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COLUNA VERTICAL


Quarta-feira, 29.06.11

VEREADORES DO PSD FAZEM BALANÇO

In Mirante edição de 22/6/11

 

Os vereadores do PSD da Câmara Municipal de Abrantes, de maioria socialista, afirmam que o município está a “correr para o abismo” caso não reveja os investimentos “megalómanos” em curso. No balanço de 18 meses de mandato, apresentado pelos vereadores Santana Maia e Belém Coelho e pelos candidatos autárquicos do PSD que já desempenharam funções de vereador no actual mandato e que têm colaborado no trabalho da vereação, as críticas ao trabalho desenvolvido pela maioria socialista foram generalizadas.

 

A segurança, ou a falta dela, na cidade, o processo da RPP Solar, em que a autarquia investiu um milhão de euros para nada, o centro histórico da cidade e os investimentos nos processos de regeneração urbana, milhões para a cidade, nada para as freguesias, a falta de acesso a cuidados médicos de saúde e os direitos espezinhados da oposição, reveladores de claustrofobia democrática”, foram algumas das críticas lançadas ao executivo socialista por Santana Maia.

 

A orgânica municipal, as nomeações duvidosas e o acumular de aberturas e anulações de concursos, que só desprestigia a própria câmara, e o investimento de 13 milhões de euros no futuro Museu Ibérico de Arqueologia (MIAA), um desastre anunciado”, foram outras situações sublinhadas.

 

É preciso um travão nos projectos megalómanos e ruinosos e que fazem o município correr para o abismo”, defendeu Santana Maia, que acrescentou que o país “não está em condições de continuar a alimentar sonhos de grandeza, lançando obras para as quais depois não há dinheiro para pagar”.

 

O vereador Belém Coelho, por sua vez, defendeu a “suspensão imediata” do concurso para a construção do Museu Ibérico, “reclamando por prudência tendo em conta a gravidade da situação económica” nacional.

 

Tomou-se primeiro a decisão de construir o MIAA e pensou-se depois no resto. E se, por acaso, o estudo de viabilidade financeira, agora encomendado, não for favorável? Abandona-se o projecto, depois de gastar mais de milhão e meio de euros em projectos e mostras?”, questionou.

 

O centro histórico da cidade foi outra das preocupações dos autarcas do PSD, tendo Santana Maia afirmado que o mesmo tem conhecido um “processo de definhamento que se traduz em perda de pessoas e de funcionalidades e na morte lenta do comércio” tradicional.

 

Também a previsão do arranque do empreendimento RPP Solar, objecto de sucessivos adiamentos, tem suscitado dúvidas junto dos autarcas quanto à sua concretização (ver texto na página 26 desta edição).

 

VER CONFERÊNCIA: Balanço dos 18 meses de mandato

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Sexta-feira, 24.06.11

PRESIDENTE ACUSA VEREADORES DO PSD

in Mirante on-line de 17/6/11

 

Os vereadores do PSD na Câmara de Abrantes acusam a presidente do município, Maria do Céu Albuquerque (PS), de ter vertido para a acta da reunião camarária de 30 de Maio passado “um ataque político tão deselegante para os autarcas da oposição” referindo que “o único objectivo é desconsiderar o seu trabalho”. Em causa está uma sugestão da presidente para que os vereadores social-democratas solicitem antecipadamente informação sobre as suas pretensões e só apresentem como proposta ao executivo o que realmente o justifique “ao invés de andarem a trabalhar para a acta”. 

 

Na resposta, dada na última reunião do executivo quando se analisava a acta da reunião anterior, os vereadores do PSD disseram que a acusação da presidente da câmara “é o cúmulo dos cúmulos”, considerando que “os executivos socialistas têm gasto milhões de euros dos contribuintes na sua promoção pessoal, seja a trabalhar para a placa, como é o caso das obras faraónicas, seja a trabalhar para a imagem, através da contratualização de publicações do tipo Passos do Concelho, de publicidade nos rádios e jornais e no apoio a certas associações”. 

 

António Belém Coelho e Elsa Cardoso afirmaram ainda não perceber bem o incómodo que causam à maioria socialista as propostas do PSD levadas às reuniões do executivo. “Seria preferível, obviamente, que tudo se tratasse nos bastidores e que as actas servissem apenas para endeusar o trabalho extraordinário e meritório levado a cabo pela senhora presidente”, ironizaram.  

 

Os vereadores da oposição “laranja” sustentaram que as reuniões do executivo são o local próprio para pedir informações, levantar questões ou apresentar e debater propostas. “E os vereadores eleitos pelo PSD não abdicam, obviamente, do compromisso que assumiram com os munícipes de lhes dar voz, designadamente aqueles que em nós confiam, contactando-nos e expondo situações que necessitam de ser resolvidas”, afirmaram.

 

Ver DOSSIÊ IV: Direito da Oposição

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Terça-feira, 24.05.11

PSD PEDE SUSPENSÃO DO MUSEU IBÉRICO

in Mirante on line de 20/5/11

 

A vereação social-democrata de Abrantes apelou à “suspensão imediata” do concurso para a construção do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA), “atendendo à gravidade da situação financeira e económica” nacional, mas a câmara rejeita a ideia.

 

Com um investimento estimado de 13 milhões de euros, o MIAA vai acolher o espólio arqueológico da Fundação Ernesto Estrada, uma colecção de peças arqueológicas referentes ao período anterior à fundação da nacionalidade e relacionadas com a Lusitânia, tendo sido recolhidas pelo abrantino João Estrada (presidente da Fundação) ao longo de meio século.

 

O futuro museu, com projecto da autoria do arquitecto Carrilho da Graça, teve origem num protocolo estabelecido entre a Câmara de Abrantes e a Fundação e vai abarcar colecções de ourivesaria, numismática, arquitectura romana, medieval e moderna, arte sacra dos séculos XVI a XVIII, relógios de várias épocas e uma exposição de arqueologia e história local.

 

Santana Maia Leonardo, vereador do PSD na Câmara de Abrantes, afirmou à Lusa não ser “prudente” avançar para a construção do museu ibérico, “tendo em conta a gravidade da situação financeira nacional, sem antes se fazer um estudo sério e credível sobre a sua sustentabilidade económica”. O autarca acrescentou que a construção do equipamento não levanta apenas questões ao nível do investimento, da localização ou da estética.

 

Defendendo que a câmara “não pode lançar o município e o país na aventura da construção de um museu com esta dimensão e estes custos” para o erário público, o responsável afirmou que a colecção “não está imune a uma polémica que se prende com a origem de algumas peças e com a autenticidade de outras e sobre as quais se levantam demasiadas suspeitas”.

 

Por sua vez, a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS), afirmou à agência Lusa que a construção do MIAA é “irreversível”, considerando-o “determinante para a reanimação” do centro histórico da cidade enquanto “gerador de mais valias” ao nível dos fluxos turísticos, científicos e pedagógicos.

 

Relativamente à autenticidade das peças que integram as colecções, a autarca assegurou ter tem uma equipa “altamente conceituada” a trabalhar no projecto e disse que vários especialistas estudam o respectivo acervo, cujos primeiros resultados foram já apresentados publicamente.

 

Distinguir o trigo do joio é também o nosso objectivo e, por isso, além de reconhecer a excepcionalidade da colecção, admitimos que possam existir algumas peças falsas, há em todas as colecções, mesmo nos grandes museus do mundo”, vincou, tendo referido que “uma colecção com algumas peças falsas não é uma colecção de peças falsas”.

 

Maria do Céu Albuquerque disse ainda que o executivo que lidera “está a criar todas as condições para a sua execução [do museu]”, inicialmente através de candidatura a fundos comunitários no âmbito de programas de regeneração urbana, admitindo estar a “repensar” os prazos da construção do equipamento.

 

Ver secção (I) Museu Ibérico no DOSSIÊ: Centro Histórico e Cidade

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Quinta-feira, 12.05.11

VEREADORES DO PSD UNIDOS

In Mirante - edição de 12/5/11

 

Belém Coelho solidarizou-se com Santana-Maia

a quem foi retirada a confiança política


O vereador do PSD na Câmara de Abrantes, António Belém Coelho, solidarizou-se com o seu colega no partido e no executivo Santana-Maia Leonardo, a quem a concelhia do PSD de Abrantes retirou a confiança política. Num texto publicado no blogue “Rexistir por Abrantes”, intitulado “Vereadores do PSD: uma unidade indivisível”, Belém Coelho diz que foi “surpreendido” com essa tomada de posição da concelhia “laranja”, onde é filiado. “Não é compreensível, num partido que preza os valores democráticos e o direito de defesa, que, a coberto de um ponto da ordem de trabalhos tão trivial e genérico como é a ‘análise da situação política’, seja dada cobertura a uma decisão de tamanha gravidade e responsabilidade políticas”.

 

O vereador diz que uma decisão com essa gravidade devia estar bem explícita na ordem de trabalhos - “era o mínimo que se exigia a nível ético e também a nível político” - e não tomada por “uma larga maioria de uma pequena minoria de militantes presentes no plenário”.

 

Referindo que “a retirada da confiança política é uma figura não acolhida em termos dos estatutos e regulamentos partidários” e que “a sua relevância em termos práticos é nula”, Belém Coelho garante, num recado à concelhia do PSD liderada por Manuela Ruivo, que “os vereadores eleitos e/ou os seus substitutos, em caso de ausência ou impedimento, vão continuar a falar a uma só voz, como até aqui sempre o fizeram, sempre de acordo com o ideário social democrata e com o programa apresentado ao eleitorado concelhio”.

 

E acusa a concelhia de fomentar a divisão interna: “Estou absolutamente convencido que este tipo de atitude em nada acrescenta ao PSD de Abrantes, pelo contrário, subtrai e divide forças, para mais num momento de disputa eleitoral directa a nível nacional e indirecta a nível local”.

 

Belém Coelho confessa também que a sua “maior estranheza” resulta das declarações prestadas a O MIRANTE pela presidente da concelhia, publicadas na edição de 7 de Abril passado, onde Manuela Ruivo dizia: “Os vereadores têm desempenhado um trabalho com o qual nos temos solidarizado. São pessoas voluntariosas, que se dedicam à causa pública e ao partido”. E o vereador ironiza: “Isto não foi dito o ano passado ou antes! Foi dito nove dias antes do plenário de 16 de Abril”.

 

À retirada da confiança política a Santana-Maia não deve ser alheia a entrevista que o vereador deu a O MIRANTE, publicada a 14 de Abril, dois dias antes da reunião da concelhia, onde se referia em tom crítico a alguns militantes de peso que terão estado na origem da moção. “Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito”, disse na altura Santana-Maia. 

 

Ver posts relacionados:

Santana Maia na Rádio Tágide

Concelhia retira confiança política 

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível

Entrevista ao Mirante (2ª parte)

Entrevista ao Mirante (1ª parte)  

E se o ridículo matasse?... 

PSD Abrantes retira confiança política 

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa  

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD  

Em defesa da honra

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Quarta-feira, 11.05.11

CÂMARA E RPP SOLAR

In Mirante - edição de 5/5/2011

 

Em causa o atraso na concretização da fábrica que tarda em arrancar
Câmara de Abrantes pede explicações a empresário da RPP Solar

 

A presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS) reuniu com o empresário Alexandre Alves, presidente do grupo RPP Solar, e pediu-lhe que colocasse por escrito quais são os passos que pretende dar no sentido de concretizar a fábrica de painéis fotovoltaicos que em Setembro de 2009 anunciou para a freguesia de Concavada e que previa a criação de 1.900 postos de trabalho.

 

Não vale a pena fingir que não se passa nada. Temos uma perspectiva que ainda não foi concretizada e isso, obviamente, preocupa-nos”, disse a O MIRANTE, referindo acreditar nas intenções do investidor em avançar com o projecto de instalação do empreendimento no concelho. “Não podemos esquecer que este é um projecto de interesse nacional (PIN) e que foi aprovado por unanimidade em reunião de executivo e assembleia municipal e visado pelo Tribunal de Contas. Isso, para nós, é a garantia de que tudo está conforme”, sustenta.

 

Maria do Céu Albuquerque foi interpelada por vários eleitos na última sessão da Assembleia Municipal de Abrantes sobre o ponto da situação do empreendimento da RPP Solar. A presidente da câmara informou que esteve reunida com Alexandre Alves e que lhe solicitou que colocasse “por escrito” quais eram as suas aspirações para este projecto. A autarca refere no entanto que não tem motivos concretos que a levem a pedir uma investigação por parte do Ministério Público, como sugeriram os vereadores do PSD. “Comprámos um terreno e vendêmo-lo ao investidor associando um protocolo que firma as condições da alienação deste terreno”, relembra.

 

Na assembleia municipal, em resposta à eleita Sónia Onofre, do grupo Independentes pelo Concelho de Abrantes (ICA), Maria do Céu Albuquerque admitiu a sua apreensão: “Não pode estar mais preocupada do que a sua presidente de câmara ou que os elementos do executivo municipal uma vez que foi criada uma expectativa que ainda não se realizou”.

 

A autarca acrescentou que o empresário disse que já realizou um investimento de 107 milhões de euros mas que precisa de resolver um problema de passivo com fornecedores para, até ao final de Maio, poder arrancar com a primeira linha de montagem e produção de matéria-prima.

 

A previsão do arranque do empreendimento tem sido objecto de sucessivos adiamentos, o que tem suscitado dúvidas quanto à sua concretização. Recorde-se que os vereadores do PSD na Câmara de Abrantes defenderam recentemente que o Ministério Público investigasse todo o processo RPP Solar para cabal esclarecimento. E consideraram que a autarquia não acautelou os seus interesses ao não impor no protocolo a possibilidade de reversão do terreno que comprou por um milhão de euros e vendeu depois por 100 mil euros à empresa RPP Solar, para esta criar a fábrica de painéis fotovoltaicos no concelho.

 

Em Janeiro passado, o empresário Alexandre Alves assegurava ao nosso jornal que o projecto é para ir avante e informava que no terreno já estão construídos 30 mil metros quadrados, que representam a primeira fase de um total de 160 mil metros quadrados. Já estão concluídas as obras de construção de duas fábricas aptas para albergar sete linhas de produção capacitadas para gerar um total de 859 Megawatt de electricidade. Estão também terminados os escritórios e dois auditórios. Alexandre Alves revelava também que nos primeiros anos da unidade vão estar em Abrantes 40 técnicos estrangeiros, oriundos da Alemanha e de Espanha.

 

Ver DOSSIÊ: RPP Solar

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Sábado, 07.05.11

CONCELHIA RETIRA CONFIANÇA POLÍTICA

In Mirante - edição de 5/5/2011 

 

PSD de Abrantes tira confiança política

ao vereador Santana-Maia Leonardo

e a Elsa Cardoso 

Presidente da concelhia fala em

protagonismos pessoais e

vereador diz que o caso é digno de galhofa

 

O acumular de divergências internas levou a concelhia do PSD de Abrantes a retirar a confiança política a um dos seus vereadores na câmara, Santana-Maia Leonardo. Um processo que levou este autarca e a presidente da concelhia, Manuela Ruivo, a mais uma troca de acusações. Santana-Maia Leonardo fala em ódios e que o caso é digno de galhofa. Manuela Ruivo é mais comedida mas não se inibe de dizer que este não é o momento para “protagonismos pessoais, para quintinhas políticas”.

 

A decisão de retirar a confiança política foi tomada por um grupo reduzido de militantes numa assembleia interna. O vereador publicamente já fez saber que a ideia partiu de Armando Fernandes, José Marçal e Pedro Marques movidos por uma “vingança mesquinha”. “Todos sabemos que o ódio cega” diz o autarca, acrescentando que estes “não perdoam eu ter a ousadia de lhes ter dito na cara o que toda a gente diz em surdina”. E vai mais longe ao dizer que a presidente da concelhia era até há três meses “desconsiderada e humilhada publicamente pelo Dr. Armando Fernandes”. Acrescenta ainda que “se o ridículo matasse, a larga maioria de meia dúzia de militantes que se auto-intitula PSD de Abrantes teria morrido naquele momento”.

 

A presidente da concelhia, que em Março tinha reiterado a confiança na vereação social-democrata, diz agora que a decisão de retirar essa confiança ao vereador e à terceira candidata do partido que substitui o vereador nas suas ausências, Elsa Cardoso, tem a ver com divergências que já tinham levado Santana-Maia Leonardo a pedir a transferência da sua militância para uma secção de Lisboa. Fala também em atitudes do vereador que afrontam os órgãos políticos do partido através de artigos num blogue.

 

Manuela Ruivo lembra que o vereador recusa-se a participar nas reuniões da comissão política de secção e que procurou evitar este desfecho, mas que o confronto e desconsideração para com o partido, “conduziram à perda de legitimidade do mesmo para continuar a representar o PSD”. E desafia o vereador a voltar à militância em Abrantes e a candidatar-se aos órgãos do partido, garantindo desde já que num cenário desses também será candidata à presidência da concelhia.

 

A guerra interna já vem de há algum tempo mas acentuou-se num plenário de militantes a 19 Março, em que os ânimos exaltaram-se. Santana-Maia Leonardo queixou-se de terem tentado impedir a sua intervenção. Na mesma semana, também Elsa Cardoso, a militante que habitualmente substituía os vereadores social-democratas nas reuniões do executivo, pediu a sua desvinculação do PSD, por razões semelhantes. O ponto de partida para a polémica foi o processo eleitoral que reconduziu, no dia 26 de Fevereiro, Manuela Ruivo como líder da concelhia. Elsa Cardoso diz que só soube das eleições na véspera e já estava fechado o prazo para apresentação de listas. Numa carta dirigida ao secretário-geral do partido, Miguel Relvas, disse que “isto é gozar literalmente com os militantes do PSD”.

 

A presidente da concelhia, Manuela Ruivo, negou na altura que o processo não tenha sido transparente, realçando que a convocatória foi publicada no jornal oficial do partido, o Povo Livre, e na página do PSD/Abrantes no Facebook com muita antecedência. Mas Santana-Maia, em carta aberta aos militantes e aos munícipes do concelho de Abrantes, dizia que o plenário “estava todo armadilhado”. 

 

Vide posts relacionados:

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível 

E se o ridículo matasse?...   

PSD Abrantes retira confiança política  

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa 

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD 

Em defesa da honra 

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Quinta-feira, 05.05.11

PETIÇÃO RECLAMA MAIS SEGURANÇA (Carta)

In Mirante de 21/4/11

 

Eu pessoalmente já fiz denúncia por escrito para o Governo Civil; para o Comando da P.S.P do Distrito de Santarém; para a Associação Comercial de Abrantes e para a junta de freguesia de S. João em Abrantes.

 

Fui obrigado a fechar o meu estabelecimento, por falta de clientes devido à situação vivida na noite de Abrantes. Não fui o único a fechar as portas!

 

As pessoas não saem ao fim de semana à noite porque têm medo de andar na rua. Os jovens fizeram constar, há um ano no facebook, em forma de comunicado, que não iam sair durante a noite.

 

Após as minhas cartas as autoridades acima mencionadas nada fizeram na prática para acabar com esta situação de desmando e intimidação que existe na cidade de Abrantes.

 

Na Câmara desvalorizaram a situação dizendo que não não têm conhecimento de queixas. É o que a P.S.P. local transmite. Mas toda a gente sabe que não é assim.

 

João Margarido

 

Ver posts relacionados: 

Petição na internet reclama mais segurança em Abrantes  

Petição: «Por uma Abrantes segura como dantes»

 

Ver dossiê: Segurança

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Domingo, 01.05.11

ENTREVISTA AO MIRANTE

Mirante de 14/4/11

 

Santana-Maia Leonardo, vereador do PSD na Câmara de Abrantes, fala

das polémicas recentes e diz que falta cultura democrática à nossa classe política 

  

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, é uma voz incómoda que não se rege por taticismos e que não se verga ao politicamente correcto. Os princípios e os valores estão primeiro, assegura. E nessa linha de pensamento não tem problemas em afrontar o partido de que é militante, como não tem papas na língua a criticar a maioria socialista que governa a Câmara de Abrantes e a classe política em geral. Nesta entrevista considera que falta cultura democrática à maior parte dos nossos autarcas e diz que chegou o tempo dos municípios gerirem os parcos recursos com critério e sem megalomanias. Explica porque pede uma investigação do Ministério Público ao processo RPP Solar e porque defende que se suspenda e se redimensione o projecto do Museu Ibérico de Arqueologia em Abrantes.

 

MiranteÉ oposição no executivo camarário e também à concelhia do seu partido em Abrantes. É um homem do contra?

 

Santana-Maia - Não. Não sou oposição à concelhia do PSD, sou oposição como vereador dentro do executivo camarário, mas não somos oposição ao próprio executivo. Queremos dar o nosso contributo pela positiva, só que como a maioria tem mais votos e nem sempre estamos em sintonia vai ganhando quase sempre a versão diferente da nossa. Tentamos levar ao executivo propostas e preocupações de todas as pessoas, independentemente de saber se votaram em nós ou não.

 

Mirante - Há muitas propostas vossas que não têm acolhimento.

 

Santana-Maia - Exactamente. No executivo já fizemos 237 intervenções escritas, com declarações, requerimentos, pedidos de esclarecimento e propostas fundamentados. Das 33 propostas que apresentámos penso que só uma ou duas, referentes a sinalização de trânsito, foram acolhidas.

 

Mirante - Que resultados práticos é que têm tido dessa intervenção?

 

Santana-Maia - Penso que há um lado benéfico, porque o executivo camarário tem que fazer um esforço maior. Obriga o executivo a ser mais rigoroso na sua actividade.

 

Mirante - Os esclarecimentos prestados pela maioria têm-no satisfeito?

 

Santana-Maia - Alguns satisfazem-nos. Os que não nos satisfazem geram uma proposta nossa de correcção ou então novo pedido de esclarecimento.

 

Mirante - A transferência da militância do PSD para Lisboa indica um corte de relações com o partido em Abrantes.

 

Santana-Maia - A minha mudança foi para me distanciar da concelhia de Abrantes. Quem está mal muda-se. Se a concelhia de Abrantes segue determinado tipo de regras com as quais não concordo, não posso continuar. Se suceder o mesmo em Lisboa, farei o mesmo. O PSD, se é um partido democrático, tem de se comportar como tal. Deve-se cumprir as regras, dar a conhecer as convocatórias de eleições, permitir as diferentes candidaturas e não andar com cartas na manga e com justificações de meia tigela. As coisas têm de ser transparentes. Foi a primeira vez que os militantes não foram convocados por convocatória enviada por e-mail ou por correio.

 

Mirante - Com estas divisões internas no PSD de Abrantes, o PS vai governando a seu bel prazer.

 

Santana-Maia - Não acho mal que haja conflito interno. O direito à crítica é uma liberdade que a pessoa tem, tal como tem direito a candidatar-se. Não fica mal um partido ter duas ou três correntes de opinião diferentes e as pessoas depois votarem em quem entenderem. Não se pode é pôr em causa os princípios estruturantes da democracia.

 

Mirante - Sentiu que era uma voz incómoda no seio do partido?

 

Santana-Maia - Sou uma voz incómoda quer para o partido quer para os meus amigos quer para o PS. Porque ajo de acordo com a minha consciência e com os meus valores.

 

Mirante - É um franco-atirador?

 

Santana-Maia - Não, mas também não tenho receio de estar sozinho se achar que tenho razão. Não sou “Maria vai com as outras”. Se estou num grupo com linhas de actuação definidas, sou leal.

 

Mirante - Apesar dessa polémica, a presidente da concelhia de Abrantes do PSD diz que os vereadores do partido continuam a merecer a sua confiança política. O inverso também é verdadeiro?

 

Até hoje os vereadores do PSD têm sido completamente leais com as pessoas que nos elegeram e com a concelhia do partido. Estamos a cumprir com aquilo que nos comprometemos. Trabalhamos com qualquer comissão política, mesmo que haja divergência de opiniões.

  

 “Não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes” 

 

Mirante - Já se arrependeu desta aventura política em Abrantes? 

 

Santana-Maia - Acho que houve um equívoco das duas partes, meu e de pessoas ligadas ao PSD/Abrantes. Pensei, quando me foi feito o convite, que sabiam o que eu pensava relativamente a todas estas questões, até porque escrevia regularmente em jornais da cidade. As coisas que exigíamos aos outros tínhamos também de exigir a nós. Dar a ética do exemplo. Era um princípio de que não podíamos abdicar. Só que, penso, algumas pessoas do PSD devem ter julgado que eu, perdendo as eleições, me iria embora para o meu escritório. 

 

Mirante - O que não aconteceu. 

 

Santana-Maia - Houve aí um engano terrível. Porque a partir do momento em que aceitei ser candidato foi para levar isto até às últimas consequências, com o sacrifício da minha vida pessoal e profissional. É uma questão de honra. E eles ficaram surpreendidos porque pensaram que eu me iria embora. Mas se me conhecessem saberiam que não poderia ser de outra forma. Porque eu sou mesmo assim. Pensava que eles me conheciam e eles esperavam que eu fosse uma coisa que não era quando me fizeram o convite. Em todo o caso a política ajuda-nos a conhecer as pessoas. Há algumas de que temos uma ideia conceituada e depois esvai-se tudo e outras a quem não damos valor nenhum e que depois na prática se revelam de uma grande estatura moral. 

 

Mirante - Apanhou algumas desilusões? 

 

Santana-Maia - As grandes desilusões foi das pessoas de quem mais esperava. 

 

Mirante - Como Armando Fernandes ou Pedro Marques? 

 

Santana-Maia - Não. Aquilo que sucedeu estava rigorosamente à espera. Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito. Agora pessoas que eu convidei, que estiveram comigo e de que criei uma ideia que seriam pessoas muito diferentes, essas surpreenderam-me. Tal como relativamente a pessoas que não conhecia de lado nenhum, tenho hoje uma grande amizade por elas, como o dr. Belém Coelho. 

 

Mirante - Equaciona a possibilidade de se candidatar em Abrantes novamente nas autárquicas de 2013? 

 

Santana-Maia - O único compromisso que assumo, porque o mundo dá muitas voltas, é que não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes. Se houver um milagre qualquer, eu não excluo. Agora digo: se o dr. Belém Coelho fosse candidato e me convidasse para integrar a sua lista, eu não teria coragem de lhe dizer que não. 

 

“A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária” 

 

Mirante - Que balanço faz do mandato autárquicos até à data? 

 

Santana-Maia - Sem querer comparar com o anterior, penso que a dra. Maria do Céu tem melhorado alguma coisa em termos de relação democrática e no respeito pelos direitos da oposição. Se bem que ainda não consiga compreender que o facto de haver ideias diferentes para o município não significa que todas elas sejam más. Não é a maioria dos votos que dá razão. O futuro é que diz quem tinha efectivamente razão num determinado momento. A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária, daí que a situação connosco por vezes ferva um bocadinho, porque isso é uma coisa que não consinto. Ela pensa que a unanimidade é que é a razão. Não é! 

 

Mirante - Esperava outra atitude da presidente da câmara? 

 

Santana-Maia - Não, porque já sabia que a dra. Maria do Céu era assim. Os nossos presidentes de câmara e grande parte dos nossos políticos funcionam assim, são capazes de fazer o que for preciso para ganhar eleições. Os fins justificam os meios. E depois, quando se apanham no poder, acham que são o Deus nosso senhor na terra. A razão é deles, o dinheiro da autarquia é deles e eles é que fazem e que mandam. Não tenho essa visão e tenho-a combatido quer na concelhia quer na distrital do PSD. Mas penso que a dra. Maria do Céu tem feito um grande esforço para ouvir as nossas opiniões sem se exaltar tanto. 

 

Mirante - Há ainda alguma falta de cultura democrática por parte dos nossos agentes políticos? 

 

Santana-Maia - No país inteiro. De norte a sul, os presidentes de câmara parece que são todos do mesmo partido. A forma como este país se desenvolveu, as obras que fizeram, a forma como as fizeram, como contrataram os seus para o aparelho autárquico, a forma de distribuição dos subsídios, os concursos fantoche para contratação de pessoal é tudo rigorosamente igual. 

 

“O povo português é irresponsável”  

 

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, nasceu em Lisboa mas reparte a sua vida desde há muito entre Abrantes e Ponte de Sôr, cidades onde tem escritórios de advocacia e onde é ou já foi vereador eleito pelo PSD, embora nunca tenha vivido da política nem pense vir a viver. O advogado diz que falta em cultura democrática à maior parte da nossa classe política o que sobra em irresponsabilidade, defende a verticalidade, o carácter e a “ética do exemplo” como ferramentas essenciais na prática política. “Sou visceralmente democrata”, enfatiza. 

 

O avô salazarista dizia-lhe que um dia havia de reconhecer que Salazar é que tinha razão e que os países do sul da Europa só podiam ser governados com rédea curta. “O povo português é verdeiramente irresponsável e se lhe derem dinheiro para a mão esturra-o todo. Durante 20 anos lutei acreditando que os valores democráticos eram implantados e que nós éramos capazes de, tal como sucede no norte da Europa, cumprir o nosso destino com o respeito pelas regras democráticas. Se o meu avô me estiver a ouvir há-de estar a rir-se, porque nós levámos isto para o mesmo sítio que já a primeira República tinha levado”. 

 

Ministério Público deve investigar processo da RPP Solar 

 

Mirante - Tem levantado muitas dúvidas acerca do projecto da RPP Solar para instalar uma fábrica de painéis solares no concelho, que previa a criação de mais de mil postos de trabalho. Há pouco tempo propôs que a câmara enviasse o processo para o Ministério Público para investigação. 

 

Santana-Maia - As informações que nos chegam acerca desse processo levantam-nos muitas dúvidas. Não só em relação ao próprio investimento mas também do lado da aprovação pela câmara. 

 

Mirante - Porquê? 

 

Santana-Maia - A Câmara de Abrantes já tem uma dimensão e um quadro técnico que tem obrigação de ser extremamente competente. O que significa que um projecto deste tipo e deste tamanho, depois de já ter havido aqui dois ou três processos do mesmo tipo que deram mau resultado, exigia que houvesse um cuidado especial na abordagem. 

 

Mirante - Os direitos da câmara não ficaram devidamente acautelados? 

 

Santana-Maia - Não ficaram e nota-se ali um grande desleixo. Comecemos logo pelo terreno: não foi acautelada a cláusula de reversão. No caso do hotel e de outros processos ficou. 

 

Mirante - A presidente da câmara alega que isso está implícito no protocolo, caso o terreno não seja utilizado para os fins propostos. 

 

Santana-Maia - A partir do momento que passa do real para o obrigacional significa que assim que haja penhoras outros credores ficam à frente da câmara. Se aquilo for tudo ao ar, a câmara fica com direito a reaver o dinheiro do terreno. Mas vai reavê-lo onde? Vai pedi-lo a quem? A câmara tinha era que ficar com a garantia de que se aquilo não fosse feito o terreno ficaria para ela. Isso devia ter ficado salvaguardado. 

 

Mirante - Tem tido informações acerca do andamento do projecto? 

 

Santana-Maia - Compete também a outras entidades fazer essa investigação, porque nós não somos da Polícia Judiciária nem do Ministério Público. Mas há uma série de indicadores que têm de fazer tocar as sinetas. Vende-se um terreno que custa um milhão de euros por 150 mil euros. Aqui há um benefício. Depois há 100 mil euros de venda de eucaliptos que deviam ser recebidos pela câmara e ninguém se preocupa com isso. Depois vêm as declarações do ex-presidente da câmara Nelson Carvalho, que fez a apresentação do projecto na assembleia municipal e que disse que esta era a melhor coisa do mundo, dizendo que afinal vai para director da empresa e depois acaba por não tomar posse. 

 

Mirante- Isso não quer dizer que o projecto esteja em risco. 

 

Santana-Maia - Quando ele diz que já não vai para director então as sinetas ainda têm de tocar mais. Temos de ler para além das palavras dele. Sai da câmara para ir para lá, contra tudo e contra todos, arrisca a sua própria reputação, e depois diz que já não vai. Depois sabemos que há uma penhora de 4 milhões de euros sobre o terreno. Fez-se alguma coisa? Tudo na mesma! Agora vem a resposta da câmara a dizer que não recebeu o dinheiro dos eucaliptos nem recebeu coisa nenhuma. A situação é muito grave. E das duas uma: ou há aqui incompetência ou uma grande negligência. Mas não vejo processos disciplinares levantados, tudo segue naturalmente. Quando começamos a ver estes factos, é tudo muito suspeito. E por isso tem de passar para outro nível, porque estamos a falar de dinheiros públicos. 

 

Mirante - É por isso que propõe a investigação do Ministério Público? 

 

Santana-Maia - Acho que nestes casos deve-se fazer a investigação e fazer o levantamento. Devemos estar de porta aberta para todas as situações. Pode ter sido negligência, pode ter sido incompetência, pode ter havido mais qualquer coisa. Agora uma coisa é certa: isto que aqui está não bate certo.

 

Mirante - Parte do pressuposto que existem irregularidades. 

 

Santana-Maia - O que eu digo é que o que se passa neste processo, a soma dos factos, não indicia nada de bom. Mas isso é o que vemos de fora, com os indícios que temos. Agora também sabemos que pode haver uma explicação para aquilo tudo. E isso deve ser investigado por uma entidade externa e não por uma entidade interna, porque aí toda a gente arranja as desculpas e justificações que quer. Quando se está perante a suspeita de ilícito, já não é ao campo político que cabe a investigação mas a uma entidade externa que tem essa competência. 

“Temos de fazer um museu à nossa dimensão” 

 

Mirante - Já quanto ao Museu Ibérico de Arqueologia é mais uma questão política do que técnica. 

 

Santana-Maia - Exactamente. 

 

Mirante - Os vereadores do PSD pediram que fosse suspenso o projecto dada a actual conjuntura. 

 

Santana-Maia - Desde o início, mas agora penso que é claro como a água. Há pessoas em Abrantes que são contra o projecto do museu, outras são a favor. A nossa posição é prévia a essa situação. Antes de discutir se deve ser ali ou noutro lado, se deve ser ou não daquele tamanho, temos dois pontos. Primeiro: se é para uma colecção, temos de aferir se aquela colecção justifica ou não o investimento. O que foi decidido continuar agora a fazer. E depois há a sustentabilidade do museu. Podemos ter uma extraordinária colecção de seis mil peças mas o município não ter capacidade financeira e económica para sustentar um museu dessa grandeza. Não podemos querer fazer aqui o museu de Londres ou o museu do Prado. 

 

Mirante - Qual a solução que advoga? 

 

Santana-Maia - Temos de fazer um museu à nossa dimensão e dos nossos parcos recursos e não avançar para um projecto deste tipo, que custará cerca de 20 milhões de euros. Depois é o equipamento do próprio museu e os encargos de manutenção de uma obra daquelas. 

 

Mirante - E quanto à questão estética? 

 

Santana-Maia - Isso é à posteriori. Depois de vermos qual é o museu e a sua dimensão temos também de colocar a questão estética. Defendo um museu de menor dimensão e tentando poupar o máximo. 

 

Mirante - Isso implicaria deitar por água abaixo o que já foi investido no projecto. 

 

Santana-Maia - Exactamente. Na campanha eleitoral eu disse claramente que havia quatro obras do regime que não iam ser feitas, independentemente de eu estar de acordo ou em desacordo com elas, porque não ia haver financiamento. 

 

Mirante - Estamos a falar de que obras? 

 

Santana-Maia - Estamos a falar da travessia para o Tramagal, do Museu Ibérico, da nova câmara e do projecto para o edifício do mercado diário. A questão agora não é querer ou não querer. Não há dinheiro. Os bancos não têm dinheiro para emprestar e o Estado está falido. 

 

Mirante - A solução é o executivo adaptar-se a esse cenário? 

 

Santana-Maia - Pois. Andamos há dois ou três anos a gastar dinheiro numa coisa que não vai ser feita. E as pessoas deviam perceber que não vai ser feita. 

 

Mirante - Chamam-lhe profeta da desgraça quando fala assim? 

 

Santana-Maia - Não é ser profeta da desgraça. É uma coisa evidente. 

 

Mirante - Esta seria uma boa altura para os políticos mudarem de discurso e dizerem claramente aos cidadãos que já não há dinheiro para a festa? 

 

Santana-Maia - Neste momento acho que já não vale a pena. Neste momento acabou. E por isso é que as próximas eleições são as mais estúpidas, porque independentemente de quem ganhe todos eles vão cumprir o mesmo. O que qualquer Governo vai fazer é o que os credores decidirem. Vamos escolher apenas o carrasco que vai aplicar a decisão. As pessoas ainda não têm ideia do sofrimento que vão viver. 

 

Mirante - As câmaras também vão ter de se adaptar e apertar o cinto. 

 

Santana-Maia - Sim. Alguém se preocupou quanto é que custou o estádio de Abrantes? Não. Alguém se preocupou quanto custou o Aquapolis? Não. 

 

Mirante - O senhor não fazia essas obras? 

 

Santana-Maia - Temos de olhar para essas coisas como olhamos para a nossa vida. O autarca deve avaliar se a obra é importante ou não e se está adequada à dimensão. Porque se só precisamos de um estádio para mil pessoas não vamos fazer o estádio da Luz. Veja-se o que aconteceu com os estádios de Leiria e de Aveiro. Esta é a minha posição.

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Sábado, 30.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (6ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

“Temos de fazer um museu à nossa dimensão”

 

Mirante - Já quanto ao Museu Ibérico de Arqueologia é mais uma questão política do que técnica.

 

Santana-Maia - Exactamente.

 

Mirante - Os vereadores do PSD pediram que fosse suspenso o projecto dada a actual conjuntura.

 

Santana-Maia - Desde o início, mas agora penso que é claro como a água. Há pessoas em Abrantes que são contra o projecto do museu, outras são a favor. A nossa posição é prévia a essa situação. Antes de discutir se deve ser ali ou noutro lado, se deve ser ou não daquele tamanho, temos dois pontos. Primeiro: se é para uma colecção, temos de aferir se aquela colecção justifica ou não o investimento. O que foi decidido continuar agora a fazer. E depois há a sustentabilidade do museu. Podemos ter uma extraordinária colecção de seis mil peças mas o município não ter capacidade financeira e económica para sustentar um museu dessa grandeza. Não podemos querer fazer aqui o museu de Londres ou o museu do Prado.

 

Mirante - Qual a solução que advoga?

 

Santana-Maia - Temos de fazer um museu à nossa dimensão e dos nossos parcos recursos e não avançar para um projecto deste tipo, que custará cerca de 20 milhões de euros. Depois é o equipamento do próprio museu e os encargos de manutenção de uma obra daquelas.

 

Mirante - E quanto à questão estética?

 

Santana-Maia - Isso é à posteriori. Depois de vermos qual é o museu e a sua dimensão temos também de colocar a questão estética. Defendo um museu de menor dimensão e tentando poupar o máximo.

 

Mirante - Isso implicaria deitar por água abaixo o que já foi investido no projecto.

 

Santana-Maia - Exactamente. Na campanha eleitoral eu disse claramente que havia quatro obras do regime que não iam ser feitas, independentemente de eu estar de acordo ou em desacordo com elas, porque não ia haver financiamento.

 

Mirante - Estamos a falar de que obras?

 

Santana-Maia - Estamos a falar da travessia para o Tramagal, do Museu Ibérico, da nova câmara e do projecto para o edifício do mercado diário. A questão agora não é querer ou não querer. Não há dinheiro. Os bancos não têm dinheiro para emprestar e o Estado está falido.

 

Mirante - A solução é o executivo adaptar-se a esse cenário?

 

Santana-Maia - Pois. Andamos há dois ou três anos a gastar dinheiro numa coisa que não vai ser feita. E as pessoas deviam perceber que não vai ser feita.

 

Mirante - Chamam-lhe profeta da desgraça quando fala assim?

 

Santana-Maia - Não é ser profeta da desgraça. É uma coisa evidente.

 

Mirante - Esta seria uma boa altura para os políticos mudarem de discurso e dizerem claramente aos cidadãos que já não há dinheiro para a festa?

 

Santana-Maia - Neste momento acho que já não vale a pena. Neste momento acabou. E por isso é que as próximas eleições são as mais estúpidas, porque independentemente de quem ganhe todos eles vão cumprir o mesmo. O que qualquer Governo vai fazer é o que os credores decidirem. Vamos escolher apenas o carrasco que vai aplicar a decisão. As pessoas ainda não têm ideia do sofrimento que vão viver.

 

Mirante - As câmaras também vão ter de se adaptar e apertar o cinto.

 

Santana-Maia - Sim. Alguém se preocupou quanto é que custou o estádio de Abrantes? Não. Alguém se preocupou quanto custou o Aquapolis? Não.

 

Mirante - O senhor não fazia essas obras?

 

Santana-Maia - Temos de olhar para essas coisas como olhamos para a nossa vida. O autarca deve avaliar se a obra é importante ou não e se está adequada à dimensão. Porque se só precisamos de um estádio para mil pessoas não vamos fazer o estádio da Luz. Veja-se o que aconteceu com os estádios de Leiria e de Aveiro. Esta é a minha posição.

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Sexta-feira, 29.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (5ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

Ministério Público deve investigar processo da RPP Solar

 

Mirante - Tem levantado muitas dúvidas acerca do projecto da RPP Solar para instalar uma fábrica de painéis solares no concelho, que previa a criação de mais de mil postos de trabalho. Há pouco tempo propôs que a câmara enviasse o processo para o Ministério Público para investigação.

 

Santana-Maia - As informações que nos chegam acerca desse processo levantam-nos muitas dúvidas. Não só em relação ao próprio investimento mas também do lado da aprovação pela câmara.

 

Mirante - Porquê?

 

Santana-Maia - A Câmara de Abrantes já tem uma dimensão e um quadro técnico que tem obrigação de ser extremamente competente. O que significa que um projecto deste tipo e deste tamanho, depois de já ter havido aqui dois ou três processos do mesmo tipo que deram mau resultado, exigia que houvesse um cuidado especial na abordagem.

 

Mirante - Os direitos da câmara não ficaram devidamente acautelados?

 

Santana-Maia - Não ficaram e nota-se ali um grande desleixo. Comecemos logo pelo terreno: não foi acautelada a cláusula de reversão. No caso do hotel e de outros processos ficou.

 

Mirante - A presidente da câmara alega que isso está implícito no protocolo, caso o terreno não seja utilizado para os fins propostos.

 

Santana-Maia - A partir do momento que passa do real para o obrigacional significa que assim que haja penhoras outros credores ficam à frente da câmara. Se aquilo for tudo ao ar, a câmara fica com direito a reaver o dinheiro do terreno. Mas vai reavê-lo onde? Vai pedi-lo a quem? A câmara tinha era que ficar com a garantia de que se aquilo não fosse feito o terreno ficaria para ela. Isso devia ter ficado salvaguardado.

 

Mirante - Tem tido informações acerca do andamento do projecto?

 

Santana-Maia - Compete também a outras entidades fazer essa investigação, porque nós não somos da Polícia Judiciária nem do Ministério Público. Mas há uma série de indicadores que têm de fazer tocar as sinetas. Vende-se um terreno que custa um milhão de euros por 150 mil euros. Aqui há um benefício. Depois há 100 mil euros de venda de eucaliptos que deviam ser recebidos pela câmara e ninguém se preocupa com isso. Depois vêm as declarações do ex-presidente da câmara Nelson Carvalho, que fez a apresentação do projecto na assembleia municipal e que disse que esta era a melhor coisa do mundo, dizendo que afinal vai para director da empresa e depois acaba por não tomar posse.

 

Mirante - Isso não quer dizer que o projecto esteja em risco.

 

Santana-Maia - Quando ele diz que já não vai para director então as sinetas ainda têm de tocar mais. Temos de ler para além das palavras dele. Sai da câmara para ir para lá, contra tudo e contra todos, arrisca a sua própria reputação, e depois diz que já não vai. Depois sabemos que há uma penhora de 4 milhões de euros sobre o terreno. Fez-se alguma coisa? Tudo na mesma! Agora vem a resposta da câmara a dizer que não recebeu o dinheiro dos eucaliptos nem recebeu coisa nenhuma. A situação é muito grave. E das duas uma: ou há aqui incompetência ou uma grande negligência. Mas não vejo processos disciplinares levantados, tudo segue naturalmente. Quando começamos a ver estes factos, é tudo muito suspeito. E por isso tem de passar para outro nível, porque estamos a falar de dinheiros públicos.

 

Mirante - É por isso que propõe a investigação do Ministério Público?

 

Santana-Maia - Acho que nestes casos deve-se fazer a investigação e fazer o levantamento. Devemos estar de porta aberta para todas as situações. Pode ter sido negligência, pode ter sido incompetência, pode ter havido mais qualquer coisa. Agora uma coisa é certa: isto que aqui está não bate certo.

 

Mirante - Parte do pressuposto que existem irregularidades.

 

Santana-Maia - O que eu digo é que o que se passa neste processo, a soma dos factos, não indicia nada de bom. Mas isso é o que vemos de fora, com os indícios que temos. Agora também sabemos que pode haver uma explicação para aquilo tudo. E isso deve ser investigado por uma entidade externa e não por uma entidade interna, porque aí toda a gente arranja as desculpas e justificações que quer. Quando se está perante a suspeita de ilícito, já não é ao campo político que cabe a investigação mas a uma entidade externa que tem essa competência.

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Sexta-feira, 29.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (4ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

“O povo português é irresponsável”

 

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, nasceu em Lisboa mas reparte a sua vida desde há muito entre Abrantes e Ponte de Sôr, cidades onde tem escritórios de advocacia e onde é ou já foi vereador eleito pelo PSD, embora nunca tenha vivido da política nem pense vir a viver. O advogado diz que falta em cultura democrática à maior parte da nossa classe política o que sobra em irresponsabilidade, defende a verticalidade, o carácter e a “ética do exemplo” como ferramentas essenciais na prática política. “Sou visceralmente democrata”, enfatiza.

 

O avô salazarista dizia-lhe que um dia havia de reconhecer que Salazar é que tinha razão e que os países do sul da Europa só podiam ser governados com rédea curta. “O povo português é verdeiramente irresponsável e se lhe derem dinheiro para a mão esturra-o todo. Durante 20 anos lutei acreditando que os valores democráticos eram implantados e que nós éramos capazes de, tal como sucede no norte da Europa, cumprir o nosso destino com o respeito pelas regras democráticas. Se o meu avô me estiver a ouvir há-de estar a rir-se, porque nós levámos isto para o mesmo sítio que já a primeira República tinha levado”.

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Sexta-feira, 29.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (3ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

“A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária”

 

Mirante - Que balanço faz do mandato autárquicos até à data?

 

Santana-Maia - Sem querer comparar com o anterior, penso que a dra. Maria do Céu tem melhorado alguma coisa em termos de relação democrática e no respeito pelos direitos da oposição. Se bem que ainda não consiga compreender que o facto de haver ideias diferentes para o município não significa que todas elas sejam más. Não é a maioria dos votos que dá razão. O futuro é que diz quem tinha efectivamente razão num determinado momento. A dra. Maria do Céu é extremamente autoritária, daí que a situação connosco por vezes ferva um bocadinho, porque isso é uma coisa que não consinto. Ela pensa que a unanimidade é que é a razão. Não é!

 

Mirante - Esperava outra atitude da presidente da câmara?

 

Santana-Maia - Não, porque já sabia que a dra. Maria do Céu era assim. Os nossos presidentes de câmara e grande parte dos nossos políticos funcionam assim, são capazes de fazer o que for preciso para ganhar eleições. Os fins justificam os meios. E depois, quando se apanham no poder, acham que são o Deus nosso senhor na terra. A razão é deles, o dinheiro da autarquia é deles e eles é que fazem e que mandam. Não tenho essa visão e tenho-a combatido quer na concelhia quer na distrital do PSD. Mas penso que a dra. Maria do Céu tem feito um grande esforço para ouvir as nossas opiniões sem se exaltar tanto.

 

Mirante - Há ainda alguma falta de cultura democrática por parte dos nossos agentes políticos?

 

Santana-Maia - No país inteiro. De norte a sul, os presidentes de câmara parece que são todos do mesmo partido. A forma como este país se desenvolveu, as obras que fizeram, a forma como as fizeram, como contrataram os seus para o aparelho autárquico, a forma de distribuição dos subsídios, os concursos fantoche para contratação de pessoal é tudo rigorosamente igual.

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Quinta-feira, 28.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (2ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

 “Não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes”

 

Mirante - Já se arrependeu desta aventura política em Abrantes?

 

Santana-Maia - Acho que houve um equívoco das duas partes, meu e de pessoas ligadas ao PSD/Abrantes. Pensei, quando me foi feito o convite, que sabiam o que eu pensava relativamente a todas estas questões, até porque escrevia regularmente em jornais da cidade. As coisas que exigíamos aos outros tínhamos também de exigir a nós. Dar a ética do exemplo. Era um princípio de que não podíamos abdicar. Só que, penso, algumas pessoas do PSD devem ter julgado que eu, perdendo as eleições, me iria embora para o meu escritório.

 

Mirante - O que não aconteceu.

 

Santana-Maia - Houve aí um engano terrível. Porque a partir do momento em que aceitei ser candidato foi para levar isto até às últimas consequências, com o sacrifício da minha vida pessoal e profissional. É uma questão de honra. E eles ficaram surpreendidos porque pensaram que eu me iria embora. Mas se me conhecessem saberiam que não poderia ser de outra forma. Porque eu sou mesmo assim. Pensava que eles me conheciam e eles esperavam que eu fosse uma coisa que não era quando me fizeram o convite. Em todo o caso a política ajuda-nos a conhecer as pessoas. Há algumas de que temos uma ideia conceituada e depois esvai-se tudo e outras a quem não damos valor nenhum e que depois na prática se revelam de uma grande estatura moral.

 

Mirante - Apanhou algumas desilusões?

 

Santana-Maia - As grandes desilusões foi das pessoas de quem mais esperava.

 

Mirante - Como Armando Fernandes ou Pedro Marques?

 

Santana-Maia - Não. Aquilo que sucedeu estava rigorosamente à espera. Aquilo que se está a passar relativamente ao engenheiro Marçal, a Pedro Marques e a Armando Fernandes se fosse uma coisa boa surpreendia-me. Porque me leram logo a sina quando pedi a primeira opinião se me devia candidatar. E está-se a cumprir aquilo que me foi dito. Agora pessoas que eu convidei, que estiveram comigo e de que criei uma ideia que seriam pessoas muito diferentes, essas surpreenderam-me. Tal como relativamente a pessoas que não conhecia de lado nenhum, tenho hoje uma grande amizade por elas, como o dr. Belém Coelho.

 

Mirante - Equaciona a possibilidade de se candidatar em Abrantes novamente nas autárquicas de 2013?

 

Santana-Maia - O único compromisso que assumo, porque o mundo dá muitas voltas, é que não volto a ser candidato por este PSD de Abrantes. Se houver um milagre qualquer, eu não excluo. Agora digo: se o dr. Belém Coelho fosse candidato e me convidasse para integrar a sua lista, eu não teria coragem de lhe dizer que não.

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Quinta-feira, 28.04.11

ENTREVISTA AO MIRANTE (1ª Parte)

Mirante de 14/4/11

 

Santana-Maia Leonardo, vereador do PSD na Câmara de Abrantes, fala

das polémicas recentes e diz que falta cultura democrática à nossa classe política 

  

Santana-Maia Leonardo, 52 anos, é uma voz incómoda que não se rege por taticismos e que não se verga ao politicamente correcto. Os princípios e os valores estão primeiro, assegura. E nessa linha de pensamento não tem problemas em afrontar o partido de que é militante, como não tem papas na língua a criticar a maioria socialista que governa a Câmara de Abrantes e a classe política em geral. Nesta entrevista considera que falta cultura democrática à maior parte dos nossos autarcas e diz que chegou o tempo dos municípios gerirem os parcos recursos com critério e sem megalomanias. Explica porque pede uma investigação do Ministério Público ao processo RPP Solar e porque defende que se suspenda e se redimensione o projecto do Museu Ibérico de Arqueologia em Abrantes.

 

MiranteÉ oposição no executivo camarário e também à concelhia do seu partido em Abrantes. É um homem do contra?

 

Santana-Maia - Não. Não sou oposição à concelhia do PSD, sou oposição como vereador dentro do executivo camarário, mas não somos oposição ao próprio executivo. Queremos dar o nosso contributo pela positiva, só que como a maioria tem mais votos e nem sempre estamos em sintonia vai ganhando quase sempre a versão diferente da nossa. Tentamos levar ao executivo propostas e preocupações de todas as pessoas, independentemente de saber se votaram em nós ou não.

 

Mirante - Há muitas propostas vossas que não têm acolhimento.

 

Santana-Maia - Exactamente. No executivo já fizemos 237 intervenções escritas, com declarações, requerimentos, pedidos de esclarecimento e propostas fundamentados. Das 33 propostas que apresentámos penso que só uma ou duas, referentes a sinalização de trânsito, foram acolhidas.

 

Mirante - Que resultados práticos é que têm tido dessa intervenção?

 

Santana-Maia - Penso que há um lado benéfico, porque o executivo camarário tem que fazer um esforço maior. Obriga o executivo a ser mais rigoroso na sua actividade.

 

Mirante - Os esclarecimentos prestados pela maioria têm-no satisfeito?

 

Santana-Maia - Alguns satisfazem-nos. Os que não nos satisfazem geram uma proposta nossa de correcção ou então novo pedido de esclarecimento.

 

Mirante - A transferência da militância do PSD para Lisboa indica um corte de relações com o partido em Abrantes.

 

Santana-Maia - A minha mudança foi para me distanciar da concelhia de Abrantes. Quem está mal muda-se. Se a concelhia de Abrantes segue determinado tipo de regras com as quais não concordo, não posso continuar. Se suceder o mesmo em Lisboa, farei o mesmo. O PSD, se é um partido democrático, tem de se comportar como tal. Deve-se cumprir as regras, dar a conhecer as convocatórias de eleições, permitir as diferentes candidaturas e não andar com cartas na manga e com justificações de meia tigela. As coisas têm de ser transparentes. Foi a primeira vez que os militantes não foram convocados por convocatória enviada por e-mail ou por correio.

 

Mirante - Com estas divisões internas no PSD de Abrantes, o PS vai governando a seu bel prazer.

 

Santana-Maia - Não acho mal que haja conflito interno. O direito à crítica é uma liberdade que a pessoa tem, tal como tem direito a candidatar-se. Não fica mal um partido ter duas ou três correntes de opinião diferentes e as pessoas depois votarem em quem entenderem. Não se pode é pôr em causa os princípios estruturantes da democracia.

 

Mirante - Sentiu que era uma voz incómoda no seio do partido?

 

Santana-Maia - Sou uma voz incómoda quer para o partido quer para os meus amigos quer para o PS. Porque ajo de acordo com a minha consciência e com os meus valores.

 

Mirante - É um franco-atirador?

 

Santana-Maia - Não, mas também não tenho receio de estar sozinho se achar que tenho razão. Não sou “Maria vai com as outras”. Se estou num grupo com linhas de actuação definidas, sou leal.

 

Mirante - Apesar dessa polémica, a presidente da concelhia de Abrantes do PSD diz que os vereadores do partido continuam a merecer a sua confiança política. O inverso também é verdadeiro?

 

Até hoje os vereadores do PSD têm sido completamente leais com as pessoas que nos elegeram e com a concelhia do partido. Estamos a cumprir com aquilo que nos comprometemos. Trabalhamos com qualquer comissão política, mesmo que haja divergência de opiniões.

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Quinta-feira, 21.04.11

PETIÇÃO RECLAMA MAIS SEGURANÇA

In Mirante on-line de 14/4/11 

 

Quase duzentas pessoas já assinaram a petição na Internet “Por uma Abrantes segura como dantes”, dirigida à Câmara de Abrantes e ao Governo Civil de Santarém, que reclama mais segurança na cidade. “Os abrantinos estão cansados de viver numa cidade controlada por uma comunidade de marginais que semeia o terror a seu bel-prazer perante a inoperância e a complacência das autoridades”, lê-se no texto que suporta a petição, onde se pede “que o Estado assuma as suas responsabilidades e obrigações, relativamente à cidade de Abrantes, libertando-a da tutela do grupo de marginais que a controla e domina, através do terror”.

 

Os peticionários exigem ainda que “a área de intervenção no perímetro urbano da cidade de Abrantes seja retirada da Polícia de Segurança Pública e entregue à Guarda Nacional Republicana, tendo em conta a sua estrutura militarizada, devendo o posto de Abrantes ser reforçado com pessoal e equipamento”.

 

O vereador do PSD Santana-Maia Leonardo é o segundo subscritor da petição e tem intervindo regularmente sobre a temática em reuniões do executivo. “Essa para nós tem sido uma questão vital. Aqui em Abrantes existe uma situação em que uma comunidade de delinquentes tomou como refém a própria cidade”, afirmou ao nosso jornal.

 

O autarca diz que “a câmara tem de dar a voz e dar a cara” e admite que já tem sido ameaçado pelas posições que tem tomado. “Dizem que não sou de Abrantes, mas a verdade é que, não sendo, tenho dado a cara onde as pessoas de Abrantes têm tido medo de a dar. E tenho corrido riscos, mas como sou vereador tenho obrigação de fazer isso”.

 

A petição terá tido origem em alguns estudantes da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes que lhe pediram para dar ajuda nessa causa. Santana-Maia refere que apesar de haver cada vez mais pessoas a reclamar mais segurança em Abrantes, as coisas não têm mudado muito. Garante que têm continuado as ameaças e a coacção a comerciantes e afirma que a acção da PSP não é a adequada. “A GNR como é uma força militarizada tem um sentido do dever e de missão mais do que a própria Polícia”.  

 

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