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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Sofia Lorena - Público de 17-8-2014

Yazidis, cristãos, turcomanos, as minorias étnicas e religiosas iraquianas continuam a ser perseguidas, executadas, raptadas. Árabes xiitas, que os jihadistas do Estado Islâmico (EI) consideram infiéis, sunitas que se opõem à barbárie. Os massacres prosseguem no Iraque.

Depois de mais um – foram mortos pelo menos 80 homens e raptadas 300 mulheres na aldeia yazidi de Kocho, poucos quilómetros a sudoeste da cidade de Sinjar –, as forças curdas lançaram este sábado uma ofensiva para tentar recuperar aos radicais a barragem de Mossul (maior cidade do Norte do Iraque e segunda maior país). Os peshmergas (combatentes curdos) contam com apoio da aviação norte-americana (caças F-18 e drones). (...)

A última matança aconteceu, então, em Kocho. Segundo relatos de políticos curdos, ONG locais e combatentes curdos que lá chegaram – “demasiado tarde”, dizem, explicando só terem encontrado cadáveres –, o EI tinha a aldeia cercada há pelo menos uma semana e foi adiando o ultimato habitual “ou se convertem ou morrem”. (...)

O jornalista Peter Kenyon, da emissora pública norte-americana NPR, enviado a Dohuk, a província do Curdistão iraquiano onde se concentra a comunidade yazidi, estima que tenham sido mortos entre 80 e “muito mais pessoas”. Os homens foram executados na rua. As mulheres foram levadas para Tal Afar, cidade controlada pelos radicais que a têm usado como prisão. Donatella Rovera, conselheira da Amnistia Internacional que acabou de viajar pela zona, diz que pelo menos 3000 mulheres e meninas estão em Tal Afar. (...)

Mais de 200 mil iraquianos chegaram ao Curdistão em fuga dos jihadistas (todos os que puderam escapar e não ficaram perdidos nas montanhas). “Há aldeias que fogem todas juntas, 80 famílias, uma comunidade em fuga”, disse ao PÚBLICO Maria Lozano, jornalista da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, horas depois de ter aterrado na Alemanha, vinda de Erbil, capital da região que os curdos do Iraque governam.

Lozano foi ver a desgraça dos cristãos, a viver em Erbil e nos seus arredores ou em Dohuk, depois de fugirem da zona de Mossul. Muitos estão em abrigos abertos pelas paróquias cristãs da região, outros vivem agora ao ar livre, em parques, em dias de 45 graus. Os yazidis, uma comunidade pré-islâmica e etnicamente curda, estão na mesma situação.