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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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19 Ago, 2016

Vasco da Gama

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Quando Bartolomeu Dias chegou a Lisboa, depois de ter dobrado o Cabo da Boa Esperança, com aquela conversa tão portuguesa de que a Índia era muito longe, D. João II, alentejano de alma e coração, tanto assim que passava a maior parte do tempo em Évora, percebeu logo que só um alentejano é que conseguia lá chegar.

D. João II conhecia o nosso povo como a palma das suas mãos. Em qualquer empreendimento, os portugueses arrancam sempre a toda a velocidade mas, na primeira subida, ficam logo com os bofes de fora. Ao contrário, os alentejanos, com o seu passinho de lesma, chegam a todo o lado num instante.

E como Vasco da Gama tinha experiência de mar porque costumava ir dormir a sesta com a namorada para a ilha do Pessegueiro, D. João II decidiu-se por  ele. Mandou-o chamar e disse-lhe: "Tens de levar o Bartolomeu até à Índia porque ele não consegue lá chegar sozinho." E o Vasco da Gama, que sabia falar inglês, respondeu: "Ok." Os alentejanos são de poucas falas. É por esta razão que os sonetos no Alentejo só têm quatro versos. Tu aqui ou desembuchas depressa ou a gente vai-se deitar.

Quando regressou da viagem, o rei D. Manuel quis saber se a Índia era muito longe: "Longe? É já ali ao virar da esquina". E foi, assim, graças ao passinho de lesma de um alentejano que os portugueses chegaram à Índia.

E os Descobrimentos só não foram um sucesso maior porque a maioria das naus eram comandadas por portugueses armados em carapaus de corrida. Iam sempre "prego na chapa" e depois, quando chegavam à curva em cotovelo, a nau dava duas cambalhotas e ia tudo ao fundo. Ou seja, o Cabo da Boa Esperança rapidamente se transformou em Cabo das Tormentas. E quem é que era o culpado? À boa maneira portuguesa, o culpado nunca eram eles, era sempre o Adamastor. Enfim, com gente desta, nunca chegamos a lado nenhum.

Ponte de Sor, 13 de Dezembro de 2014