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COLUNA VERTICAL


Terça-feira, 12.01.16

Ilha

Rexistir.jpg

Funchal, 19 de Maio de 1995

Pedra atirada

Do Céu

Para o meio da água

 

Mergulhada

Como eu

Na mesma mágoa

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Sábado, 09.01.16

De Veneza

Veneza, 16 de Abril de 1995

Transforma-se o amador na cousa amada, 

Por virtude de muito imaginar” 

(Luís de Camões, sonetos)

Rexistir.jpg

Escrevo-te de Veneza

 

Na mesa

A caneta descansa

Sobre a folha branca

Do leito

Onde te deito

 

Minha mão

Sobre o teu peito

Feito

De saudade e solidão

 

Escrevo-te de Veneza

Amor

 

Na boca o calor

Da tua boca presa

E o sabor

Constante

Daquele voraz instante

 

 

Escrevo-te de Veneza

Amor

 

Com a certeza

Experimentada

Que no solar do sonhador

Pernoita a mulher amada 

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Quarta-feira, 06.01.16

Amar

 Ponte de Sor, 1995

Rexistir.jpg

De mim és Rainha

Sem ser minha 

 

Distante

No instante

Em que te abraço

Como um laço

Que se aperta

No vazio

        

Não viu

Essa seta certa

O destino que a seguiu

Do arco do teu olhar      

                    

Tenho sede e tu o mar

E só amar       

Devora o espaço

Entre o teu corpo e o meu braço

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Sexta-feira, 01.01.16

Quimeras

 

Coimbra, 1978 [1]

Rexistir.jpg

Dormes

Entre lençóis de espuma

Em quimeras azuis

De um mar d' além

 

Sonho-te

Por entre as ondas brancas

Com algas de esperança

Nos cabelos

 

 (Do cais parti tão cedo

Lendas de mar, amar e medo

E a noite

Que abarca

E embala a barca      

Que nos prende

E surpreende

Aprende

Que o dia já vem)

----------------------------------------------

[1] Letra da música com o mesmo nome composta por Shiro Iyanaga (史郎 彌永)

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Terça-feira, 29.12.15

Peregrino

Rexistir.jpg

Santa Margarida, 1984

Passo a passo

Fui subindo a colina

Do fracasso

Cada verso foi um passo

Do Paço

Que me destina

 

Minha sina

Peregrina

De poeta está  cumprida

Camões de um só braço

Do naufrágio salvo a vida

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Terça-feira, 22.12.15

Senti-nela

 Santa Margarida, Março de 1984

Rexistir.jpg

 

Sentinela

Na guarita

Suspensa pela coronha

(Ou guitarra à bandoleira?)

Sonha

Com moça bonita

Debruçada da janela

   

Herdeira

Do sonho dela

 

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Quarta-feira, 16.12.15

O Filho do Homem

Rexistir.jpg

Santa Margarida, Março de 1984

  

Filho adoptivo de Deus,

Eu nasci do cruzamento

Entre a maçã e a serpente.

Da serpente fiz-me gente

E da semente

Os sonhos meus

Traídos por Caim

Na manhã do nascimento.

 

Nas margens da Razão,

Cresci assim...

Sem nunca ter molhado o pé

Nas frescas águas que são

O firme chão da minha fé.

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Sábado, 12.12.15

A cigarra e o sardão

Rexistir.jpg

Santa Margarida, Fevereiro de 1984 [1]

 

I

Sou soldado

em terra alheia

 

Ergo com as pedras

que piso

o castelo do meu poder

Sou o rei

do teu destino

e escravo

do meu senhor

 

Tenho um hino

e uma bandeira

que ecoa

e que esvoaça

sobre os destroços da proa

dum navio abalroado

 

Trago nas mãos

esta sina

de crescer como a semente

enterrada

por intrusos

nas margens dum afluente

 

II 

filho do sobreiro

e da charneca

trago no canto

o cheiro

do alecrim

        se no campo

        o morteiro

        arde e peca

do canto

cresce o manto

que há em mim

 

e do grito

semeado

em cada palmo de chão

nasce o mito

dum soldado

brota a letra da canção:

 

«trovador e peregrino

na guerra sou figurante

exorcista militante

dos possessos do destino»

 

III

Sou soldado

e sou poeta

 

abarco numa só mão

a cigarra e o sardão

 

-------------------------------------------------------------------- 

[1] Publicado in Revista CADERNOS DE LITERATURA, nº18, 1984

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Quarta-feira, 09.12.15

La flamme

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Courelas, 3 de Dezembro de 1982 [1]

 

pendant que tu dors

 

je veille

ton sommeil

du sommet de ton corps

 

-------------------------------------

[1] Publicado in Revista VÉRTICE, nº464/5, 1985

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Quinta-feira, 03.12.15

Parto

Rexistir.jpg

Courelas, 25 de Fevereiro de 1982

 

Parto

 

             a viagem começa

             na saída do túnel

 

             a partida num grito

     

             depois é a estrada

             antes do trilho

             um trilho feito estrada

             pelas minhas mãos

             (gastei as mãos naquela estrada...)

 

                                                                   parto

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Sábado, 28.11.15

Cascas de Nós

Rexistir.jpg

Coimbra, 14 de Fevereiro de 1981

 

Afundou-se no Índico do Tempo

A lusa nau que outrora fez a história...

Mas navega ainda na memória

De quem fez da história passatempo.

 

Que importa ter um Dias ou um Gama

Se a chama não reclama a nossa vela?

Que importa já  lutar, morrer por Ela,

Se no berço já  não chora quem se ama?

 

Da cabeça do Mundo até aos pés

O corpo navegámos lés a lés.

Zangão que mais alto voou no mar,

 

Sem nunca se alarmar da altitude,

Povo velho a quem resta recordar

Histórias da sua juventude.

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Terça-feira, 24.11.15

Canto

Rexistir.jpg

Coimbra, 1981

 

Canto

como quem fala só no escuro

p'ra não tremer

 

E o canto

é muro

onde me escondo sem me ver

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Quarta-feira, 18.11.15

Monólogo de um chaparro

Rexistir.jpg

Coimbra, 14 de Janeiro de 1980

 

Estiolo no redil dos dôtores

onde as intlegências dã flor e frutes

e onde há penedos e quintas p' alumiar amores

e promovê poetas.

Mas ê cá sô alentejano

e daí que na m’ aveze a estas cavlarias

de subir e descê ladêras,

onde há precisã de esperá p’la noiti

ô de dar um tiro na cornadura

pa s' ouvi falar a quietudi.

 

Como pode um home,

Avezado a verter águas na trasêra dos sobrêros,

Afazê-se às lides da cidade apadralhada

Das capas e batinas?

 

Nasci da charneca

(foi uma alentejana que me pariu)

e cresci como um chaparro.

Sem relógios.

Saltê p'à garupa do Tempo

e acostumê-me a sabê esperari.

 

Mas aqui d’ assim, estes pacóvios

(espertos que nim sobro atascado em água)

na dã credo a isso.

Di e noite atrelados ós pontêros

que nim parelha à charrua!

Homes d’ uma figa,

conhecim melhor as horas c' o cã o dono!

 

Ma n' é só isso que m' infada

Da capital do Bazófias. Antes fora!...

C’o qu' ê n’ atino,

Nim que m´ afocinhim numa cama de tojes,

é c’os desrespêtos à Natureza,

minha senhora e minha mãe.

E atã na é que n’ há aqui filhe da puta

que na bote a boca acima da vista?

Eh! Homes dum corno,

Sã piores c' uma vaca a ruminá palha!

Inda s’ aquilo desse vazão alguma inquietação…

Ma não, só dá vazão às letras e a miolêra da genti.

 

E atã vá-se lá um home ingraçá duma cachopa!...

Já nim sê mêmo pa que Deus fez as fêmeas…

A fêtura dum só sempe dava menos trabalhos

e n’ alevantava desejos.

Se por casa da cobrição,

Os animais tamém tivessim precisã de benzeduras,

já há munto c'os bácros tinhim dêxado de comê landi.

 

Mas estes fadistas letrados

Ô po munto lerim

ô po falta de descorrimento,

na têim a mêma ideia.

 

Mas ê cá continuo c’a minha crença

De que há-de chegar o dia em c' os homes aprendrão

Que na é o home que muda a Natureza,

mas a Natureza que se muda a ela mêmo,

pôs o home tamém é Natureza.

 

A-i-ô!

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Sexta-feira, 13.11.15

Introdução a uma nova caminhada

Rexistir.jpg

Viseu, 1978

 

Vesti-me de leopardo

Para sobreviver na selva.

Todas as vezes que me despi

Fui acossado

Pelas outras feras.

E lá voltava eu a envergar o odiado

Camuflado

Dos rugidos e das esperas.

E lá continuava eu o meu caminho solitário

À procura dum amigo,

Duma clareira ou dum abrigo

Onde não fosse necessário

Ser fera.

    

Nunca encontrei.

Muitas vezes me enganei...

Confundido na miragem

Pelo cansaço da viagem.

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Segunda-feira, 09.11.15

O cometa

Rexistir.jpg

Coimbra, 22 de Janeiro de 1978

 

Rasga-se um peito num grito desesperado.

Involuntário.

De guerra.

 

Mas ninguém ouve.

 

No Castelo Assombrado

o medo impera.

Os Homens,

programados,

movimentam-se com gestos mecânicos.

Os Fantasmas governam.

É noite.

Uma noite escura.

Mortal.

Sem cérebro.

 

Mas não te cales, HOMEM LOUCO!

Grita! Continua a gritar!

As nossas vidas dependem da força do teu grito.

Por favor,

GRITA!

Grita mais! MAIS! MAIS! MAIS AINDA! MAAAIS! MAAAAAIIS!...

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