Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL


Quinta-feira, 07.07.11

OS CLUBES PARTIDÁRIOS

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Se hoje Portugal está como está muito o deve à forma como estão organizados os partidos políticos. Com efeito, a organização interna dos partidos políticos portugueses apenas é capaz de produzir dirigentes medíocres para sustentar as suas próprias clientelas.

 

Sem uma refundação dos partidos que altere substancialmente a sua forma de organização, ninguém espere que dali possa sair alguém que tenha por primeiro objectivo servir a comunidade e os outros. E este modelo reproduz-se depois em todos os serviços públicos e em todos os órgãos do estado. E, como se isso não bastasse, ainda temos de ouvir esta canalha invocar os superiores interesses nacionais ou locais para justificar iniciativas que apenas servem os inferiores interesses das suas clientelas.  

 

Trinta e seis anos após o 25 de Abril, se se perguntar a qualquer aluno do 12º ano ou a um qualquer militante socialista ou social democrata se é a favor das democracias liberais, o mais certo é ouvir o que eu já ouvi numa assembleia de militantes quando defendi os princípios das democracias liberais: que o PSD é um partido social-democrata e não é um partido liberal. E isto foi dito por pessoa reputada de muito culta... Imagine-se se não fosse!!!...

 

Sem qualquer tipo de formação ou preocupação ideológica, os militantes aderem aos partidos, da mesma forma que aderem aos clubes de futebol. São do PSD ou do PS pela mesma razão que são do Benfica ou do Sporting. E funciona tudo da mesma forma. O objectivo é ganhar por qualquer meio e a cassete é sempre a mesma. Muita conversa sobre a ética e os valores quando não se está no poder, muita arrogância e despotismo quando se detém o poder.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 10.05.11

O LUGAR NO ANZOL

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Fico absolutamente estarrecido quando vejo comentadores e jornalistas, com algum coeficiente de inteligência, interpretarem a inclusão de independentes nas listas de deputados como um sinal de abertura dos partidos à sociedade civil. Nada mais falso.

 

Como qualquer pessoa constata a olho nu, os aparelhos partidários são, em regra, constituídos por gente pouco recomendável, que descobriu na política a forma mais rentável e menos custosa de governar a sua vidinha e a dos seus. E, por isso, é praticamente impossível retirar-lhes o poder interno, mantido e conquistado com todo o tipo de safadezas: eleições viciadas e fantasma, clima de intimidação e de ajavardamento, militantes filiados aos molhos ou quotas pagas pelo próprio aparelho,  etc. etc. etc.

 

No entanto, os aparelhos partidários estão absolutamente conscientes da sua degradada imagem pública. Necessitam, por isso, nas eleições nacionais, de se esconder atrás dos independentes e de figuras de prestígio, para conseguirem alcançar os seus intentos. Ou seja, os independentes não são mais do que o isco que os aparelhos partidários utilizam para conquistarem o verdadeiro poder que lhes interessa: o de distribuir os tachos pelos seus fiéis.

 

O PSD ou o PS podem convidar um independente para deputado ou presidente da Assembleia da República, mas não o convidam de certeza para presidente da distrital de Lisboa ou do Porto. Aos independentes oferece-se apenas o lugar no anzol, não o poder para distribuir benesses.

 

Ora, só se poderá falar verdadeiramente da abertura dos partidos à sociedade civil, quando qualquer cidadão se puder candidatar aos órgãos directivos dos partidos, sem cartão de militante e em eleições livres e abertas a todos os cidadãos que queiram participar. E os independentes só deviam chegar a candidatos a deputados por esta via, a única via que garante poder efectivo dentro do partido pelo qual concorrem. Caso contrário, não passam de meros jogadores de futebol disponíveis para vestir a camisola do partido que melhores condições lhe oferecer.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 10.05.11

AVISO AOS INDEPENDENTES QUE RESTAM

 

O balanço da minha experiência pessoal como deputado não terá sido essencialmente diferente daquele que fizeram outros cidadãos sem experiência parlamentar anterior e que, apesar da diversidade das respectivas motivações, terminou em frustação e desencanto. (...)

 

Concluí sobretudo que, para um jornalista como eu, as regras escritas ou implícitas da obediência parlamentar - tal como esta é, em geral, entendida - eram incompatíveis com o meu espaço de liberdade. (...)

 

As candidaturas independentes não constituem, em si mesmas, uma garantia de abertura e diálogo com a sociedade (no meu tempo de deputado já não era assim, como tristemente concluí). Podem até resultar num aproveitamento oportunista de disponibilidades suspeitas e de clientelismo enviesados. Mas a independência e a liberdade de espírito são o único penhor de uma vida democrática mais sadia, introduzindo ar fresco na atmosfera bafienta das instituições paralisadas pelo servilismo da mediocridade. (...)

 

A perspectiva de um Parlamento onde tenderão a prevalecer, mais do que nunca, os alinhamentos tribais e acríticos dos partidos é o pior panorama que nos pode ser oferecido na mais negra conjuntura de sempre do nosso regime democrático. (...)

 

A perda da independência económica que nos ameaça não pode ser separada da perda da independência dos valores éticos e das convicções políticas. 

 

Vicente Jorge Silva - in Sol de 6/5/11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Segunda-feira, 09.05.11

O PARTIDO-CLUBITE

 

É Portugal e o que é tem muita força, os partidos são o que são e as pessoas são o que são. Muito fome e poucos lugares ao sol. E a política começa a ficar como as claques de futebol. Se não estás a 200% connosco, estás com eles; se não calas as nossas asneiras, fazes o jogo do inimigo. Se perdermos, não será por causa das asneiras que fazemos, mas por tua causa que as criticas. Frágil poder esse que cai ao mais pequeno abano.

 

Nestes dias, os nossos modernaços liberais voltam ao tempo da Santa Inquisição. O ideal seria que debaixo da nossa varanda só passassem os gloriosos regimentos de fiéis alinhadinhos, sem falha, que houvesse censura, e o espírito crítico fosse fechado nas Berlengas a cadeado para que a nossa incompetência, a nossa gula, os nossos interesses ficassem bem salvaguardados pelo silêncio. (...)

 

Verdade seja dita que também já os vi fazer carreira no reino da Traulitânia da política, com algum sucesso, mas para isso tem que se aprender depressa as regras da sobrevivência e afastar os 100 pretendentes ao seu lugar singular.

 

Pacheco Pereira in Sábado de 5/5/11

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 04.05.11

A GERAÇÃO SÓCRATES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

A geração Sócrates tomou, literalmente, conta dos partidos portugueses. Trata-se de uma geração que aprendeu a usar os princípios e os valores apenas como arma de arremesso para agredir os adversários, sem nunca os aplicar às suas condutas, que se regem apenas pelos seus mais mesquinhas interesses particulares. Ou seja, é uma geração sem princípios que não olha a meios para atingir os seus fins.

 

Ora, como pode um partido prometer, com seriedade, a regeneração do país, quando não consegue sequer regenerar-se a si próprio? Como dizia Aristóteles, «o princípio é a metade de tudo». E se os partidos políticos querem, na verdade, ser o motor da regeneração do país e da nossa jovem democracia então devem começar pelo princípio. Ou seja, por si próprios. Até porque não há outra forma de começar.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 02.03.11

A UNIÃO NACIONAL SOCIALISTA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Quem olha objectivamente para o comportamento dos dois maiores partidos portugueses não pode deixar de ficar com a estranha sensação de que se trata do mesmo partido desdobrado em dois (PS e PSD) para garantir a sua governação contínua. Desta forma, cria nos eleitores a ilusão de que existe alternância no poder, capitalizando, na oposição, o descontentamento à direita (PSD) e à esquerda (PS), ao mesmo tempo que o partido que governa (seja PS ou PSD) serve rigorosamente os mesmos interesses e cumpre o mesmo programa político, o que, no politiquês dos nossos comentadores, se chama governar ao centro. Ou seja, as eleições servem apenas para refrescar a equipa do Governo, nunca para substituir as políticas do Governo, que seriam sempre as mesmas qualquer que fosse o partido que as vencesse.



Não é, por isso, de estranhar que o líder do PSD se assemelhe muito mais ao jogador suplente, em exercícios de aquecimento, à espera da ordem de substituição por fadiga do jogador titular (leia-se, do primeiro-ministro), do que ao líder da equipa adversária. Aliás, quem ouve falar os dirigentes do PSD não pode deixar de estranhar que todas as suas críticas assentem, basicamente, na fadiga e na incapacidade dos actuais governantes de cumprirem o programa comum (seja, o PEC1, o PEC2 ou o PEC3...).

 

Ora, se o PSD fosse um verdadeiro partido opositor do PS, devia-se bater pela queda do Governo em nome de um projecto alternativo e assente em pressupostos e soluções diferentes. É certo que, se o PSD proceder desta forma, corre um sério risco de perder as eleições, uma vez que a maioria do povo português continua a ser simpatizante da União Nacional Socialista. Mas o PSD tem, obrigatoriamente, de correr esse risco se quer tirar Portugal do pântano onde está atolado.

 

Ao líder do PSD cabe-lhe dizer claramente o que se propõe fazer, sem rodeios e sem medo das palavras e do resultado das eleições; ao povo cabe-lhe escolher e sofrer as consequências da sua escolha (boa ou má). Já chega de partidos de moscas... Precisamos, definitivamente, de partidos de homens e mulheres a sério e sérios, os únicos capazes de limpar a porcaria que os seus antecessores aqui deixaram.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira, 25.02.11

REQUALIFICAR OS PARTIDOS

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Para quem acredita na democracia representativa, como eu, não pode deixar de ficar preocupado com o adiantado estado de degradação dos partidos políticos, tendo em conta que são as traves mestra deste sistema político.

 

Com efeito, a política chegou a um tal nível de desprestígio que os partidos são já olhados pelo homem comum como se se tratassem de autênticas casas de prostituição. E a verdade é que são já mais as semelhanças do que as diferenças. Sendo certo que, quando um político se prostituí, as consequências sociais são sempre muito mais gravosas para a comunidade do que quando uma mulher o faz para ganhar a vida.

 

Sempre que cheira a poder, as disputas internas atingem um tal grau de "vale tudo" que só pessoas com poucos escrúpulos ou com um grande estômago (e pouco olfacto) conseguem manter-se, durante muito tempo, naquele atoleiro. Até porque, para se disputar a liderança, àquela meia-dúzia de militantes que controlam localmente os partidos, é necessário recorrer aos mesmos métodos de angariação e pagamento de quotas de militantes. Ou seja, é necessário ser igual a eles.

 

Pensar que as eleições nos partidos se ganham com base em projectos, programas ou debate ideológico é pura fantasia. Para que isso sucedesse era necessário que a base eleitoral, nas eleições internas, não se reduzisse ao reduzido número de militantes sobrevivente das guerras internas, a maioria deles sem preparação técnica ou formação ideológica para olhar para a actividade política a não ser pelo prisma da clubite e do interesse pessoal.

 

E de quem ganha, assim, as eleições internas não se pode esperar que mude de atitude e de estratégia quando disputar as eleições locais ou nacionais.  

 

Neste contexto, não é de estranhar que gente socialmente reputada e séria se recuse a participar na vida dos partidos, apesar dos lancinantes apelos dos comentadores, articulistas e fazedores de opinião. Sendo certo que todos aqueles que, na sua boa fé, acorram ao chamamento ficam, automaticamente, desqualificados socialmente, da mesma forma que fica manchada a reputação de uma mulher séria que seja vista a frequentar uma casa de prostituição.

 

Além disso, existe ainda o risco do apodrecimento por contágio. Na verdade, ensina-nos a experiência que, quando uma pessoa reputada de séria ganha a fama pública de vigarista e aldrabão, mais tarde ou mais cedo, acaba por querer ficar também com o proveito.

 

Ora, tendo os partidos ganhado esta má fama entre os portugueses, não se pode esperar que estes, correspondendo a um apelo cívico, acorram em massa aos partidos.

 

Qual a solução? Procedendo da mesma forma como se faz quando se quer acabar com uma casa de má fama: reformulando-a e abrindo-a a toda a gente. Ou seja, abrindo os partidos à sociedade e aos seus eleitores e alargando o universo eleitoral e a capacidade eleitoral na escolha dos dirigentes, à semelhança do que se faz nos Estados Unidos da América.  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 12.09.10

LEI ELEITORAL FAVORECE A PROSTITUIÇÃO

Deputada italiana acusa colegas de se prostituírem (in SOL net de 9/9/10)

  

«Não excluo a hipótese de haver senadoras ou deputadas eleitas depois de se terem prostituído», foi esta declaração da deputada italiana Angela Napoli que causou o caos entre a elite política italiana. A declaração da deputada do Futuro e Liberdade (FLI), deixou as deputadas do  PDL de Berlusconi indignadas

 

Angela Napoli, que faz parte da comissão antimáfia do Parlamento italiano, emitiu estas declarações ao falar sobre a actual lei eleitoral italiana que não permite aos cidadãos elegerem os deputados, mas apenas o cabeça-de-lista.

 

A deputada do FLI defende que os deputados devem ser eleitos de forma directa, para que ao Parlamento cheguem homens e mulheres que realmente tenham provado o seu mérito. Napoli declarou que «como não se coloca o acento na eleição baseada nas capacidades individuais, a mulher vê-se forçada, para alcançar determinada posição na lista, a prostituir-se e a ser subserviente».

 

Napoli, conhecida em Itália pelas suas denúncias contra o machismo na política e a sua defesa da legalidade, lançou a acusação num programa do jornalista Klaus Davi que é  difundido através do Youtube.

 

As deputadas do PDL reagiram com indignação. Barbara Salmartini, deputada do partido de Berlusconi declarou que tais acusações são «infames e descredibilizam todas as mulheres de todas as forças políticas».

 

A guerra entre os dois partidos italianos aumenta de tom e muito provavelmente a divisão entre PDL de Berlusconi e FLI de Fini levará à queda do governo italiano.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sábado, 21.08.10

HIPERCAPITALISMO E HIPERINDIVIDUALISMO

Excerto do livro «A CULTURA MUNDO – RESPOSTA A UMA SOCIEDADE DESORIENTADA» de Gilles Lipovetsky e Jean Serroy

 

Tal como existe uma desregulação económica que deixa o mercado livre para desempenhar o seu papel com muito menos restrições, também desapareceu, em grande medida, aquilo que funcionava tradicionalmente como um travão à individualização. Os valores hedonistas, a oferta cada vez maior de consumo e de comunicação e a contracultura concorreram para a desagregação dos enquadramentos colectivos (família, Igreja, partidos políticos e moralismo) e, ao mesmo tempo, para a multiplicação dos modelos de existência. Daí o neo-individualismo de tipo opcional, desregulado e não compartimentado. “A vida à escolha” tornou-se emblemática deste homo individualis desenquadrado, liberto das imposições colectivas e comunitárias. Em termos históricos é uma segunda revolução individualista que está em curso, instituindo desta vez um individualismo acabado e extremo: um hiperindividualismo.   

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sexta-feira, 20.08.10

O HOMO FREEPORTUS

Helena Matos in Público de 5/8/10 (extracto)

 

O Homo Freeportus nasceu da união entre dois aparelhos reprodutores: o do Estado e o dos partidos. Os nascidos desse cruzamento vivem do Estado e naturalmente sentem o Estado como o seu território. Conhecem-lhe os procedimentos, os regulamentos, as excepções aos mesmos e os anexos às disposições gerais. Aliás, grande parte do poder dos freeportus é exercida através da produção contínua de regulamentos, leis e decretos que trazem os demais hominídeos em constante sobressalto.

 

Os freeportus usam o Estado em seu proveito até ao limite (…).

 

Não há memória de um freeportus ter sido alguma vez punido, até porque após uma situação de risco imediatamente os freeportus detectam o que os levou quase a serem apanhados e logo corrigem a legislação e mudam quem tem de ser mudado.

 

Os freeportus nunca deixam verdadeiramente o Estado, pois, mesmo quando partem para regiões inóspitas, como o sector privado, tal só acontece porque levam consigo o seu conhecimento do ecossistema estatal que os torna valiosos aos olhos de quem os convida.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sábado, 05.06.10

O CADÁVER E A COMÉDIA

António Belém Coelho - in Primeira Linha 

 

O cadáver, todos sabemos quem é, menos o próprio; trata-se do nosso governo, que ainda não descobriu que o é, mas que curiosamente vem actuando como tal, se é que um cadáver pode ter actuação. Certamente que algum ramo da ciência psíquica ou outra o poderá explicar.

 

A comédia, essa, para além de muitos actos nos últimos tempos, teve première na passada sexta-feira, na Assembleia da República; nada a que não estejamos habituados, mas esta ultrapassa todos os limites.

 

O Partido Comunista Português, dentro do seu direito e legitimidade, entendeu, em antecipação à sua concorrência de esquerda, apresentar uma moção de censura ao governo. Como aliás já aconteceu em situações anteriores. Há é que saber se essa moção tem bases nacionais ou meramente partidárias; mais uma vez a última hipótese parece ser a mais credível, dados os fundamentos da mesma: a mesma retórica de sempre! O PCP continua a querer transformar Portugal na Cuba ou Coreia do Norte europeias; desiderato condenado obviamente ao fracasso.

 

O papel do Bloco de Esquerda nestas circunstâncias é perfeitamente ingrato; ultrapassado em termos de timing pela iniciativa do PCP, tentou minorar os danos, colando-se a ela e votando-a favoravelmente. Contudo, para justificar essa opção descuidada de quem não soube comandar os timings, resolveu atacar quem não seguia a moção, em vez de a defender, esclarecendo os seus argumentos; trata-se claramente de um caso de má consciência.

 

O Partido Popular escudou-se na matriz demasiado leninista do texto da moção para justificar a sua abstenção, embora na verdade concordasse com muitos dos seus fundamentos; esta acrobacia circense poder-lhe-á em boa verdade custar alguma coisa nas próximas eleições.

 

Quanto ao Partido Socialista, como de costume não percebeu nada do assunto, tendo tido um conjunto de intervenções em que não se percebia bem se se solidarizava com o Partido Social Democrata, que se abstinha responsavelmente atendendo às circunstâncias nomeadamente a nível internacional, evitando assim uma precoce bancarrota nacional, ou se atacava quem efectivamente deu a mão ao País e não a eles, Partido Socialista! Aliás, as últimas intervenções do Partido Socialista, a cargo do seu líder parlamentar Francisco Assis e do Ministro Santos Silva, mais pareciam ser um pedido encarecido ao PSD para esquecerem o seu sentido e responsabilidade de Estado e livrarem o governo e o Primeiro-Ministro do fardo e da agonia de governarem e de desdizerem hoje o que acordaram ontem ou há pouco.

 

Tudo fizeram e continuam a fazer, desvirtuando objectivos e prazos do acordo, reafirmando que todas as grandes obras públicas são para daqui a bocado, para que o PSD o denuncie e assim estejam criadas as condições para colocar o Partido Socialista fora do Governo, o que, pensam os seus dirigentes, com a ajuda da curta memória dos eleitores, será a única via de alijarem responsabilidades em toda esta situação. Mas estão bem livres disso; o compromisso do PSD, até final de 2011, é um compromisso de viabilidade do País, apesar dos esforços exacerbados do Partido Socialista para que tal seja rompido!

 

A grande maioria dos Portugueses não se apercebeu, mas uma das últimas sextas feiras, esteve quase, quase, a ser uma espécie de sexta feira negra para Portugal; salva in extremis pelo Banco Central Europeu. E depois de andarem anos a criar e a alimentar este despaupério querem ir-se embora, assobiando, como se nada fosse com eles? Comeram a carne, não foi? Então agora que roam os ossos!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 27.05.09

OS PARTIDOS E OS INDEPENDENTES

Santana Maia - in Nova Aliança

 
Os partidos políticos são, hoje, responsabilizados pela maioria dos portugueses pelo descrédito da política. E, para muitos, a solução estaria na criação de um novo partido ou nas listas de independentes. Nada mais errado. Porque o problema não são os partidos (peça chave e fundamental das democracias liberais), mas as pessoas que constituem os partidos. E lá voltamos ao tema da minha crónica «A TRAVE MESTRA».
 
Não adianta, por isso, fazer um novo partido porque ele iria ser constituído pelo mesmo género de pessoas que fazem parte dos já existentes e da sociedade portuguesa. Aliás, a experiência do PRD do general Ramalho Eanes já nos deveria ter vacinado para este tipo de experiências.
 
Da mesma forma, as listas de independentes, como está à vista de todos, são quase sempre formadas por pessoas rejeitadas pelo seu próprio partido e pelas piores razões. Basta pensar nas listas de independentes encabeçadas por Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras, Isaltino de Morais…
 
Ao contrário do que nos querem impingir, a verdadeira independência não tem nada a ver com filiação partidária, mas apenas com o estatuto moral e ético de cada um. A independência não é, pois, um fato que se veste e despe consoante as conveniências. Muitos independentes só fazem lembrar aqueles nossos amigos que deixaram de fumar. Mas deixaste de fumar há quanto tempo? Desde ontem.
 
Para já não falar daqueles indivíduos que pensam que ser independente é estar disponível para se candidatar pelo partido que melhor oferta lhe fizer. Ora, isto não tem nada a ver com independência. Pelo contrário, é a forma mais abjecta de prostituição.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Terça-feira, 12.05.09

O NOVO REGIME DO FINANCIAMENTO PARTIDÁRIO

Santana Maia - in Nova Aliança

 
As alterações recentemente aprovadas ao novo regime de financiamento partidário, por todos os partidos políticos com assento parlamentar, é a melhor prova da total falta de vergonha que impera na generalidade da nossa classe política.
 
Não vale a pena os nossos políticos andarem a fingir-se muito preocupados com a luta contra a corrupção quando aprovam uma alteração à lei do financiamento partidário que legaliza e institucionaliza a corrupção dentro dos partidos políticos.
 
É óbvio que a corrupção sempre existiu nos partidos. Só que agora passa a ser permitida por lei. E mais, com a aprovação da nova lei, está aberta a porta à lavagem de dinheiro ao nível de financiamento partidário. Uma autêntica vergonha!
 
Espero, sinceramente, que o Presidente da República ponha um travão nesta lei.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Domingo, 19.04.09

A CORRUPÇÃO

por Santana Maia

 

A actual lei está tão bem feita que a denúncia dos crimes de corrupção e tráfico de influências tem sempre este desfecho: arquivamento do processo relativamente aos corruptos e julgamento por difamação ou denúncia caluniosa de quem teve a falta de senso de denunciar o crime.
 
A corrupção e o tráfico de influências vivem em Portugal a coberto do aparelho de Estado. Esta é a verdade nua e crua. Ora, quando é o próprio Estado que dá cobertura legal à corrupção e ao tráfico de influências, denunciar estes crimes só cria problemas ao denunciante porque todos estes processos estão inevitavelmente condenadas ao arquivamento, à excepção do processo por difamação que o denunciante vai ter sempre de gramar, com vista a limpar o bom nome do corrupto.
 
É preciso, por isso, muito cinismo para um governante ou deputado da maioria socialista vir apelar à denúncia dos casos de corrupção, quando são eles que inviabilizam o sucesso de qualquer investigação, ao terem, por um lado, aprovado os actuais Código Penal, Código de Processo Penal e Lei das Incompatibilidades e, por outro, rejeitado a criminalização do enriquecimento ilícito proposta por João Gravinho, a única medida verdadeiramente eficaz no combate à corrupção.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 15.04.09

PSD OU PS? EIS A QUESTÃO

Santana Maia - in Nova Aliança de 3/4/2009

 
Olhando para o actual espectro partidário, até parece, assim à primeira vista, que não há qualquer diferença substantiva entre um social-democrata e um socialista. Aliás, em bom rigor, ambos os partidos disputam o mesmo espaço político e o mesmo eleitorado.
 
É certo que os comentadores bem tentam empurrar o PSD para a direita, mas a realidade não lhes faz a vontade, na medida em que é manifesto que a direita dos interesses (banqueiros e grandes capitalistas) está unha com carne com os socialistas (basta ouvi-los falar), enquanto cabe aos sociais-democratas a difícil missão de defender no terreno os valores da justiça social e da solidariedade social.
 
Da esquerda, os socialistas só já têm a agenda fracturante (casamentos homossexuais, legalização da droga, eutanásia, etc.), cabendo aos sociais-democratas defender, à direita, os valores da liberdade e da família, os pequenos e médios agricultores, as pequenas e médias empresas, os pequenos e médios comerciantes.
 
Se me perguntassem por que razão, em Portugal, sou social-democrata e nunca poderia ser socialista, a minha explicação seria simples. É certo que, hoje, o PS e o PSD estão cada vez mais descaracterizados, fruto dessa massa de gente volúvel e oportunista que vai enchendo um ou outro partido, ao sabor das suas conveniências e dos seus interesses. Mas, se formos à substância, ainda é possível ver algumas diferenças significativas.   
   
O social-democrata é reformista e prudente; por sua vez, o socialista é fracturante e pretensamente revolucionário.
 
O social-democrata não gosta do Estado; o socialista vive do Estado.
 
O social-democrata prefere sacrificar a excepção do que perder a regra; o socialista prefere sacrificar a regra do que perder a excepção.
 
O social-democrata norteia-se pela ideia de Liberdade, privilegia o Trabalho, valoriza o Mérito, tem uma consciência ética e preocupa-se com o ser humano; por sua vez, o socialista norteia-se pela ideia de Igualdade, privilegia o Emprego, premeia a Mediocridade, tem uma consciência ideológica e preocupa-se com a Humanidade.
 
Para o social-democrata, quem produz mais e melhor deve ganhar mais; para o socialista, dois operários com a mesma categoria profissional devem ganhar o mesmo, independentemente da qualidade do trabalho prestado.
 
Para o social-democrata, os homens são capazes do Bem e do Mal, cabendo à sociedade discipliná-los e orientá-los para o Bem; para o socialista, o Bem e o Mal são conceitos relativos.
 
O social-democrata preocupa-se com a segurança de pessoas e bens, defende as forças da ordem e coloca-se ao lado das vítimas; o socialista preocupa-se com as garantias de defesa do arguido, tem sempre uma justificação sociológica para o crime e acha sempre excessiva a intervenção da polícia.
 
Para o social-democrata, o primeiro responsável por um determinado acto é quem o pratica; para o socialista, o responsável é sempre e invariavelmente a sociedade ou o sistema.
 
O social-democrata avalia os regimes políticos de forma objectiva; o socialista avalia-os de forma subjectiva.
 
Para o social-democrata, todos os homens são iguais; para o socialista, os homens de esquerda são dotados de uma superioridade moral que os coloca necessariamente num patamar ético acima do resto da maralha.
 
Para o social-democrata, os Estados Unidos são o principal aliado; para o socialista, são o inimigo a abater.
 
Finalmente, o social-democrata nunca se define como sendo de direita ou de esquerda, enquanto o socialista proclama-se orgulhosamente de esquerda.
 
Também, no que respeita, aos símbolos, há uma diferença significativa: os sociais-democratas têm um símbolo (três setas verticais que representam a liberdade, a igualdade e a solidariedade), enquanto os socialistas têm dois símbolos (o punho fechado e a rosa). Até nisto prefiro a verticalidade do símbolo social-democrata à duplicidade dos símbolos socialistas.
 
Aliás, os dois símbolos socialistas ilustram bem a distância que vai entre as suas promessas eleitorais (o tempo da rosa) e a sua governação (o tempo do punho fechado). Neste momento, como se vê pela agenda dos governantes e candidatos socialistas, estamos manifestamente no tempo da rosa. Esperemos, no entanto, que, até às eleições, as rosas agora distribuídas ao povo não o iludam para que não voltemos a sofrer na carne a governação do punho fechado.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Perfil

SML 1b.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks




calendário

Maio 2019

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D