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COLUNA VERTICAL



Quinta-feira, 22.03.18

Um Grande contra o Enorme

Santana-Maia Leonardo

Leónidas.jpg

A grande rivalidade entre o Benfica e o Vitória, nunca é de mais recordar, tem as suas raízes, em 480 a.C, na célebre batalha das Termópilas que opôs o rei vitoriano Leónidas I e o imperador lampião Xerxes I.

O rei Xerxes I, de cognome O Glorioso, era detentor, na altura, de metade do mundo conhecido e de um exército com mais de seis milhões de soldados. Conta-se que terá escolhido as armas do seu escudo quando viu uma águia a sobrevoar o seu palácio, tendo exclamado para a sua esposa: “Que bem fica!” E, a partir daqui, o escudo de Xerxes passou a ser conhecido por "Bem-Fica" e os seus soldados por benfiquistas.

Com o objectivo de conquistar a Grécia, uma pequena parte do mundo que lhe faltava, Xerxes reuniu, em 480 a.C., um vasto exército de seis milhões de benfiquistas. A invasão da Grécia, apanhou, no entanto, as cidades gregas desprevenidas, pelo que se tornava urgente travar o avanço do exército benfiquista para dar tempo às cidades gregas de organizarem a sua defesa.

Para cumprir esse desígnio, foi mandatado Leónidas, rei de Esparta, que usava no seu brasão uma frase que veio a ser tornada célebre por Virgílio: “Vence quem crê no Vitória”. Era, aliás, precisamente por esta razão que a sua guarda pessoal era conhecida por Guarda Vitoriana.

Acompanhado apenas pela Guarda Vitoriana, composta por 300 vitorianos, Leónidas deslocou-se para o desfiladeiro das Termópilas, lugar escolhido para enfrentar e retardar o avanço dos seis milhões de lampiões comandados por Xerxes. Perante a desproporção dos dois exércitos, Xerxes, num gesto de generosidade, resolveu enviar os cartilheiros Ruy Silva, Paulo Gonçalves e Pedro Guerra para lerem em voz alta a Leónidas a cartilha enviada por Carlos Janela com vista à sua rendição imediata e incondicional.

Ruy Silva era natural do Porto mas o poder e os títulos de Xerxes fascinaram-no, tendo-se tornado num dos benfiquistas mais ferrenhos, ao ponto de Xerxes o ter nomeado para o cargo de Vice-Cartilheiro, quer na imprensa falada, quer na imprensa escrita. Convencido de que Leónidas era feito da sua cepa, os cartilheiros enviados por Xerxes tentaram deslumbrá-lo com o poder e os títulos do império benfiquista.

Acontece que Leónidas tinha nascido em Setúbal, um dos bairros mais nobres da cidade de Esparta, onde a lealdade às suas raízes era inquebrável, por muito poderoso, glorioso ou fascinante que fosse o exército adversário.

Como último argumento para demover Leónidas, Pedro Guerra disse-lhe: “O número de benfiquistas é tão grande que lançaremos sobre os teus 300 vitorianos tantos very-light que taparão o sol”. Respondeu Leónidas: “Melhor, jogaremos à sombra”.

Durante sete dias, os 300 vitorianos conseguiram vencer as sucessivas investidas do poderoso exército de seis milhões de benfiquistas. E a resistência só foi quebrada porque um pastor chamado VAR, a troco de uns vouchers, mostrou aos invasores um pequeno caminho que podiam utilizar para aceder à baliza do Vitória. No final, já cercado pelos seus inimigos, o rei Xerxes dá uma ordem a Leónidas: "Deponham armas e entreguem-se". Leónidas respondeu-lhe: "Venham buscá-las". São as últimas palavras do rei vitoriano, fazendo jus ao pedido das mães vitorianas na hora da despedida dos seus filhos para a guerra: "Meu filho, volta com o teu escudo, ou em cima dele" (ou seja, ou vitorioso ou morto). Atacados por todos os lados, foram massacrados sem piedade.

No entanto, perante a fibra e o carácter demonstrado pela Guarda Vitoriana no campo de batalha, ficou célebre a frase do Rei Xerxes: "nós somos grandes, porque somos muitos, mas eles são ENORMES pelo seu carácter."

Não foi, no entanto, uma derrota inglória. A resistência heróica dos vitorianos permitiu às cidades gregas disporem do tempo necessário para se organizarem e derrotar o exército invasor. E ainda hoje, no local onde morreram, se pode ler numa lápide: "Caminhante, vai dizer ao povo de Setúbal que glória não é seis milhões vencerem trezentos. Glória é trezentos terem a coragem de enfrentar seis milhões, por amor à sua terra e ao clube que a representa."

 

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