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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

João Carlos Espada - Público de 26-1-2014

(...) Churchill tinha uma orgulhosa confiança na tradição da liberdade europeia e ocidental. Ele via essa tradição sem complexos de culpa — complexos coloniais, ou imperiais, ou capitalistas, ou aristocráticas, ou o que quer que fosse. Era uma tradição que tinha dado, e continuava a dar, um contributo claramente positivo, civilizador, à humanidade. Tinha cometido erros e abusos, sem dúvida, como qualquer empreendimento humano, sempre falível e imperfeito. Mas era uma boa causa, na qual ele sempre se sentiu confortável e da qual se sentia grato herdeiro. (...)

Enquanto admirador e estudioso desta tradição, Churchill só podia reagir com horror, desde o início, aos fundamentalismos revolucionários de Lenine e Hitler. O facto de ambos falarem em nome da ruptura revolucionária com o passado e em nome das massas trabalhadoras e dos pobres não o comoveu por um segundo. Essa era a linguagem que sempre causara repugnância ao seu credo político reformista, ordeiro, conservador, liberal e com forte sensibilidade social. (...)

Por que motivo Churchill decidiu, em nome de uma tradição reformista e pragmática, fazer guerra ao nazismo triunfante na Europa, em 1940, e depois denunciar a "cortina de ferro" bolchevista, em 1946? Eis uma hipótese de resposta, dada pelo próprio, num discurso em Paris, em 1939, denunciando o nazismo e o comunismo:

"Como poderemos nós, criados como fomos num clima de liberdade, tolerar ser amordaçados e silenciados; ter espiões, bisbilhoteiros e delatores a cada esquina; deixar que até as nossas conversas privadas sejam escutadas e usadas contra nós pela polícia secreta e todos os seus agentes e sequazes; ser detidos e levados para a prisão sem julgamento; ou ser julgados por tribunais políticos ou partidários por crimes até então desconhecidos do direito civil?” (...)

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