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COLUNA VERTICAL



Domingo, 14.01.18

Um país sem remédio

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 27-11-2017

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Não se pode falar em interior num país com 200 Km de profundidade e com a nossa rede de auto-estradas. Este é o principal argumento usado pelos comentadores residentes em Lisboa sempre que alguém fala em interior. Estou absolutamente de acordo. Com efeito, Portugal é uma faixa litoral tão estreita, tão pequena e tão pouco populosa que se assemelha mais a uma pequena cidade do que a um país.

Não é este o problema. Bem pelo contrário, é uma enorme vantagem. O problema português é não aproveitar esta vantagem e permitir que tudo esteja concentrado e amontoado num pequeno troço da avenida marginal.

Analisemos duas recentes medidas do Governo: a transferência para o Porto do Infarmed e mais um pacote de medidas de incentivo à fixação de população no interior. Quanto ao novo pacote de medidas para a fixação de população no interior (mais um), vai ter inevitavelmente o mesmo resultado do que os anteriores. O interior, neste momento, não necessita de medidas para fixar população. Não se pode fixar o que não existe, a não ser que o Governo esteja a pensar na criação de mais uns lares de idosos. Mas até os lares de idosos já são de mais, neste momento… O que o interior precisa é da transferência de população jovem e qualificada de Lisboa para o interior. E isso só se consegue com a deslocalização de serviços como o Infarmed, universidades, direcções-gerais, ministérios, etc. etc.

Portugal podia e devia, de facto, ser gerido como uma pequena cidade, deixando a avenida marginal para o sector comercial e empresarial e o interior da cidade para os serviços. E cada bairro da cidade podia ter uma especialização. A título de exemplo: o bairro de Trás-os Montes podia acolher, por exemplo, os ministérios, direcções-gerais, etc. relacionados com a agricultura e florestas; o bairro do Alentejo podia acolher os ministérios e as direcções-gerais, relacionadas com a Defesa, assim como os quartéis militares situados em Lisboa, o Hospital Militar e as cúpulas do Exército, etc.; o bairro das Beiras podia acolher as principais universidades públicas de Lisboa, o ministério da Educação e respectivas direcções-gerais; o bairro do Algarve o Turismo; etc. etc.

Mas basta assistir à reacção dos trabalhadores do Infarmed (e a deslocalização é apenas na avenida marginal, imagine-se se fosse para Castelo Branco ou para Guarda) e dos políticos portugueses, inclusivamente o PCP, para perceber que qualquer reforma do Estado que passe pelo repovoamento do território conta com a oposição firme de todos os partidos portugueses porque ninguém quer sair de Lisboa. As grandes reformas que todos defendem, inclusive a regionalização, estão ao serviço do modelo de desenvolvimento da Cidade Estado e não são mais do que a criação de tachos para os amigos que já lá vivem, sem que haja qualquer transferência de pessoas de Lisboa para o interior. Pelo contrário, Lisboa vai continuar a ser a foz onde vão desaguar todos os rios, ribeiros e riachos portugueses.

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