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COLUNA VERTICAL


Domingo, 30.10.11

A PESADA HERANÇA DE POPIELUSZKO

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

O Padre Jerzy Popieluszko, conhecido por "Padre do Solidariedade” (sindicato), é o símbolo polaco das vítimas do comunismo. Defensor dos direitos humanos e dos trabalhadores na Polónia, foi torturado e assassinado na noite de 19/10/84 por três oficiais da polícia secreta, vindo o seu funeral a transformar-se numa das maiores manifestações contra o regime comunista e o seu túmulo num lugar de peregrinação, o que precipitou a queda do regime. 

 

Na homilia de 19/10/84, ou seja, na homilia do dia em que foi raptado e assassinado, profere uma frase que encerra o mistério da fé de todos aqueles que acreditam que a liberdade é um valor que nos transcende e pelo qual vale a pena dar a vida: «A nossa filiação divina traz nela a herança da  Liberdade.» 

 

Os seus executores e os seus mandantes, na sua irracionalidade, não perceberam que apenas podiam matar o homem e que, ao fazê-lo, o povo que reprimiam, filho único de Popieluszko, iria receber uma pesada herança: a Liberdade.

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Segunda-feira, 08.08.11

DO LADO DA VIDA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

«Nós gostamos tanto de morrer por Alá como vocês gostam de viver», disse Bin Laden num entrevista em 1997. Esta frase delimita na perfeição os dois campos que se confrontam.

 

Não sou, nem nunca fui pró-americano, mas é evidente que pertenço ao grupo dos que gostam de viver. Dou, por isso, graças a Deus pelo facto de, hoje, a superpotência mundial ser os Estados Unidos e não ser o Irão, a Coreia do Norte ou a Venezuela. Porque, nesse caso, o mais certo seria eu ser também um terrorista.

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Quinta-feira, 07.07.11

OS CLUBES PARTIDÁRIOS

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Se hoje Portugal está como está muito o deve à forma como estão organizados os partidos políticos. Com efeito, a organização interna dos partidos políticos portugueses apenas é capaz de produzir dirigentes medíocres para sustentar as suas próprias clientelas.

 

Sem uma refundação dos partidos que altere substancialmente a sua forma de organização, ninguém espere que dali possa sair alguém que tenha por primeiro objectivo servir a comunidade e os outros. E este modelo reproduz-se depois em todos os serviços públicos e em todos os órgãos do estado. E, como se isso não bastasse, ainda temos de ouvir esta canalha invocar os superiores interesses nacionais ou locais para justificar iniciativas que apenas servem os inferiores interesses das suas clientelas.  

 

Trinta e seis anos após o 25 de Abril, se se perguntar a qualquer aluno do 12º ano ou a um qualquer militante socialista ou social democrata se é a favor das democracias liberais, o mais certo é ouvir o que eu já ouvi numa assembleia de militantes quando defendi os princípios das democracias liberais: que o PSD é um partido social-democrata e não é um partido liberal. E isto foi dito por pessoa reputada de muito culta... Imagine-se se não fosse!!!...

 

Sem qualquer tipo de formação ou preocupação ideológica, os militantes aderem aos partidos, da mesma forma que aderem aos clubes de futebol. São do PSD ou do PS pela mesma razão que são do Benfica ou do Sporting. E funciona tudo da mesma forma. O objectivo é ganhar por qualquer meio e a cassete é sempre a mesma. Muita conversa sobre a ética e os valores quando não se está no poder, muita arrogância e despotismo quando se detém o poder.

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Domingo, 03.07.11

OS FERIADOS DA INTELIGÊNCIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Quando vejo as propostas que as nossas sumidades sugerem para combater a falta de produtividade (desde mais meia-hora de trabalho diário à redução dos feriados e das férias), fico estupefacto com tamanha demonstração de falta de inteligência e de espírito analítico. Por alguma razão, o país está como está.

 

Para percebermos a estupidez das propostas, apliquemos a solução ao jogo de futebol. Como é um facto notório, o jogo de futebol inglês tem mais tempo de jogo útil do que um jogo do futebol português. Qual, então, a solução para que o tempo útil de jogo do futebol português se aproxime do futebol inglês? É fácil: basta tirar 5 mn ao intervalo (seguindo os critérios das nossas sumidades). O problema é que esta solução não tem o condão de aumentar o tempo útil de jogo mas apenas o tempo morto em que os nossos jogadores estão no chão a simular lesões gravíssimas.

 

Ora, qualquer pessoa inteligente (que é o que por cá escasseia) procuraria, antes de sugerir o aumento do tempo de jogo, apresentar medidas para rentabilizá-lo, acabando com os tempos mortos, as simulações e a preguiça. Mas isso é pedir de mais às nossas sumidades, para quem a única solução para aumentar a produtividade é aumentar o tempo de inactividade dos trabalhadores no local de trabalho. Acontece que não é por estar mais uma hora de atestado médico ou a olhar para o boneco que a produtividade aumenta. Sendo certo que esse aumento do horário de trabalho apenas penalizaria os bons trabalhadores que teriam tendência a deixar de o ser. Como é óbvio.

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Domingo, 26.06.11

O COPIANÇO DOS JUÍZES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Sou um grande amigo e admirador da juíza desembargadora Ana Luísa Geraldes, ex-directora do CEJ, e do seu marido, o juiz desembargador António Abrantes Geraldes, um magistrado brilhante e hoje uma referência obrigatória do Processo Civil. Não é, no entanto, essa razão que me leva a escrever estas linhas, até porque a estatura moral de Ana Luísa Geraldes dispensa qualquer defesa. Mas não podia ficar indiferente perante à manifestação nacional de suprema hipocrisia, cinismo e má fé militantes, perante o chamado "copianço dos juízes", bem demonstrativa de que como está bem disseminado e enraizado o tumor que vai corroendo e minando todas as instituições da sociedade portuguesa.

 

Como ninguém pode deixar de saber, os exames de acesso ao CEJ são dos mais selectivos e exigentes que se fazem em todo o território nacional, sendo as provas orais decisivas pelo que ninguém ali entra se não tiver uma sólida formação académica. Mas deixemos a questão da formação técnica e centremo-nos na formação ética e moral dos auditores, bem como na decisão da direcção do CEJ de anular o teste e dar nota 10 a todos, que é afinal o que tanto chocou as nossas virgens pudicas.

 

Que os auditores não deviam ter copiado é óbvio. Mas isso não devia ser, só por si, motivo de escândalo, tanto mais que a vida de cada um de nós está cheia de coisas que não devíamos ter feito e fizemos. E, neste caso, pelo menos, a fraude foi detectada e teve consequências para o prevaricador, o que raramente sucede em Portugal.

 

Mas a decisão da direcção do CEJ, perante a situação, foi a mais correcta? Para responder a esta questão, temos de saber, antes de mais, qual a relevância daquele teste na classificação final. Porque, como toda a gente com dois dedos de testa devia saber, há testes cuja finalidade se reduz, praticamente, a motivar os alunos a interessarem-se minimamente por determinada matéria. Querem um exemplo? A cadeira de Medicina Legal na Faculdade de Direito de Lisboa. Todos os alunos copiam, levando, inclusive, as respostas escritas para os exames, e nunca ouvi ninguém pedir a demissão do reitor da Universidade de Lisboa por causa disso. 

 

Ora, o teste americano onde os auditores do CEJ foram apanhados a copiar era um teste cujo resultado era pouco mais do que irrelevante na nota final e onde os alunos, por norma, tinham sempre notas altas. Ao anular um teste com estas características e ao atribuir nota 10 a todos, a direcção tomou uma decisão pedagogicamente inteligente, porque, aproveitando o facto de se tratar de um teste pouco relevante, transmitiu aos alunos um ensinamento essencial para a sua vida: a fraude não aproveita ninguém e, sobretudo, penaliza os melhores. Trata-se, aliás, de um ensinamento que Edmund Burke já enunciara há muito tempo e que está cada vez mais actual: «O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que o vêem fazer e deixam acontecer.» Ou seja, a direcção do CEJ, em vez de centrar a responsabilidade da fraude no polícia (o professor que vigiava o teste), responsabilizou o bom aluno que viu copiar e se conformou com isso.

 

Além disso, esta triste experiência em que os auditores se viram envolvidos pode contribuir muito, ao contrário do que clamam as nossas virgens pudicas, para que possam ser melhores juízes e procuradores, na medida em que o vexame nacional a que foram sujeitos vai dar-lhes aquele banho de humildade que todo o homem necessita para ser um bom magistrado. Com efeito, os bons juízes e os bons procuradores não são santos, nem santidades, nem virgens pudicas. E os que são assim são péssimos juízes e péssimos procuradores. Os bons juízes e os bons procuradores, pelo contrário, são apenas homens bons e sensatos, que também tropeçam na vida e têm a consciência disso.

 

Finalmente, a lapidação pública da directora do CEJ e desta turma de auditores ainda se torna mais revoltante num país onde todos os concursos públicos são viciados (não há concurso de pessoal em que não se saiba o resultado antes do exame), onde todos os estudantes universitários copiam, onde as elites reinantes beneficiaram das passagens administrativas do pós-25 de Abril e acederam a lugares no topo das universidades e da Administração onde nunca chegariam se o critério tivesse sido o mérito, etc. etc.

(Como dói o excesso de moralismo neste país de hipócritas e cunhas!...)

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Sexta-feira, 03.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA

 

O BEIJO DE JUDAS

 

Nova Aliança – O PSD de Abrantes retirou a confiança política aos seus vereadores (Elsa Cardoso e Santana Maia). Já estava à espera desta decisão ?  

 

Santana-Maia -A partir do momento em que o PSD de Abrantes ficou nas mãos daqueles que não só sempre foram contra a minha candidatura à Câmara de Abrantes como tudo têm feito, a partir desse momento e sem olhar a meios, para fragilizar, apoucar, diminuir e denegrir os candidatos e os eleitos da candidatura "Amar Abrantes", a retirada da confiança política acaba por ser o corolário lógico de toda uma filosofia que tem dominado o PSD de Abrantes, durante os últimos vinte anos, e contra a qual a minha candidatura se ergueu.

 

Aliás, na noite do passado dia 1 de Janeiro, às 22H10, ou seja, cerca de quatro meses antes do anúncio da retirada da confiança política, recebi no meu telemóvel uma mensagem anónima que resume o teor do comunicado que agora foi lido pela comissão política, o que significa que a pessoa que me enviou este sms estava bem por dentro da teia que estava a ser urdida no PSD de Abrantes. A mensagem dizia o seguinte: «O psd e principalmente os abrantinos muito agradecem um gesto nobre da sua parte: DEMITA-SE DE VEREADOR. Estamos fartos da sua prepotência, autoritarismo e falta de vergonha. O seu egocentrismo asfixia-o. De uma coisa pode ficar certo só descansarei quando excomungar as laranjas podres da nossa secção. Os energúmenos como vossa excelência têm os dias contados.»

 

Como vê, não só estava à espera como aguardava tranquilamente pelo beijo de Judas, se bem que, neste caso, Judas seja do sexo feminino.  

 

A CULTURA DE REBANHO  

  

Nova Aliança – Que opinião tem dos fundamentos apresentados pelo PSD de Abrantes? 

 

Santana-Maia - Invocar como fundamento para a retirada da confiança política o facto de eu manter algum distanciamento crítico em relação a determinadas posições do partido não é honesto. Em primeiro lugar, porque eu não só nunca fui um «yes, man» como defendi sempre a liberdade de expressão como um dos valores principais a ser defendidos e preservados pela candidatura "Amar Abrantes" e pelo PSD. E basta ler os meus artigos no Primeira Linha, nos anos anteriores ao convite para ser candidato, para se constatar que eu sempre discuti e critiquei abertamente as posições dos líderes e dos governos do PSD quando não concordava com elas. Para mim, o PSD, assim como qualquer partido democrático, só pode ser um verdadeiro agente de mudança se preservar e valorizar os espíritos livres e independentes. Sou, por isso, visceralmente, contra os partidos tipo PS de Sócrates, em que o líder é o pastor e o partido um rebanho de ovelhas. Ora, é precisamente este modelo de partido que é agora defendido pela actual comissão política concelhia do PSD e que, por ironia do destino, é rejeitado não só por mim como também pelo actual líder do PSD Passos Coelho. Basta até ter em conta que a chamada "lei da rolha", que foi aprovada num congresso do PSD com o voto da actual presidente da comissão política, foi, de imediato, rejeitada por Passos Coelho. Aliás, todo o discurso de Passos Coelho assenta na abertura do partido à sociedade civil com vista precisamente a evitar que o partido fique refém desta cultura de rebanho que tem as suas raízes no antigo regime e nos regimes totalitários. 

 

Em segundo lugar, quando aceitei ser candidato, disse expressamente que o meu compromisso era apenas com o projecto da candidatura autárquica à Câmara de Abrantes. E todas as pessoas que eu convidei foi com base no mesmo compromisso. Não só nunca perguntei a ninguém em quem costumava votar ou qual o seu partido do coração como também, àquelas que fizeram questão de mo dizer, lhes disse logo que isso não me interessava. Aliás, para que as pessoas compreendessem a filosofia que estava subjacente à candidatura "Amar Abrantes", repeti até à exaustão o provérbio japonês no qual eu me revejo:  "Quando há duas pessoas que pensam da mesma maneira, uma delas é dispensável". O objectivo era servir o concelho e as populações e não juntar um rebanho de ovelhas, acrítico e de pensamento único, para servir o partido. 

 

A TEIA 

 

Nova Aliança – Quais foram as principais causas da ruptura?  

 

Santana-Maia - A principal causa da ruptura foi explicada pela presidente da comissão política ao invocar os "altos interesses do partido" para me retirar a confiança política. É precisamente aqui que reside a grande fractura entre o PSD dos vereadores e o PSD da actual comissão política. No discurso da minha apresentação a presidente da câmara, no dia 28/10/2008, disse que, para pertencer à candidatura "Amar Abrantes", só eram necessárias três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes. Ora, são precisamente estas três coisas que chocam abertamente com os fundamentos da actual comissão política. Estamos, assim, perante duas visões completamente diferentes de entender a política: para os vereadores do PSD, os interesses do partido têm de se sacrificar aos superiores interesses do concelho e dos munícipes; para a actual comissão política, os vereadores devem curvar-se perante "os altos interesses do partido". 

 

Nova Aliança - E desde quando começou essa ruptura? 

 

Santana-Maia - Essa ruptura começou no dia em que o plenário do PSD de Abrantes aprovou por unanimidade a minha candidatura a presidente da câmara. A unanimidade e o apoio expresso naquele momento por certas pessoas soou-me logo a falso, depois das histórias que me tinham contado. 

 

Devo dizer que, antes de aceitar o convite, quis ouvir a opinião de algumas pessoas amigas, porque desconhecia absolutamente a realidade do PSD de Abrantes. E verdade se diga todas me disseram o pior possível... No entanto, recordo aqui uma imagem que uma destas pessoas usou para me fazer perceber a razão por que se queria manter afastada do PSD de Abrantes e que, na altura, me apareceu algo exagerada mas que hoje constato retrata fielmente a realidade: «O PSD de Abrantes é uma teia urdida por três aranhas. E o senhor e eu somos apenas dois pequenos insectos. E escusa de olhar para as aranhas, porque mal se descuida está enredado numa teia formada por pessoas que se fizeram passar por seus amigos e nas quais confiou.»   

 

E não foi preciso esperar muitos dias para que isso se começasse a tornar evidente. Com efeito, na semana anterior à apresentação da minha candidatura, ou seja, na semana anterior a 28/10/2008, as três aranhas começaram a urdir a sua teia. E pondo a correr a insinuação caluniosa de que eu pertenceria a movimentos de extrema-direita, pressionaram o Gonçalo Oliveira, na altura presidente da comissão política concelhia, a forçar-me a renunciar à candidatura a favor de Belém Coelho, invocando motivos pessoais, o que só não aconteceu porque Belém Coelho, apesar de mal me conhecer, se recusou a alinhar nesta golpada e manteve o seu apoio à minha candidatura e aos compromissos já assumidos colectivamente pelo partido. A partir daquele momento, ganhei consciência do sarilho em que me tinha metido mas já era tarde para desistir, porque o compromisso estava assumido. 

 

AMAR ABRANTES  

 

Nova Aliança – A presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes afirmou que o vereador Santana Maia “já não dispõe de condições para falar em nome do PSD”. Como será agora a sua vereação?  

 

Santana-Maia - Em primeiro lugar, nem eu, nem os vereadores eleitos pelo PSD, alguma vez falámos em nome do PSD. Nós falamos apenas em nome dos vereadores da Câmara de Abrantes que foram eleitos pelas listas do PSD com um programa eleitoral próprio que se comprometeram a cumprir, caso fossem eleitos. 

 

Quando aceitei ser candidato pelo PSD, impus apenas, como única condição, que o grupo de trabalho da candidatura fosse aberto a todas as pessoas, independentemente da sua filiação ideológica ou partidária, desde que respeitassem o seguinte princípio: os interesses do concelho de Abrantes e dos munícipes estavam acima de qualquer interesse partidário ou pessoal por mais importante que fosse. 

 

Foi com este espírito que nasceu a candidatura "Amar Abrantes", daí também a razão da escolha do nome, e é com este espírito que os vereadores eleitos pela candidatura "Amar Abrantes" vão levar até ao fim o seu mandato, honrando o compromisso que assumiram perante os eleitores e falando sempre a uma só voz, enquanto vereadores. 

 

AS DUAS MARGENS 

 

Nova Aliança – Afirmando o vereador Belém Coelho que “os vereadores do PSD são uma unidade indivisível” como será (após a retirada de confiança) a articulação entre os dois vereadores do PSD? 

 

Santana-Maia - A comissão política é uma coisa, os vereadores são outra. A comissão política representa os militantes; os vereadores representam os munícipes. As comissões políticas são constituídas obrigatoriamente por listas de militantes com quotas em dia, são eleitas pelos militantes e dependem directamente dos militantes, representados pelo plenário; os vereadores, pelo contrário, fazem parte do executivo municipal que é eleito pelos munícipes, não são obrigados a ter qualquer vínculo ao partido que apoia a lista pela qual se candidataram (a esmagadora maioria dos candidatos são independentes) e dependem dos eleitores do município, representados pela Assembleia Municipal. A comissão política é eleita por 30 ou 40 militantes; os vereadores do PSD são eleitos por mais de 5 mil eleitores indiferenciados.  

 

Os vereadores vão, consequentemente, continuar a trabalhar como trabalharam até aqui, preparando as suas intervenções como sempre fizeram. Ou seja, em conjunto com o grupo de pessoas que os assessoria, desde o início, mantendo os canais abertos com os eleitos e os representantes das diferentes freguesias e dando voz a qualquer munícipe que dela careça. É óbvio que seria importante, apesar das profundas divergências, manter a ponte entre a vereação e a comissão política. Tanto assim que os estatutos do PSD estabelecem que o primeiro vereador eleito tem lugar por inerência na comissão política. No entanto, face à dinamitação desta ponte pela comissão política, não nos resta outra alternativa se não trabalhar em margens opostas. 

 

O PSD DE ABRANTES 

 

Nova Aliança – Pretende concorrer aos órgãos do partido do PSD de Abrantes? (desafio lançado pela presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes) 

 

Santana-Maia - Esse desafio, para mim, é ofensivo porque significa que a presidente me tem na mesma conta que ela. Eu aceitei ser candidato a presidente da câmara mas deixei claro, desde o início, que a política estritamente partidária não me interessa minimamente, nem tão pouco me reconheço nela, enquanto os partidos estiverem organizados com o único objectivo de ganhar eleições para servir as suas clientelas. Ainda acreditei, após as eleições autárquicas, que a comissão política do PSD de Abrantes pudesse romper com esta filosofia partidária e funcionar como um ponto de apoio aos eleitos locais no cumprimento do compromisso eleitoral que assumiram. Mas enganei-me completamente na pessoa a quem solicitei que desempenhasse essa tarefa. 

 

Além disso, estes dois últimos anos passados no PSD de Abrantes foram a experiência mais dolorosa que vivi nos meus 52 anos de vida. Não a desejo a ninguém. É uma cruz que se está a tornar demasiado pesada. Mas vou levá-la até ao fim. Agora nunca mais me falem do PSD de Abrantes. E dou um conselho: quem quiser viver bem com a sua consciência e de coluna direita, fuja do PSD de Abrantes. Caso contrário, vai ter de sofrer muito, se não quiser dobrar a espinha...   

 

Nova Aliança – Na sua opinião como vê o futuro do partido?   

 

Santana-Maia - O futuro do partido em Abrantes vai ser a continuação do seu triste passado. Muita conversa sobre ética e valores, muito discurso contra o PS, mas, na prática, tudo irá continuar a ser sacrificado no altar dos "altos interesses do partido" que, no fundo, a nível local, não são mais do que os baixos interesses de meia-dúzia dos seus militantes. 

 

Este PSD de Abrantes interessa, no entanto e objectivamente, ao PS local, razão por que pôde contar sempre com a sua estreita colaboração, apoio e incentivo, através, inclusive, dos órgãos de comunicação social que estão ao serviço dos socialistas, como é do conhecimento público. Além disso, esta situação também agrada, como é óbvio, ao PSD de Tomar, Torres Novas, Entroncamento e Santarém. Quanto pior representado estiver o PSD de Abrantes, melhor para eles. Como é evidente. 

 

ELEIÇÕES E COLIGAÇÕES 

 

Nova Aliança - Que expectativa tem das próximas legislativas? Que futuras coligações? 

 

Santana-Maia - Teria preferido que PSD e CDS se tivessem apresentado nestas eleições coligados. Teria sido melhor para Portugal a todos os níveis. Significaria, em primeiro lugar, que os dois partidos tinham sabido colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares. Em segundo lugar, teriam aparecido aos olhos dos eleitores com um programa comum e como a única solução de governo credível, o que ajudaria a clarificar a situação, matando à nascença as discussões marginais sobre as eventuais coligações pós-eleitorais, e seria um factor extraordinário de mobilização do eleitorado. Em terceiro lugar, a coligação PSD e CDS evitava que qualquer destes dois partidos se desviasse daquele que deve ser o verdadeiro imperativo nacional: derrotar Sócrates e este PS. 

 

No entanto, não coloco sequer a hipótese do PS vencer as próximas eleições porque isso revelaria um estado de demência colectivo que obrigava ao internamento psiquiátrico compulsivo do nosso país. Com efeito, não há ninguém, por muito estúpido que seja, que mantenha na direcção da sua empresa o director que a levou à falência. Só mesmo uma pessoa que sofra de graves perturbações mentais pode tomar uma decisão dessas. 

 

No entanto, devo dizer que as minhas expectativas relativamente ao futuro do país são muito baixas, mesmo com um governo PSD-CDS e por uma simples razão: vai ser impossível cumprir os objectivos que nos foram impostos pela troika. A fasquia foi colocada a uma altura que é impossível, por muito boa vontade que tenhamos, de a conseguir transpor. Os portugueses, a partir do próximo ano, vão ser sujeitos a um tratamento dolorosíssimo... As pessoas já se estão a queixar mas a maioria não imagina sequer o que aí vem. O verdadeiro sofrimento vai começar para o ano e por muito tempo. E, mesmo assim, não vamos conseguir cumprir os objectivos que a troika nos fixou pelo que a questão da reestruturação da dívida vai ter de se colocar, mais dia menos dia. Se a Europa não evoluir rapidamente para uma união política, o futuro de Portugal vai ser muito negro: muita miséria, muito sofrimento e nenhum futuro. Que ninguém se iluda.

 

Ver posts relacionados: Rexistir por amar Abrantes

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Sexta-feira, 03.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (7ª parte)

 

ELEIÇÕES E COLIGAÇÕES

 

Nova Aliança - Que expectativa tem das próximas legislativas? Que futuras coligações?

 

Santana-Maia - Teria preferido que PSD e CDS se tivessem apresentado nestas eleições coligados. Teria sido melhor para Portugal a todos os níveis. Significaria, em primeiro lugar, que os dois partidos tinham sabido colocar os interesses nacionais acima dos seus interesses particulares. Em segundo lugar, teriam aparecido aos olhos dos eleitores com um programa comum e como a única solução de governo credível, o que ajudaria a clarificar a situação, matando à nascença as discussões marginais sobre as eventuais coligações pós-eleitorais, e seria um factor extraordinário de mobilização do eleitorado. Em terceiro lugar, a coligação PSD e CDS evitava que qualquer destes dois partidos se desviasse daquele que deve ser o verdadeiro imperativo nacional: derrotar Sócrates e este PS.

 

No entanto, não coloco sequer a hipótese do PS vencer as próximas eleições porque isso revelaria um estado de demência colectivo que obrigava ao internamento psiquiátrico compulsivo do nosso país. Com efeito, não há ninguém, por muito estúpido que seja, que mantenha na direcção da sua empresa o director que a levou à falência. Só mesmo uma pessoa que sofra de graves perturbações mentais pode tomar uma decisão dessas.

 

No entanto, devo dizer que as minhas expectativas relativamente ao futuro do país são muito baixas, mesmo com um governo PSD-CDS e por uma simples razão: vai ser impossível cumprir os objectivos que nos foram impostos pela troika. A fasquia foi colocada a uma altura que é impossível, por muito boa vontade que tenhamos, de a conseguir transpor. Os portugueses, a partir do próximo ano, vão ser sujeitos a um tratamento dolorosíssimo... As pessoas já se estão a queixar mas a maioria não imagina sequer o que aí vem. O verdadeiro sofrimento vai começar para o ano e por muito tempo. E, mesmo assim, não vamos conseguir cumprir os objectivos que a troika nos fixou pelo que a questão da reestruturação da dívida vai ter de se colocar, mais dia menos dia. Se a Europa não evoluir rapidamente para uma união política, o futuro de Portugal vai ser muito negro: muita miséria, muito sofrimento e nenhum futuro. Que ninguém se iluda.

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Quinta-feira, 02.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (6ª parte)

 

O PSD DE ABRANTES

 

Nova Aliança – Pretende concorrer aos órgãos do partido do PSD de Abrantes? (desafio lançado pela presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes)

 

Santana-Maia - Esse desafio, para mim, é ofensivo porque significa que a presidente me tem na mesma conta que ela. Eu aceitei ser candidato a presidente da câmara mas deixei claro, desde o início, que a política estritamente partidária não me interessa minimamente, nem tão pouco me reconheço nela, enquanto os partidos estiverem organizados com o único objectivo de ganhar eleições para servir as suas clientelas. Ainda acreditei, após as eleições autárquicas, que a comissão política do PSD de Abrantes pudesse romper com esta filosofia partidária e funcionar como um ponto de apoio aos eleitos locais no cumprimento do compromisso eleitoral que assumiram. Mas enganei-me completamente na pessoa a quem solicitei que desempenhasse essa tarefa.

 

Além disso, estes dois últimos anos passados no PSD de Abrantes foram a experiência mais dolorosa que vivi nos meus 52 anos de vida. Não a desejo a ninguém. É uma cruz que se está a tornar demasiado pesada. Mas vou levá-la até ao fim. Agora nunca mais me falem do PSD de Abrantes. E dou um conselho: quem quiser viver bem com a sua consciência e de coluna direita, fuja do PSD de Abrantes. Caso contrário, vai ter de sofrer muito, se não quiser dobrar a espinha...  

 

Nova Aliança – Na sua opinião como vê o futuro do partido?  

 

Santana-Maia - O futuro do partido em Abrantes vai ser a continuação do seu triste passado. Muita conversa sobre ética e valores, muito discurso contra o PS, mas, na prática, tudo irá continuar a ser sacrificado no altar dos "altos interesses do partido" que, no fundo, a nível local, não são mais do que os baixos interesses de meia-dúzia dos seus militantes.

 

Este PSD de Abrantes interessa, no entanto e objectivamente, ao PS local, razão por que pôde contar sempre com a sua estreita colaboração, apoio e incentivo, através, inclusive, dos órgãos de comunicação social que estão ao serviço dos socialistas, como é do conhecimento público. Além disso, esta situação também agrada, como é óbvio, ao PSD de Tomar, Torres Novas, Entroncamento e Santarém. Quanto pior representado estiver o PSD de Abrantes, melhor para eles. Como é evidente.

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Quinta-feira, 02.06.11

ENTREVISTA NOVA ALIANÇA (5ª parte)

 

AS DUAS MARGENS

 

Nova Aliança – Afirmando o vereador Belém Coelho que “os vereadores do PSD são uma unidade indivisível” como será (após a retirada de confiança) a articulação entre os dois vereadores do PSD?

 

Santana-Maia - A comissão política é uma coisa, os vereadores são outra. A comissão política representa os militantes; os vereadores representam os munícipes. As comissões políticas são constituídas obrigatoriamente por listas de militantes com quotas em dia, são eleitas pelos militantes e dependem directamente dos militantes, representados pelo plenário; os vereadores, pelo contrário, fazem parte do executivo municipal que é eleito pelos munícipes, não são obrigados a ter qualquer vínculo ao partido que apoia a lista pela qual se candidataram (a esmagadora maioria dos candidatos são independentes) e dependem dos eleitores do município, representados pela Assembleia Municipal. A comissão política é eleita por 30 ou 40 militantes; os vereadores do PSD são eleitos por mais de 5 mil eleitores indiferenciados. 

 

Os vereadores vão, consequentemente, continuar a trabalhar como trabalharam até aqui, preparando as suas intervenções como sempre fizeram. Ou seja, em conjunto com o grupo de pessoas que os assessoria, desde o início, mantendo os canais abertos com os eleitos e os representantes das diferentes freguesias e dando voz a qualquer munícipe que dela careça. É óbvio que seria importante, apesar das profundas divergências, manter a ponte entre a vereação e a comissão política. Tanto assim que os estatutos do PSD estabelecem que o primeiro vereador eleito tem lugar por inerência na comissão política. No entanto, face à dinamitação desta ponte pela comissão política, não nos resta outra alternativa se não trabalhar em margens opostas.

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Quinta-feira, 02.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (4ª parte)

 

AMAR ABRANTES 

 

Nova Aliança – A presidente da Comissão Política do PSD de Abrantes afirmou que o vereador Santana Maia “já não dispõe de condições para falar em nome do PSD”. Como será agora a sua vereação?

 

Santana-Maia - Em primeiro lugar, nem eu, nem os vereadores eleitos pelo PSD, alguma vez falámos em nome do PSD. Nós falamos apenas em nome dos vereadores da Câmara de Abrantes que foram eleitos pelas listas do PSD com um programa eleitoral próprio que se comprometeram a cumprir, caso fossem eleitos.

 

Quando aceitei ser candidato pelo PSD, impus apenas, como única condição, que o grupo de trabalho da candidatura fosse aberto a todas as pessoas, independentemente da sua filiação ideológica ou partidária, desde que respeitassem o seguinte princípio: os interesses do concelho de Abrantes e dos munícipes estavam acima de qualquer interesse partidário ou pessoal por mais importante que fosse.

 

Foi com este espírito que nasceu a candidatura "Amar Abrantes", daí também a razão da escolha do nome, e é com este espírito que os vereadores eleitos pela candidatura "Amar Abrantes" vão levar até ao fim o seu mandato, honrando o compromisso que assumiram perante os eleitores e falando sempre a uma só voz, enquanto vereadores.

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Quarta-feira, 01.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (3ª parte)

 

A TEIA

 

Nova Aliança – Quais foram as principais causas da ruptura?

 

Santana-Maia - A principal causa da ruptura foi explicada pela presidente da comissão política ao invocar os "altos interesses do partido" para me retirar a confiança política. É precisamente aqui que reside a grande fractura entre o PSD dos vereadores e o PSD da actual comissão política. No discurso da minha apresentação a presidente da câmara, no dia 28/10/2008, disse que, para pertencer à candidatura "Amar Abrantes", só eram necessárias três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes. Ora, são precisamente estas três coisas que chocam abertamente com os fundamentos da actual comissão política. Estamos, assim, perante duas visões completamente diferentes de entender a política: para os vereadores do PSD, os interesses do partido têm de se sacrificar aos superiores interesses do concelho e dos munícipes; para a actual comissão política, os vereadores devem curvar-se perante "os altos interesses do partido".

 

Nova Aliança - E desde quando começou essa ruptura?

 

Santana-Maia - Essa ruptura começou no dia em que o plenário do PSD de Abrantes aprovou por unanimidade a minha candidatura a presidente da câmara. A unanimidade e o apoio expresso naquele momento por certas pessoas soou-me logo a falso, depois das histórias que me tinham contado.

 

Devo dizer que, antes de aceitar o convite, quis ouvir a opinião de algumas pessoas amigas, porque desconhecia absolutamente a realidade do PSD de Abrantes. E verdade se diga todas me disseram o pior possível... No entanto, recordo aqui uma imagem que uma destas pessoas usou para me fazer perceber a razão por que se queria manter afastada do PSD de Abrantes e que, na altura, me apareceu algo exagerada mas que hoje constato retrata fielmente a realidade: «O PSD de Abrantes é uma teia urdida por três aranhas. E o senhor e eu somos apenas dois pequenos insectos. E escusa de olhar para as aranhas, porque mal se descuida está enredado numa teia formada por pessoas que se fizeram passar por seus amigos e nas quais confiou.» 

  

E não foi preciso esperar muitos dias para que isso se começasse a tornar evidente. Com efeito, na semana anterior à apresentação da minha candidatura, ou seja, na semana anterior a 28/10/2008, as três aranhas começaram a urdir a sua teia. E pondo a correr a insinuação caluniosa de que eu pertenceria a movimentos de extrema-direita, pressionaram o Gonçalo Oliveira, na altura presidente da comissão política concelhia, a forçar-me a renunciar à candidatura a favor de Belém Coelho, invocando motivos pessoais, o que só não aconteceu porque Belém Coelho, apesar de mal me conhecer, se recusou a alinhar nesta golpada e manteve o seu apoio à minha candidatura e aos compromissos já assumidos colectivamente pelo partido. A partir daquele momento, ganhei consciência do sarilho em que me tinha metido mas já era tarde para desistir, porque o compromisso estava assumido.

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Quarta-feira, 01.06.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (2ª parte)

 

A CULTURA DE REBANHO 

 

Nova Aliança – Que opinião tem dos fundamentos apresentados pelo PSD de Abrantes?

 

Santana-Maia - Invocar como fundamento para a retirada da confiança política o facto de eu manter algum distanciamento crítico em relação a determinadas posições do partido não é honesto. Em primeiro lugar, porque eu não só nunca fui um «yes, man» como defendi sempre a liberdade de expressão como um dos valores principais a ser defendidos e preservados pela candidatura "Amar Abrantes" e pelo PSD. E basta ler os meus artigos no Primeira Linha, nos anos anteriores ao convite para ser candidato, para se constatar que eu sempre discuti e critiquei abertamente as posições dos líderes e dos governos do PSD quando não concordava com elas. Para mim, o PSD, assim como qualquer partido democrático, só pode ser um verdadeiro agente de mudança se preservar e valorizar os espíritos livres e independentes. Sou, por isso, visceralmente, contra os partidos tipo PS de Sócrates, em que o líder é o pastor e o partido um rebanho de ovelhas. Ora, é precisamente este modelo de partido que é agora defendido pela actual comissão política concelhia do PSD e que, por ironia do destino, é rejeitado não só por mim como também pelo actual líder do PSD Passos Coelho. Basta até ter em conta que a chamada "lei da rolha", que foi aprovada num congresso do PSD com o voto da actual presidente da comissão política, foi, de imediato, rejeitada por Passos Coelho. Aliás, todo o discurso de Passos Coelho assenta na abertura do partido à sociedade civil com vista precisamente a evitar que o partido fique refém desta cultura de rebanho que tem as suas raízes no antigo regime e nos regimes totalitários.

 

Em segundo lugar, quando aceitei ser candidato, disse expressamente que o meu compromisso era apenas com o projecto da candidatura autárquica à Câmara de Abrantes. E todas as pessoas que eu convidei foi com base no mesmo compromisso. Não só nunca perguntei a ninguém em quem costumava votar ou qual o seu partido do coração como também, àquelas que fizeram questão de mo dizer, lhes disse logo que isso não me interessava. Aliás, para que as pessoas compreendessem a filosofia que estava subjacente à candidatura "Amar Abrantes", repeti até à exaustão o provérbio japonês no qual eu me revejo:  "Quando há duas pessoas que pensam da mesma maneira, uma delas é dispensável". O objectivo era servir o concelho e as populações e não juntar um rebanho de ovelhas, acrítico e de pensamento único, para servir o partido.

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Terça-feira, 31.05.11

ENTREVISTA AO NOVA ALIANÇA (1ª parte)

 

O BEIJO DE JUDAS

 

Nova Aliança – O PSD de Abrantes retirou a confiança política aos seus vereadores (Elsa Cardoso e Santana Maia). Já estava à espera desta decisão ?  

 

Santana-Maia -A partir do momento em que o PSD de Abrantes ficou nas mãos daqueles que não só sempre foram contra a minha candidatura à Câmara de Abrantes como tudo têm feito, a partir desse momento e sem olhar a meios, para fragilizar, apoucar, diminuir e denegrir os candidatos e os eleitos da candidatura "Amar Abrantes", a retirada da confiança política acaba por ser o corolário lógico de toda uma filosofia que tem dominado o PSD de Abrantes, durante os últimos vinte anos, e contra a qual a minha candidatura se ergueu.

 

Aliás, na noite do passado dia 1 de Janeiro, às 22H10, ou seja, cerca de quatro meses antes do anúncio da retirada da confiança política, recebi no meu telemóvel uma mensagem anónima que resume o teor do comunicado que agora foi lido pela comissão política, o que significa que a pessoa que me enviou este sms estava bem por dentro da teia que estava a ser urdida no PSD de Abrantes. A mensagem dizia o seguinte: «O psd e principalmente os abrantinos muito agradecem um gesto nobre da sua parte: DEMITA-SE DE VEREADOR. Estamos fartos da sua prepotência, autoritarismo e falta de vergonha. O seu egocentrismo asfixia-o. De uma coisa pode ficar certo só descansarei quando excomungar as laranjas podres da nossa secção. Os energúmenos como vossa excelência têm os dias contados.»

 

Como vê, não só estava à espera como aguardava tranquilamente pelo beijo de Judas, se bem que, neste caso, Judas seja do sexo feminino. 

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Quarta-feira, 25.05.11

O EURODEPENDENTE

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

A exultação dos nossos políticos do "arco da governação", assim como da sua corte de comentadores e jornalistas, com o programa de "desintoxicação" das finanças públicas que a troika impôs ao Estado português, em troca do empréstimo indispensável à nossa sobrevivência, só é comparável à felicidade do toxicodependente que, no banco dos réus, recebe, como uma dádiva dos céus, a ordem de internamento para desintoxicação proferida pelo juiz como alternativa à pena de prisão.

 

Temo, no entanto, que o desfecho seja o mesmo.

 

Com efeito, raramente o toxicodependente consegue cumprir o programa de desintoxicação ou evitar nova recaída. Quando uma pessoa ou um Estado se torna toxicodependente, não basta um bom programa para a cura, é necessário uma força de vontade e um espírito de sacrifício que, se estas pessoas tivessem, nunca teriam caído naquela situação.

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Domingo, 15.05.11

O NOSSO COMPROMISSO

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

No momento em que os vereadores do PSD são atacados, dentro do seu próprio partido, por aqueles que sempre estiveram contra a nossa candidatura à Câmara de Abrantes e sempre conviveram bem com a poder socialista, importa recordar o nosso compromisso eleitoral, apresentado no dia 29 de Outubro de 2008, na sede do PSD de Abrantes, para o leitor poder avaliar, quer a coerência da nossa conduta, quer a justiça das acusações que nos são feitas, quer o carácter daqueles que estão sempre dispostos a vender-se por trinta dinheiros:

 

«Tal como a maioria dos portugueses, também eu estou profundamente desiludido com a nossa classe política que transformou o Estado e as autarquias num monstro com tentáculos enormes que esmaga, sufoca e asfixia todas as pessoas e empresas que têm a veleidade de querer viver fora da sua dependência. E se o PS é o pai biológico do monstro, o PSD é o seu pai afectivo porque sempre que esteve no poder alimentou-o e acarinhou-o como se fosse seu filho. (...)

 

O concelho de Abrantes é um caso típico de como os milhões e milhões de euros da união europeia que, desde 1993, desaguaram nas nossas autarquias, em nada contribuíram para cimentar aqueles valores que fortalecem as democracias e são o único e verdadeiro motor do desenvolvimento. Ou seja, o espírito crítico, a livre iniciativa, a independência da sociedade civil face ao poder político e a liberdade de expressão e de opinião.   

 

Por alguma razão, estamos na cauda da Europa, excepto no que diz respeito à corrupção, ao clientelismo, ao compadrio e ao esbanjamento de dinheiros públicos em que ocupamos orgulhosamente um dos lugares cimeiros.

 

As obras públicas são importantes, obviamente. Mas mais importante do que as obras é cada um de nós sentir, em cada momento, que é um homem livre. Livre para pensar, livre para criticar e livre para fazer. E a única forma de se viver em liberdade na nossa terra é nunca permitirmos que alguém se sinta senhor do nosso voto ou dono do nosso concelho.

 

O 25 de Abril vendeu-nos a ilusão de que, com a decapitação do regime, o monstro fascista morria, libertando a sociedade civil das suas garras tentaculares. Foi um erro de análise. Ao contrário do que julgaram os militares de Abril, o monstro fascista não era um polvo, mas uma hidra. E com a decapitação do regime, as cabeças da hidra irromperam na nossa sociedade tomando conta do aparelho de Estado, das instituições, das autarquias e das associações.

 

Se queremos um Portugal mais justo, mais solidário, mais livre, onde se permeie efectivamente o mérito e o trabalho temos dematar a hidra. Eu sei que é um trabalho de Hércules. Mas só há uma maneira de o conseguir: através do exemplo. O exemplo é a única forma de ensinar. É no exemplo que se funda a verdadeira autoridade. (...)

 

Tenho a consciência de que o nosso exército é pequeno e que o combate vai ser duro e desequilibrado. Mas isso não nos deve desanimar, nem fazer desistir. O importante num combate não é estar do lado do exército maior e mais poderoso, mas estar do lado certo. (...)

 

A mudança de mentalidades e de comportamentos que protegem os amigos e os medíocres e penalizam quem cumpre e quem trabalha tem de começar por algum lado. E vai começar por aqui.

 

O meu repto vai para o povo de Abrantes, independentemente das suas convicções políticas ou religiosas. Tal como em Aljubarrota, o nosso combate vai ter de ser feito com o povo e os homens livres deste concelho, porque a "nobreza" de Abrantes, cujos cargos, tachos e penachos dependem da câmara e do Governo, está toda ao lado de Castela, ou seja, do poder socialista. (...)

 

Povo de Abrantes! Homens livres de Abrantes! A vossa participação é essencial para vencer este combate decisivo por Abrantes, por Portugal e por cada um de nós. Para se alistarem no nosso exército, só necessitam de três coisas: agarrar na consciência, endireitar a coluna e amar Abrantes 

 

Vide posts relacionados: 

Vereadores do PSD: Uma Unidade Indivisível 

E se o ridículo matasse?...    

PSD Abrantes retira confiança política 

Vereadores e concelhia de costas voltadas 

A minha intervenção no plenário do psd 

Nota explicativa  

Carta aberta aos abrantinos  

As razões da minha desfiliação do PSD  

Em defesa da honra 

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