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COLUNA VERTICAL


Domingo, 26.06.11

A CRISE DO OCIDENTE

 

«A crise do Ocidente não tem solução, se as exigências éticas e os deveres da moral não forem reconduzidos ao centro de toda a acção política.»

Papa Bento XVI

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Quarta-feira, 04.05.11

A GERAÇÃO SÓCRATES

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

A geração Sócrates tomou, literalmente, conta dos partidos portugueses. Trata-se de uma geração que aprendeu a usar os princípios e os valores apenas como arma de arremesso para agredir os adversários, sem nunca os aplicar às suas condutas, que se regem apenas pelos seus mais mesquinhas interesses particulares. Ou seja, é uma geração sem princípios que não olha a meios para atingir os seus fins.

 

Ora, como pode um partido prometer, com seriedade, a regeneração do país, quando não consegue sequer regenerar-se a si próprio? Como dizia Aristóteles, «o princípio é a metade de tudo». E se os partidos políticos querem, na verdade, ser o motor da regeneração do país e da nossa jovem democracia então devem começar pelo princípio. Ou seja, por si próprios. Até porque não há outra forma de começar.

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Sábado, 16.04.11

A ESTATÍSTICA E A VERDADE

Extracto do livro "A LUZ DO MUNDO" entrevista a Bento XVI 

 

A estatística não se pode transformar num critério moral.

 

Já é suficientemente grave que as sondagens de opinião pública se tornem um critério das decisões políticas e se comece a ver onde se ganha mais adeptos, em vez de se perguntar o que está certo.

 

O mesmo acontece com os resultados de inquéritos que estudam o que se faz e como se vive, em vez de se terem com base o critério do verdadeiro e do certo.



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Domingo, 10.04.11

O APAGÃO DA RAZÃO E A ÉTICA DO EXEMPLO

Bagão Félix inA Bola de 6/4/11 

 

Perdeu-se apenas um jogo. Mas não se pode perder a honra.

 

Não sei quem foi responsável pela abominável e rasca atitude de domingo. É imprescindível que, de imediato, os órgãos sociais mandem abrir um inquérito para sancionar o ou os autores da vergonha, sob pena de, por omissão, ser gravemente atingida a imagem do Benfica. (...)

 

Não é fácil cumprir as regras da elegância, correcção e desportivismo, perante atoardas e provocações acumuladas, mas é, neste momento, que tem de ser forte.

 

Nós todos - simples sócios, adeptos, profissionais e dirigentes - passamos, mas o Benfica continua. Em particular, quem o dirige tem de preservar, custe o que custar, a nobreza da instituição. A respeitabilidade, seja qual for o contexto, só pode advir da ética do exemplo. Desperdiçou-se uma ocasião, soberana de ser gloriosamente diferente e melhor. (...)

 

A Luz ficou sem luz, mas o Benfica não pode arcar com a penumbra da omissão e o apagão da razão. Por isso - repito - urge isentá-lo da irresponsabilidade de quem, no domingo, o envergonhou e o lesou.

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Quinta-feira, 31.03.11

A minha intervenção no plenário do PSD de Abrantes

Santana-Maia Leonardo - Intervenção no plenário do PSD de Abrantes de 19/3/2011 

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Saí do plenário do passado dia 15 de Janeiro convencido, tendo em conta o tom moderado e apaziguador de todas as intervenções, de que o PSD tinha, finalmente, conseguido encontrar um novo caminho e um ponto de equilíbrio entre as diferentes individualidades que o compõem, assente no respeito mútuo, nas garantias de democraticidade interna, na liberdade de opinião e no respeito pelos estatutos.

Pelos vistos, fui demasiado optimista.

Pelo facto de ser vereador, pertenço, por inerência do cargo, a uma comissão política que termina o mandato no final de 2011. Qual não foi, pois, a minha surpresa quando recebo por mail, no passado dia 24 de Janeiro, um comunicado assinado pela presidente da comissão política que, entre outras coisas, dizia o seguinte: «Vamos solicitar ao Sr. Presidente da Mesa da Assembleia do PSD de Abrantes, a marcação de eleições» (DOC.1).

Vamos?!... Vamos?!... Mas tinha havido alguma reunião da comissão política para se tomar esta decisão e aprovar este comunicado? Já alguém se tinha demitido? A presidente não se tinha demitido certamente, uma vez que era ela que assinava o comunicado e reunião também não tinha havido porque não foi convocada. 

Em todo o caso, à cautela, liguei aos dois vice-presidentes que me informaram que nem se tinham demitido, nem tinha havido qualquer reunião para aprovar aquele comunicado. Por sua vez, no Facebook da comissão política (o local privilegiado para a divulgação de informação do partido, segundo o comunicado público de 15 de Janeiro), nem informação da demissão da comissão política, nem da convocação de eleições.

Sem que mais nada se tivesse passado entretanto, no passado dia 25 de Fevereiro (6ª Feira), recebo no meu mail uma convocatória de eleições para a concelhia a realizar no dia seguinte (dia 26 de Fevereiro, sábado), com a informação de que «as listas de candidatos deverão ser apresentadas ao Presidente da Mesa da Assembleia até às 24 horas do terceiro dia anterior ao do acto eleitoral» (DOC.2) (????!!!!...).

Ou seja, os militantes e os membros da comissão política (não alinhados com o novo alinhamento da senhora presidente, obviamente) tomaram conhecimento da antecipação das eleições para a concelhia na véspera da eleição, ao mesmo tempo que eram informados de que o prazo para apresentação de listas já tinha terminado. E tinha terminado não só o prazo para apresentação de listas como também o prazo para o pagamento das quotas que os habilitavam a participar nas eleições, quer como candidatos, quer como eleitores.

Isto é que é um partido transparente e democrático?!... Se o Salazar se tivesse lembrado disto, podíamos ter vivido 48 anos em democracia...

Recordo que a anterior comissão política e a mesa da assembleia solicitaram, expressamente, a todos os militantes para lhes fornecerem o seu mail de contacto, para receberem, em primeira mão, todas as convocatórias e comunicados.

Quer dizer, enchem-nos a caixa de correio do mail com comunicados e convocatórias repetidos a propósito de acontecimentos menores, mas não há oportunidade para enviarem aos militantes e aos membros da comissão política em funções um comunicado ou uma simples informação a dar conta da demissão da comissão política e da data das eleições ou a convocatória das mesmas com a antecedência estatutariamente devida?!...

E, para a comédia ser completa, só faltava agora mais um momento Chavez dos nossos presidentes garantindo que cumpriram religiosamente o Regulamento Eleitoral, tendo afixado a convocatória na sede em local bem visível. Visível para quem tivesse a chave da sede, bem entendido, porque a sede, à cautela, esteve sempre fechada até ao acto eleitoral, não fosse alguém retirar a convocatória de local tão visível.

Forçoso será, pois, concluir que os órgãos sociais, assim, eleitos tem, certamente, legitimidade democrática na Venezuela e em países afins, não têm, obviamente, legitimidade democrática, à luz dos princípios estruturantes das democracias liberais que o nosso partido professa e que estão, aliás, bem expressos nos estatutos e até no artigo 1º, nº1, do Regulamento Eleitoral. E se há alguém no nosso partido que desconhece os princípios estruturantes das democracias liberais era bom que os fosse aprender, até porque ninguém devia ser admitido como militante se os desconhecer, nem devia manter-se como militante se os violar.

Isto é tão evidente que basta comparar com a forma como foi convocada esta assembleia de militantes. Esta assembleia foi convocada por mail enviado aos militantes no dia seguinte à sua publicação no Povo Livre. Além disso, ainda foram enviados mais dois sms de confirmação. Por sua vez, a assembleia eleitoral foi convocada por mail, na véspera do acto eleitoral e trinta dias depois da publicação no "Povo Livre".

Respondam com honestidade, qual das duas convocatórios é mais importante e urgente para os militantes: a convocatória desta Assembleia ou a convocatória de uma Assembleia eleitoral em que há prazos para a entrega de listas, para recolha de assinaturas e para pagamento de quotas?

Tudo isto seria ridículo, se não fosse triste porque revela o perfil de alguns dos nossos dirigentes concelhios. A geração Sócrates, pelo vistos, também já tomou conta da nossa secção. Mas isso não deve ser motivo de orgulho para nós. Muito pelo contrário. Como todos sabemos, a geração Sócrates é uma geração que aprendeu a usar os princípios e os valores apenas como arma de arremesso para agredir os adversários, sem nunca os aplicar às suas condutas, que se regem apenas pelos seus mais mesquinhas interesses particulares. Ou seja, é uma geração sem princípios que não olha a meios para atingir os seus fins.

Os socialistas fazem o mesmo? Claro que fazem, mas os socialistas não devem servir de exemplo para ninguém. E o que ganha o povo português em trocar o PS pelo PSD, se os sociais-democratas, até numas simples eleições concelhias, privilegiam a golpada, a esperteza saloia e o"chico-espertismo? E não vale a pena desvalorizar estes pequenos episódios partidários, porque é, precisamente, nas pequenas coisas que as pessoas se revelam.

A senhora presidente agiu não só com má fé e com reserva mental como usou em benefício próprio informação privilegiada que estava obrigada a partilhar com os militantes e os restantes membros da comissão política, violando descaradamente o princípio da confiança que os militantes e os membros da sua comissão política devem ter no presidente da concelhia de que este os informará, designadamente, por mail e pelo Facebook, como lhes foi garantido em plenário de militantes, das informações relevantes do partido.

Quando me candidatei pelo PSD a presidente da câmara, fi-lo em nome de um concelho mais democrático, livre e participativo e contra a corrupção, o compadrio e o clientelismo. E estes princípios não são sequer negociáveis. É, por isso, com profunda tristeza e vergonha que assisto, dentro da minha própria secção, ao alastrar de um mal que nos propúnhamos erradicar e combater se ganhássemos as eleições autárquicas.

Como pode um partido prometer, com seriedade, a regeneração do concelho ou do país, quando não consegue sequer regenerar-se a si próprio? Como dizia Aristóteles, «o princípio é a metade de tudo». E se o PSD de Abrantes quer, na verdade, ser o motor da regeneração concelhia então deve começar pelo princípio. Ou seja, por si próprio. Até porque não há outra forma de começar.

Face exposto e à gravidade e ao caricato da situação, quero deixar clara, desde já, a minha posição, para não alimentar mais polémicas:

     1. No dia em que a secção de Abrantes do PSD decidir começar a respeitar as regras e os princípios de funcionamento característicos das democracias liberais, poderá contar com a minha participação, colaboração e disponibilidade.

     2.  Enquanto continuar a adoptar as regras de funcionamento típicas da democracia venezuelana, contará, inevitavelmente, com o meu distanciamento e a minha oposição frontal, reservando-me o direito, em nome da dignidade dos vereadores e da defesa dos princípios fundamentais das democracias liberais, de tornar público este documento.

Abrantes, 19 de Março de 2011

O militante nº8513 

 

Vide posts relacionados:

Nota explicativa

Carta aberta aos abrantinos 

As razões da minha desfiliação do PSD

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Quinta-feira, 15.07.10

CAVACO E BENTO XVI: TÁCTICA E ESTRATÉGIA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança  

 

Sempre votei e apoiei Cavaco Silva. E fi-lo sempre por convicção. E foi precisamente por acreditar na sua promessa de que seria capaz de devolver Portugal ao crescimento e prosperidade, em "cooperação estratégica" com a maioria socialista, que votei nele nas últimas presidenciais.

 

É óbvio que, para haver "cooperação estratégica" com o Governo, seria necessário, antes de mais, que o Governo quisesse cooperar com o Presidente, o que manifestamente não sucedeu. Mas o Presidente não podia deixar de ver aquilo que entrava pelos olhos de qualquer pessoa com "dois dedos de testa": a corrida vertiginosa para o abismo a que as políticas irresponsáveis e criminosas do Governo, nas mais diferentes áreas (Educação, Justiça, Obras Públicas, Trabalho, Família, Administração Pública, etc.), nos estavam conduzir.

 

Acontece que o Presidente assistiu à derrocada de Portugal, impávido e sereno. Na sua comunicação ao País, a propósito da promulgação dos casamentos gay, ficámos todos a perceber a razão deste silêncio cúmplice com a política criminosa do Governo: para o Presidente, a ética das convicções deve ceder à lógica das conveniências, a que eufemisticamente resolveu chamar "ética da responsabilidade", mas que, no fundo, se resume apenas a uma enorme cobardia e a pura táctica política.

 

É, por esta razão, que eu, não sendo crente, nem católico, tenho uma enorme admiração por Bento XVI. Para este, a ética da responsabilidade está sempre intimamente ligada à ética das convicções, não podendo viver uma sem a outra.

 

Isto não significa, obviamente, que concorde com a posição do Cardeal Patriarca ao sugerir a perda do voto católico em Cavaco por este não ter vetado a lei dos casamentos gay. Aliás, esta declaração não faz qualquer sentido tendo em conta o que fica do chamado casamento civil.

 

Com efeito, depois da lei do casamento civil ter sido absolutamente esvaziada pelos sucessivos governos socialistas, o que resta, hoje, é apenas uma excrescência jurídica de que apenas sobejou o nome, sem qualquer objecto e que visa apenas dar trabalho e dinheiro aos advogados, tribunais e conservatórias. Sem casamento civil, a maioria dos escritórios de advogados (eu falo por mim) iam à falência: acabavam-se os divórcios, inventários, prestações de contas, arrolamentos, regulações de responsabilidade parental, acções de indemnização e de alimentos, execuções, etc.

 

É, também por esta razão, que o legislador quer equiparar as uniões de facto ao casamento civil, com receio de que a maioria dos portugueses se aperceba da inutilidade do casamento civil e passe a unir-se de facto, em vez de se casar.

 

Ora, em face disto, a Igreja Católica só tinha de fazer uma coisa: rasgar a Concordata e recusar que o casamento católico pudesse continuar a ser equiparado a esta excrescência jurídica que o legislador teima em chamar "casamento", com vista apenas a enganar os incautos.

 

O casamento de que fala Bento XVI não tem nada a ver com isto. Casamento, para Bento XVI, é a união indissolúvel entre um homem e uma mulher. Ou seja, para Bento XVI, o casamento é um projecto de vida colectivo que vai muito para além da união de dois indivíduos e de dois egoísmos. O casamento, para Bento XVI, é o contrato para a vida que acautela o futuro dos filhos (criando-as e educando-as) e dos pais (protegendo-os na velhice).

 

É claro que a maioria das pessoas, nas quais eu me incluo, é hoje demasiado egoísta para  se preocupar com as gerações futuras. Cada um que se desenrasque. E desde que o mundo chegue até à hora da nossa morte, é o que chega para a maioria das pessoas.

 

No entanto, apesar de reconhecer o meu egoísmo e o meu comodismo, reconheço também a razão de Bento XVI ao defender a família como uma instituição perene (e não um local de passagem de indivíduos de diferentes proveniências, como hoje acontece), única forma de a responsabilizar e garantir a  transmissão dos valores comunitários.

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Segunda-feira, 28.06.10

A receita de Ernâni Lopes

Fernando Madrinha - Expresso de 19/6/10

Ernâni Lopes esteve no programa da SIC-Notícias "Plano Inclinado" de Mário Crespo, para uma lição de economia, política e cidadania que devia ser transmitida no horário nobre de todas as televisões generalistas. (...) 

Toma por adquirido que os valores, as atitudes e os padrões de comportamento são a base essencial de toda a actividade económica. E apresenta uma cábula segura para o êxito, que aqui se repoduz: onde existe "facilitismo", deve haver "exigência"; onde está "vulgaridade", pôr "excelência"; onde está "moleza", pôr "dureza"; onde está "golpada", pôr "seriedade"; onde está "videirismo", pôr "honra"; onde está "ignorância", pôr "conhecimento"; onde está "mandriice", pôr "trabalho"; onde está "aldrabice", pôr "honestidade". 

Para vencer todas as crises, basta seguir este guia de substituição. Em casa, na escola, na empresa, no ministério, no Parlamento, até nos partidos políticos, se os valores em causa lhe parecerem compatíveis.

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Domingo, 13.06.10

BENTO XVI

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Não sou crente, nem ateu, nem agnóstico, se bem que já tenha sido tudo isto e por esta ordem. Hoje, sou apenas descrente. No entanto, tenho pelo actual Papa Bento XVI uma especial veneração, como já tinha pelo Cardeal Ratzinger, o que me fez desejar que fosse o escolhido.

 

Na era do efémero, onde tudo muda ao sabor das modas e das conveniências do momento, era fundamental que uma instituição âncora da civilização ocidental, como é a Igreja Católica, elegesse para seu timoneiro um homem da craveira intelectual de Ratzinger que aceitasse ser o farol num mundo pós-moderno onde o homem ocidental e a Europa andam, literalmente, à deriva.

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Domingo, 13.06.10

A ÉTICA DA IRRESPONSABILIDADE

O Presidente da República entendeu promulgar a lei que institucionaliza o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Fê-lo invocando a "ética da responsabilidade" e contra o seu próprio parecer sobre a questão.

 

A expressão "ética da responsabilidade" é redundante, porque a irresponsabilidade nunca é ética, como é óbvio. "Responsabilidade" significa, etimologicamente, o "peso" (pondus, em latim), de "coisa" (em latim, res), ou seja, ser responsável é acarretar com as consequências das próprias convicções em todos os actos ou opções. A "ética da responsabilidade" opõe-se, portanto, à lógica da conveniência, cujo critério decisivo não é pautado por imperativos morais, mas por razões de oportunidade.

 

Gonçalo Portocarrero de Almada – in Público de 05/06/2010

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Quinta-feira, 27.05.10

FALA VERDADE, MENTIROSO!

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança 

 

Manuel Alegre vem agora pedir aos governantes e aos políticos que façam aquilo que Manuela Ferreira Leite lhes andou a pedir durante mais de dois anos: que falem verdade. Acontece que Manuel Alegre já tem idade para saber que falar verdade é precisamente aquilo que um mentiroso compulsivo é incapaz de fazer. E José Sócrates mente tão naturalmente que até chega a convencer-se de que é verdade quando mente.

 

Só há uma hipótese de José Sócrates falar verdade: alguém, fora do seu círculo de amigos, escrever-lhe o discurso e ele ser obrigado a lê-lo textualmente. Sendo certo que, mesmo assim, o discurso só seria credível, se José Sócrates, antes de começar a lê-lo, dissesse quem era o seu autor, caso contrário seria pior a emenda do que o soneto: José Sócrates, por uma vez, falava verdade e toda a gente pensava que ele estava a mentir, como é seu costume.

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Quinta-feira, 20.05.10

REUNIÃO DA CÂMARA DE 17/5/10 (extracto II)

O MUSEU IBÉRICO - A NOSSA POSIÇÃO

Declaração dos vereadores do PSD

 

Face à cortina de fumo que certas forças políticas e certas pessoas procuram lançar sobre as nossas intervenções a propósito do Museu Ibérico, os vereadores do PSD vêm, mais uma vez, explicitar a sua posição sobre este assunto.

 

Relativamente à construção de um museu ou adaptação de um espaço para albergar colecções de reconhecido valor, como nos garantem ser o caso, os vereadores do PSD são a favor, desde que o projecto não ponha em risco, obviamente, a coesão territorial e o tecido económico do município, como sucederia se o projecto consumisse recursos essenciais e não fosse capaz de gerar o retorno equivalente.

 

É, por esta razão, que defendemos, desde o início, que, pretendendo avançar com um projecto megalómano que vai mobilizar e consumir recursos essenciais do município, para mais num tempo de grave crise económica e financeira, a Câmara não o deveria iniciar sem, primeiro, fazer um estudo sério sobre a sua viabilidade e sustentabilidade económica.

 

A Câmara não pode correr o risco de um projecto destes falhar, sob pena de os abrantinos virem a pagar um preço demasiado elevado e que os pode arruinar.

 

Esta é, de facto, a questão política que nos separa: nós não aceitamos apostar o destino do concelho de Abrantes numa qualquer roleta russa, por muito elogiada que seja.

 

Sem informação, não pode haver decisão.

 

Relativamente ao nosso pedido de esclarecimento sobre a colecção de João Estrada, a questão coloca-se a outro nível, porque nunca nos passou sequer pela cabeça que a Câmara tivesse avançado para um projecto com a dimensão proposta para o Museu Ibérico sem que, antes, tivesse havido o cuidado de fazer a certificação, segundo os critérios de verificação científica, da viabilidade artística da colecção nuclear do museu.

 

Foi, assim, mais por descarga de consciência do que por acreditar que as mesmas tivessem algum fundamento, que colocámos aqui questões que, em Abrantes, pessoas com credibilidade, inclusive, comentam ou dão como assentes.

 

Tanto mais que não nos parecia crível que a Câmara tivesse sido tão inconsciente que se lançasse num projecto tão arriscado como este sem, antes, ter tido o cuidado de limpar a colecção nuclear das peças falsas.

 

Por outro lado, não colocávamos sequer a hipótese de a Câmara ter aceitado a colecção se tivesse constatado que a mesma era constituída por algumas "peças preciosíssimas retiradas aos seus legítimos proprietários" (sic) por pessoas sem escrúpulos.

 

 Isto, repetimo-lo, nunca nos passou sequer pela cabeça.

 

No máximo, pensámos que poderia ter havido alguma incorporação de espólio arqueológico municipal na colecção, fruto da tal colaboração “técnica” entre o município e a fundação de que algumas pessoas falavam. Mas não mais do que isto.

 

Acontece que, apesar da senhora presidente ter preferido refugiar-se em ambiguidades, em vez de ter respondido de forma clara e objectiva ao nosso pedido de esclarecimentos, o Dr. Alves Jana foi categórico na resposta que nos resolveu dar em directo da rádio, resposta essa que ultrapassou em muito o âmbito das dúvidas aqui levantadas.

 

Ora, a partir das declarações do Dr Alves Jana, a questão deixou de se situar no campo da discussão da sustentabilidade económica do museu para passar para o campo da defesa dos valores e princípios estruturantes do nosso sistema jurídico e de todas as democracias ocidentais. Ou seja, a defesa do Estado de Direito e que se resume no seguinte: ninguém está acima da lei e do direito.

 

Consequentemente, se, como diz o Dr Alves Jana, existem na colecção "peças preciosíssimas que foram retiradas aos seus legítimos proprietários" (sic), as mesmas devem ser devolvidas a estes e quem assim procedeu deve responder por isso até para evitar que continuem a sua actividade criminosa; se, por outro lado, tudo isto não passa, afinal, de calúnias, como garante a senhora presidente, quem as profere e quem lhes deu origem também deve responder por isso para evitar que sobre a colecção, o coleccionador e os arqueólogos continuem a ser lançados todo o tipo de suspeições e indignidades.

 

Esta é a nossa posição.

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Sexta-feira, 14.05.10

I HAVE A DREAM***

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

*** Celebro o 25 de Abril com uma adaptação do conhecido discurso de Martin Luther King, o pastor evangelista defensor dos direitos cívicos americanos, ao concelho de Abrantes. 

 

Digo-lhes, hoje, meus amigos, que, apesar das dificuldades e frustrações do momento, ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho do 25 de Abril.

 

Eu tenho um sonho que um dia o concelho de Abrantes levantar-se-á e viverá o verdadeiro significado da sua crença: "Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens nascem iguais".

 

Eu tenho um sonho que um dia o concelho de Abrantes, um concelho cheio de assimetrias, sufocado pelo calor da injustiça e das desigualdades, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

 

Eu tenho um sonho que as nossas crianças viverão um dia num concelho onde os concursos públicos não serão decididos pela cor do cartão partidário, mas pelo mérito e competência de cada um.

 

Hoje, eu tenho um sonho.

 

Eu tenho um sonho que um dia as freguesias rurais do concelho, despovoadas, com más acessibilidades, onde os idosos são abandonados e esquecidos, possam oferecer aos seus filhos as mesmas condições de que gozam as freguesias urbanas, caminhando juntas, lado a lado, como irmãs.

 

Hoje, eu tenho um sonho.

 

Eu tenho um sonho que um dia todos os vales serão elevados, todas as montanhas e encostas serão niveladas, os lugares ásperos serão polidos e os lugares tortuosos serão endireitados e a glória do Senhor será revelada e todos os seres a verão, conjuntamente.

 

Esta é a nossa esperança. Esta é a fé com a qual regresso ao Sul. Com esta fé seremos capazes de retirar da montanha do desespero uma pedra de esperança. Com esta fé poderemos transformar as dissonantes discórdias do nosso concelho numa bonita e harmoniosa sinfonia de fraternidade. Com esta fé poderemos trabalhar juntos, rezar juntos, lutar juntos, ficarmos juntos em posição de sentido pela liberdade, sabendo que um dia seremos livres.

 

Esse será o dia quando todos os filhos de Deus poderão cantar com um novo significado: "O meu concelho é teu, doce terra de liberdade, de ti eu canto. Terra onde morreram os meus pais, terra do orgulho dos peregrinos, que de cada localidade ressoe a liberdade".

 

E se o concelho de Abrantes quiser ser um grande concelho isto tem que se tornar realidade. Que a liberdade ressoe então das prodigiosas arribas do Tejo. Que a liberdade ressoe das poderosas planícies do sul do concelho e das margens da barragem do norte do concelho. Que a liberdade ressoe do altaneiro castelo de Abrantes!

 

Mas não é só isso! Que, em cada munícipe, a liberdade ressoe.

 

Que a liberdade ressoe dentro do edifício da Câmara Municipal e em cada Junta de Freguesia.

 

Que a liberdade ressoe em todas as colectividades do concelho.

 

Que a liberdade ressoe em todas as rádios e jornais do concelho, incluindo no Jornal de Abrantes e no Passos do Concelho.

 

Que, de cada localidade, a liberdade ressoe.

 

Quando permitirmos que a liberdade ressoe, quando a deixarmos ressoar de cada vila e cada aldeia, de cada freguesia e da nossa cidade, seremos capazes de apressar o dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, comunistas e democratas-cristãos, socialistas e sociais-democratas, protestantes e católicos, poderão dar as mãos e cantar as palavras da antiga canção negra: "Liberdade finalmente! Liberdade finalmente! Louvado seja Deus, Todo-Poderoso, estamos livres, finalmente!" 

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Sexta-feira, 26.02.10

A ALMA SOCIALISTA

 ,

(...) Nunca como agora vi a alma [socialista] tão perdida, penada e desonrada pelo carreirismo, pela vileza e pela falta de carácter (alguns mostram horror a que se fale disso, como se o carácter não fosse a essência da nobreza política). 
Onde estão as vozes inconformadas que não se fazem ouvir ou se escondem cobardemente atrás do reposteiro das conveniências, pactuando com a mentira, o cinismo, os negócios escuros e a promiscuidade dos interesses?
Como é possível que aquilo que se mete pelos olhos dentro como punhais possa ser negado e mistificado em nome de embustes e hipocrisias formais?
Como poderá a fidelidade servil ao chefe ser colocada acima dos ideais, princípios e convicções que inspiram a verdadeira fidelidade moral e política?
Perdida a honra, que restará ao PS?»
Vicente Jorge Silva, in semanário Sol de 19/2/10 

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Sexta-feira, 08.01.10

FORMAÇÃO DESPORTIVA

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 

Numa das últimas reuniões da Câmara, votei favoravelmente o regulamento de apoio às associações desportivas, porque tenho a perfeita consciência de que estes apoios são essenciais para a sobrevivência destas associações.
 
No entanto, não posso deixar de registar, mais uma vez, o meu desencanto por constatar que a Câmara continua a olhar para a formação desportiva apenas do ponto de vista competitivo.
 
Para mim, só faz sentido apoiar a formação desportiva, se se colocar a tónica, obviamente, mais na formação do atleta como homem do que na formação do homem como atleta. Era, neste campo, precisamente, que as nossas colectividades se deviam empenhar e procurar a sua verdadeira vocação porque, mais importante do que ganhar campeonatos distritais e da terceira divisão, é formar homens e mulheres com letra grande. E, aqui sim, todo o dinheiro é bem gasto. Não há melhor investimento, nem investimento mais reprodutivo, do que nas infra-estruturas humanas.
 
Por isso, defendo que as Câmaras deveriam, por um lado, aumentar os apoios dos clubes que tivessem a segunda equipa da mesma categoria nos escalões de formação (por forma a incentivar os clubes a servir todos os jovens que querem praticar desporto e não apenas a seleccionar os melhores) e, por outro, penalizar as colectividades cujos dirigentes, treinadores, pais e jogadores demonstrassem má conduta desportiva (dando, assim, um sinal inequívoco de que a ética desportiva era um valor essencial para o município).
 
Se queremos uma sociedade de valores, este é o único caminho.

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Quinta-feira, 19.11.09

POLÍTICA E SERIEDADE

Santana-Maia Leonardo - in Nova Aliança

 
Hoje é ponto assente, para o homem comum, que os políticos são todos uns aldrabões e que só querem tacho. Agora também é verdade que a seriedade e a honestidade não são qualidades que os eleitores valorizem num político. Antes pelo contrário.
 
Não é, pois, de admirar que indivíduos condenados, indiciados ou envolvidos em casos de corrupção, favorecimento pessoal ou abuso de poder continuem a ganhar categoricamente as eleições. Ou seja, a falta de honestidade dos políticos (de que os portugueses tanto se queixam) é fruto, afinal, de uma escolha consciente desses mesmos portugueses que consideram, no fundo, a falta de honestidade uma qualidade essencial para um político poder exercer condignamente o cargo para o qual foi eleito.
 
Daí a expressão tantas vezes ouvida, relativamente a pessoas que a opinião pública tem por sérias e honestas: «o senhor é demasiado sério para ser político».
 
Tudo isto tem uma razão de ser. Num país, onde toda a gente sobrevive à conta de cunhas, subsídios e favores, todos têm a consciência do perigo que seria serem governados por alguém que fosse sério. Lá se ia o emprego da filha, o subsídio para o pessoal e a adjudicação da obra. Todos sabem da aldrabice em que vivemos. Mas poucos conseguem imaginar-se a viver sem ser assim.
 
Para já não falar do estafado argumento da obra feita com que se quer justificar o voto num político menos escrupuloso. Como se, com tantos milhões de euros de fundos comunitários, alguém pudesse não ter feito nada. Mas até, neste campo, a questão deveria ser outra. Ou seja, se a obra se justifica, se está adequada aos seus destinatários e potenciais utilizadores e se é proporcional ao dinheiro que custou.
 
Mas qual é o eleitor que se preocupa se o dinheiro que se gastou no estádio, na rotunda ou na piscina dava para fazer três estádios, três rotundas e três piscinas? Ou com o mamarracho que lhe espetaram na rotunda à porta de casa?
 
Para o povo, o que interessa é que o estádio, a rotunda e a piscina estão feitos. Quanto ao seu preço, ninguém se preocupa com isso. E se o político e a sua rede de amigos se abarbataram com algumas centenas de milhar de euros, pouco importa… O que interessa é que a obra está feita.
 
Acontece que tudo isto é pago com dinheiro dos portugueses. O dinheiro que esta gente mete ao bolso é dinheiro nosso. O dinheiro gasto na obra inútil, desnecessária e no mamarracho é dinheiro nosso. O dinheiro desbaratado em subsídios, almoços, viagens e electrodomésticos distribuídos ao domicílio é dinheiro nosso.
 
É isto que os portugueses não conseguem entender. Porque ganham pouco ou estão desempregados ou beneficiam de algumas migalhas deste esbanjamento de dinheiros públicos, os portugueses são absolutamente indiferentes à forma como os políticos derretem o nosso dinheiro.
 
Dizia Pacheco Pereira, outro dia, ao meu lado, numa acção de campanha: «um português que nasça neste momento já deve 15 mil euros». E eu olhava para a plateia e apercebia-me do que ia na cabeça daquela gente: «Eu já estou a dever tanto e a tanta gente que mais ou menos 15 mil euros pouca diferença faz» ou «que me interessa a dívida do Estado se não sou eu que a vou pagar? Eu até só ganho o salário mínimo…»
 
Os portugueses não percebem (ou não querem perceber) que a sua miséria resulta precisamente da forma como quem nos governa desbarata os recursos que são de todos nós.
 
Se os portugueses valorizassem mais a seriedade na actividade política, hoje haveria menos obras faraónicas ou inúteis, menos cunhas e menos subsídios, mas viveríamos todos muito melhor e a diferença entre pobres e ricos não seria seguramente tão grande.

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