preciso manter o status e mudar de Ferrari. São…
 
Chegados aqui, e abordado o conceito de vítima ao longo de quarenta anos, percebemos que as pessoas mudaram e as vítimas também. As mulheres e os homens destas Mouriscas espalhadas pelo país, uma boa parte de idosos, desempregados ou no limiar da sobrevivência, alguns que já foram classe média, as tais vítimas de há quarenta anos, que pouco mais exigem que os direitos a um dia a dia digno e à igualdade de oportunidades, continuam a sofrer na pele os desmandos destas outras vítimas. Mas, o que confrange mesmo, é a não rejeição, resignação ou mesmo aceitação destes desmandos e perceber que a vitimação os justifica. Os espertalhões ocuparam os melhores lugares neste comboio de vítimas e de milhões, mas ainda há alguns lugares vagos e, por este andar e tanta justificação, juntam-lhe mais umas carruagens para os amigos.
 
Aos que comigo privam, por favor, não me chamem conservador, classissista ou xenófobo e muito menos não me dêem porrada, porque eu não quero ser nenhuma das vítimas.

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Segunda-feira, 02.03.09

DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS

por Manuel Catarino

 
No seguimento do texto divulgado em que assumimos a candidatura à Freguesia de Mouriscas, julgamos oportuno esclarecer os nossos conterrâneos das razões que levam a esta opção de comunicação – a palavra escrita.
 
A primeira razão prende-se com o vínculo que a escrita nos impõe. A nossa postura, as nossas ideias e as nossas propostas, sendo escritas, são uma afirmação de rigor, ao contrário da palavra, que pode ser desdita ou “ leva-a o vento”. A outra razão, é a possibilidade de o texto poder ser, a qualquer momento, o mote para um debate, independentemente da data da sua publicação.
 
Assumido assim este meio de comunicação como o mais correcto e transparente, tentaremos, com alguma periodicidade, dar a conhecer aos eleitores de Mouriscas a visão que temos desta nossa terra, quer através do blog amarabrantes.blogs.sapo.pt, quer pela distribuição dos textos, quer através da colaboração em jornais.
 
Esta candidatura assenta num grupo de trabalho que tem vindo a fazer o diagnóstico das carências da freguesia e acredita ter capacidade para apresentar soluções exequíveis, em estreita colaboração com a equipa a que preside Santana-Maia. Podemos, assim, afirmar que existe uma identificação entre a candidatura à Câmara de Abrantes e a candidatura à Freguesia de Mouriscas e uma comunhão de objectivos.
 
No entanto, o rigor obriga-nos a afirmar que é impossível produzir em quatro anos o que deveria ter sido feito em vinte. Mas foi precisamente por termos a consciência de que só teremos pela frente cinco anos de verbas comunitárias (este último Quadro Comunitário termina em 2014), aliada à constatação de carências de ordem social e económica de uma parte significativa da população, assim como a inexistência de alguns serviços de proximidade entre o cidadão e o Estado e uma rede de saneamento, entre outros, que nos impôs esta participação cívica através de uma candidatura.
 
Relevamos como importantes todas as obras realizadas pelo actual executivo da Junta de Freguesia e acreditamos que mais não fez porque não pôde… Gradualmente e, como acima foi dito, difundiremos em posteriores escritos um conjunto de propostas que esperamos serem melhoradas com sugestões dos mourisquenses, cabendo aqui afirmar que o envolvimento dos mourisquenses é outra das traves mestras desta candidatura. A tarefa é tão difícil que só uma participação de todos permitirá conduzir ao êxito.
 
Outro tanto não se passou com o executivo camarário. Durante anos, foi arrastando o projecto de saneamento básico e, há algum tempo, por artes mágicas, tirou da cartola um projecto que abarca uma parte de Mouriscas. Ficámos boquiabertos com o descaramento do executivo da Abrantes de propor para Mouriscas, uma freguesia, com um território e um povo que todo ele paga saneamento, um tratamento diferente para um mesmo direito. Não meus senhores, isso não se faz, os senhores prometeram um saneamento para Mouriscas e uns troços de esgotos a entroncar em ribeiras que levam os dejectos para o Tejo, já vocês aqui fizeram. E também não aceitamos que tentem dividir esta terra para contentar uns quantos e caçar os votos de alguns contemplados. Aceitamos, isso sim, um projecto de saneamento integral, independentemente de a sua construção ser faseada. Já agora, e porque preservamos os dinheiros públicos, sugerimos que confirmem o estado de conservação das condutas da água e se não se justificará a passagem das duas tubagens pela mesma vala. É que com uma cajadada, matavam dois coelhos.
 
Este pequeno exemplo afere da importância da nossa candidatura. Estamos presentes no quotidiano, tentamos aperceber-nos do que nos rodeia e, com frontalidade, respeito para com todos os intervenientes em Mouriscas e consciência da responsabilidade que assumimos, transmitimos aquilo em que acreditamos. Fizemos opções difíceis: ser frontais e directos mas também cordatos e dialogantes, manter a firmeza nas decisões mas também flexíveis para gerar consensos.

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Quarta-feira, 18.02.09

ASSOCIATIVISMO E CIDADANIA

por Manuel Catarino

 

Radiquei-me há poucos anos em Mouriscas e a visão que tenho das associações e da forma como alguns mourisquenses participam na vida dessas associações não é propriamente coincidente. É claro que, quando aqui cheguei, todas estas associações, que têm, como fim, áreas tão diferentes como a económica, desportiva, cultural, social e lúdica, já se encontravam criadas e não vivi as paixões, interesses ou mesmo conflituosidades que estiveram na sua génese e vivências posteriores.
 
Creio que haverá na freguesia de Mouriscas cerca de uma dezena de formações de carácter associativo, algumas delas com o mesmo fim. Das mais antigas, temos duas na área da olivicultura, duas na área desportiva, duas na área musical que, acredito, surgiram devido à dispersão geográfica, aliada ao tempo, a uma forte densidade populacional e a fenómenos bairristas. Mais recentemente surgiram outras associações que já atravessam toda a sociedade mourisquense e onde aqueles fenómenos não se manifestam. Olhando para este mapa, creio que teremos associações a mais para o nosso universo populacional actual.
 
Acredito que os objectivos e dinâmica do associativismo actual estão longe das iniciativas e formas de estar de outros tempos. O associativismo actual assenta, cada vez mais, numa promoção de parcerias, de uma coexistência com respeito pelo outro, de uma promoção global e efectiva tanto do Homem como do Grupo.  
 
Acredito que as associações terão que dar resposta às carências não só dos associados, mas sobretudo da sociedade onde territorialmente se encontram implantadas. Acredito que o associativismo é uma das formas mais nobres do exercício da cidadania. É um acto de voluntariado e de liberdade não sujeito a comandos externos.
 
Mas, também acredito, que as direcções das associações não podem ser estáticas. É forçoso que, com o respeito pela diferença, proponham aos seus associados, neste conceito abrangente e solidário, a fusão de associações com fins idênticos, que fomentem parcerias, visando a optimização dos meios existentes e uma procura concertada de novos meios.
 
Mas, também acredito, que as direcções das associações não podem adormecer sobre a obra feita. É indispensável uma interacção com os sócios, parceiros e população em geral para manter vivas essas associações e a descoberta de novos caminhos. É indispensável que as direcções proponham objectivos exequíveis em programas que, a bem da credibilidade, importa cumprir. Sem cidadania e uma efectiva participação dos cidadãos, as associações estão vazias do seu conteúdo humano e mesmo ético.
 
Estive há algum tempo numa associação de carácter social e vi com mágoa a falta de participação dos associados no quotidiano da associação e mesmo nos actos mais solenes, tais como assembleias-gerais. Também vi, com mágoa, posturas intransigentes e actos de afirmação incompreensíveis que criam clivagens e que não propiciam participações construtivas. Estar numa associação é um acto de cultura cívica e ser dirigente não o entendo como uma obrigação e um dispêndio de tempo e dinheiro, mas uma alegria e um enriquecimento cultural. Encontrei novos amigos e sinto-me reconhecido por ter participado num projecto edificante, que gostaria de ver partilhado.

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Domingo, 08.02.09

O MONÓLITO

 por Manuel Catarino

 
Armado em tonto, a cantarolar logo de manhã, porque só pode ser tonto quem cantarola com esta crise, meto a chave na caixa do correio e sai de lá de dentro uma molhada de papel. Umas poucas contas e um montão de publicidade de produtos que eram um regalo para os olhos e uma asfixia para a carteira. No meio deste embrulho vejo uma revista com um papel de superior qualidade e uma excelente impressão, seguramente cara.
 
Mas, se a primeira publicidade era gratuita, já esta revista, também ela de publicidade mas encapotada, daquela publicidade subliminar que é proibida aos publicitários, foi-me posta na caixa do correio porque eu, contribuinte, involuntariamente, já a tinha pago e bem cara. O seu interior era um olhar para dentro da obra do executivo e uma afronta a gastos sumptuosos para um concelho com tantas carências. Já a contracapa apresentava uma composição de arquitectura vetusta, elegante e sóbria como é a cidade de Abrantes e, no meio destes “monumentos”, um monólito.
 
Sabem os senhores governantes que esta composição fez-me retroceder aos anos 90, quando o país presidiu, pela primeira vez, à Comunidade e se construiu também um edifício paralelipipédico junto ao Mosteiro dos Jerónimos a que pomposamente chamaram Centro Cultural? Seguramente conhecem as controvérsias sobre a estética e o enquadramento urbanístico, as derrapagens orçamentais na sua construção e as actuais, na manutenção. Estamos todos a pagar essa vaidade e esta afirmação não é populismo.
A sensação que temos é que a falta de criatividade deste executivo para implementar incentivos à fixação de residentes na parte da cidade mais antiga, fomentar actividades e comércio local, recuperar imóveis apalaçados para fins culturais e assim evitar que as ruas da cidade, que tão bem recuperou, sirvam só para sair, levou-os a copiar o modelo de Belém, independentemente de quem pagará a factura.
 
Não temos formação técnica para avaliar do mérito de um projecto arquitectónico assim arrojado. Aliás, pensamos que, mesmo que se trate de um projecto de autor reconhecido, não tem forçosamente de ser do interesse de Abrantes ou do concelho e, que se saiba, ainda não foi explicado aos abrantinos da sua rentabilidade, porque a arte também é um negócio. Já agora, senhores governantes deste concelho, expliquem também aos eleitores a razão da nova geminação. É que, com tantas passeatas a França, Cabo Verde e agora ao Japão é difícil de acreditar que os nossos impostos têm uma razão social. Rejeitamos que identifiquem este discurso com populismo, porque ele assenta, tão só, na consciência do descrédito de setenta por cento dos portugueses na classe política.
 
 Agora que, como candidato a uma junta de freguesia, também estou na política, não gostaria que me identificassem com este carreirismo despesista. Importa pois adoptar uma postura de rigor e ética para com os dinheiros públicos e estabelecer prioridades, tendo em conta as verdadeiras carências das aldeias do concelho e da própria cidade. Olhemos, a título de exemplo, para as povoações que não possuem saneamento básico e que coercivamente o pagam.

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Segunda-feira, 02.02.09

EU TAMBÉM TOMO OMEOPRAZOL

 por Manuel Catarino

 

Creio eu que em finais do ano que já lá vai, vi escrito algures que, no nosso país, havia um consumo excessivo de omeoprazol, químico que é um dos produtos prescritos para o tratamento de úlceras e gastrites. Eu também o tomo de há uns anos a esta parte, por causa de umas maleitas parecidas.
Ora, acontece que muitas destas gastrites e úlceras têm a ver com o nervoso e, dizem para aí que é do stress e da nossa sociedade. Verdade verdadinha é que a venda de anti depressivos, calmantes e chás é um negócio do caneco.
Eu cá para mim tenho que, os governantes só nos permitem alguns descontos na saúde, porque reconhecem que são grandes responsáveispor estas doenças. Esses senhores não são despudorados de todo e, bem lá no fundo, ainda têm uns laivos de consciência.
Também tenho para mim que, além dos problemas que afectam a maioria dos portugueses, os mourisquenses têm outras razões que os levam a sofrer destas enfermidades, e não ficaria pasmado, se aqui a taxa destas doenças fosse superior à média nacional.
Senão vejamos…
Uma família de Mouriscas mete-se no seu automóvel, percorre a sede de concelho e vê que, por onde passa, os semáforos funcionam, vê passadeiras de peões junto das escolas e, nas zonas urbanas os edifícios públicos apresentam-se em razoável estado de conservação e as estradas até têm um ar cuidado e sem buracos.
Regressa a Mouriscas pela variante, e dá com dois semáforos que há anos não vêm réstia de electricidade! Claro que não atropela nenhuma criança à saída da escola porque sabe que os pirralhos são capazes de sair disparados do portão que, às vezes até está aberto, para virem buscar a bola à estrada e as crianças jogam à bola uma vez que a Associação de Pais só conseguiu arranjar dinheiro para dois baloiços e a câmara da Abrantes tem mais em que pensar que nos putos de Mouriscas! Ah, e por falar em escola, lembra-se da ESCOLA VELHA, essa, a verdadeira escola, a que está a cair e que o senhor Presidente da Câmara, espertalhão, emprestou a uma associação da terra para a recuperar, e…
Toca de ir à farmácia comprar uns omeoprazóis e uns xanax porque não tinha nada que sair de casa e ver e, muito menos de comparar Mouriscas com outras terras e com a sede de concelho.
Mas houve um dia em que se sentiu mesmo mal do aparelho digestivo, foram dores de cabeça, era o coração aos pulos, foi um problema de deglutição que ainda perdura, e tudo isto aconteceu quando a vereadora da cultura e acção social votou contra o Lar de Mouriscas, porque a terra não evidenciava capacidade económica para cumprir com a sua parte do projecto. Toca de correr para a farmácia, receita reforçada e mais umas pastilhas para a azia.
Mas, de repente a mente ilumina-se-lhe. Todos os meses paga na factura da água uma pipa de massa de coisas que não consome. São taxas de saneamento que não tem e mais um rol de linhas de uns palavrões que não sabe o que são e que quando o papel lhe chega à mão, é azia pela certa. Ah, pois, lembrou-se de pedir aos senhores de Abrantes se também poderia descontar naquela factura pelo menos uma parte dos medicamentos que toma, destes só, do omeoprazol e os dos nervos! É que, se os senhores de Lisboa faziam descontos nos medicamentos e se as suas governações lhe faziam menos mal que as governações de Abrantes, era justo que lhe descontassem também uma percentagem dos medicamentos, mas esses descontos só incidiriam nas tais taxas porque a água, essa, queria pagá-la por inteiro.

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Terça-feira, 27.01.09

OLHAR MOURISCAS

por Manuel Catarino

 

Quando, nos anos cinquenta, um mourisquense se dirigia à Estalagem à Estação da CP ou a qualquer outro lugar desta sua terra sentia vida, sentia trabalho, sentia empenho empresarial, sentia alma no ensino e na saúde, percebia o pulsar de uma povoação que lutava, isto eu ouvi dizer. Eram as várias fábricas de esparto a descarregarem ceiras e capachos numa Estação com empregados e utentes a cruzarem-se no cais, eram as toneladas de figo que eram apanhados, secos e vendidos, eram as safras da azeitona e o corrupio para os lagares, eram as oficinas de fogo de artifício e os fornos de tijolo e telha isto também me contaram. Que um tal Senhor professor e um outro Senhor que era médico, ministraram cultura e ensinamentos para os filhos da terra poderem também vir a ser doutores ou ganharem concursos a empregos na CP, isto ainda se fala no Largo da Igreja aos domingos.
Mas, com o tempo as fábricas fecharam, a geração que tinha sido ensinada emigra, a desertificação e o envelhecimento alastram, enfim o paradigma passa a ser outro.
Mouriscas tinha singrado sozinha e também só estava a definhar. Abrantes, do alto do seu Castelo continuava de costas voltadas e lá se lembrou por uma vez que este povo existia, construiu uma barragem e disponibilizou-lhe água potável. Já lá vão duas dezenas de anos.
Os de cá da terra e outros que a fizeram sua, continuaram com a horta, nos Santos a varejar a azeitona e no dia a dia a fazer mais uma casa ou recuperar uma outra, para o conterrâneo bem sucedido e que precisava da casa da aldeia.
Das muitas indústrias duas vão-se mantendo e uns poucos empresários, sempre sós, vão dando uns pontapés no sistema e são a pequena lufada de ar fresco e dinheiro para umas quantas famílias.
De permeio, as associações mantêm alguma actividade de prestação de serviços a idosos, desporto e lazer e uns quantos blogs transmitem aos não de cá a riqueza e o potencial desta terra.
Há mais de vinte anos que Abrantes, ou os senhores da Câmara, viraram as costas a Mouriscas mas os novos tempos trazem pessoas diferentes.
Mas, se esta terra já teve capacidade de gerar doutores e com uma média superior a qualquer outra, se já teve capacidade para gerar riqueza, julgamos possível ser capazes de tornar Mouriscas novamente atractiva, encontrando em si um novo modelo para enfrentar este declínio.
Não acredito na construção de uma zona industrial em Mouriscas. Em tantos anos de Comunidade, com tantos milhões a serem canalizados para o concelho sem qualquer investimento nessa área e encontrando-nos rodeados dessas infra-estruturas, é razoável percebermos que fomos ultrapassados e que perdemos o comboio da indústria.
Mas esta é a nossa terra e impõe-se-nos criar aqui condições de vida digna.
Não é tempo de procurar culpados ou exorcizar este ou aquele. Não é tempo de actos isolados e de culturas adonistas de umbigo. Impõe-se juntarmo-nos humildemente ao redor das estruturas e instituições que temos e criar modelos de desenvolvimento sustentável, utilizando as potencialidades da terra e os apoios que possam estar disponíveis. Impõe-se que as crianças desta terra, quando acedem ao secundário, sejam olhadas pela qualidade como antigamente.
É tempo de olhar e ver Mouriscas com outros olhos.
Escolhi Mouriscas. Aqui sou eleitor. Aqui tenho os meus amigos.
Fui convidado por Santana Maia para um projecto e aceitei. É meu dever dizer que podem contar comigo para, todos juntos, invertermos esta inércia e recuperar do perdido nestes últimos vinte anos.

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Quarta-feira, 21.01.09

MANUEL CATARINO É O CANDIDATO EM MOURISCAS

 

Manuel Catarino foi escolhido, por unanimidade, como candidato social-democrata à Junta de Freguesia de Mouriscas.
Manuel Catarino tem 58 anos e foi, até se reformar em 2002, inspector da Polícia Judiciária, onde desenvolveu a sua actividade como investigador em áreas diversas, tendo passado, os últimos anos, na investigação do tráfico de estupefacientes. Esteve também presente, desde o início, na criação da Associação Sindical da Polícia Judiciária.
 Em 1996, comprou em Mouriscas uma casa antiga que tem vindo a recuperar e onde fixou a sua residência. Dedicado e apaixonado pela freguesia, onde tem raízes familiares, fez parte da Direcção da ACATIM, conseguindo ganhar uma candidatura para o financiamento de um lar de 30 camas, com a oposição dos votos da vereadora e do núcleo executivo da CLAS.
Sendo Mouriscas uma freguesia que, nos últimos anos, tem perdido muitas oportunidades e visto partir muitos dos seus filhos, Manuel Catarino representa, precisamente, aquilo que todos esperamos que venha a ser Mouriscas: uma freguesia atractiva e com voz própria capaz de fixar os seus filhos e de atrair e integrar gente de outras paragens.
 
Ver posts relacionados:
Apresentação dos candidatos a Mouriscas:

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