Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

COLUNA VERTICAL


Domingo, 21.12.08

O LEGADO

por António Belém Coelho

 

Uma das poucas pessoas que não terá dado pelo facto de estarmos numa crise, classificada por quase todos os especialistas como sendo a mais grave desde a grande depressão, ou mesmo equivalente, e que prolongará ainda durante mais algum tempo (medido em anos), é certamente o nosso Primeiro Ministro.
 
Que um Primeiro-ministro tenha que ser optimista dentro dos limites e tenha que procurar incutir confiança nos agentes económicos e cidadãos em geral, estamos perfeitamente de acordo.
 
Agora, vir dizer publicamente que 2009 será melhor para as famílias Portuguesas via aumento de rendimento disponível derivado da diminuição das taxas de juros e do preço dos combustíveis, das duas, uma: ou o Primeiro-Ministro só recebe informação filtrada da sua entourage e isso é grave; ou o Primeiro-Ministro está ciente da realidade, e isso ainda é mais grave.
 
Acontece que nem todos somos parvos, nem todos acreditamos no discurso oficial, nem todos reduzimos a nossa vida a pão e circo.
 
Mas grave, grave, grave, é o legado que este Primeiro-ministro já ostenta.
 
No começo do seu mandato, o rendimento por habitante, tomando como média a EU a 27, era de 74,7% dessa média. Segundo os números previstos em termos de Orçamento para 2009, reduz-se a 73,3%.
 
No começo do seu mandato, o PIB crescia a 1,5%, nada de especial na verdade! Mas agora, as previsões (não as Governamentais apontavam para 0,6%) do INE, segundo os últimos números, apontam para uma recessão já no último trimestre!
 
No começo do seu mandato, o deficit externo representava 6,1% do PIB; no Orçamento de Estado de 2009 estima-se em 11,1%.
No começo do seu mandato, o endividamento da economia rondava os 64% do PIB; face ao Orçamento de 2009, atinge os 100%!
 
No começo do seu mandato, a taxa de desemprego, sempre uma chaga social seja qual for o seu valor, atingia 6,7% da população activa; para 2009 mantém-se a perspectiva dessa taxa se manter em 7,6%, análoga à do ano em curso.
 
No começo do seu mandato, a carga fiscal, directa e indirecta, representava 33,8% do PIB; e ele próprio e muitos dos seus correligionários se insurgiam contra tal facto! Pelo Orçamento de 2009, do Governo a que preside, essa carga fiscal atinge 38%!
 
No começo do seu mandato, a despesa pública total, que foi uma das bandeiras do seu Governo, prometendo baixá-la e racionalizá-la, era de 46,5% do PIB; depois de todas as reformas amplamente anunciadas e louvadas pela Comunicação Social, a despesa pública total cresceu para 47,8% do PIB! E não foi em investimento, que esse tem diminuído ano após ano!
 
E dessas despesas, no começo do seu mandato, as de funcionamento, exceptuando os juros que em grande parte não são controláveis a nível nacional, subiu de 43,9% do PIB para 40,9%!
 
O único número positivo no seu mandato, diga-se em abono da verdade, é a diminuição do deficit público. Mas mesmo este está agora ameaçado devido aos termos da crise; lá voltaremos ao início de tudo.
 
Os sacrifícios passados de nada valerão e exigir-nos-ão novos sacrifícios; porque ao contrário de outros, em Portugal um deficit público acima dos 3%, não é meramente conjuntural, assume foros de estrutural e deveria ter um tratamento diferente do que esses mesmos outros lhe dispensam.
 
Tudo isto se traduz em poucas palavras, na prática: em 2009 teremos um País com menos emprego, com menos poupança, e afastar-se cada vez mais da média Europeia.
 
Nos últimos cerca de trinta anos, é quase sina; com um período de excepção! Adivinhem qual!

Autoria e outros dados (tags, etc)

Quarta-feira, 10.12.08

A DÍVIDA EXTERNA

por António Belém Coelho

 
O termo pouco ou nada diz ao cidadão comum. No entanto enforma e de maneira significativa as possibilidades da geração ou gerações que nos irão seguir. Em poucas palavras, um País endivida-se externamente quando vive acima das suas possibilidades, ou seja, gasta e consome mais do que aquilo que produz!
 
Tal tem sido uma constante nos últimos anos. Consumimos e gastamos bastante mais do aquilo que produzimos. E como tal, os diversos agentes económicos, com destaque para a Banca, têm que se endividar no exterior, recorrendo a outras Instituições Financeiras exteriores.
 
Antes do actual Governo tomar posse, a dívida externa rondava os sessenta e tal % do PIB; e era mesmo um dos critérios penalizados pela União Europeia, a par da percentagem alcançada pelo deficit do Orçamento anual de cada País.
O que acontece hoje em dia é que o endividamento externo já atinge os 100% do PIB e continua a aumentar, nomeadamente face ao aumento explosivo das despesas do Estado, seja em termos de garantias, seja em termos de despesa real. Nada que dê nas vistas agora!  De momento ninguém se queixa!
 
O problema é quando os credores, daqui a alguns anos, reclamarem e justamente o pagamento das dívidas contraídas. É evidente que, nessa altura, ninguém do actual Governo por cá andará. Quem terá que se aguentar será o Governo da altura, ou melhor dizendo, quem terá que se aguentar à bronca, serão os do costume: quem trabalha e quem paga os seus impostos.
 
No fundo, aqueles que, cada vez que o Estado precisa de mais receitas para cobrir os seus gastos na maior parte improdutivos ou desnecessários e supérfluos (para não classificar alguns deles como obscenos e pornográficos), sente a canga mais pesada; aqueles que, cada vez que as coisas correm mal no mundo da alta finança e dos investimentos de risco, lá irão pagar com os seus impostos o devido preço, hipotecando os serviços e bens que o Estado lhes deveria prestar por contrapartida dos seus impostos.
 
Em suma, é a classe média que, à custa de tais despaupérios, não tem outro remédio que não o de seguir o destino da galinha dos ovos de ouro.
 
Mas o certo é que a percentagem do nosso endividamento externo, quando medida em relação ao PIB (ou a outro referencial qualquer), disparou e atingiu valores perfeitamente impensáveis, que efectivamente hipotecam as gerações futuras.
 
Mas será que se ouve alguém dizer alguma coisa sobre isso? Nada de nada! Não convém! A uns porque lhes cabe a responsabilidade directa; a outros, porque não tiveram a verticalidade necessária para dizer não a este estado de coisas. Uns e outros são igualmente culpados, face a todos os cidadãos.
 
Infelizmente, e como é costume entre nós, ninguém será responsabilizado, ou a ser, será um qualquer funcionário menor, que teve o azar de estar no lugar errado à hora errada!
 
Mas os responsáveis no fundo, no fundo, somos todos nós, que deixamos alegremente que este estado de coisas continue!

Autoria e outros dados (tags, etc)


Perfil

SML 1b.jpg



Visitantes


Pesquisar

Pesquisar no Blog  

Quimeras


Alma, Eléctrico!


Livros

Capa - 3ª Edição.jpg

Capa - Frente.jpg

Capa Bocage.jpg 

Capa.jpg 

Eléctrico - Um Clube com Alma.jpg

Mistério Sant Quat (I).jpg


Livros-vídeo


eBooks



Posts recentes


calendário

Maio 2019

D S T Q Q S S
1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031

Arquivo

  1. 2019
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2018
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2017
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2016
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2015
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2014
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2013
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2012
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2011
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2010
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2009
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2008
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D